Os Jogos Olímpicos são o maior evento multiesportivo do mundo. Durante sua história de mais de cem anos, tantos os Jogos de Verão, iniciados em 1896, quantos os de Inverno, iniciados em 1924, foram alvo de escândalos, controvérsias, uso ilegal de drogas e protestos políticos variados.

Em várias ocasiões eles foram boicotados, ou por algum tipo de protesto contra o Comitê Olímpico Internacional ou por questões da política contemporânea à sua edição. Muitos destes escândalos e controvérsias se deram por erros de arbitragem ou atitude dos atletas. Após as duas guerras mundiais, os países perdedores do conflito não foram convidados a participar. Os principais destes casos estão descritos abaixo por edição dos Jogos, Verão e Inverno.

Jogos de Verão

Paris 2024

Com a invasão da Ucrânia pela Rússia, iniciada em fevereiro de 2022, o Comitê Olímpico Ucraniano ameaçou boicotar esta edição se a Rússia e a Bielorrússia fossem autorizadas a participar desta edição. De acordo com o ministro do Esporte e Turismo da Polônia, Kamil Bortniczuk, quarenta países ameaçaram boicotar os jogos de Paris se houver a presença de atletas russos e bielorrussos. Mas apesar da declaração, boa parte apenas se manifestou contrária à inclusão, mas que participariam dos jogos normalmente. Membros de associações de Comitês Olímpicos continentais, bem como algumas federações de eventos esportivos, se mostraram favoráveis à inclusão de atletas russos e bielorrussos. Além da Guerra Russo-Ucraniana, outra preocupação era a Guerra Israel-Hamas. O COI alertou os atletas árabes e pró-palestinos que seriam proibidos de participar caso se recusassem a competir com atletas israelenses, lembrando o caso do judoca argelino Fethi Nourine, que foi suspenso por 10 anos pela Federação Internacional de Judô por recusar para lutar contra um atleta israelense durante os Jogos Olímpicos de Verão de 2020. Em 27 de julho de 2024, a Federação Internacional de Futebol puniu o Canadá com perda de 6 pontos no futebol feminino nas Olímpiadas após drones serem flagrados pela seleção da Nova Zelândia para espionagem. Um dia depois, a ministra dos esportes do Canadá, Carla Qualtrough, informou que contingenciará por um ano metade dos recursos até que a punição para as três pessoas envolvidas: a técnica da seleção Bev Priestman, a auxiliar Jasmine Mander e a analista Joseph Lombardi, sejam cumpridas. Após ter sido detectada a presença de microorganismos no Rio Sena, atletas da Bélgica e de Portugal foram internados após serem diagnosticados com infecção gastrointestinal. A triatleta belga Claire Michel foi internada com após contrair a bactéria escherichia coli e também por sentir um mau cheiro vindo do Rio, o que obrigou a equipe do revezamento misto de triatlo do país a desistir da prova.

A ginasta romena Ana Bărbosu havia conquistado a medalha de bronze na final do solo feminino na ginástica artística. No entanto, Jordan Chiles acabou passando à sua frente logo depois de concluir a apresentação e a equipe dos Estados Unidos de ginástica solicitou uma revisão na nota de Chiles e foi atendido, com a estadunidense ficando com a medalha de bronze, enquanto que Rebeca Andrade e Simone Biles ficaram com a medalha de ouro e prata, respectivamente. A polêmica acabou repercutindo nas redes sociais, que acusaram a Federação Internacional de Ginástica de favorecer atletas americanos. O Comitê Olímpico Romeno abriu um processo na corte arbitral e foi atendido, com Bărbosu conquistando a medalha de bronze e Chiles caindo para quinto lugar, tendo que devolver a medalha. A boxeadora argelina Imane Khelif foi centro de uma polêmica após a adversária italiana Angela Carini decidir desistir da disputa por sentir dores no nariz. No entanto, chegou a circular uma informação que a luta foi parada após Khelif ter sido classificada como transsexual e que por isso, não poderia disputar na categoria feminina no peso meio-médio. A fake news acabou se espalhando pelo mundo, fazendo com que o COI classificasse os textos como "enganosos" e que a presença de atletas que não sejam cisgênero ficariam sob responsabilidade das associações filiadas. Além disso, o presidente da Associação Internacional de Boxe (IBA), Umar Kremlev, em uma declaração, afirmou que Imane fez exames e foi mostrada a existência de cromossomos XY, normalmente ligados ao sexo masculino, fazendo com que a atleta fosse classificada como intersexo. Posteriormente, Imane conquistaria a medalha de ouro no peso médio feminino. Tóquio 2020

Com o avanço da Pandemia de COVID-19 no mundo, vários países ameaçaram boicotar esta edição, o que levou o Comité Olímpico Internacional (COI) a adiar os jogos para o verão de 2021, mas sem alterações no logotipo. Mesmo com o adiamento, vários grupos contrários às olimpíadas e alguns veículos de comunicação local defendiam uma nova mudança de datas ou uma suspensão definitiva da competição. Com o decreto de estado de emergência em todo o Japão, os eventos acabaram acontecendo sem a presença de público nas instalações, contendo apenas os atletas, comissão técnica e jornalistas, mas seguindo os protocolos sanitários como uso de máscaras e distanciamento social. Apesar das medidas, a Coreia do Norte anunciou que não enviaria seus atletas para participar do evento para "preservar a saúde de seus atletas". Com a decisão, o país acabou sendo suspenso e vetado dos Jogos Olímpicos de Inverno de 2022, mas ainda podendo participar sob a bandeira olímpica. A semifinal masculina do surfe ficou marcada com uma polêmica avaliação do surfista Kanoa Igarashi na disputa contra o brasileiro Gabriel Medina. Igarashi tirou 9.33 e teria supostamente tocado na prancha em uma manobra, enquanto que Medina tirou 9.00 e fez a mesma manobra sem tocar no aparelho, o que gerou questionamentos do Comitê Olímpico do Brasil e de telespectadores, principalmente de profissionais ligados ao esporte. O diretor técnico do surfe, Erik Krammer, negou qualquer tipo de fraude na rodada. Na primeira decisão do esporte, Kanoa foi superado por Ítalo Ferreira, outro representante brasileiro, enquanto que Owen Wright superou Gabriel na disputa pelo bronze. Além do surfe, atletas brasileiros acusaram a arbitragem de esportes como judô, boxe e do skate street de favorecer adversários em rodadas decisivas dessas competições, principalmente enfrentando japoneses. A expulsão de Douglas Luiz aos 13 minutos do primeiro tempo no jogo contra a Costa do Marfim pela fase de grupos do futebol masculino também foi questionada. A medalhista de prata no arremesso de peso, Raven Saunders, realizou um gesto usando os dois braços em forma de X, significando o encontro de todas as pessoas oprimidas. Tal ato foi visto como motivação política pelo COI, que proibiu qualquer tipo de manifestação durante a cerimônia do pódio, passando a investigar a atleta e estudar uma punição. Com o fim destas olimpíadas, um grande escândalo de corrupção estourou por todo o Japão, principalmente em novembro de 2022, quando foram feitas acusações adicionais contra executivos envolvendo fraude em licitações para fornecedores de lucrativos eventos-teste antes dos Jogos. A medida acabou prejudicando a candidatura de Sapporo para os Jogos Olímpicos de Inverno de 2030.

Rio 2016

Londres 2012 No primeiro dia dos Jogos, o time de futebol feminino da Coreia do Norte atrasou sua entrada em campo para o jogo contra a Colômbia por mais de uma hora, depois que o telão do estádio apresentou suas jogadoras ao lado da bandeira da Coreia do Sul. O time, que já estava em campo fazendo o aquecimento com bola quando o fato ocorreu, retirou-se do gramado junto com a comissão técnica e só aceitou retornar quando foi garantida a reapresentação de suas jogadoras com a bandeira correta. A atleta grega do salto triplo Voula Papachristou foi expulsa dos Jogos por seu Comitê Olímpico após postar comentários racistas sobre os africanos em sua conta no Twitter. O jogador de futebol suíço Michel Morganella foi expulso dos Jogos por seu Comitê após postar no Twitter que os sul-coreanos eram "um bando de mongolóides", depois da derrota da Suíça para a Coreia do Sul por 2-1. A esgrimista sul-coreana Shin A-Lam foi obrigada a ficar no tablado da esgrima por mais de uma hora após o fim do combate, depois que o relógio que marca o tempo das disputas parou 1s antes do fim, no momento em que ela acertava a adversária Britta Heidemann da Alemanha, na semifinal da espada; um protesto da Coreia do Sul foi rejeitado e a alemã avançou para a disputa do ouro. O COI ofereceu um prêmio de consolação à sul-coreana, que não o aceitou. Ocorreram três protestos provocados por decisões bastante controversas no boxe: o primeiro na final do peso minimosca contra o chinês Zou Shiming na luta contra tailandês Kaeo Pongprayoon; o tailandês sofreu uma punição de dois pontos por golpe baixo, punição bastante criticada pelo público e comentaristas presentes, o que permitiu ao chinês vencer a luta e conquistar a medalha de ouro pela segunda vez. No peso meio-pesado, o Comitê Olímpico Indiano fez um protesto contra o resultado da luta entre seu boxeador Sumit Sangwan e o brasileiro Yamaguchi Falcão, que venceu por 15-14, conquistando a medalha de bronze. O protesto, que levou a reclamações do próprio Ministro dos Esportes da Índia, foi rejeitado. Os comentaristas da ESPN americana, surpreendidos com o veredito, consideraram o resultado "um roubo à luz do dia". No peso galo, o boxeador japonês Satoshi Shimizu colocou na lona por seis vezes o pugilista Magomed Abdulhamidov, do Azerbaijão, no último round, sem que o juiz abrisse contagem ou marcasse pontos em qualquer das quedas. Ao final, Abdulhamidov foi declarado vencedor por 22-17. Seguindo-se a um apelo da delegação japonesa, o resultado foi posteriormente revertido e Shimizu declarado vencedor, conquistando a medalha de bronze ao final da competição. O juiz da luta, Ishanguly Meretnyyazov, do Turcomenistão, foi suspenso pela Associação Internacional de Boxe Amador (AIBA) e enviado de volta para casa. A bielorrussa Nadzeya Ostapchuk teve sua medalha de ouro no arremesso de peso confiscada dias depois da prova, ao testar positivo para esteróides anabolizantes. A neozelandesa Valerie Adams, campeã olímpica em Pequim 2008 e medalha de prata na prova, recebeu a medalha de ouro e o título de bicampeã olímpica semanas depois numa cerimônia oficial em Auckland, Nova Zelândia. Durante as semifinais do futebol feminino entre Estados Unidos e Canadá, um pênalti controverso concedido aos Estados Unidos pela juíza norueguesa Christina Pedersen aos 33 minutos do segundo tempo, levou os EUA a empatarem o jogo que perdiam por 3-2 e forçou uma prorrogação, onde as americanas venceram. Durante a prorrogação, a goleira americana Erin McLeod, com seu time em vantagem, deliberadamente fez vários minutos de "cera" para fazer o tempo correr e impedir o empate canadense. A reclamação formal após o jogo da capitã canadense Christine Sinclair, fez com que a FIFA suspendesse a goleira norte-americana após os Jogos. Oito competidores de duplas do badminton (duas duplas da Coreia do Sul, uma da China e uma da Índia) foram expulsos da competição pela Federação Mundial de Badminton acusados de deliberadamente perderem seus jogos durante a fase de classificação, procurando um melhor cruzamento de chaves na etapa seguinte. As meio-fundistas turca e russa Aslı Çakır Alptekin, dos 1500 m e Yuliya Zaripova, dos 3000 m com obstáculos, tiveram suas medalhas de ouro cassadas por doping de sangue três anos após os Jogos; a turca Alptekin, reincidente, foi banida por oito anos do esporte.

Pequim 2008