A Guerra Civil Iemenita é um conflito entre duas entidades que reivindicam constituir o governo iemenita, juntamente com os seus apoiantes. Os separatistas do sul e as forças leais ao governo de Abd Rabbuh Mansur Hadi, com sede em Áden, entraram em conflito com os Houthis e as forças leais ao ex-presidente Ali Abdullah Saleh. A al-Qaeda na Península Arábica e o Estado Islâmico do Iraque e do Levante também têm realizado ataques, com a AQPA controlando faixas de território no interior e trechos da costa.
Em 22 de março de 2015, uma ofensiva dos houthis começou com combates na província de Taiz. Em 25 de março, Taiz, Mocha e Lahij caíram para os houthis e estes chegaram aos arredores de Áden, a sede do poder do governo de Hadi. No mesmo dia, Hadi fugiria do país. e uma coalizão liderada pela Arábia Saudita lançaria operações militares, usando ataques aéreos para restaurar o antigo governo iemenita, e os Estados Unidos forneceram inteligência e apoio logístico para a campanha.
O conflito tem sido marcado por massacres, excessos e violações de direitos humanos. Condenações grandes recaem especialmente sobre a intervenção militar saudita na guerra, que causa enorme devastação e perdas de vidas civis.Saudi Arabia and al-Qaeda Unite in Yemen
Antecedentes
Alegações de apoio externo Os houthis há muito são acusados de serem proxies do Irã, que compartilha sua fé xiita. Os Estados Unidos e a Arábia Saudita têm alegado que os houthis recebem armas e treinamento do Irã. Os houthis e o governo iraniano negam qualquer tipo de afiliação. A Eritreia também foi acusada de canalizar material iraniano aos houthis, bem como oferecer cuidados médicos para os combatentes feridos. O governo da Eritreia chamou as acusações de "infundadas" e afirmou após do início das hostilidades abertas que encara a crise iemenita "como um assunto interno". Documentos do Wikileaks sugerem que privadamente as autoridades norte-americanas acreditam que as alegações de apoio iraniano aos houthis foram exageradas pelo governo iemenita por motivos políticos.
O governo do Iêmen, por sua vez, tem desfrutado de apoio internacional considerável dos Estados Unidos e das monarquias árabes do Golfo. Ataques aéreos estadunidenses foram realizados regularmente no Iêmen durante a presidência de Hadi em Saná, geralmente visando a Al-Qaeda na Península Arábica. Os Estados Unidos também foi um importante fornecedor de armas para o governo iemenita, embora de acordo com O Pentágono, centenas de milhões de dólares no valor desse material está desaparecido desde que foi entregue. A Arábia Saudita forneceu ajuda financeira para o Iêmen até o final de 2014, quando a suspendeu em meio a tomada de Saná pelos houthis e sua influência crescente sobre o governo iemenita.
Inicio do conflito Tropas leais a Hadi entraram em confronto com aqueles que se recusaram a reconhecer a sua autoridade em uma batalha pelo Aeroporto Internacional de Áden em 19 de março. As forças do general Abdul-Hafiz al-Saqqaf foram derrotadas e o próprio al-Saqqaf supostamente fugiu para Saná. Em aparente retaliação pela derrota de al-Saqqaf, aviões de guerra supostamente pilotados por houthis bombardearam complexos de Hadi em Áden.
Após os atentados em uma mesquita em Saná em 20 de março de 2015, em um discurso televisionado Abdul-Malik al-Houthi, o líder dos houthis, afirmou que a decisão do seu grupo de mobilização para a guerra era "imperativo" nas circunstâncias atuais e que Al-Qaeda na Península Arábica e suas afiliadas - entre as quais ele inclui Hadi - seriam os alvos, ao contrário do sul do Iêmen e os seus cidadãos. O presidente Hadi declarou Áden como capital provisória do Iêmen enquanto Saná permanecesse sob controle houthi.
Além disso, no mesmo dia dos atentados na mesquita, militantes da Al-Qaeda capturaram a capital provincial de al-Houta depois de matar cerca de 20 soldados, antes de serem expulsos várias horas mais tarde.Yemen mosque bombings 'could only be done by the enemies of life' – president
Acontecimentos políticos Hadi reiterou em um discurso em 21 de março que ele era o presidente legítimo do Iêmen e declarou: "Vamos restaurar a segurança para o país e hastear a bandeira do Iêmen em Saná ao invés da bandeira iraniana". Além disso declarou oficialmente Áden como sendo a "capital econômica e temporária" do Iêmen devido à ocupação houthi de Saná, que prometeu que seria retomada.
Em Saná, o Comitê Revolucionário Houthi nomeou o major-general Hussein Khairan como novo ministro da Defesa do Iêmen e colocou-o no comando geral da ofensiva militar.
Ofensiva no sul Controle de Taiz As forças dos houthis apoiadas por tropas leais a Saleh invadiram Taiz, a terceira maior cidade do Iêmen, em 22 de março. Encontraram pouca resistência, embora os militantes houthis supostamente dispararam para o ar para dispersar os protestos. Um manifestante foi morto e outros cinco ficaram feridos. Os meios de comunicação ocidentais começaram a sugerir que o Iêmen estava resvalando em uma guerra civil uma vez que os houthis do norte enfrentavam redutos no sul.
Em Taiz, cinco manifestantes foram mortos pelos houthis e 80 ficaram feridos durante um protesto em 24 de março contra a sua presença na cidade, enquanto na cidade de Al Turba, a 80 km a sudoeste de Taiz, três manifestantes foram mortos e 12 feridos ao atacar uma posição houthi.
Em 11 de abril, tropas pró-Houthi e combatentes pró-Hadi teriam se mobilizado em torno de Taiz, com a implantação da 35ª Brigada Blindada nas ruas da cidade e milicianos anti-Houthi ocupando posições ao norte da cidade em meio a ataques aéreos da coalizão liderada pelos sauditas na área. A 22ª Brigada da Guarda Republicana foi atingida pelo ataque aéreo, assim como foi o vilarejo de Al-Dhahirah no distrito de Mawiyah, no dia seguinte.
Avanço ocidental Em 23 de março, as forças houthis avançaram em direção ao estratégico estreito de Bab-el-Mandeb, um corredor vital através do qual ocorre grande parte das passagens do comércio marítimo mundial. No dia seguinte, os combatentes do grupo teriam penetrado no porto de Mocha. Em 31 de março, os combatentes houthis entraram numa base militar no litoral do estreito após a 17ª Divisão Blindada do Exército do Iêmen abrir os portões e entregar armas para eles.
Em 2 de abril, Mahamoud Ali Youssouf, o ministro das Relações Exteriores de Djibuti, disse que os houthis colocaram armas pesadas e barcos de ataque rápido em Perim e uma ilha menor no estreito de Bab-el-Mandeb. Ele advertiu que as armas representavam "um grande perigo" para o seu país, para o tráfego de navegação comercial e embarcações militares.
Batalha de Ad Dali' As forças houthis tomaram edifícios administrativos em Ad Dali' em meio a intensos combates em 24 de março, trazendo-os mais perto de Áden. No entanto, os combatentes houthis foram rapidamente expulsos de Ad Dali' e Kirsh por forças leais a Hadi.
Os combates por Ad Dali' continuaram mesmo depois que os Houthis avançassem mais ao sul e leste. Em 31 de março, os combatentes separatistas entraram em confronto com os Houthis e unidades do exército leais a Saleh. No dia seguinte, uma brigada do exército pró-Houthi teria "desintegrado" depois de ser atacada por aviões de guerra da coalizão em Ad Dali'. O comandante da 33ª Brigada teria fugido, e grupos de tropas pró-Houthi se retiraram para o norte.
Combates em Lahij Na província de Lahij, intensos combates eclodiram entre Houthis e combatentes pró-Hadi em 24 de março. No dia seguinte, a Base Aérea de Al Anad, a 60 quilômetros de Áden, foi capturada pelos Houthis e seus aliados. A base havia sido recentemente abandonada pelas tropas do USSOCOM dos Estados Unidos. O ministro da Defesa Mahmoud al-Subaihi, um dos principais assessores de Hadi, foi capturado pelos Houthis em Al Houta e transferido para Saná. Os combatentes houthis também avançaram para Dar Saad, uma pequena cidade, a 20 km ao norte de Áden.
Em 26 de março, depois de confrontos eclodirem em Áden, os partidários de Hadi contra-atacaram enquanto uma intervenção militar estava em curso. A artilharia bombardeou a Base Aérea de Al Anad, forçando alguns dos seus ocupantes houthis a fugirem da área. Os ataques aéreos sauditas também atingiram Al Anad. Apesar dos ataques aéreos, no entanto, a ofensiva para o sul continuou.Yemen Houthi rebels advance despite Saudi-led air strikes
Combates atingem Áden Em Áden, oficiais militares afirmaram que milícias e unidades militares leais a Hadi haviam "fragmentado" em 25 de março, acelerando o avanço dos rebeldes. Eles disseram que os rebeldes estavam lutando contra as tropas de Hadi em cinco frentes diferentes. O Aeroporto Internacional de Áden suspendeu todos os voos.
Os combates alcançaram os subúrbios de Áden em 25 de março, com as tropas pró-Saleh assumindo o Aeroporto Internacional de Áden e confrontos irrompendo em uma base do exército. Hadi supostamente fugiu de sua "capital temporária" por barco uma vez que os distúrbios pioraram. No dia seguinte, ele ressurgiu na capital saudita, Riade, onde chegou de avião e foi recebido pelo príncipe saudita Mohammad bin Salman Al Saud.
Nos dias seguintes, os Houthis e as forças aliadas do exército cercaram Áden e encurralaram os redutos de Hadi, embora encontrassem feroz resistência pelos partidários aguerridos do presidente e moradores da cidade armados. Eles começaram a pressionar o centro da cidade em 29 de março, apesar de ataques aéreos da coalizão e do bombardeio de navios de guerra da marinha egípcia pelo mar. Em 2 de abril, o palácio presidencial caiu para os Houthis, e os combates se moveram para os distritos de Crater e de Al Mualla.
Outras campanhas Abyan Os Houthis acumularam uma série de vitórias na província de Abyan no leste de Áden nos dias seguintes a sua entrada na capital provisória de Hadi, assumindo o controle de Shuqrah e Zinjibar na costa e ganhando a fidelidade de uma brigada do exército local, mas também encontraram resistência dos brigadeiros do exército pró-Hadi e de militantes da al Qaeda na Península Árabe.
Hadramaute A al Qaeda na Península Arábica assumiu o controle de Mucala no leste da província de Hadramaute em 2 de abril, expulsando soldados que defendiam a cidade com morteiros e libertando cerca de 300 detentos da prisão, incluindo um líder local da al-Qaeda. Combatentes tribais locais alinhados com Hadi cercaram e entraram em Mucala, dois dias depois, retomando partes da cidade e entrando em confronto com os militantes da al-Qaeda e tropas do exército. No entanto, os militantes permaneceram no controle de cerca de metade da cidade. Além disso, os combatentes da al-Qaeda capturaram um posto de fronteira com a Arábia Saudita, em um ataque que matou dois soldados.Suspected al Qaeda militants take Yemen border post with Saudi
Em 9 de abril, a al Qaeda capturou a cidade de al-Siddha, que havia sido mantida pelos houthis por dois meses anteriores.
Lahij Apesar dos houthis assumirem o controle de Lahij no caminho para Áden, a resistência continuou na província de Lahij . Emboscadas e atentados atingiram as linhas de abastecimento dos houthis para a frente de Áden, com uma mina terrestre matando 25 combatentes houthis a caminho de Áden, em 28 de março.
Shabwah Combates também centralizaram na província de Shabwa, na região rica em petróleo de Usaylan, onde a al-Qaeda na Península Arábica (AQPA) e o Ansar al-Sharia tem influência. Em 29 de março, 38 foram mortos em confrontos entre os houthis e membros de tribos sunitas. Fontes tribais confirmaram o número de mortos, e reivindicaram que apenas oito deles estavam do seu lado, com os outros 30 sendo houthis ou seus aliados das forças armadas iemenita.
Em 9 de abril, os houthis e seus aliados tomaram a capital provincial de Ataq. A tomada foi facilitada por chefes tribais locais e oficiais de segurança.Yemen's Houthis Seize Provincial Capital Despite Saudi-Led Airstrikes
Outros lugares