O SMS Oldenburg foi um navio couraçado operado pela Marinha Imperial Alemã e a quarta e última embarcação da Classe Helgoland depois do , e . Sua construção começou em março de 1909 nos estaleiros da Schichau-Werke em Danzig, sendo lançado ao mar em junho do ano seguinte e comissionado em maio de 1912. O projeto do Oldenburg e seus irmãos representava uma melhora considerável em relação à anterior Classe Nassau em termos de armamento e propulsão. O navio tinha uma bateria principal composta por doze canhões de 305 milímetros montados em seis torres de artilharia duplas dispostas em um incomum arranjo hexagonal, deslocamento de mais de 24 mil toneladas e uma velocidade máxima de 21 nós (39 quilômetros por hora).

O Oldenburg foi comissionado na Frota de Alto-Mar e em tempos de paz seu serviço consistiu principalmente de rotinas de exercícios individuais ou junto com o resto da força alemã. O navio participou de todas as grandes operações navais alemães na Primeira Guerra Mundial no Mar do Norte, incluindo a Batalha da Jutlândia em 1916. Também teve algumas ações no Mar Báltico contra a Marinha Imperial Russa, principalmente no Golfo de Riga em 1915. O couraçado não participou de mais nenhuma grande operação depois da Jutlândia e acabou por ser entregue aos Aliados ao final da guerra após o afundamento da frota alemã em Scapa Flow. Ele foi transferido para a Marinha Imperial Japonesa, que nunca tomou posse e o vendeu em 1920 para uma firma britânica, sendo desmontado no ano seguinte.

Características

esquerda|thumb|300px|O Oldenburg usava o mesmo arranjo hexagonal da bateria principal empregado anteriormente nos couraçados da predecessora Classe Nassau. O SMS Oldenburg tinha 167,2 metros de comprimento de fora a fora, uma boca de 28,5 metros e calado de 8,94 metros. Seu deslocamento totalmente carregado com suprimentos de combate chegava em 24,7 mil toneladas. Seu sistema de propulsão era composto por quinze caldeiras a carvão que alimentavam três motores de tripla expansão com quatro cilindros, que por sua vez impulsionavam três hélices quádruplas de 5,1 metros de diâmetro. Os motores de tripla expansão foram escolhidos sobre os mais modernos turbinas a vapor puramente por questões de custo. A potência gerada pelas máquinas era de 27 615 cavalos-vapor (20 600 quilowatts), o que lhe permitia alcançar uma velocidade de 20,8 nós (38,5 quilômetros por hora). O Oldenburg transportava até 3,2 mil toneladas de carvão, o que lhe dava um alcance de 5 500 milhas náuticas (10 190 quilômetros) a dez nós (dezenove quilômetros por hora).

A bateria principal do Oldenburg consistia de doze canhões SK L/50 de 305 milímetros. Eram montados em seis torres de artilharia arranjadas em uma incomum configuração hexagonal: uma na proa, uma na popa e duas de cada lado. Seu armamento secundário tinha catorze canhões SK L/45 de 150 milímetros montadas em casamatas e catorze canhões SK L/45 de 88 milímetros, também em casamatas. Duas de suas armas de 88 milímetros foram substituídas em 1914 por canhões antiaéreos também de 88 milímetros. Além disso, havia seis tubos de torpedos de quinhentos milímetros instalados abaixo da linha d'água; um na proa, outro na popa e dois em cada lateral. O cinturão de blindagem tinha entre oitenta milímetros de espessura nas extremidades e trezentos na área central, enquanto atrás do cinturão ficava uma antepara de torpedo de trinta milímetros. O convés era protegido por uma blindagem que ia desde 55 a oitenta milímetros de espessura. A torre de comando dianteira era protegida por um teto de duzentos milímetros e laterais de quatrocentos, já a torre traseira tinha uma proteção de cinquenta milímetros no teto e duzentos nas laterais. As torres de artilharia possuíam tetos de cem milímetros e laterais de trezentos, e as casamatas tinham 170 milímetros mais escudos de oitenta milímetros.

História O Oldenburg foi encomendado pela Marinha Imperial Alemã sob o nome provisório de Ersatz Frithjof, como um substituto para o antigo navio de defesa de costa SMS Frithjof. O contrato para a construção foi entregue para a Schichau-Werke de Danzig, ocorrendo sob o número 828. Seus três irmãos tinham sido encomendados em 1908, porém a encomenda do Oldenburg foi adiada até o ano seguinte por restrições orçamentárias. O contrato tinha sido dado para a Schichau-Werke antes do orçamento de 1909 ter sido aprovado, assim o estaleiro começou a estocar materiais para construir a embarcação. Isto deu a impressão de que a Alemanha estava construindo mais couraçados do que tinham revelado publicamente, o que criou um temor naval no Reino Unido. O público britânico passou a clamar "nós queremos oito [novos couraçados] e não vamos esperar", com a construção de oito couraçados iniciando-se em um espaço de um ano, escalonando a corrida armamentista naval entre os dois países.

thumb|270px|O imperador Guilherme II visitando o Oldenburg antes da guerra. Os trabalhos de construção do Oldenburg finalmente começaram em 1º de março de 1909 com o batimento de sua quilha e o navio foi lançado ao mar pouco mais de um ano depois no dia 30 de junho de 1910. Ele foi batizado pela duquesa Sofia Carlota de Oldemburgo, com seu pai Frederico Augusto II, Grão-Duque de Oldemburgo, realizando um discurso durante a cerimônia. O casco incompleto do couraçado foi transferido para Kiel após o lançamento com o objetivo de passar pelos trabalhos de equipagem, que incluíam a finalização da superestrutura e instalação dos armamentos. Esta etapa foi finalizada em agosto de 1911. A embarcação, nomeada em homenagem ao antigo Ducado de Oldemburgo, que ficava no norte da Alemanha, foi comissionada na Frota de Alto-Mar em 1º de maio de 1912, pouco mais de três anos depois do início das obras.

O navio realizou seus testes marítimos no Mar Báltico logo em seguida e eles foram completados em meados de julho. O Oldenburg foi designado para a I Esquadra de Batalha em 17 de julho, juntando-se a seus irmãos. Ele então conduziu exercícios de treinamento individuais que foram sucedidos por treinamentos junto com toda a I Esquadra e por fim manobras da frota em novembro. O cruzeiro anual de verão ocorreu normalmente em julho e foi até a Noruega. O couraçado e o resto da frota entraram pelo um ano e meio seguinte em um padrão de rotinas de exercícios individuais, divisionais e em frota.

A Marinha Imperial fez seu último cruzeiro de verão completo em tempos de paz em julho de 1913, realizando exercícios perto de Skagen na Dinamarca e então seguido para os fiordes noruegueses em 25 de julho. O cruzeiro anual para a Noruega de 1914 começou em 14 de julho. Entretanto, a frota começou a voltar para a Alemanha já no dia seguinte como resultado do ultimato da Áustria-Hungria para a Sérvia. Todos os navios reuniram-se perto do Cabo Skadenes no dia 27 antes de voltarem para o porto, onde permaneceram em estado de alerta. A guerra entre os dois países começou em 28 de julho e em apenas uma semana todas as grandes potências europeias também entraram no conflito, iniciando a Primeira Guerra Mundial. O Oldenburg e o resto da I Esquadra voltaram para Wilhelmshaven no dia 29.

Primeira Guerra Ações iniciais O navio esteve presente durante a primeira incursão da frota alemã para o Mar do Norte, ocorrida entre 2 e 3 de novembro de 1914. Não foram encontradas forças britânicas durante a operação. Uma segunda incursão aconteceu em 15 e 16 de dezembro. Esta ação foi o começo de uma estratégia adotada pelo almirante Friedrich von Ingenohl, o comandante da Frota de Alto-Mar. Ele tinha a intenção de usar os cruzadores de batalha do I Grupo de Reconhecimento do contra-almirante Franz Hipper para atacar cidades costeiras do Reino Unido a fim de atrair partes da Grande Frota, a principal força naval britânica, para uma emboscada onde pudessem ser destruídas pelos alemães. A frota deixou o porto no dia 15 para atacar as cidades de Scarborough, Hartlepool e Whitby. À noite, a força alemã de oito couraçados pré-dreadnought e seis couraçados modernos, incluindo o Oldenburg e seus três irmãos, chegaram a estar a dez milhas náuticas (dezenove quilômetros) de distância de um esquadra britânica destacada de apenas seis couraçados. Entretanto, ataques entre contratorpedeiros e barcos torpedeiros em meio a escuridão convenceram Ingenohl que ele estava enfrentando toda a frota britânica. Ele estava sob ordens do imperador Guilherme II de não arriscar seus navios desnecessariamente e assim recuou de volta para a Alemanha.

A Batalha do Banco de Dogger ocorreu em 24 de janeiro de 1915, quando a 1ª e 2ª Esquadras de Cruzadores de Batalha do vice-almirante sir David Beatty emboscaram a I Esquadra de Reconhecimento. O Oldenburg e o resto da I Esquadra de Batalha partiram às 12h33min para auxiliar os cruzadores de batalha alemães, acompanhados dos pré-dreadnoughts da II Esquadra. Entretanto, foi tarde de mais e eles não conseguiram encontrar os navios britânicos. A frota retornou para a Rada de Schillig fora de Wilhelmshaven às 19h05min. Nesse meio tempo, a força britânica concentrou seus tiros no cruzador blindado e ele afundou, enquanto o foi seriamente danificado por um incêndio no depósito de munições. O imperador removeu Ingenohl de seu posto em 2 de fevereiro e o substituiu pelo almirante Hugo von Pohl.

Os oito navios da I Esquadra foram para o Mar Báltico em 22 de fevereiro de 1915 para treinarem até 13 de março. Eles participaram de uma série de incursões para o Mar do Norte depois de retornarem que transcorreram sem incidentes, nos dias 29 e 30 de março, 17 e 18 de abril, 17 e 18 de maio e em 29 e 30 de maio. A frota ficou praticamente inativa parada em seus portos até 4 de agosto, quando a I Esquadra retornou para o Báltico a fim de passar por novos treinamentos. A esquadra então foi colocada junto com uma força naval em uma tentativa de tomar o Golfo de Riga das forças da Marinha Imperial Russa. A força incluía os oito couraçados da I Esquadra, os cruzadores de batalha Seydlitz, e , vários cruzadores rápidos, 32 barcos torpedeiros e treze caça-minas. O plano era para que caminhos fossem criados através dos campos minados inimigos para que a presença naval russa pudesse assim ser eliminada. Os alemães então criariam campos minados próprios para impedir que os inimigos entrassem no golfo. Os couraçados e foram destacados em 16 de agosto com o objetivo de escoltar os caça-minas e destruir o couraçado pré-dreadnought russo , porém fracassaram em sua missão. Os campos minados russos foram liberados depois de três dias e a flotilha entrou no golfo no dia 19, porém submarinos inimigos na área fizeram os alemães recuarem logo no dia seguinte. A I Esquadra retornou para Wilhelmshaven em 26 de agosto.