Pedro Albizu Campos (12 de setembro de 1891Luis Fortuño Janeiro. Album Histórico de Ponce (1692-1963). p. 290. Ponce, Puerto Rico: Imprenta Fortuño. 1963. – 21 de abril de 1965) foi um advogado e político porto-riquenho, figura líder no movimento de independência de Porto Rico. Dotado em línguas, ele dominava seis, graduado da Escola de Direito de Harvard com a maior nota de sua turma de direito, teve como recompensa o direito ao discurso de orador oficial em sua cerimonia de graduação. Contudo, animus direcionados à sua herança miscigenada levariam seus professores a atrasar duas de suas prova finais no intento de fazê-lo terminar a graduação no tempo predeterminado."Juramentación de Pedro Albizu Campos como Abogado: Regreso de Harvard a Puerto Rico", La Voz de la Playa de Ponce, Edición 132, November 2010. Page 7. A reproduction of a segment from the book Las Llamas de la Aurora: Pedro Albizu Campos, un acercamiento a su biografía, by Marisa Rosado (San Juan, Puerto Rico: Ediciones Puerto. 1991.) Durante seu tempo em Harvard ele fundou os Cavalheiros de Colombo juntamente a outros estudantes católicos.Marisa Rosado, Pedro Albizu Campos: Las Llamas de la Aurora (San Juan, PR: Ediciones Puerto, Inc., 2008), pp. 56-74. Ele também se tornou fortemente envolvido na luta irlandesa pela independência.Boston Daily Globe, November 3, 1950.Marisa Rosado, Pedro Albizu Campos: Las Llamas de la Aurora (San Juan, PR: Ediciones Puerto, Inc., 2008), p. 71.
Albizu foi o presidente e porta-voz do Partido Nacionalista Porto-riquenho de 1930 até sua morte em 1965. Devido às suas habilidades oratórias, ele foi saudado como "El Maestro" (O Professor).Victor Villanueva. Colonial Memory and the Crime of Rhetoric: Pedro Albizu Campos. 2009. Page 636. Foi preso por 26 anos pela tentativa de derrubar o governo estadunidense em Porto Rico.
Em 1950, ele planejou e pediu por levantes armados em diversas cidades em Porto Rico em nome da independência. Depois disso, foi condenado e preso novamente. Morreu em 1965 pouco tempo após receber perdão e liberdade da prisão federal, algum tempo depois sofre um AVC. Há controversas acerca de seu tratamento médico na prisão.
Juventude e educação Pedro Albizu Campos nasceu em Tenerías, parte do bairro de Machuelo Abajo em Ponce, Porto Rico, filho de Juana Campos, uma empregada doméstica de ascendência espanhola, africana e também de povos taínos, em 12 de setembro de 1891. Seu pai, Alejandro Albizu Romero, conhecido como ''El Vizcaíno'' (O Biscaíno), era um comerciante basco oriundo de uma família de imigrantes espanhóis que residiram temporariamente na Venezuela.Federico Ribes Tovar, Albizu Campos" Puerto Rican Revolutionary, p. 17. Note: It says that his father, Alejandro Albizu Romero, known as "El Vizcaíno", was a Basque merchant living in Ponce. His mother, Julia Campos is described as being of Spanish, Indian (Taíno) and African descent. De uma família educada, Albizu era sobrinho do compositor de danza Juan Morel Campos e primo do educador porto-riquenho Dr. Carlos Albizu Miranda. Sua mãe morreu quando ele ainda era jovem, e seu pai não o reconheceu até Albizu ingressar em Harvard.A. W. Maldonado, Luis Muñoz Marín: Puerto Rico's Democratic Revolution, La Editorial, University of Puerto Rico, 2006, p. 85
Albizu se graduou pelo Colégio de Ponce,Puerto Rico's Secret Police/FBI Files on Suspect #4232070, Pedro Albizu Campos., Federal Bureau of Investigation. In, "Freedom of Information - Privacy Acts Section. Office of Public and Congressional Affairs. Subject: Pedro Albizu Campos. File Number 105-11898, Section XIII." Page 38. Retrieved 31 December 2011. uma "escola pública para a elite branca da cidade". Em 1912, Albizu foi premiado com uma bolsa de estudos para estudar engenharia, com especialização em química, na Universidade de Vermont. Em 1913 ele se transferiu para a Universidade Harvard, a fim de continuar seus estudos.
Com a eclosão da Primeira Guerra, Albizu voluntariou-se na Infantaria dos Estados Unidos e recebeu como comissão o cargo de Segundo Tenente na Reserva do Exército e foi enviado para a cidade de Ponce, onde organizou a guarda da cidade. Ele foi convocado para servir no exército regular e enviado para Camp Las Casas para demais treinamentos. Uma vez completo o treinamento, foi designado para o 375º Regimento de Infantaria. O Exército dos Estados Unidos, em ato segregacionista, atribuiu aos porto-riquenhos como reconhecidamente descendentes de africanos como soldados a serem enviados para as unidades "todos os negros'' , assim como o 375º regimento. Oficiais eram homens classificados como brancos, assim como Albizu Campos.
Albizu foi dispensado com honrarias do exército em 1919, com posto de Primeiro Tenente. Contudo, sua exposição ao racismo durante seu tempo no exército estadunidense alterou sua perspectiva na relação de Porto Rico com os Estados unidos, e ele se tornou principal defensor da independência de Porto Rico.
Em 1919, Albizu retornou aos seus estudos em Harvard, onde foi eleito presidente do Clube Cosmopolita de Harvard. Ele se reuniu com estudantes estrangeiros e líderes mundiais tais como Subhas Chandra Bose, líder indiano nacionalista, e o poeta hindu Rabindranath Tagore. Ele tornou-se interessado na causa da Independência da Índia e também ajudou a estabelecer diversos centros em Boston pela Independência da Irlanda. Por meio desse trabalho, Albizu conheceu o líder irlandês Éamon de Valera e se tornou um consultor na elaboração da constituição do Estado Livre Irlandês.
Albizu se graduou pela Faculdade de Direito de Harvard em 1921, enquanto simultaneamente estudava literatura, filosofia, engenharia química e ciência militar em Harvard. Ele era fluente em seis idiomas modernos e duas línguas clássicas: inglês, espanhol, francês, alemão, português, italiano, latim e grego arcaico.
Uma vez graduado em direito, Campos angariou posições de prestígio, incluindo o cargo de secretário no Supremo Tribunal dos Estados Unidos, um posto diplomático no Departamento de Estado dos Estados Unidos, a vice-presidência regional, (região do Caribe) de um sindicato agrícola dos Estados Unidos, e um compromisso de professor efetivo para a Universidade de Puerto Rico.
Em 23 de junho de 1921, Albizu retornou a Porto Rico—mas sem o seu diploma em direito. Ele havia sido vítima de preconceito racial por um de seus professores, o qual atrasou propositalmente seus exames finais do terceiro ano para cursos em Evidência e Corporações. Albizu estava para se graduar com a maior nota média de sua turma inteira de direito. Por essa razão, seria ele a realizar o discurso como Orador em sua despedida durante as cerimônias de formatura. Contudo, seu professor atrasou seus exames, de modo que ele não pôde completar seu trabalho, evitando assim o "constrangimento" de um Orador porto-riquenho."Juramentación de Pedro Albizu Campos como Abogado: Regreso de Harvard a Puerto Rico", La Voz de la Playa de Ponce, Edición 132, November 2010. Page 7. A reproduction of a segment from the book Las Llamas de la Aurora: Pedro Albizu Campos, un acercamiento a su biografía, by Marisa Rosado (San Juan, Puerto Rico: Ediciones Puerto. 1991.), p. 74.
Albizu deixou os Estados Unidos. Aprovado em duas provas em Porto Rico, em junho 1922 recebeu seu diploma de Direito pelo correio. Passado no exame, foi admitido à barra em Puerto Rico em 11 de fevereiro de 1924."Juramentación de Pedro Albizu Campos como Abogado: Regreso de Harvard a Puerto Rico", Periódico La Voz de la Playa de Ponce, November 2010, p. 7
Casamento e Família
Em 1922, Albizu casou-se com a Dr. Laura Meneses, uma bioquímica peruana que conhecera em Harvard. Eles tiveram quatro filhos chamados Pedro, Laura, Rosa, Emília e Héctor.Marisa Rosado, Las Llamas de la Aurora: Pedro Albizu Campos, pp.98-107; Ediciones Puerto, Inc., 2008
Contexto histórico Após aproximadamente 400 anos de dominação colonial sob o Império Espanhol, Porto Rico finalmente recebe sua autonomia colonial em 1898 através da Carta de Autonomía. Essa carta foi assinada pelo Primeiro Ministro Espanhol Práxedes Mateo Sagasta e ratificada pela Corte Espanhola.Ribes Tovar et al., p.106–109
Apesar disso, alguns meses depois os Estados Unidos reivindicou a posse da ilha como parte do Tratado de Paris (1898), que encerrava a Guerra Hispano-Americana. A parcela da população que se opôs à aquisição no decorrer dos anos formaram o Partido Nacionalista Porto-Riquenho. Eles partiam do princípio que, de acordo com leis internacionais, o Tratado não concedia autorização à Espanha a ''dar'' o que já não lhe pertencia.Ribes Tovar et al., p.122–144
Vários anos após deixar Porto Rico, em 1913 Charles Herbert Allen, o primeiro ex-governador civil estadunidense da ilha se tornou presidente da Companhia Americana de Refino de Açúcar (American Sugar Refining Company,, Charles H. Allen Resigns", New York Times, 16 June 1915, accessed 2 November 2013 a maior do mundo no ramo. Em 1915 ele resignou para reduzir suas responsabilidades, mas permaneceu na equipe. Essa companhia, mais tarde fora renomeada para Companhia de Açúcar Domino (Domino Sugar Company). De acordo com o historiador Federico Ribes Tovar, Charles Allen alavancou seu governo em Porto Rico por meio de um controle acionário em toda a economia porto-riquenha.Federico Ribes Tovar; Albizu Campos: Puerto Rican Revolutionary, pp. 122–144, 197–204; Plus Ultra Publishers, 1971
Em meio aos problemas da Grande Depressão, o movimento nacionalista drenou energia dos ultrajes de Río Piedras (1935) e do Massacre de Ponce (1937). Eles acreditavam que esses eventos mostravam a extensão da violência que o governo, apoiado pelos Estados Unidos, usariam a fim de manter o regime colonialista em Porto Rico.Manuel Maldonado-Denis, Puerto Rico: A Socio-Historic Interpretation, pp. 65–83; Random House, 1972 O motivo da violência, especialmente durante a Grande Depressão era bastante simples: os lucros gerados por esse arranjo colonial eram enormes.César J. Ayala; American Sugar Kingdom, pp.221–227; University of North Carolina Press, 1999
Estados Unidos e expansão na América Latina thumb|300px|Presidente Roosevelt empunhando um grande porrete, com fins imperialistas, na região do Caribe. Por volta de 1930, mais de 40% de toda a terra arável em Porto Rico estava convertida em plantações de açúcar, cujas pertenciam inteiramente aos interesses bancários estadunidenses. Esses sindicatos bancários também eram detentores da ferrovia litoral inteira como também do Porto Internacional de San Juan. Essa agressiva propriedade de terras não se limitavam a Porto Rico.
Em 1912 a companhia de bananas Cayumel Banana, uma corporação estadunidense, orquestrou a invasão militar em Honduras ordenando a obtenção de centenas de milhares de acres de terras hondurenhas e exportação isenta de impostos de toda sua cultura de bananas.Rich Cohen, The Fish That Ate the Whale. New York: Farrar, Straus & Giroux, 2012, pp. 14–67
Em 1928, a United Fruit Company, uma corporação também estadunidense, se apropriou se 200 mil acres de terras férteis colombianas. Em dezembro desse mesmo ano, seus oficiais suprimiram uma greve de trabalhadores no episódio que ficou conhecido como o Massacre das Bananas, resultando na morte de 1000 pessoas incluindo mulheres e crianças. p. 16 p. 132
Em 1930, a United Fruit possuía mais de 1 milhão de acres de terra na Guatemala, Honduras, Colombia, Panamá, Nicarágua, Costa Rica, México e Cuba. Por volta de 1940, apenas em Honduras, a United Fruit detinha cerca de 50% de toda terra privada do país.
Em 1942, a United Fruit detinha cerca de 75% das terras privadas da Guatemala, além da maioria das rodovias, estações de energia, de telefonia, o único porto voltado para o pacífico e cada quilômetro de malha ferroviária.Cohen, p. 174.