O Museu Arqueológico Rafael Larco Herrera, mais conhecido como Museu Larco, está localizado no distrito de Pueblo Libre, em Lima, Peru, e é um dos principais museus das Américas, com um rico acervo arqueológico pré-colombiano com mais de 45 mil peças arqueológicas, que procura contar os mais de 5 mil anos de história pré-colombiana no Peru.

O museu foi fundado em 28 de julho de 1926, dia do aniversário da Independência do Peru, por Rafael Larco Hoyle, considerado um dos pais da arqueologia peruana, devido a importância do seu trabalho arqueológico em sítios de escavações, que contribuiu muito no âmbito da pesquisa arqueológica e em sua divulgação científica.

O museu recebeu esse nome em homenagem ao pai de Rafael Larco Hoyle, Rafael Larco Herrera, por quem Rafael Larco Hoyle nutria uma profunda admiração.

História A primeira peça do Museu Larco foi, na verdade, um presente do pai de Rafael Larco Hoyle, Rafael Larco Herrera, em 1923. Foi a partir desse momento que Rafael Larco Hoyle iniciou o processo de formação do acervo do museu . A ideia original do fundador foi compartilhar sua paixão pela arte pré-colombiana.

No decorrer dos anos, Rafael Larco fez centenas de viagens pelo Peru, adquirindo artefatos antigos. Em Arequipa, Cusco e Puno, conseguiu adquirir peças das culturas Puquina e Inca, bem como dos estilos de alta planície encontrados ao redor do Lago Titicaca. Em Huancayo, Pukara e Ayacucho adquiriu objetos de cerâmica nos estilos locais. Suas viagens à Ica, Nazca e Palpa levaram à reunião de um acervo de objetos do litoral sul, que seria complementado com a aquisição de diversos acervos daquela região. Além de adquirir inúmeras peças, Rafael Larco também recebeu algumas doações .

De 1933 a 1941, Rafael Larco Hoyle realizou trabalhos de escavação arqueológica com o objetivo de solucionar as questões que surgiram durante o estudo dos artefatos da coleção. O resultado das descobertas e pesquisas foi uma extensa bibliografia e o crescimento do acervo do museu .

Na década de 1950, Rafael Larco decidiu mudar-se para Lima, levando consigo o museu para a capital, com dois objetivos em mente: facilitar o acesso ao acervo a pessoas de todas as nações e disponibilizar o material arqueológico aos estudiosos do mundo inteiro. Ele adquiriu uma mansão do século XVIII da família Luna Cartland e a remodelou. Cerca de cinquenta anos depois, o museu passou por um processo de renovação, a fim de oferecer uma melhor experiência a cada um de seus visitantes. Desde então, é conhecido como Museu Larco e como porta de entrada para todos aqueles que buscam uma melhor compreensão do antigo Peru .

Rafael Larco Hoyle Em 1926, aos 25 anos, Rafael Larco Hoyle fundou o Museu Larco.

Diante da falta de informações arqueológicas, dedicou-se ao estudo do antigo Peru. Rafael Larco iniciou sua própria pesquisa científica e escavou vários sítios arqueológicos na costa norte do Peru. Por isso é considerado um dos pioneiros da arqueologia peruana .

Suas investigações levaram a uma série de descobertas arqueológicas notáveis, bem como a publicação de textos científicos. Seus estudos estratigráficos também foram importantes para o povo peruano compreender a profundidade de sua história pré-colombiana .

Em 1946, apresentou a primeira ordenação das culturas costeiras do norte, antes mesmo do desenvolvimento do método de datação por radiocarbono. Nesse mesmo ano, Rafael Larco supervisionou e organizou a Conferência de Chiclín sobre arqueologia da costa norte do Peru .

Cosmovisão Andina Para entender o acervo do Museu Larco é necessário, antes, se despir de conceitos e preconceitos, ou eles dificultarão a compreensão da cultura pré-colombiana onde o Peru está inserido e, de onde, consequentemente, vem o acervo do Museu Larco. Como pessoas ocidentalizadas do século XXI, já não nos organizamos da mesma maneira que as sociedades antigas. Se hoje valorizamos o aqui e agora e estamos focados na vida, no presente, civilizações antigas honravam os seus Deuses com cerimônias, oferendas e sacrifícios e prestavam homenagens e cultos aos seus mortos, o que permitia ao seu povo contactar outros mundos: o submundo, habitado pelos mortos, e o mundo superior, habitado pelos Deuses .

As sociedades do antigo Peru eram sociedades agrícolas e tinham uma ligação forte e dinâmica com o seu ambiente natural, além de uma preocupação em compreender os ciclos da natureza, como o retorno cíclico das estações , visando garantir que os ciclos da natureza se repetissem sem grandes alterações . Essas sociedades consideravam que de forma semelhante os humanos também vivenciavam os ciclos naturais, nascem, vivem, morrem e viajam para o submundo ou mundo interior, onde a vida renasce .

Esses ciclos são possíveis porque as forças que animam o mundo estão em constante movimento. Essa dinâmica é representada pelo símbolo da espiral. Na Cosmovisão Andina, existem três planos ou mundos: o mundo acima é habitado pelos Deuses, o mundo terrestre, por homens e animais e o submundo é habitado pelos mortos .

Morte No antigo Peru, as pessoas estavam completamente convencidas de que havia vida após a morte. A morte foi pensada como um estado de transição . Acreditava-se que os ancestrais da comunidade tinham o poder de garantir que a sociedade e o universo como um todo continuassem a existir. Nas chefias, estados e império do antigo Peru, a morte de líderes (chefes, senhores, sacerdotes, sacerdotisas e imperadores) era um acontecimento crucial . Em vida, eles cumpriram papéis especiais associados à sua posição de intermediários entre o mundo terreno e o mundo habitado pelos Deuses, sendo considerados descendentes diretos, ou "filhos" dos Deuses .

Quando os seus líderes morriam a sociedade como um todo tinha de garantir que eles atravessariam com sucesso deste mundo para o mundo dos mortos, e que sua viagem até o seu destino final, mais perto dos Deuses, seria boa. Através dessa jornada, os líderes falecidos seriam transformados em antepassados da sociedade, cuidando e guiando-os a partir de sua posição elevada .

O "culto aos ancestrais" exigiam que os peruanos preparassem cuidadosamente os sepultamentos de seus líderes. A tumba, que era o espaço onde o ancestral habitaria, tinha que ser especialmente projetada. O corpo do ancestral tinha que ser preparado e vestido com adornos e emblemas que denotassem sua posição social, funções cerimoniais e pertencimento a uma linhagem divina. Todas essas atividades foram encarregadas de grande significado e importância .

Muitas das peças do acervo do Museu Larco foram criadas como oferendas para serem levadas ao túmulo e passarem para a terra dos mortos . Não eram objetos destinados ao uso diário, embora suas formas aparentemente utilitárias possam sugerir tais usos. Sua verdadeira função era servir como objetos espirituais e não terrenos .

Reverência aos Ancestrais Nas sociedades andinas havia uma preocupação constante com a continuidade do ciclo da vida. Por isso, quando seus líderes morriam, construíam tumbas e realizavam ritos fúnebres para transformá-los em ancestrais poderosos, capazes de fertilizar a terra e garantir que a sociedade e o universo continuassem a existir .

Mantos Funerários

Os mantos funerários eram utilizados pelos povos da costa sul do Peru para embrulhar os corpos dos seus mortos em múltiplas camadas, juntamente com oferendas, criando assim uma espécie de pacote ou pacote funerário que era então depositado numa cova no solo. Esse manto expressava a visão de mundo andina através de imagens de animais que representavam os diferentes mundos e os reuniam em um mesmo objeto ;

Máscara Funerária

As máscaras funerárias foram uma parte importante do enterro dos líderes das antigas sociedades peruanas. A máscara permitiu que o falecido se transformasse na figura que representava .

O Morto Na Cosmovisão Andina, os mortos continuam ativos no submundo. Sua vitalidade se manifestava na possibilidade de continuar procriando, pois, mesmo sendo cadáver, o homem é capaz de emitir sêmen fecundante .

O Retorno O ciclo continua...da terra, fecundada pelos mortos que habitam o submundo, emergem os frutos .

Peru: berço da civilização O Peru é mundialmente famoso graças ao Império Inca na Cordilheira dos Andes; no entanto, poucos sabem que esta sociedade existiu apenas durante os últimos 100 anos antes da chegada dos conquistadores espanhóis . Durante quase 400 anos, do século XVI ao início do século XX, quando se falava do Peru antes da conquista, apenas os Incas eram mencionados, tornando-os assim mundialmente conhecidos. Entretanto, a civilização peruana já existia milhares de anos antes dos Incas .

Os primeiros trabalhos arqueológicos no início do século XX mostraram que os Incas governaram o Peru apenas durante 150 anos de um desenvolvimento cultural que durou mais de 10.000 anos .

As seis regiões do mundo onde as primeiras civilizações surgiram de forma independente, sem que uma influenciasse a outra, são conhecidas como "berços da civilização". São elas: China (grande civilização desenvolvida às margens do Rio Amarelo); Índia (cidadelas importantes foram construídas ao longo do rio Indo); Mesopotâmia (entre os rios Tigre e Eufrates, onde atualmente fica o Iraque, surgiram as cidades sumérias); Egito (a fertilidade na bacia do rio Nilo favoreceu o surgimento de uma grande império); Mesoamérica (entre o Golfe do México e o Oceano Pacífico, desenvolveram-se as culturas olmeca, maia e asteca) e Peru (a área andina foi povoada há aproximadamente 14.000 anos e há aproximadamente 5.000 surgiu a civilização .

A estratigrafia Para conhecer a antiguidade das diversas culturas que se desenvolveram no passado, a arqueologia estuda a superposição das camadas que se formam ao longo do tempo e os materiais nela encontrados .

O estudo do conteúdo dos túmulos, especialmente dos objetos cerâmicos, permite identificar a cultura a que pertencia o indivíduo sepultado. Alguns dos fragmentos cerâmicos escavados nos cortes estratigráficos são muito "diagnósticos", ou seja, a sua forma, técnicas e desenhos permitem identificar a cultura a que pertenciam e organizá-los no tempo .

Rafael Larco Hoyle aplicou seus conhecimentos de agronomia e comportamento climático ao estudo das camadas estratigráficas identificadas em suas escavações. As datas da proposta cronológica de Rafael eram precisas e continuam atuais e utilizadas pela arqueologia moderna .

A cerâmica A cerâmica sempre foi vista pelos investigadores como uma rica fonte de informação sobre diversos aspectos das sociedades que a produziram. As culturas pré-colombianas foram definidas em grande parte pelas características estilísticas e iconográficas de suas cerâmicas. Dado que a cerâmica varia ao longo do tempo e do espaço, serve para estabelecer cronologias culturais locais e regionais .

Do início da cerâmica à fase em que a aperfeiçoam, durante a Era Formativa, decorrem cerca de 800 anos . O Museu Larco possui peças de cerâmica dessa época, encontradas em sítios arqueológicos como Queneto, Curayacu e Kotosh .

O trabalho de cerâmica exige saber controlar cada etapa da produção: escolha da matéria-prima, preparo da pasta, confecção da peça, decoração, secagem, acabamento superficial e queima . No acervo do Museu Larco, encontramos diversas técnicas e estilos desenvolvidos pelas sociedades pré-colombianas. Também não é incomum encontrarmos peças com formas, cores e desenhos de mais de uma dessas culturas, resultado de conquistas de um povo sobre outro.

Com a chegada dos conquistadores espanhóis, elementos da cultura europeia foram introduzidos na arte andina .

Coleção do museu