Anteriormente à criação da Copa do Mundo de Clubes da FIFA (atual Copa Intercontinental da FIFA), algumas competições entre clubes de futebol foram consideradas, por clubes, torcedores e imprensa, como "títulos mundiais de clubes".

Uma história de 112 anos separa a primeira vez em que um clube se proclamou "campeão mundial" de futebol, o escocês Hibernian Football Club, em 13 de agosto de 1887, e a primeira vez em que a Federação Internacional de Futebol (FIFA) organizou uma competição com intento de definir o "campeão mundial" de futebol, cujo vencedor foi o Corinthians, em 14 de janeiro de 2000.

Competições anteriores à Copa Rio Internacional miniaturadaimagem|Tynecastle Stadium, estádio do Hearts, e palco de duas finais "mundiais" de clubes: Sunderland x Hearts em 1895 e Hearts x Tottenham em 1902. O primeiro clube de futebol do mundo foi o inglês Sheffield FC, fundado em outubro de 1857. A competição entre clubes mais antiga do futebol, a Copa da Inglaterra, foi criada em 1871, e a segunda, a Copa da Escócia, foi criada dois anos depois. Já em 1887, um clube se proclamou "campeão mundial de futebol": o escocês Hibernian, campeão da Copa da Escócia, que fez isso ao vencer o inglês Preston North End. Porém, o troféu "mundial" de clubes mais antigo do mundo é o dado ao escocês Renton após sua vitória de 1888 sobre o inglês West Bromwich Albion, um pequeno troféu que atualmente se encontra no Museu do Futebol Escocês, no estádio de Hampden Park, em Glasgow, Escócia. O Heart of Midlothian também se declara campeão mundial por ter vencido o duelo "Escócia x Inglaterra" em 1902.

Os clubes britânicos se declaravam campeões mundiais pelo confronto "Escócia X Inglaterra" até 1902, embora em 1901 já existissem competições de clubes em outros países: Argentina (desde 1891), França (desde 1894), Bélgica (desde 1896), Holanda (desde 1897/98) Suíça (desde 1897/98), Império Austro-Húngaro (a Challenge Cup, desde 1897/98), Itália (desde 1898) e Uruguai (desde 1900) inclusive tendo sido disputada uma competição internacional de clubes já no ano de 1900, a Copa Van der Straeten Ponthoz (que levava o nome do Conde belga que a patrocinava), disputada a partir de 1900 em Bruxelas com clubes de Holanda, Bélgica e Suíça, e que foi considerada à época na Bélgica como o "título europeu de clubes", tendo sido disputada de 1900 até 1907, e substituída em 1908 pela Copa Jean Dupuich. Porém, nesse período o futebol britânico era considerado como sendo de um nível muito superior ao do resto do mundo; desta forma, a ideia de superioridade do seu futebol levou os britânicos a considerarem até 1901 o confronto Escócia x Inglaterra como sendo o "título mundial de clubes". Esse pensamento é análogo ao que levou os espanhóis, quando do título do Real Madrid na Copa Intercontinental de 1960, a considerarem esta como "título mundial de clubes". esquerda|miniaturadaimagem|300x300px|Hotel Eden Arms, em West Auckland, Inglaterra. O hotel guardava o Troféu Sir Thomas Lipton, o troféu da primeira "Copa do Mundo de Clubes", vencida pela equipe do West Auckland em 1909 e 1911. O troféu acabaria sendo roubado e nunca mais encontrado. Em 1906, a FIFA (fundada dois anos antes) cogitou pela primeira vez organizar uma competição internacional de clubes, mas a ideia não foi à frente, e a FIFA direcionou-se ao futebol de Seleções, primeiramente com o Torneio Olímpico de Futebol a partir de 1908 e posteriormente com a Copa do Mundo a partir de 1930.

Segundo a FIFA, a primeira tentativa efetiva de que se tem notícia de criar um torneio mundial de futebol, antes mesmo da Copa do Mundo de 1930, ocorreu não com seleções mas com clubes: o Troféu Sir Thomas Lipton, disputado em Turim em 1909/1911 por clubes de quatro países europeus (Inglaterra, Itália, Alemanha e Suíça), nomeado em homenagem ao empresário escocês que o patrocinou, e vencido pela equipe amadora inglesa do West Auckland, que ficou com posse definitiva do troféu por tê-lo conquistado duas vezes consecutivas. Em 1908, um ano antes do Troféu Sir Thomas Lipton, foi realizada também na Itália uma competição semelhante, com equipes de Alemanha, França, Suíça e Itália, o Torneo Internazionale Stampa Sportiva, vencido pelo suíço Servette. Porém, apesar da semelhança entre as duas competições, o Trofeú Sir Thomas Lipton é a competição citada pela FIFA como a primeira tentativa de que se tem notícia de se fazer uma Copa do Mundo.

Em 1927, surge a "Copa da Europa Central", a Mitropa Cup, considerada a primeira competição internacional de clubes a ter tido grande impacto na Europa, primeiramente com clubes de Áustria, Hungria, Checoslováquia e Iugoslávia, mas em edições posteriores contando também com clubes de Itália, Suíça e Romênia. Na verdade, a Challenge Cup, disputada de 1897 a 1911, já contava com clubes austríacos, checos e húngaros, mas nesta época, anteriormente ao fim da Primeira Guerra Mundial, todos estavam sob a soberania do Império Austro-Húngaro, portanto não sendo uma competição "internacional" propriamente.

direita|miniaturadaimagem|275x275px|Partida entre Vasco e River Plate, partida decisiva do Campeonato Sul-Americano de Campeões de 1948, primeiro torneio no modelo "torneio entre campeões".

Em 1930, surge a Copa do Mundo da FIFA (de seleções). No mesmo ano, por iniciativa do Servette (Suíça), foi realizado um "contraponto" "versão clubes" à Copa do Mundo: a "Copa de Nações", contando com representantes de várias nações europeias, sendo que as federações grega e norueguesa de futebol reclamaram por não terem sido convidadas a participar. O árbitro da final foi Stanley Rous, cujo nome estaria mais tarde associado à FIFA, à Copa Rio Internacional, à International Soccer League e por fim à proposta original da Copa do Mundo de Clubes da FIFA. O campeão do torneio de 1930 foi o clube húngaro Újpest. Em 1937, foi disputada uma competição semelhante à de 1930, o Torneio da Exposição Internacional de Paris, vencido pelo Bologna.

Logo em seguida, veio a Segunda Guerra Mundial (1939-1945) interrompendo vários eventos esportivos, como a Copa Mitropa (que era a competição internacional de clubes mais importante no mundo na época). Após o final da 2ª Guerra Mundial, no final dos anos 1940 voltaram a ser realizados importantes torneios internacionais de clubes: o Campeonato Sul-Americano de Campeões (1948) e a Copa Latina (a partir de 1949), que foram os primeiros torneios criados no modelo "torneio de campeões". Na época, as duas entidades internacionais oficiais do futebol então existentes (FIFA e CONMEBOL) não organizavam competições de clubes diretamente, mas seus dirigentes participavam da organização: o chileno Luiz Valenzuela, então presidente da CONMEBOL, participou da organização do Campeonato Sul-Americano de Campeões, enquanto na Europa Jules Rimet e Ottorino Barassi participavam da criação da Copa Latina.

Copa Rio Internacional miniaturadaimagem|227x227px|Copa Rio de 1951. Segundo o jornal O Estado de S. Paulo de 22 de julho de 1950, foi Stanley Rous quem propôs à CBD em 1950 (quando ele era secretário-geral e um dos vice-presidentes da FIFA) que a CBD realizasse um "torneio de campeões de todos os países filiados à FIFA", competição que em 1951 tomou forma na Copa Rio Internacional e contou com a participação do próprio Rous em sua organização (ainda que o "pai original" da ideia não tenha sido Rous: de acordo com o jornal italiano La Stampa de 21 de julho de 1951, a ideia foi originalmente lançada durante a Copa do Mundo de 1950 pelo jornalista britânico Frank Thompson do jornal The Daily Mirror de Londres). Após a Copa do Mundo, o jornalista francês Albert Laurence, em sua coluna no Jornal dos Sports e o Jornal do Brasil, atribuía ao jornalista Mário Filho a ideia da Copa Rio devido ao sucesso do Mundial de 1950, o jornalista sugeriu um novo torneio, chamando-a de Torneio Mundial dos Campeões e Campeonato Mundial de Quadros de Clubes Campeões.

A Copa Rio Internacional foi originalmente idealizada em julho de 1950, como uma "versão clubes" da Copa do Mundo de 1950, objetivando contar com os clubes campeões dos países participantes daquela Copa: o planejamento original da Copa Rio era contar com dezesseis clubes campeões, o mesmo número de participantes originalmente planejado para a Copa do Mundo de 1950, mas mediante as dificuldades para trazer quadros estrangeiros, reduziu-se para oito o número de participantes, a serem os campeões dos dois principais estados do Brasil (Rio de Janeiro e São Paulo) e os campeões de seis entre oito outros países (Portugal, Itália, Inglaterra, Uruguai, Espanha, Escócia ou Suécia, e talvez Argentina, substituindo um dos europeus), considerados as maiores forças do futebol à época, seja pela sua colocação na Copa do Mundo de 1950 (Uruguai, Suécia, Espanha), pela sua tradição no futebol (Itália, Escócia, Inglaterra), com o campeão de Portugal cogitado em função dos laços afetivos com o Brasil e o campeão da Argentina cogitado para substituir um representante europeu e equilibrar em 4-4 o número de clubes de cada continente na competição.

Segundo o Jornal dos Sports (edição 6525, de 29 de novembro de 1950), a possibilidade de participação de uma equipe sueca fora aventada pelo Sr. Castello Branco (presidente do Conselho Técnico da CBD), haja vista a colocação da Suécia na Copa do Mundo de 1950. Porém, o tricampeão sueco Malmö FF não foi convidado porque não havia agradado em excursão anterior ao Brasil. Mário Filho também propôs que fossem doze clubes participantes e não oito, pois segundo ele, o número oito limitava a competição. Ao vislumbrar quais quatro clubes seriam convidados adicionalmente caso fosse concretizada a proposta de doze clubes, Mário Filho citou equipes de Suécia, Iugoslávia, Áustria e o campeão do Torneio Rio-São Paulo.

A proposta que acabou sendo adotada, contudo, foi a de 8 clubes, a serem os campeões de Rio de Janeiro, São Paulo, Uruguai, Portugal, Itália, Espanha, Escócia e Inglaterra. Porém, os possíveis representantes espanhol, inglês e escocês (Barcelona ou Atlético de Madrid; Tottenham ou Newcastle; Hibernian) declinaram o convite e foram substituídos por equipes de França, Áustria e Iugoslávia. Em função do contexto dos pós-2ª Guerra (ocupação da Alemanha pelas potências vencedoras da Guerra e divisão do país; formação da "Cortina de Ferro"), alguns países (como Alemanha, União Soviética, Checoslováquia, Hungria, Polônia, Romênia) não participaram da Copa do Mundo de 1950 e não foram convidados à Copa Rio (por exemplo, clubes da Alemanha, por Lei Federal, só poderiam sair do país com autorização das Autoridades de Ocupação de sua área).

Ottorino Barassi teria tentado amenizar as hostilidades entre a CBD e a AFA (a Associação Argentina de Futebol), e garantir um convite a um representante argentino à competição, mas não logrou sucesso, e a CBD decidiu não convidar representantes da Argentina, em função da mesma não ter participado da Copa do Mundo de 1950. o que por sua vez ocorreu em virtude de relações ruins com a CBD, A CBD tampouco planejava contar com equipes da França pelas mesmas razões (a não participação desta na Copa do Mundo de 1950), mas acabou convidando o campeão francês Nice dado que não houve interesse dos clubes espanhóis, sobrando a vaga deste país. esquerda|miniaturadaimagem|258x258px|Giampiero Boniperti, da Juventus, artilheiro da Copa Rio de 1951.