Santa Rosa da Viterbo, OFS (Viterbo, 9 de Julho de 1233— 6 de março de 1251) é uma santa venerada na Igreja Católica. Virgem da Terceira Ordem Franciscana. É a santa padroeira da Juventude Franciscana e da Juventude Feminina da Ação Católica. Apesar de ter entre 17 e 18 anos, ela exerceu grande influência e sendo atribuída muitos milagres Ernesto Piacentini, Postulador da Causa dos Santos, enumera e descreve mais de 1 milhar em sua obra. (Piacentini, 1991)..

Biografia Nasceu em uma família humilde de Viterbo (Itália). Seus pais, Giovanni e Caterina, desde cedo a educaram na Fé Católica.

Afirmam seus biógrafos que desde Tenra idade já manifestava experiências místicas. Viveu asceticamente e se impunha severas penitências.

Durante a disputa entre o Papa Inocêncio IV e o Imperador Frederico II da Germânia mostrou-se aguerrida defensora da Igreja.

Santa Rosa viveu na primeira metade do século XIII, em uma época de grandes confrontos, de um lado surgia São Francisco de Assis, o irmão menor de todos, de outro o Imperador Frederico II, o grande estadista, que governava com mão de ferro. Há uma guerra de poderes, em um extremo o poder Espiritual, a Igreja, e de outro o mundo, o Imperador.

Desde cedo Rosa recebeu influência da espiritualidade Francisclariana em sua vida.

A medida que ela crescia, aumentava as suas orações. Muitas vezes passava longas horas da noite em contemplação. Durante o dia procurava os lugares onde poderia ficar em silêncio e entregar-se a oração. No dia 23 de julho de 1247, foi atacada por uma forte febre. Na sua cama de repente ajoelhou-se e balbuciou o nome de Virgem Maria, ficou ali por um longo tempo, então levantou e sorriu, estava sem febre. Contou então que a Virgem lhe apareceu e lhe confiara uma missão: visitar as igrejas de São João Batista, Santa Maria do Oiteiro e São Francisco. E depois da Missa fosse pedir sua admissão na Ordem da Penitência de São Francisco - hoje chamada de Ordem Franciscana Secular.

Nesse ano a cidade de Viterbo, fiel ao Papa, caiu nas mãos do imperador Frederico II. A cidade estava nas mãos do hereges. Então, em oração Rosa teve uma visão do Crucificado e seu coração ardeu em chamas. Rosa saiu pelas ruas para pregar com um crucifixo nas mãos. A notícia correu toda cidade, muitos sentiram-se estimulados na fé, e voltaram à Fé Católica.

Devido a sua pregação diária, Rosa representava uma ameaça para as autoridades da cidade, então em 1250 o prefeito assinou uma ordem, condenando Rosa ao exílio, afirmando que ela ocasionava revolta entre o povo.

Rosa e seus pais foram morar em Soriano nel Cimino, e depois em Vitorchiano, onde sua fama já havia chegado. Nessa cidade Rosa se tornou uma verdadeira apóstola. Na noite de 4 para 5 de dezembro Rosa teve uma visão em que se lhe revelara que o imperador morreria dentro de poucos dias. De fato, no dia 13 de dezembro o Imperador Frederico II, faleceu.

Com a morte de Frederico II, Rosa pode retornar a Viterbo.

No dia 6 de março de 1251 morreu...

Canonização e devoção

No dia 25 de novembro de 1252 o Papa Inocêncio IV, por sua Bula Pontifícia Sic In Sanctis, mandou instaurar oficialmente o processo de canonização de Rosa. O Papa Inocêncio IV mandou exumar o corpo de Rosa, e para a surpresa de todos, o corpo foi encontrado intacto, quase como se ela estivesse viva. Nessa altura foi transladada para o Mosteiro das Clarissas, chamado, posteriormente, Mosteiro de Santa Rosa.

O Papa Eugênio IV, e, principalmente, o Papa Calisto III, mandaram continuar os trabalhos do Processo de Canonização. Em 1457 o processo ficou pronto, mas Calisto III morreu sem que chegasse a promulgar o decreto. Curiosamente, a canonização de Rosa nunca chegou a termo, dentro dos trâmites exigidos. Mesmo assim, foi integrada ao Martirológio Romano, e confirmada por sucessivos pontífices em diversos documentos.

Seu corpo, incorrupto e flexível, está no Santuário di Santa Rosa.

Em Viterbo, no dia 4 de Setembro, Festa da Translação, ocorre uma monumental manifestação com o transporte da Macchina di Santa Rosa pelos chamados chamados Facchini di Santa RosaCf. .

Em setembro de 1929, o Papa Pio XI, declarou Santa Rosa de Viterbo a padroeira da Juventude Feminina da Ação Católica Italiana.

Rosa, numa excepcionalidade na Igreja Católica, possui duas festas litúrgicas oficiais: dia 6 de março — o dia de sua morte —, como ocorre com todos os santos, mas, também no dia 4 de setembro, dia em que se rememora a translação de seu corpo incorrupto, pelo Papa Alexandre IV, acompanhado de cardeais para um mosteiro de Clarissas, que havia em Viterbo, onde hoje é o seu Santuário.

A mensagem de Santa Rosa consistia em conversão de vida, fidelidade ao Evangelho e a Igreja, amor e paz. Nas palavras de São João Paulo II:

"Em Santa Rosa, vemos um exemplo dessa adesão generosa e total à chamada divina. Em sua curta vida, a convicção heroica com a qual era capaz de aceitar em sua vida a Palavra de Deus nos torna conscientes da extensão e intensidade com que ela viveu a sua lealdade incondicional de Deus. É admirável nessa jovem a profissão pública da sua fé: uma atitude que denota sua dedicação ao bem comum da sociedade e da Igreja, o que constitui um dos componentes essenciais do amor cristão ao próximo, fundado, como sabemos, em ouvir e praticar a vontade divina. É, de facto, a partir de sua intimidade com Cristo, o Senhor, e a disponibilidade ao seu Espírito, que Rosa tomou essa maravilhosa sabedoria e força que lhe permitiu realizar seu apostolado, apesar das dificuldades e da oposição que encontrou. Por estas razões, apesar das profundas mudanças dos tempos, é importante ponto de referência para todos os jovens e mulheres cristãs que querem realizar em plenitude, e com verdadeira liberdade, a dimensão social e eclesial da sua personalidade".Traduzido do original: "In santa Rosa vediamo l’esempio di questa generosa e totale adesione alla chiamata divina. Nella sua pur breve esistenza, l’eroica convinzione con la quale essa seppe accogliere nella sua vita la parola di Dio ci rende consapevoli del grado e dell’intensità con cui visse la sua fedeltà incondizionata a Dio. Ammirevole è in questa giovane la professione pubblica della sua fede: un atteggiamento che denota in lei quella dedizione al bene comune della società e della Chiesa, che costituisce una delle componenti essenziali dell’amore cristiano verso il prossimo, fondato, come sappiamo, sull’ascolto e la pratica della volontà divina. È infatti dalla sua intimità con Cristo Signore, e dalla disponibilità al suo Spirito, che Rosa trasse quella mirabile sapienza e fortezza, che le consentirono di svolgere il suo apostolato, nonostante le difficoltà e le opposizioni che essa incontrò. Per questi motivi, pur nella profonda mutazione dei tempi, è importante punto di riferimento per tutte le giovani e le donne cristiane che vogliono realizzare in pienezza e con vera libertà la dimensione sociale ed ecclesiale della loro personalità".

Sic, in sanctis suis mirabilis Bullae Pontificalis Sic in Sanctis (Texto em Latim) "Assim, tão maravilhoso nos seus santos e bendito para sempre é nosso Deus nas virtudes de Rosa, de venerada memória..." Vita Prima

A Vita Prima - ou Vita I – é a narrativa que consta do primeiro processo de canonização de Santa Rosa. Dela só foi preservada um pequeno fragmento. Contudo, é de preciosíssimo valor histórico, em virtude de ter sido escrita imediatamente após ser falecimento , mediante ordem de Papa Inocêncio IV através da Bula Sic in Sanctis, de 25 de Novembro de 1252, com depoimentos de pessoas que tiveram íntimo conhecimento com ela, tal como o pai, Giovanni, e a mãe, Caterina, dona Sita, e, provavelmente, religiosos e populares testemunhas diretas dos eventos. É a que consta no pergaminho original do século XIII, transcrito pelo biógrafo Paolo Cenci (Cenci, 1981, pg 177-181).

Diz o fragmentoTradução da Língua Italiana para a Língua Portuguesa por Cláudio José Aarão Rangel:

(...)

<tt> 1 - Em primeiro lugar, enquanto a virgem acima mencionada estava gravemente doente, nem qualquer das pessoas [presentes] lhe dirigia mais a palavra, começou a ver as almas dos mortos e conhecer aqueles que nunca tinha visto, que tinham deixado a terra trinta ou vinte anos antes que ela nascesse; e nomeava os bons e os maus. Isso ela fez de terça a quarta-feira"".2 - Na noite de quarta-feira, enquanto a mãe da beata [Rosa] virgem e muitas outras mulheres observaram e acreditaram que ela iria expirar a alma, e sua mãe queria dar-lhe algo para comer, a virgem disse à sua mãe: "Eu quero comer , mãe, porque amanhã será a véspera do bem-aventurado João Batista ". E imediatamente levanta-se, com grande alegria, louvando ao Senhor , à Virgem Maria e Sant'Ana , e todos os santos e santas de Deus; e orou ao Senhor, para conceder o rei da França o poder e a força para eliminar os pagãos [Sarracenos].3 – E, de repente, prostrou-se nua no chão, em forma de cruz, chorando, e dizendo para a mãe: "Mãe, todas as coisas e as delícias deste mundo eu te deixo e renuncio"; e suplicou à mãe dizendo: "Eu quero, oh mãe, que dona Sita me coloque uma túnica, me cinja com cordões e corte meus cabelos com os de um clérigo". E imediatamente a predita dona Sita dirigiu-se à beata virgem Rosa e lhe disse:: "Eu não sou digna filha para fazer o que você diz." E ela respondeu: "A Virgem Maria me ordena que tu me coloque de imediato a túnica de penitência que tens na cabeça de tua cama." E a mesma dona Sita respondeu: "Filha, permita que teus parentes venham [para a cerimônia]." E a virgem [Rosa] disse: "A Virgem Maria me comandou que eu peça a ti. Faça o que eu te disse”. E à mãe disse: "Não temos uma amarra de asno?". E a mãe fez como ela tinha ordenado. Então, a mencionada dona Sita fez o que lhe ordenou a mesma [Rosa] virgem.4 - Depois chamou a mãe e disse-lhe: "Mãe vá e acorde todas as mulheres do distrito". E era noite. E a mãe disse-lhe: "Filha, quem ficará contigo?". E a virgem [Rose] respondeu: "O Espírito Santo vai estar comigo." E a mãe foi e seguiu a ordem da beata virgem [Rosa].5 - Em seguida, todas as mulheres se levantaram e foram até a mesma virgem [Rosa]. E esta disse às mulheres: "Venham todas para fora da casa, porque a Virgem Maria saiu." E elas saíram atrás dela e começaram a sentar-se; e a virgem [Rose] estava sentada no meio, e começou a dizer às mulheres: "Escutem, porque eu vejo uma bela esposa de Cristo, que nenhuma de vós vedes; esta esposa avança adornada de púrpura e véu, com uma coroa de ouro, cheia de gemas e pedras preciosas em sua cabeça. Ela comanda-me para ir, bem adornada, primeiro em San Giovanni, em seguida, em San Francesco, e depois retornar para a igreja da Madonna. E fez tudo isso no dia seguinte, como lhe fora ordenado, e sempre, onde quer que fosse, ela carregava uma Maestá.</tt>

Vita Seconda

A Vita Seconda - ou Vita II - é a que acompanha o Processo Calistiano. Assim chamado por ser resultante dos depoimentos do processo de canonização ordenado pelo Papa Calisto III. Aberto em 1º de Abril de 1457, dois séculos depois da Vita Prima, foi fechado em 4 de julho de 1457, sem chegar a termo. Os biógrafos mais autorizados e hagiógrafos vêem, hoje, muitos vícios nesta documentação, com alguns relatos considerados fantasiosos, sem comprovação, ou fidedignidade. O biógrafo Paolo Cenci, v.g., apresenta o texto e faz uma extensa crítica do mesmoOs autores mais antigos não são tão críticos, tendendo a aceitar, sem maiores cuidados, os depoimentos. Os mais recentes, contudo, tendem a concordar com a crítica de Paolo Ceni. (Cenci, 1981, pg 183-197).

O Corpo Incorrupto de Santa Rosa

Com a morte de Rosa em 6 de Março de 1251, seu corpo foi sepulto em terra nua no cemitério paroquial da Chiesa di Santa Maria in Poggio. Dezoito meses depois, o Papa Inocêncio IV ordenou a abertura do processo de canonização e seu corpo foi exumado e sepulto novamente no interior desta igreja, onde permaneceu por seis anos.