A Conquista é um roman à clef, "romance de formação e de vida boêmia"Alexei Bueno, "Coelho Neto e Inverno em Flor", em Machado, Euclides & Outros Monstros, pp. 130-1. do escritor brasileiro Coelho Neto. Foi publicado em 1899. Narra as aventuras e desventuras (e falta de dinheiro e às vezes até de perspectivas de sucesso) de sua geração de poetas, teatrólogos, jornalistas, intelectuais, boêmios na cidade do Rio de Janeiro nos anos em que a campanha abolicionista (e o movimento republicano) estão a pleno vapor e que culminam com a libertação dos escravos. "Em A conquista, temos a reconstituição da vida literária dos fins do século XIX, livro do triunfo da geração boêmia. A narrativa nasce das andanças e encontros aleatórios pela cidade. Os boêmios em suas desventuras romanescas flanavam pelo Rio de Janeiro."Alessa Patricia Dias da Silva e Leonardo Mendes, Coelho Neto na Rua do Ouvidor: Experiência urbana e modernidade no romance brasileiro do final do século XIX, p. 33. Dentre os romances brasileiros é o que mais se aproxima da escrita de Eça de Queiroz na variedade de personagens (jovens), profusão de diálogos, riqueza descritiva.Ivo Korytowski, "Ruas do Rio segundo Coelho Neto", postagem em seu blog Literatura & Rio de Janeiro.

Aqui está a "chave" dos nomes no romance e reais dos principais personagens da obra:

Anselmo Ribas - Coelho Neto Rui Vaz - Aluísio Azevedo Paulo Neiva - Paula Ney Luiz Moraes - Luís Murat Octávio Bivar - Olavo Bilac Fortúnio - Guimarães Passos Artur - Artur Azevedo Pardal - Pardal Mallet Lins - Lins de Albuquerque Montezuma - Orozimbo Muniz Barreto

O abolicionista José do Patrocínio é chamado pelo nome completo ou pelo sobrenome Patrocínio. A Conquista refere-se à principal conquista comemorada por aquela geração: A Abolição.

Descrições do Rio de Janeiro Outro ponto forte da obra, além do ambiente artístico e intelectual, são as descrições vívidas do Rio de Janeiro da época, "a cidade ideal dos que têm na alma uma aspiração". Assim, somos transportados à zona de prostituição do Largo do Rocio, atual Praça Tiradentes ("As mulheres, debruçadas às janelas, entre as cortinas, algaraviavam. [...] Não contentes com a exposição dos corpos ainda chamavam os transeuntes [...] e aquilo lembrava uma cena de mercado oriental"), de uma janela alta (o "mirante") lançamos o olhar sobre o Rio Antigo ("Os rapazes refugiavam-se no mirante [...] vendo, à distância, a massa de verdura do parque da Aclamação [atual Praça da República], o grande quadrilátero do quartel e torres de igrejas, o zimbório da Candelária e os morros esmaltados de casas, alvas no verdor do arvoredo denso."), descobrimos que Cascadura ainda era zona rural ("meteu-se num trem e foi correr os subúrbios achando uma casa modesta, de feição campestre, com muito terreno arborizado e uma cacimba, em Cascadura, numa larga estrada quase deserta que levava aos montes."), percorremos o Largo da Carioca ainda com seu chafariz ("Chegaram ao Largo da Carioca. Em torno de um quiosque iluminado homens apinhavam-se e discutiam alegremente chuchurreando café. Uma negra, sentada nos degraus do chafariz, apregoava, em voz lamentosa, prolongando muito as palavras: 'Miiingau de ta... pioca... tá... quentinho, freguês.' Homens dormiam estirados na pedra, de papo para o ar. Dois cães corriam polo largo perseguindo-se."), descobrimos que alguns cariocas já iam à praia ("Uma multidão chapinhava na areia úmida que guardava a pegada funda até que a onda, subindo preguiçosamente, a desmanchava. Havia barracas de lona como brancas pirâmides, mas a maioria dos que mergulhavam vinha já pronta nas roupas de flanela dos estabelecimentos balneários."), percorremos o mercado do Largo do Paço, atual Praça XV:

Em certo ponto do livro, o autor, citando o dito de Balzac de que as ruas têm "qualidades e vícios humanos", traça um perfil "psicológico" de várias ruas (e uma praia) da cidade que seria mais tarde retomado, em escala maior, por João do Rio em sua A Alma Encantadora das Ruas.

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