Cláudia Abreu (Rio de Janeiro, 12 de outubro de 1970) é uma atriz, produtora e roteirista brasileira. Uma das atrizes mais consagradas do país, iniciou sua carreira nos palcos do Tablado e ganhou notoriedade na televisão e no cinema. Abreu é ganhadora de vários prêmios, incluindo dois Prêmios APCA e dois Prêmios Qualidade Brasil, além de ter sido indicada a dois Grandes Otelo, quatro Prêmios Guarani e dois Troféus Imprensa.

Abreu fez sua estreia profissional na peça infantil O Despertar da Primavera (1986) no papel de Wendla Bergman. Após isso, passou a ser recorrente no elenco de diversas peças teatrais, integrando companhias teatrais e recebendo elogios da critica, em especial por suas atuações em Orlando (1989), Um Certo Hamlet (1991), Noite de Reis (1997), As Três Irmãs (1999), Pluft, o Fantasminha (2003), PI - Panorâmica Insana (2018) e Virgínia (2022), pela qual recebeu três indicações ao Prêmio Cenym.

Na televisão, sua estreia ocorreu em 1986 em uma participação na série Tele Tema, da TV Globo. Em telenovelas, Cláudia Abreu teve personagens importantes em Hipertensão (1986), O Outro (1987), Fera Radical (1988), Que Rei Sou Eu? (1989), Barriga de Aluguel (1990), Pátria Minha (1994), Força de um Desejo (1999), Celebridade (2003), pela qual foi indicada ao Troféu Imprensa, Belíssima (2005), Cheias de Charme (2012), pela qual novamente foi indicada ao Troféu Imprensa, Geração Brasil (2014) e A Lei do Amor (2016). Também obteve aclamação em séries e minisséries, como Anos Rebeldes (1992), pela qual venceu um Prêmio APCA, A Comédia da Vida Privada (1995), O Quinto dos Infernos (2002), Valentins (2017), Desalma (2020) e Sutura (2024).

No cinema, fez seu primeiro trabalho em Tieta do Agreste (1996), pelo qual foi indicada ao Prêmio Guarani. No entanto, recebeu maior aclamação nos dramas O Que É Isso, Companheiro? (1997), indicado ao Óscar, e Guerra de Canudos (1997). Abreu é reconhecida pela versatilidade, tendo atuado nos mais diversos gêneros, com destaque em Ed Mort (1997), O Caminho das Nuvens (2003), Os Desafinados (2008), Berenice Procura (2018), O Silêncio da Chuva (2021) e Tempos de Barbárie – Ato I: Terapia da Vingança (2023).

Primeiros anos

Início da vida e formação Cláudia Abreu nasceu em 12 de outubro de 1970. Ela é filha de uma advogada e de um funcionário aposentado do Instituto Brasileiro do Café. Desde cedo, ela foi introduzida ao mundo do teatro por um tio que atuava em peças infantis no Teatro O Tablado. Aos 10 anos, começou a frequentar aulas de teatro no mesmo local onde também fazia curso de inglês e aprendia vôlei, e foi ali que se encantou pela atmosfera do Tablado. Cláudia formou-se em Filosofia pela Pontifícia Universidade Católica (PUC) em 2009, no Rio de Janeiro.Claudia Abreu se forma em Filosofia no Rio

Carreira

1986—89: Início e escalada nas telenovelas Depois de entrar para um grupo de teatro infantil em 1986, Cláudia começou a ensaiar a peça O Despertar da Primavera. Antes da estreia da peça, fez um teste na TV Globo e conseguiu uma participação especial na série Tele Tema, no episódio "A Principal Causa do Divórcio". Seu talento chamou a atenção e, antes mesmo de sua estreia na televisão ir ao ar, foi convidada para a novela Hipertensão, de Ivani Ribeiro, onde interpretou "Luzia". No enredo, a personagem é filha de "Odete" (Lupe Gigliotti) e irmã de "Viriato" (Bruno Rocha), trabalha na fazenda Santa Lúcia e tem afeto pelos patrões. Ela se envolve com "Raimundo" (Taumaturgo Ferreira), o que desagrada sua família, e é misteriosamente assassinada durante a trama. Ainda em 1986, também atua como "Sapoti" no espetáculo Quem Matou o Rei?.

Após a morte de sua personagem em Hipertensão, Cláudia foi rapidamente escalada para atuar na novela O Outro, de Aguinaldo Silva, exibida no horário das oito da TV Globo. Curiosamente, sua personagem anterior ainda aparecia na trama por meio de flashbacks, fazendo com que Cláudia estivesse em duas novelas ao mesmo tempo. Em O Outro, interpreta "Maria José", filha do protagonista "Denizard" (Francisco Cuoco), que é extremamente apegada ao pai e não gosta da possibilidade de vê-lo casado novamente, por isso implica com o namoro do pai com "Índia do Brasil" (Yoná Magalhães). Em 1988, foi convidada para apresentar o programa musical Globo de Ouro, substituindo a atriz Isabela Garcia, que acabara de dar à luz.

Também em 1988, Cláudia atuou na novela Fera Radical como "Ana Paula", filha de "Olívia" (Denise Del Vecchio) e "Jorge" (Rodrigo Santiago). Ela é a única da família interessada em Agronomia e estuda em Rio Novo. Embora seja amiga dos jovens da cidade, não se envolve romanticamente com nenhum. "Ana Paula", na verdade, nutre um amor platônico por seu tio "Fernando" (José Mayer), que ainda a vê como uma menina. No ano seguinte, em 1989, co-protagonizou o grande sucesso Que Rei Sou Eu?, em que incorporou a princesa "Juliette", que dançava lambada e até aparecia de minissaia em pleno século XVIII, mostrando ao público seu lado cômico. Sua personagem é filha de "Petrus II" (Gianfrancesco Guarnieri) e "Valentine" (Tereza Rachel), e apesar de seus pais serem diferentes, ela é uma criatura doce e de bom caráter. É meiga, mas demonstra firmeza ao perceber as manobras da Corte. Não se contenta com a vida reclusa no palácio e se sensibiliza com as injustiças contra os mais humildes. Em 1989 ainda, foi dirigida por Bia Lessa no espetáculo Orlando, onde interpretou vários personagens ao lado de Fernanda Torres, Júlia Lemmertz, Dany Roland e Otávio Müller.

1990—99: Amadurecimento da carreira e protagonistas Em 1990, foi escalada para sua primeira protagonista e viveu uma das personagens mais marcantes de sua carreira, a dançarina "Clara", da novela Barriga de Aluguel, de Glória Perez. Na trama, ela aceita alugar seu útero para gerar o filho de outra mulher, "Ana" (Cássia Kis), levantando a discussão que dividiu o país sobre quem deveria ficar com a criança, a mãe biológica ou a mãe de aluguel. Sua personagem é ingênua, mas se considera muito esperta. Apesar de suas mentiras e enganações, ela representa pureza e uma aura lúdica. Em 1991, dedicou-se ao teatro atuando em dois espetáculos de sucesso. Interpretou Hamlet na peça Um Certo Hamlet, dirigida por Antônio Abujamra, ao lado de nomes como Vera Holtz e Suzana Faini. Em dezembro, esteve em um auto de Natal, O Boi e o Burro no Caminho de Belém, onde interpreta Maria, a mãe de Jesus.Em 1992, integrou o elenco da minissérie Anos Rebeldes, de Gilberto Braga, como a jovem militante "Heloísa", que, de mocinha mimada e rica, entra para a luta armada e combate o golpe militar de 1964. A atuação na série foi um marco na carreira de Cláudia, marcando um amadurecimento de seus personagens, e lhe rendeu o prêmio de melhor atriz pela Associação Paulista dos Críticos de Arte. Após o sucesso na minissérie, ela foi promovida a protagonista no horário nobre e convidada para interpretar "Alice" em Pátria Minha, em mais uma colaboração com Gilberto Braga. Na trama, "Alice" é uma adolescente que tem um ótimo relacionamento com sua mãe, "Natália" (Renata Sorrah). Ela se torna adversária de "Raul" (Tarcísio Meira) depois de presenciar um acidente causado pelo empresário e perceber sua postura evasiva. A partir desse incidente, ela se torna uma pedra no sapato de Raul, e seus valores entram em confronto frequentemente.

Em seguida, à procura de diversificar sua carreira após oito anos participando de novelas quase anualmente, iniciou seu primeiro período sabático, a partir de 1995, limitando-se a participações pontuais e bissextas nas séries A Vida como Ela é... e A Comédia da Vida Privada. Durante esse intervalo na televisão, pôde se dedicar ao cinema. Em 1996, fez sua estreia na sétima arte com o filme Tieta do Agreste, atuando ao lado de Sônia Braga e grande elenco, e recebeu sua primeira indicação da crítica ao Prêmio Guarani. No filme, interpreta "Leonora Cantarelli", suposta enteada de "Tieta" (Braga) que a acompanha em sua viagem de volta à sua cidade natal no interior do Pernambuco após ser expulsa. O ano de 1997, é particularmente prolífico em sua carreira. Neste ano, chega aos cinemas o filme O Que É Isso, Companheiro?, produção indicada ao Óscar de Melhor Filme Estrangeiro. No filme, ela interpreta a guerrilheira "Renée", integrante dos grupos guerrilheiros de esquerda MR-8 e Ação Libertadora Nacional, que lutavam contra o regime militar instaurado no país em 1964, e que está envolvida no sequestro do embaixador dos Estados Unidos no Brasil.

Ainda em 1997, protagoniza o drama histórico Guerra de Canudos, que lhe rendeu a indicação de Melhor Atriz no Prêmio Guarani de Cinema. Dirigida por Sérgio Rezende, ela interpreta "Luíza", uma jovem que se recusa a seguir sua família na peregrinação liderada por Antônio Conselheiro, fugindo e tornando-se prostituta, vivendo assim de forma independente. Na trama, ela se casa com um soldado e se torna uma figura importante na luta da Guerra de Canudos. No mesmo ano, atua na comédia Ed Mort, ao lado de Paulo Betti, como "Cibele", uma apresentadora cruel de programas infantis. A performance de Cláudia foi descrita pela crítica como o ponto alto do filme, e ela recebeu os prêmios de Melhor Atriz Coadjuvante no Brazilian Film Festival of Miami e Prêmio APCA. Nessa época, e paralelamente ao cinema, voltou aos palcos, atuando em Noite de Reis, comédia romântica de Shakespeare, como "Viola", uma náufraga. Em 1998, volta à televisão com participações especiais nas séries Mulher e Labirinto.

Em 1999, seu retorno às grandes produções da televisão vem no papel da escrava branca "Olívia", em Força de um Desejo. Na trama, ela é uma jovem encantadora e simpática, uma escrava branca de um vilarejo próximo que chega disfarçada à Vila de Sant'Anna, fugindo da polícia. Torna-se amiga de "Ester" (Malu Mader) e chama a atenção de "Higino Ventura" (Paulo Betti), que fica obcecado por ela. No entanto, ela rejeita "Higino" e se apaixona pelo jovem médico "Mariano Xavier" (Marcelo Serrado). Neste ano, estrela com Maria Padilha e Júlia Lemmertz uma montagem da peça As Três Irmãs, drama de Anton Tchecov. Na peça, ela interpreta "Irina", a caçula das irmãs, e chama atenção da crítica, que considera que a atriz estava amadurecendo em sua carreira e conduziu bem as angústias da jovem "Irina" na perda de suas ilusões.

2000—08: Prosseguimento da carreira e vilã "Laura" em Celebridade Em 2001, apareceu no cinema como a baronesa viúva "Maria Luísa" em uma participação no filme O Xangô de Baker Street, dirigido por Miguel Faria Jr., baseado no livro homônimo de Jô Soares, que lhe rendeu uma indicação da Academia ao Grande Otelo de Melhor Atriz Coadjuvante. Neste ano, nasceu sua primeira filha, Maria, e ela entrou em mais um período sabático na carreira, reduzindo suas atuações. Ainda em 2001, atuou no episódio "Trair é Normal" da série Os Normais, como "Ana", uma mulher insatisfeita em seu casamento, e também no episódio "O Diabo Ri Por Último" de Brava Gente, na TV Globo. Em 2002, fez uma participação na minissérie O Quinto dos Infernos, como a imperatriz "Amélia de Leuchtenberg", segunda esposa do imperador brasileiro Dom Pedro I. Importantes, nessa fase, são as filmagens do filme O Homem do Ano (2003). O filme, emblemático para o casal, pois foi dirigido por seu marido, teve roteiro premiado de Rubem Fonseca, sogro de Cláudia. Também filmou O Caminho das Nuvens (2003), um road movie brasileiro sobre uma família de nordestinos que, de bicicleta, atravessa toda a distância até o Rio de Janeiro, em busca de uma vida melhor. esquerda|miniaturadaimagem|280x280px|Abreu nas gravações de Celebridade, em 2003.