O SMS Ostfriesland foi um navio couraçado operado pela Marinha Imperial Alemã e a segunda embarcação da Classe Helgoland depois do e seguido pelo e . Sua construção começou em outubro de 1908 no Estaleiro Imperial de Wilhelmshaven, sendo lançado ao mar em setembro de 1909 e comissionado em agosto de 1911. O projeto do Ostfriesland e seus irmãos representava uma melhora considerável em relação à anterior Classe Nassau em termos de armamento e propulsão. O navio tinha uma bateria principal composta por doze canhões de 305 milímetros montados em seis torres de artilharia duplas dispostas em um incomum arranjo hexagonal, deslocamento de mais de 24 mil toneladas e uma velocidade máxima de 21 nós (39 quilômetros por hora).
O Ostfriesland foi comissionado na Frota de Alto-Mar e em tempos de paz seu serviço consistiu principalmente de rotinas de exercícios individuais ou junto com o resto da força alemã. O navio participou de todas as grandes operações navais alemães na Primeira Guerra Mundial no Mar do Norte, incluindo a Batalha da Jutlândia em 1916. Também teve algumas ações no Mar Báltico contra a Marinha Imperial Russa, principalmente no Golfo de Riga em 1915. O couraçado não participou de mais nenhuma grande operação depois da Jutlândia e acabou por ser entregue aos Aliados ao final da guerra após o afundamento da frota alemã em Scapa Flow. Ele foi transferido para a Marinha dos Estados Unidos e foi feito navio alvo de testes de armamentos aéreos, afundando perto da Virgínia em julho de 1921.
Características
O couraçado SMS Ostfriesland tinha 167,2 metros de comprimento de fora a fora, uma boca de 28,5 metros e calado de 8,94 metros. Seu deslocamento totalmente carregado com suprimentos de combate chegava em 24,7 mil toneladas. Seu sistema de propulsão era composto por quinze caldeiras a carvão que alimentavam três motores de tripla expansão com quatro cilindros, que por sua vez impulsionavam três hélices quádruplas de 5,1 metros de diâmetro. A potência gerada pelas máquinas era de 28 mil cavalos-vapor (20,9 mil quilowatts), o que lhe permitia alcançar uma velocidade de 21,2 nós (39,3 quilômetros por hora). O Ostfriesland transportava até 3,2 mil toneladas de carvão, o que lhe dava um alcance de 5 500 milhas náuticas (10 190 quilômetros) a dez nós (dezenove quilômetros por hora). As caldeiras foram modificadas em 1915 para borrifarem combustível sobre o carvão; a embarcação podia transportar até 197 toneladas de óleo combustível. Sua tripulação era formada por 42 oficiais e 1071 marinheiros.
esquerda|thumb|250px|A torre de artilharia principal dianteira do lado estibordo do Ostfriesland. A bateria principal do Ostfriesland consistia de doze canhões SK L/50 de 305 milímetros. Estes eram montados em seis torres de artilharia arranjados em uma incomum configuração hexagonal: uma na proa, uma na popa e duas de cada lado. Seus armamentos secundários eram compostos por catorze canhões SK L/45 de 150 milímetros montadas em casamatas e catorze canhões SK L/45 de 88 milímetros, também em casamatas. Duas de suas armas de 88 milímetros foram substituídas em 1914 por canhões antiaéreos também de 88 milímetros. Além disso, havia seis tubos de torpedos de quinhentos milímetros instalados abaixo da linha d'água; um na proa, outro na popa e dois em cada lateral. O cinturão de blindagem tinha entre oitenta milímetros de espessura nas extremidades e trezentos na área central do navio, enquanto atrás do cinturão ficava uma antepara de torpedo de trinta milímetros de espessura. O convés era protegido por uma blindagem que ia desde 55 a oitenta milímetros de espessura. A torre de comando dianteira era protegida por um teto de duzentos milímetros e laterais de quatrocentos, já a torre traseira tinha uma proteção de cinquenta milímetros no teto e duzentos nas laterais. As torres de artilharia possuíam tetos de cem milímetros e laterais de trezentos, e as casamatas tinham 170 milímetros mais escudos de oitenta milímetros.
História O Ostfriesland foi encomendado pela Marinha Imperial Alemã sob o nome provisório de Ersatz Oldenburg, como um substituto para o antigo navio de defesa de costa . O contrato para a construção da embarcação foi entregue para o Estaleiro Imperial de Wilhelmshaven, ocorrendo sob o número 31. O batimento de quilha aconteceu no dia 19 de outubro de 1908 e ele foi lançado menos de um ano depois em 30 de setembro de 1909. Ele foi batizado pela Princesa de Innhausen e Knyphausen, uma representante da mais antiga família nobre da Frísia Oriental. Os trabalhos de equipagem, que incluíam a finalização da superestrutura e instalação dos armamentos, duraram até agosto de 1911. O couraçado, nomeado em homenagem a região da costa oeste da Alemanha, foi comissionado na Frota de Alto-Mar em 1º de agosto de 1911, pouco menos de três anos depois do início das obras, tendo custado no total 43,579 milhões de marcos de ouro alemão.
O navio realizou seus testes marítimos e os completou em 15 de setembro. O capitão de mar Walter Engelhardt foi seu primeiro oficial comandante. O Ostfriesland foi formalmente designado para a I Esquadra de Batalha da Frota de Alto-Mar no dia 22. Depois disso realizou treinamentos individuais, que foram seguidos por manobras junto com a esquadra e depois com toda a frota em novembro. O couraçado tornou-se a nova capitânia da esquadra em 24 de abril de 1912, substituindo o . O anual cruzeiro de verão de julho a agosto, que normalmente ia para a Noruega, foi interrompido pela Crise de Agadir. Dessa forma o cruzeiro foi apenas para o Mar Báltico. A embarcação e o resto da frota entraram em uma padrão de treinamentos individuais, em esquadra e manobras com toda a frota pelos próximos dois anos. O Ostfriesland venceu o Prêmio de Tiro do Imperador de 1912/13 para a I Esquadra. O capitão-tenente Friedrich Beesel era o oficial de artilharia do navio e assim foi o responsável pela precisão dos tiros.
A Marinha Imperial fez seu último cruzeiro de verão em tempos de paz em julho de 1913, realizando exercícios perto de Skagen na Dinamarca e então seguido para os fiordes noruegueses em 25 de julho. O cruzeiro anual para a Noruega de 1914 começou em 14 de julho. Entretanto, a frota começou a voltar para a Alemanha já no dia seguinte como resultado do ultimato da Áustria-Hungria para a Sérvia. Todos os navios reuniram-se perto do Cabo Skadenes no dia 27 antes de voltarem para o porto, onde permaneceram em estado de alerta. A guerra entre os dois países começou em 28 de julho e em apenas uma semana todas as grandes potências europeias também entraram no conflito, iniciando a Primeira Guerra Mundial. O Ostfriesland e o resto da I Esquadra voltaram para Wilhelmshaven no dia 29.
Primeira Guerra Ações iniciais A primeira grande ação naval da guerra no Mar do Norte foi a Batalha da Angra da Heligolândia, que ocorreu em 28 de agosto de 1914. O , que estava perto da ilha fortificada de Wangerooge, recebeu ordens às 4h30min para se juntar ao Ostfriesland e partir do porto. Os dois couraçados encontraram-se meia hora depois com os danificados cruzadores rápidos SMS Frauenlob e SMS Stettin. As duas embarcações voltaram para o porto às 7h30min. O Ostfriesland e o resto da Frota de Alto-Mar realizou na tarde de 7 de setembro um cruzeiro de treinamento na ilha da Heligolândia. O couraçado foi equipado em outubro com dois canhões antiaéreos de 88 milímetros.
O navio esteve presente durante a primeira incursão da frota alemã para o Mar do Norte, ocorrida entre 2 e 3 de novembro de 1914. Não foram encontradas forças britânicas durante a operação. Uma segunda incursão aconteceu em 15 e 16 de dezembro. Esta ação foi o começo de uma estratégia adotada pelo almirante Friedrich von Ingenohl, o comandante da Frota de Alto-Mar. Ele tinha a intenção de usar os cruzadores de batalha do I Grupo de Reconhecimento do contra-almirante Franz Hipper para atacar cidades costeiras do Reino Unido a fim de atrair partes da Grande Frota, a principal força naval britânica, para uma emboscada onde pudessem ser destruídas pelos alemães. A frota deixou o porto no dia 15 para atacar as cidades de Scarborough, Hartlepool e Whitby. À noite, a força alemã de oito couraçados pré-dreadnought e seis couraçados modernos, incluindo o Ostfriesland e seus três irmãos, chegaram a estar a dez milhas náuticas (dezenove quilômetros) de distância de um esquadra britânica destacada de apenas seis couraçados. Entretanto, ataques entre contratorpedeiros e barcos torpedeiros em meio a escuridão convenceram Ingenohl que ele estava enfrentando toda a frota britânica. Ele estava sob ordens do imperador Guilherme II de não arriscar seus navios desnecessariamente e assim recuou de volta para a Alemanha.
A Batalha do Banco de Dogger ocorreu em 24 de janeiro de 1915, quando a 1ª e 2ª Esquadras de Cruzadores de Batalha do vice-almirante sir David Beatty emboscaram a I Esquadra de Reconhecimento. O Ostfriesland e o resto da I Esquadra de Batalha partiram às 12h33min para auxiliar os cruzadores de batalha alemães, acompanhados dos pré-dreadnoughts da II Esquadra. Entretanto, foi tarde de mais e eles não conseguiram encontrar os navios britânicos. A frota retornou para a Rada de Schillig fora de Wilhelmshaven às 19h05min. Nesse meio tempo, a força britânica concentrou seus tiros no cruzador blindado e ele afundou, enquanto o foi seriamente danificado por um incêndio no depósito de munições. O imperador removeu Ingenohl de seu posto em 2 de fevereiro e o substituiu pelo almirante Hugo von Pohl.
thumb|260px|O Ostfriesland e o zepelim L31 em 1915. Os oito navios da I Esquadra foram para o Mar Báltico em 22 de fevereiro de 1915 para treinarem até 13 de março. Eles participaram de uma série de incursões ao retornarem para o Mar do Norte que transcorreram sem incidentes, em 29 e 30 de março, 17 e 18 de abril, 17 e 18 de maio e em 29 e 30 de maio. O Ostfriesland e o resto da frota depois permaneceram no porto até 4 de agosto, quando a I Esquadra voltou para o Báltico para outra rodada de treinamentos. O capitão de mar Ernst-Oldwig von Natzmer substituiu Engelhardt no mesmo mês como oficial comandante. A esquadra então foi colocada junto com uma força naval em uma tentativa de tomar o Golfo de Riga das forças da Marinha Imperial Russa. A força incluía os oito couraçados da I Esquadra, os cruzadores de batalha Seydlitz, e , vários cruzadores rápidos, 32 barcos torpedeiros e treze caça-minas. O plano era para que caminhos fossem criados através dos campos minados para que a presença naval russa pudesse ser eliminada. Os alemães então criariam campos minados próprios para impedir que os inimigos entrassem no golfo. Os couraçados e foram destacados em 16 de agosto com o objetivo de escoltar os caça-minas e destruir o couraçado pré-dreadnought russo , porém fracassaram. Os campos minados russos foram liberados depois de três dias e a flotilha entrou no golfo no dia 19, porém submarinos inimigos na área fizeram os alemães recuarem no dia seguinte. A I Esquadra retornou para Wilhelmshaven em 26 de agosto.