Homo naledi é uma espécie extinta da tribo Hominini, uma nova espécie de hominídeo, anunciada em 2015, que tem características do pré-humano Australopithecus e poderia ser a espécie mais antiga do gênero Homo. A espécie é caracterizada por ter estatura e massa corporal semelhantes a populações humanas de pequena estatura mas com um pequeno volume endocranial semelhante aos australopithecus.
Estimou-se inicialmente sua origem em cerca de 2 milhões de anos por conta da morfologia, mas análises dos restos recém-concluídas em 2017 indicam que os exemplares estudados teriam vivido há entre 236 mil e 335 mil anos, época que coincide com a que se acredita que o Homo sapiens evoluiu na África subsaariana.
O Homo naledi difere dos demais espécimes do gênero Homo do Pleistoceno Médio e Tardio (o que inclui Homo antecessor, Homo heidelbergensis, Homo rhodesiensis, além de Homo sapiens e Neandertais arcaicos) pela sua menor capacidade cranial e pela ausência de toro supra orbital arqueada e espessa verticalmente. Ademais, o H. naledi apresenta mandíbula mais grácil em comparação com os demais representantes do gênero Homo. Ele também apresenta fossa canina bem definida, similar ao H. antecessor.
Descoberta Os fósseis foram descobertos, em 2013 por Lee Berger e colaboradores, dentro do sistema de câmaras Dinaledi no Sistema de Cavernas Estrela Ascendente, sítio considerado Patrimônio Mundial a 50 km de Joanesburgo, na África do Sul. O anúncio se deu em setembro de 2015 pela equipe responsável pela investigação. As cavernas da Estrela Ascendente já haviam sido mapeadas na época da descoberta dos fósseis. No entanto, foi apenas em 2013, durante explorações dos cavernistas amadores Steven Tucker e Rick Hunter, que a câmara de Dinaledi foi descoberta, a 30 metros de profundidade. Os primeiros fósseis se encontravam a 90 metros da entrada.
Restos de 1 550 ossos pertencentes a 15 indivíduos (sendo 1 413 espécimens de ossos e 137 de dentes) foram encontrados durante as investigações iniciais. Os ossos encontrados incluem crânios, mandíbulas, costelas, dentes, ossos de um pé quase completo, uma mão e ossos internos da orelha; há ossos de idosos adultos e crianças, estas identificadas por pequenos ossos vertebrais. Alguns dos ossos têm a aparência dos ossos do humano moderno e outros parecem ser mais antigos que os do australopithecus, um antigo ancestral do homem. O polegar, o pulso e os ossos da palma da mão são como os atuais mas os dedos da mão são curvados, como os do australopithecus e usados para escalada. O holótipo, um indivíduo do sexo masculino, encontra-se na Universidade de Witwatersrand, Johannesburg, África do Sul.
Discussões Seus descobridores, cientistas patrocinados pela National Geographic, anunciaram a descoberta dos ossos como a de uma espécie nova de humanos antigos mas, de acordo com diversos especialistas, novas evidências precisam ser mostradas para que a afirmação possa ser cientificamente justificada; um deles, Christoph Zollikofer, antropólogo da Universidade de Zurique, declarou que muitas das características dos ossos encontrados são vistas em animais mais primitivos e por definição não poderiam ser usadas para definir uma nova espécie; por sua vez, Tim White, paleontólogo da Universidade da Califórnia em Berkeley, declarou que o que foi apresentado até agora pelos descobridores pertence a um tipo primitivo homo erectus, espécie catalogada e nomeada no século XIX.
Também foi postulado de forma controversa que esses indivíduos receberam ritos funerários e foram carregados e colocados na câmara. O fato de os ossos terem sido descobertos juntos aponta para algum comportamento ritual da espécie, o que seria notável, já que se acredita que este tipo de comportamento tivesse surgido apenas muito tempo depois entre os Homo sapiens e Homo neanderthalensis.
Nome O nome da espécie é uma referência à caverna de Dinaledi, onde foram encontrados, no sistema de caverna Rising Star, na África do Sul. O termo "naledi" significa "estrela" em Sotho (também chamada de Sesotho), que é uma das línguas faladas na África do Sul.
Coexistência com outros hominídeos Um estudo publicado pela Universidade de Washington descobriu os restos de Homo naledi em cavernas na África do Sul. Os restos mortais encontrados têm aproximadamente entre 236 000 e 335 000 anos, indicando que em um determinado período, o Homo naledi pode ter de fato coexistido com Homo sapiens.
Habitat e Ecologia Por enquanto, os fósseis de Homo naledi foram encontrados apenas na África, mais ao sul do continente, sugerindo que esse era o ambiente que eles habitavam. Porém, uma análise dos dentes de Homo nadeli revelou que não eram muito diferentes de outros hominídeos que habitaram a região, mas eram mais resistentes ao desgaste, provavelmente por partículas ingeridas junto com a comida, indicando que o Homo naledi pode ter ocupado nichos diferentes de outros hominídeos.
Comunicação e Linguagem É inconclusivo se o Homo naledi era capaz de fala, mas os ossos podem prover inferências. Como explicado por Rowan Hooper no NewScientist: O formato do crânio em um dos espécimes tem similaridades com o cérebro de Homo sapiens em regiões associadas com a fala. Um dos ancestrais de Homo sapiens, o australopitecíneo, possuia o osso hioide, um osso localizado abaixo da mandíbula, que é vestigial em Homo sapiens. Esse osso pode conter pistas sobre as vocalizações que Homo naledi era capaz. Além disso, os ossos internos também podem prover pistas. Eles são diferentes entre humanos e outros primatas, e podem indicar como o Homo naledi processava sons. Através das análises desses ossos pode ser possível comparar os dados com os de outras hominídeos e humanos e fazer inferências sobre a produção e percepção de vocalizações em Homo naledi.
Leti O primeiro crânio parcial e dentes de um Homo naledi criança encontrado na Caverna Rising Star no Berço da Humanidade. A criança morreu há quase 250 000 anos, quando tinha cerca de quatro a seis anos de idade. Foi encontrada em uma passagem remota da caverna, a cerca de 12m além da Câmara Dinaledi, o local original de descoberta dos primeiros restos de H. naledi.
Os 28 fragmentos de crânio e seis dentes da criança foram recuperados durante um trabalho adicional nos espaços apertados da caverna em 2017. O crânio da criança foi encontrado sozinho e nenhum restos de seu corpo foram recuperados. A equipe nomeou a criança de "Leti" após a palavra Setswana "letimela", que significa "o perdido".
Quando reconstruído, o crânio mostra as órbitas frontais e o topo do crânio com alguns dentes. Não havia partes replicantes enquanto montado o crânio e muitos dos fragmentos se encaixavam, indicando que todos vieram de uma única criança.
O tamanho do cérebro de Leti é estimado em cerca de 480 cm³ a 610 cm³, o que teria sido cerca de 90 a 95 por cento de sua capacidade cerebral adulta
Ainda não foi estabelecido há quanto tempo os restos de Leti têm. No entanto, uma vez que outros fósseis encontrados na Câmara Dinaledi próxima datam de entre 335 000 e 241 000 anos atrás, assim é provável que Leti seja de um período similar, com base na preservação e proximidade.
Morfologia As características físicas de H. naledi apresentam semelhanças ao gênero Australopithecus, e ainda traços mais característicos do gênero Homo, bem como características não conhecidas em outras espécies hominíneas.New human-like species discovered in S Africa por Pallab Ghosh - "BBC News" (2015) H. naledi media cerca de 150 centímetros de altura, sua estatura é próxima dos pequenos seres humanos modernos. Os machos adultos mediam cerca de 150 centímetros de altura e pesavam em média 45 quilos, enquanto as fêmeas eram um pouco menores e pesavam um pouco menos. Uma análise do esqueleto de H. naledi sugere que ele ficava em pé e era totalmente bípede. A sua mecânica de quadris é similar aos australopitecos, mas seus pés e tornozelos são mais semelhantes aos do gênero Homo.Homo naledi - Geological and taphonomic context for the new hominin species Homo naledi from the Dinaledi Chamber, South Africa por Paul HGM Dirks, et al em "eLife", 2015; 4 DOI: 10.7554/eLife.09561
Pé Para caracterizar os pés do Homo naledi, foram utilizados 107 elementos pedais, incluindo um pé adulto praticamente completo. No que tange à função e anatomia, o pé do Homo naledi se aparenta predominantemente com o de humanos modernos. Ele apresentava hálux aduzido, tarso alongado e articulações do tornozelo e calcaneocuboide mais derivadas, características que apontam para um bipedalismo bem desenvolvido. No entanto, suas falanges pedais proximais mais curvados e seu arco medial longitudinal reduzido demonstram que ele também apresenta características únicas, que apontam para a diversidade no aparelho locomotor no gênero Homo.
Mão 150 elementos ósseos da mão atribuídos ao H. naledi foram encontrados, representando pelo menos seis indivíduos adultos e dois indivíduos imaturos. 23 desses 150 ossos foram recuperados de uma mão parcialmente articulada, com a palma para cima e dedos flexionados, sendo essa mão pequena com o tamanho similar ao de uma fêmea de Australopithecus sediba. Essa mão apresenta um polegar longo e robusto e uma morfologia do pulso derivada, que é compartilhada com os Neandertais e humanos modernos, considerada adaptativa para manipulação manual intensificada. No entanto, os ossos dos dedos são mais longos e curvos do que na maioria dos Australopithecus, indicando uso frequente da mão para agarrar durante a escalada e durante a suspensão. Esses dedos especialmente curvos em combinação com um pulso e palma semelhantes aos humanos indicam um grau significativo de escalada, apesar da natureza derivada de muitos aspectos da mão e de outras regiões do esqueleto.
Crânio Na Câmara Dinaledi foram encontrados vários crânios e mandíbulas atribuídos à espécie Homo naledi em diferentes estados de completude. Os indivíduos da amostra variavam em idade desde recém-nascido até adulto, e a maioria das áreas do crânio estavam representadas, com exceção da região médio-facial e a do basicrânio. Foi observado que o volume craniano estimado dos H. naledi variam de 465 cm³ a 560 cm³, uma faixa semelhante à de Australopithecus e Paranthropus. No entanto, esse volume também se sobrepõe a espécimes de H. habilis, H. erectus e Homo floresiensis. De acordo com um artigo de 2017, as análises destacam a homogeneidade morfológica das amostras, sendo que todos os hominíneos e fragmentos de Dinaledi mostraram um padrão consistente de morfologia. Dentro dos fragmentos cranianos de H. naledi, foram observadas diferenças relacionadas ao tamanho, como a protuberância occipital externa marcada nos espécimes com maiores volumes cranianos, provavelmente refletindo dimorfismo sexual. Por outro lado, a morfologia das características cranianas e mandibulares não varia em relação ao tamanho.
Cultura miniaturadaimagem|Uma reconstrução facial do Homo naledi Comida Lascas e desgaste dentário indicam o consumo habitual de pequenos objetos duros, como sujeira e poeira, e o desgaste em forma de xícara nos dentes posteriores pode ter origem em partículas arenosas. Estes podem ter se originado de raízes e tubérculos não lavados. Alternativamente, a aridez poderia ter espalhado partículas nos alimentos, cobrindo os alimentos com poeira. É possível que comessem habitualmente produtos duros maiores, como sementes e nozes, mas estes eram processados em pedaços menores antes do consumo.
H. naledi ocupou um nicho aparentemente único dos anteriores hominídeos sul-africanos, incluindo Australopithecus e Paranthropus. Os dentes de todas as três espécies indicam que eles precisavam exercer alta força de cisalhamento para mastigar, talvez, fibras vegetais ou musculares. Os dentes de outros Homo não conseguem produzir forças tão elevadas, talvez devido ao uso de algumas técnicas de processamento de alimentos, como cozinhar.
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