miniaturadaimagem|Lutadores de dembe, arte marcial hauçá (2019) Malês era o termo usado no Brasil, no , para designar os primeiros negros africanos de origem islâmica a chegarem ao Brasil. Esses africanos, trazidos à força, eram haussás (hauçás) na sua maioria, seguidos de cativos dos reinos Gurma, Borgu, Borno, Nupe e outros reinos vizinhos dos haussás, localizados no Sudão Central.
Esses negros africanos possuíam um grande desenvolvimento cultural, pois sabiam ler e escrever em árabe, e eram muitas vezes mais instruídos que seus senhores, e, apesar da condição de escravos, não eram submissos, mas muito altivos.
Na História do Brasil, notabilizaram-se pela chamada Revolta dos Malês, que ocorreu em 1835, na Bahia, onde eram mais numerosos. Também existiam comunidades de malês em Pernambuco, Alagoas e Rio de Janeiro.
Origem do nome O termo malê pode ser derivado do hauçá málami, que significava "professor", "senhor" e também do iorubá imale, "muçulmano" ou imali, "renegado que adotou o islamismo". Outra origem do nome Malê deriva do árabe "Muhajirun", que significa "imigrante" ou "aquele que emigrou", indicando sua origem islâmica.
Malê foi o nome dado aos negros africanos do povo hauça que eram iniciados no islamismo e que foram trazidos para o Brasil no . O nome foi dado por outro grupo de africanos também trazido em grande número para o Brasil, os iorubás, o que denota a estranheza dos outros grupos africanos para com esse grupo diferenciado pela religião.
História Entre os séculos XVI e XIX não existia liberdade religiosa. Quem não era católico teve de se converter. Houve repressão aos dissidentes e muitos resistiram a esse exclusivismo.
No Brasil, dispersos entre Pernambuco e Bahia em um primeiro momento, os malês resistiram e reagiram ao catolicismo imposto para manter sua crença e cultura. Para enfrentar a repressão os malês usavam um recurso de resistência espiritual (dissimulação religiosa), já utilizado pelos muçulmanos xiitas, denominado, pelos teólogos islâmicos, de al'tagiyya (literalmente, "guardar-se").
Vendidos como escravos pelos vencedores em guerras locais, principalmente a jihad (lit. "guerra santa") declarada em 1804 pelo xeque Usmã dã Fodio - líder islâmico fula - contra os hauçás, os muçulmanos chegaram ao Brasil no final do , oriundos da região sudanesa da África e pertenciam a vários grupos etnoculturais. No Brasil, todos ficaram conhecidos genericamente como malês ou muçurumins. Apesar de "convertidos" ao catolicismo, procuraram, mesmo que de forma discreta, preservar no Brasil a sua religião. Promoveram secretamente atividades de alfabetização e memorização do Alcorão. Na descrição do historiador Ramos, "Eram altos robustos, fortes e trabalhadores. Usavam como outros negros muçulmanos, um pequeno cavanhaque, de vida regular e austera, não se misturavam com os outros escravos".
Os malês eram bilíngues e alfabetizados em árabe, com um nível cultural superior ao dos brasileiros da época. Constituíram associações de ajuda mútua, como a Sociedade Protetora dos Desvalidos, em Salvador. Há registros que os primeiros calçados feitos para ex-escravizados foram feitos por artesãos muçulmanos.
Inconformados com a condição de escravizados, articularam vários levantes que desaguaram no maior deles durante o Ramadã (mês de jejum islâmico) em Salvador, 1835. Para historiadores como Reis, a identidade étnica e uma religião combativa convergiram na mobilização dos escravos que levou à Revolta dos Malês.
Com a derrota dos rebeldes, muitos foram condenados à morte, muitos muçulmanos foram deportados para a África a fim de diminuir sua influência sobre os outros negros. Uns foram levados para Ajudá (atual Benim), onde foram recebidos por Francisco Félix de Sousa , traficante de escravos que abastecia o mercado brasileiro. Dos que ficaram no Brasil, alguns se mantiveram na clandestinidade, outros migraram para o Rio de Janeiro.
A religião islâmica passou por uma severa repressão, após 1835, diminuindo a possibilidade de difundir-se. Segundo Reis (2003, p. 180), antes da devassa havia um "forte movimento de proselitismo e conversão em curso na Bahia". Depois da supressão das revoltas, os cultos malês foram desestruturados. Hostilizados e imersos na população de afrodescendentes, começaram a perder a sua identidade e a adquirir novos costumes e crenças.
Em Salvador, os malês pós-levante exerciam atividades de marceneiros, pedreiros, professores, douradores de imagens. Houve até um deputado e conselheiro do Império — o médico baiano Salustiano Ferreira Souto (1814-1877), que, ao falecer, foi enterrado com os rituais de seu grupo.
Uma das matriarcas do samba, Carmem Teixeira da Conceição, a Tia Carmem do Xibuca, se mudou para o Rio de Janeiro em 1893 praticando a religião muçulmana.
Bibliografia
Ligações externas Malê Rebelião de escravos muçulmanos em Salvador Uol Educação(Página acessada em 17 de novembro de 2009) Sobre a rebelião de 1835 na Bahia, por Alberto da Costa e Silva. Revista Brasileira abr.-mai.-jun. 2002. Ano VIII nº31, pp. 9–33. Academia Brasileira de Letras.
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