Ana (), antes grafada como Anna, é uma cidade do Iraque situada na margem direita do rio Eufrates, aproximadamente a meio caminho entre o golfo de Alexandreta e o golfo Pérsico. A cidade atual faz parte da província de Ambar e em 2003 tinha habitantes. Entre junho de 2014 e 2017 esteve sob o controlo do Estado Islâmico do Iraque e do Levante até ser libertada por tropas do governo iraquiano.

A cidade é mencionada com o nome Ha-na-at numa carta babilónica de , como A-na-at nos registos de (ca. ) e An-at nos registos de em . É comum considerar-se que o nome está ligado ao da muito adorada divindade Anat. Nos escritos em de Isidoro de Cárax aparece com o nome de Anathō e nos de Amiano Marcelino () como Anata (). os primeiros escritores árabes usaram os nome ʾĀna e ʾĀnāt.

História Antiguidade Apesar de ter mantido o seu nome ao longo de 42 séculos, a localização exata da povoação parece ter mudado de tempos a tempos. Muitas das fontes colocam Ana numa ilha do Eufrates.

A história durante o período em que esteve sob o da domínio babilónico é mal conhecido. Uma carta do menciona "seis homens de Hanate" na descrição de distúrbios na província de Suhi, da qual teria feito parte Ana. É provável que não seja o local mencionado por no ou no discurso dos mensageiros enviados por Senaqueribe a Ezequias , mas possivelmente era o sítio "no meio do eufrates" em frente ao qual Assurnasirpal II parou durante a sua camapnha militar de Pode também ter sido mencionada em quatro documentos do publicados por Claude Hermann Walter Johns .

Xenofonte relata que o exército de Ciro reabasteceu-se em em "Carmande", perto do fim do percurso de 90 parasangas entre Corsote e Pilas, que provavelmente corresponde a Ana. A cidade foi o local onde o imperador romano Juliano encontrou pela primeira vez oposição na sua campanha na Pártia () Juliano tomou posse do local e deportou os seus habitantes.

Idade Média Em 657, durante a conquista muçulmana do Iraque, os lugares-tenente de Ali Ziade e Xurei viram negada a sua passagem através do Eufrates em Ana. Mais tardem em 1058, Anha foi o local de exílio do califa abássida Alcaim (califa abássida) quando esteve no poder. No , Ana foi a sede do católico que era primaz dos cristãos persas.

Os poetas árabes medievais elogiaram o vinho de Ana e no Mustaufi escreveu acerca da fama dos seus palmeirais. Em 1574, o explorador alemão Leonhard Rauwolf encontrou a cidade dividida em duas partes, a turca "tão rodeada pelo rio que não se pode lá ir senão de barco" e a parte árabe, maior, ao longo de uma das margens. Em 1610, Texeira escreveu que Ana se situava em ambas as margens do rio, o que é confirmado por Pietro Della Valle. Nesse ano, Della Valle encontrou em Ana um escocês residente na cidade: George Strachan, que trabalhava como médico para o emir e estudava árabe. Também encontrou alguns adoradores do sol que ainda ali viviam. Della Valle e Texeira chamaram a Ana a principal cidade árabe no Eufrates, que controlava uma das principais rotas para ocidente a partir de Bagdade e cujo território se estendia até Palmira.

Idade Contemporânea No início do , o naturalista francês Guillaume-Antoine Olivier encontrou em Ana apenas 25 homens ao serviço do príncipe local, pois os residentes todos os dias fugiam para escapar aos ataques dos beduínos contra os quais o príncipe não oferecia proteção. Olivier descreveu a cidade como uma faixa de terra entre o ria e uma cumeada de colinas rochosas. William Francis Ainsworth, na crónica da relata que em 1835 os árabes habitavam a parte noroeste da cidade, os cristãos o centro e os judeus o sudeste. No mesmo ano, o barco a vapor Tigris afundou-se durante uma tempestade a montante de Ana, perto do local onde o exército de Juliano tinha enfrentado uma tempestade semelhante.

Em meados do , as casas estavam separadas umas das outras por hortas com pomares, que também ocupavam as ilhas fluviais perto da cidade. A ilha mais oriental tinha um castelo arruinado, enquanto que as ruínas da antiga Anatho se estendiam a duas milhas namargem esquerda. A cidade marcava o limite entre as regiões de oliveiras (a norte) e de tamareiras (a sul). O estacionamento de tropas otomanas na cidade cerca de 1890 permitiu que os locais deixassem de ter que pagar (huwwa) aos beduínos para que estes não os assaltassem. Ao longo do início do , a única produção industrial de Ana era roupa de algodão áspero.

Francis Rawdon Chesney relatou que em 1835 havia casas, duas mesquitas e 16 poços. Um dos minaretes era muito antigo. Segundo Alastair Northedge, os locais diziam ser do , mas na sua opinião era do século seguinte. Encontrava-se numa das ilhas, junto à mesquita local. Muayad Said descreveu-o como tendo um corpo octogonal, com alcovas, algumas delas cegas e referiu-se a trabalhos de conservação levados a cabo em 1935, 1963 e 1964. Quando o vale foi inundado pela barragem de Haditha em 1984 e 1985, o Conselho Iraquiano de Antiguidades cortou o minarete em secções e moveu-o para a nova Anaj, onde foi reconstruído com 28 metros de altura no fim dos anos 1980.

Em junho de 2014 a zona de Ana passou a estar sob o controlo do Estado Islâmico do Iraque e do Levante. Em 19 de setembro de 2017, o governo iraquiano lançou uma ofensiva contra a cidade, que após dois dias de combate foi retomada e libertada pelo exército iraquiano.

Notas e referências

Categoria:Sítios arqueológicos do Iraque Categoria:Sítios arqueológicos da Idade do Bronze Categoria:Cidades de Ambar (província)