Picos é um município brasileiro do estado do Piauí. Conforme estimativa populacional do censo de 2022 pelo IBGE, sua população era de habitantes.
Geograficamente, a cidade é cortada pelo rio Guaribas e situa-se na região centro-sul do Piauí. Essa característica aliada ao seu posicionamento geográfico lhe conferem a condição de polo comercial no Piauí, e até para outros estados; especialmente para combustíveis, serviços e mel. É cortada pela BR-316 (Rodovia Belém - Maceió), BR-407 (Rodovia Juazeiro/BA - Piripiri/PI), BR-230 (Rodovia Transamazônica) e fica muito próxima a BR-020 (Rodovia Brasília - Fortaleza). É o maior município produtor de mel do país, segundo o IBGE.
Picos, de acordo com o censo de 2022, é a terceira maior cidade do Piauí em habitantes. Com mais de 80 mil pessoas, Picos tem a terceira maior densidade demografia do estado (143,9 pessoas por km²), atrás apenas de Teresina e Parnaíba.
História Fundada por portugueses, à origem do município de Picos deu-se como a maioria das cidades piauienses mais conhecidas, através da atividade econômica que era a mais desenvolvida neste território, a pecuária. Segundo fontes históricas acredita-se que a cidade tem origem no povoado de Bocaina, ligado a capital colonial Oeiras (Piauí). Inicia-se com a chegada dos primeiros fazendeiros de gado, vindos diretamente de Portugal nos anos de 1740, trazendo alguns escravos negros africanos e gado, ocupando grandes territórios.
A construção de uma capela em 1754 sob a invocação de Nossa Senhora da Conceição pelo sertanista Antônio Borges Leal Marinho foi o marco inicial desse seu povoamento. Neste período, o território de Picos pertencia ao município de Oeiras (Piauí). A família Borges Leal, que à época ocupava grandes áreas de terras nos arredores do município. Félix Borges Leal, um dos descendentes, fundou nessa região uma de suas mais importantes fazendas, a Fazenda Curralinho ou Retiro Curralinho, como também era conhecida, aproveitando as terras que eram favoráveis a criação do gado solto e também do rio que fornecia água em abundância.
O processo de povoamento do futuro município deveu-se ao desdobramento dessa fazenda. A cidade recebeu o nome de Picos dos colonizadores portugueses, devido a se encontrar em uma região rodeada por montes picosos, semelhantes aos Picos da Europa. Local de terras férteis, desenvolveu-se rapidamente graças ao Rio Guaribas que por muito tempo abasteceu a população, oferecendo lhe água e diversas vazantes favorecendo o plantio em suas margens e várzeas.
O governo administrativo da Província do Piauí, tentou implantar um núcleo italiano no semiárido piauiense, oferecendo ao governo da Itália a possibilidade de fazer investimentos econômicos no Estado. Assim, em 1895, chegaram 40 famílias italianas em Picos mas, novamente, a tentativa não deu certo, pois 28 famílias se negaram a se instalar nos lotes e as outras 12 foram repatriadas de volta a Itália em 1898.
A região de Picos por muitos anos atraiu diversas pessoas que buscavam locais para se desenvolver e negociantes vindos da Bahia e Pernambuco, que vinham para negociar animais principalmente gado e cavalo além de outros produtos. Era um negócio lucrativo e muito rentável.
A seca de 1932 Em 1932, a cidade de Picos passou por um período de estiagem, segundo conta foi uma das piores, mesmo com a presença do Rio Guaribas, os efeitos foram quase nulos, que por causa disso concedeu à cidade o status de abrigo seguro para os migrantes vindo de outros estados e municípios.
A década de 1940 thumb|esquerda|O município de Picos no início do século XX.|301x301pxEntre os anos 40 o município era apenas um aglomerado de residências de características rurais, era bastante verde devido ainda possuir mata ao redor das margens do Rio Guaribas, alguns trechos correspondia a propriedades particulares e eram dedicados a cultura de vazante realizadas durante o verão, dentre os produtos cultivados se destacavam a alface, o coentro, cebolinha, cebola e sobretudo o alho, produto no qual, o município passou por vários anos como grande produtor nacional.
A outra atividade comum era a lavagem de roupas que era muito comuns grupos de mulheres utilizarem a o rio para essa finalidade. Dentre outras atividades destacavam-se, os banhos nos poços, no qual eram determinados por sexo, práticas da pesca com a utilização de anzóis, redes, tarrafas ou até mesmo com as mãos.
A época de ouro da cidade de Picos (anos 1950)
Essa época de ouro consagrada no município foi marcante devido a grandes alterações tanto no contexto político, social e econômico. Na década de 1950, segundo dados do censo do IBGE a população do município era de 54.713, sendo que 50.145 (91,65%) na área urbana e 4.568 (8,35%) na área rural. No mesmo ano, cresce a economia em Picos a indústria e o comércio ativo aumentando a demanda de produtos e seus consumidores.
thumb|left|Enchente que alagou o município de Picos nos anos 60.|300x300px
Nessa época tem relatos de vários acontecimentos marcantes como a chegada da primeira sorveteria, a chegada do candidato a presidência da República pela UDN, o Brigadeiro Eduardo Gomes, melhorias na rede elétrica e no sistema de abastecimento d'água com a perfuração de vários poços. A partir desse período Picos passa a perder seus territórios a partir de 1954 com a perda do seu primeiro território que passaria a formar o município de Itainópolis.
Segundo depoimento do Sr. José Manoel de Almondes descendente de imigrantes portugueses estabelecidos em Picos, presenciou a época das enchentes relatou o seguinte:
"Foi um período de muitas chuvas, de chuvas intensas e torrenciais, choveu em muita região do Piauí, as pessoas viviam amedrontadas pela quantidade de água que acumulou em diversas ruas em Picos, muitas plantações destruídas e muitos animais mortos, me recordo muito bem da intensidade da água que foi acumulada no Rio Guaribas. A água era tão intensa que levava tudo que tinha na frente, inclusive vi muitos animais, principalmente o gado sendo levado pela correnteza, presenciei o momento em que em que a ponte caiu, a água carregava tantas árvores que elas se prenderam nos pilares da ponte, e com a força da água ela não suportou, de repente ouvi um estralo muito forte e a ponte caiu, levando todo o material no qual a ponte era constituída. Depois que o período de enchente foi acabando, reconstruíram novamente a ponte, dando acesso a outra parte do município de Picos."
Geografia Clima Segundo dados do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), referentes ao período de 1965 (a partir de 1° de novembro) a 1970, 1973 a 1980 e a partir de 1993 (desde 1° de novembro), a menor temperatura registrada em Picos foi de em 15 de julho de 1967, e a maior atingiu em 21 de outubro de 2015. O maior acumulado de precipitação em 24 horas foi de 140 milímetros (mm) em 14 de abril de 2002. Outros grandes acumulados foram em 4 de março de 1982, em 26 de abril de 1977, em 29 de março de 2010 e em 17 de abril de 1994. O menor índice de umidade relativa do ar foi observado na tarde de 6 de novembro de 2008, de 13%.
Localização Localiza-se a uma latitude 07º04'37" sul e a uma longitude 41º28'01" oeste, localizada na região centro-sul do Piauí.
Relevo e hidrografia Os solos deste município estão representados pelos seguintes solos com horizonte latossólico, solos pouco desenvolvidos, solos soncrecionários tropicais de característica suave, ondulada, apresentando testemunhos espaços, com predominância de solos litólicos e areias quartzo e de natureza argilosa. Tem como acidentes geográficos o Rio Guaribas, o Rio Itaim e a Lagoa das Abóboras.
O Município de Picos está a 206 metros acima do nível do mar e apresenta em seu relevo inúmeros picos argilosos, que se erguem nas proximidades ribeirinhas, e as serras rochosas que dão a impressão de que a cidade está localizada numa cratera, fazendo surgir os denominados baixões agrícolas piauienses. O município conta ainda, com cursos naturais de água como o Rio Guaribas que, ao contrário dos demais rios piauienses, que cortam seu relevo no sentido sul-norte ou sudeste-noroeste, este faz o sentido oposto, ou seja, norte-sul, até suas águas encontrarem o rio Itaim, Riacho Vermelho, Riacho dos Macacos, além de possuir o maior lençol freático na região.
Demografia
Política Os dois primeiros anos da República (1889 a 1890) foi um período de caos total no Piauí, o processo de transição política acontecia e a presença firme do coronelismo estavam com os dias contados, os militares tomaram o poder no país, pelo menos era o medo dos coronéis, sem contar que o município iniciava o processo de emancipação política em meio a esse caos em que se passava todo o Estado, sendo que, esse período foram os mais agitados em Picos, registrando-se o escapamento do Juiz da Comarca e a prisão do padre Benedito Portela Lima segundo relatos históricos eram um dos simpatizantes ao processo de mudança político e democrático.
A política administrativa na cidade de Picos começou ainda no período de transição de vila para a categoria de cidade no ano de 1890.
Os coronéis tinham bastante influência política, com o medo da política da derrubada do Governo de Floriano Peixoto e a criação da Constituição Piauiense em 1891 no Governo Estadual de Gabriel Luís Ferreira, a política local inicia um processo de "eleição" através da "indicação de sucessor político".
No ano de 1892 foi realizada a primeira eleição para prefeito, quando transferiu o cargo para Helvídio Clementino de Sousa Martins (filho de Clementino de Sousa Martins), passando a ser o primeiro prefeito de Picos pelo voto direto.
A forte presença política do coronelismo marcou os primeiros anos da República em todo o Estado, os primeiros representantes eram oriundos da oligarquia que controlava a política em todo o Piauí. Nos anos de 1920 começa a insatisfação popular nos locais onde a presença política oligárquica era muito forte e presente. A situação ocorreu até 1945 com a ascensão de Getúlio Vargas ao poder com a criação do Estado Novo.
A Câmara Municipal teve como primeiro presidente o coronel Clementino de Sousa Martins, filho do legendário piauiense Major Manoel Clementino de Sousa Martins, herói da Balaiada, exerceu, também o cargo de Prefeito (intendente) por dois anos. Prefeitos de Picos
Leis provinciais e estaduais 1851 Já bastante desenvolvida, a elevação do povoamento à categoria de freguesia deu-se a invocação de Nossa Senhora dos Remédios, através da Resolução Provincial Nº 308 de 11 de setembro de 1851. O seu primeiro pároco foi o padre José Dias de Freitas.
1855 Devido ao constante crescimento da freguesia, foi desmembrado de Oeiras, mais anexado ao seu Judiciário (Comarca de Oeiras). Foi elevado à categoria de vila através da Resolução Provincial Nº 397 de 20 de dezembro de 1859.
1859 Como a Lei Provincial Nº 468 de 1859, o tempo judiciário de Picos foi desmembrado da Comarca de Oeiras, anexando-o a Comarca de Jaicós e assim permanecendo até o ano de 1889. Sendo então desanexada a Comarca de Picos juntamente com o município de Patrocínio, hoje, Pio IX.
1889 Pelo Decreto de 28 de dezembro de 1889 é instalada a Comarca de Picos pelo seu primeiro Juiz de Direito, Dr. João Leopoldino Ferreira, tendo como promotor o coronel Josino José Ferreira.
1890 A elevação da vila à categoria de cidade verificou-se através da Resolução Estadual Nº 33 de 12 de dezembro de 1890, assinada pelo então chefe de Governo Estadual João da Cruz Santos o Barão de Uruçuí, desmembrando de Oeiras.
Quando da divisão administrativa verificada em 1993, o município de Picos apresentava-se com 2 (dois) distritos, sendo o 2 de Patrocínio, hoje Pio IX.
Subdivisões e formação administrativa 400px|thumb|right|Mapa territorial de Picos e seus respectivos desdobramentos territoriais.
A área territorial inicial definida pelas Divisões Administrativas para o município de Picos era da ordem de 4.756 Km2 e permaneceu incólume por muitos anos.