Yuval Noah Harari (Haifa, ) é um professor israelense de História e autor dos best-seller internacionais Sapiens: Uma breve história da humanidade, Homo Deus: Uma Breve História do Amanhã e 21 Lições para o Século 21. Seu último lançamento é Notas sobre a Pandemia: E breves lições para o mundo pós-coronavírus (artigos e entrevistas). Leciona no departamento de História da Universidade Hebraica de Jerusalém.Yuval Harari site, at the Universidade Hebraica de Jerusalém site

Infância e Educação Harari nasceu em Israel, embora seja filho de judeus com raízes na Europa Oriental, cresceu em uma família laica, judaica não-praticante, com origens libanesas e da Europa do Leste.

Harari aprendeu sozinho a ler aos três anos e aos oito, ingressou em uma classe para crianças intelectualmente dotadas no Centro Educacional Leo Baeck em Haifa. Adiou o serviço militar obrigatório nas Forças de Defesa de Israel para prosseguir os estudos universitários, sendo posteriormente dispensado da atividade devido a problemas de saúde. Começou a estudar História e relações internacionais na Universidade Hebraica de Jerusalém, aos 17 anos.

Especializou-se primeiro em História medieval e História militar, antes de completar seu doutorado no Jesus College, Universidade de Oxford, em 2002. Em Oxford, tornou-se um profundo adepto da meditação Vipassana.

Carreira acadêmica

Atualmente é professor titular no Departamento de História da Universidade Hebraica de Jerusalém, especializado em História Mundial e processos da macro-história, também ministrou um curso de História gratuito que foi acompanhado por mais de 120 mil pessoas em todo o mundo.[carece de fonte]

Sua pesquisa se concentra em questões da macro história, tais como: Qual a relação entre a História e a Biologia? Qual a diferença fundamental entre o Homo sapiens e outros animais? Existe justiça na História? A História tem uma direção? Será que as pessoas se tornaram mais felizes com o passar do tempo?

Harari ministra palestras ao redor do mundo sobre os tópicos explorados em seus livros e artigos, e escreveu para tabloides e jornais como The Guardian, Financial Times, The New York Times, The Times, The Economist e a revista Nature. Ele também oferece seu conhecimento e tempo a várias organizações e públicos de forma voluntária.

Em 2012, foi eleito para a Academia Jovem Israelita de Ciências.

Em 2018 e 2020, atuou como um dos palestrantes na conferência anual do Fórum Econômico Mundial em Davos. Na edição de 2020, discutiu sobre o futuro da inteligência artificial e a corrida tecnológica entre China e EUA.

Harari discute regularmente questões globais com chefes de estado e teve conversas públicas com o primeiro-ministro holandês Mark Rutte e com o chanceler austríaco Sebastian Kurz. Ele também se encontrou com o presidente Emmanuel Macron da França, a chanceler Angela Merkel da Alemanha, o presidente Mauricio Macri da Argentina, o presidente Frank-Walter Steinmeier da Alemanha e o prefeito Ying Yong de Xangai. Em 2018, Yuval apresentou o primeiro TED talk ao vivo como um avatar digital e, em 2019, ele se sentou para uma discussão filmada sobre tecnologia e o futuro da sociedade com o CEO do Facebook, Mark Zuckerberg.

Em 2019, Yuval Noah Harari e seu cônjuge, Itzik Yahav, cofundaram a Sapienship: uma empresa de impacto social com projetos nas áreas de entretenimento e educação, cujo principal objetivo é focar o debate público nos desafios globais mais importantes da atualidade.

Carreira literária

Yuval Noah Harari tem publicado numerosos livros e artigos, incluindo Special Operations in the Age of Chivalry, 1100–1550 ;Yuval Noah Harari, Special Operations in the Age of Chivalry, 1100–1550. Woodbridge: Boydell & Brewer, 2007. The Ultimate Experience: Battlefield Revelationsand the Making of Modern War Culture, 1450–2000;Yuval Noah Harari, The Ultimate Experience: Battlefield Revelations and the Making of Modern War Culture, 1450–2000 (Houndmills: Palgrave-Macmillan, 2008) The Concept of 'Decisive Battles' in World History;Yuval Noah Harari, “The Concept of ‘Decisive Battles’ in World History”, in Journal of World History 18:3 (2007), 251-266. e "Armchairs, Coffee and Authority: Eye-witnesses and Flesh-witnesses Speak about War, 1100–2000".Yuval Noah Harari, Armchairs, Coffee and Authority: Eye-witnesses and Flesh-witnesses Speak about War, 1100-2000, Journal of Military History 74:1 (January 2010), pp. 53-78.

Sua bibliografia é numerosa e muito técnica, em especial os diferentes artigos e livros que redigiu antes de 2010. São obras que estudam temas associados à História Militar da Idade Média e da Idade Moderna, procurando fazer um percurso cronológico sobre a evolução dos métodos e das ferramentas da guerra, um fenômeno persistente durante o último século. Porém, a sua visão passou a ser bem mais ampla, procurando um estudo mais generalizado sobre a evolução da humanidade até ao presente.

Seu livro mais famoso é Sapiens: Uma breve História da Humanidade (originalmente publicado em hebraico sob o título  Uma breve História do Gênero Humano, e, depois, sendo traduzido para mais de 30 idiomas).Payne, Tom (26 September 2014).  O livro aborda toda a extensão da história humana, desde a evolução do Homo sapiens na idade da pedra até a revolução política e tecnológica do século XXI.

Sapiens teve sua origem em um curso de história mundial em que Harari, enquanto professor da Universidade Hebraica de Jerusalém, ensinou pela primeira vez com outros professores iniciantes, já que mais nenhum professor efetivo teria interesse em lecioná-lo. Quatro editoras rejeitaram o livro, entendendo que a história não vingaria em Israel, mas uma quinta editora se arriscaria. A edição hebraica tornou-se um best-seller em Israel. Isso gerou muito interesse, tanto do público acadêmico, quanto da comunidade em geral, transformando Harari em uma celebridade instantânea.Fast talk / The road to happiness, in Haaretz, April 25, 2012 Sapiens tornou-se um sucesso internacional. O livro entrou no top 10 do mais vendidos do The New York Times, sendo recomendado por Mark Zuckerberg, Barack Obama, Bill Gates e outras grandes personalidades da mídia, da política e da história mundial. Em 2015, a obra foi selecionada por Mark Zuckerberg para seu Clube do livro online. Zuckerberg indicou seus seguidores a lerem o que ele buscou chamar de "uma grande narrativa sobre a História da civilização humana".

Vídeos em hebraico de Harari sobre a história do mundo têm sido visualizados por milhares de pessoas em todo o mundo através do YouTube. Ele também apresenta Uma Breve História da Humanidade, um curso de história gratuito, em inglês, disponível online Online Course: A Brief History of Humankind. Dr. Yuval Noah Harari (17 aulas em 62 vídeos). que foi acompanhado, no site Coursera, por mais de 100.000 pessoas em todo o mundo.

Em 2016, o filósofo retornou com Homo Deus: Uma Breve História do Amanhã, um livro aclamado pela crítica que examina os grandes projetos futuros enfrentados pela humanidade no século XXI. Desde sua publicação, 21 milhões de cópias do livro foram vendidas em todo o mundo, sendo traduzido para mais de 60 idiomas.

Depois de explorar profundamente o passado e o futuro, Yuval Noah Harari publicou 21 Lições para o Século 21 em 2018. Aqui ele parou para tomar o pulso do nosso clima global atual, concentrando-se nas maiores questões do momento presente: O que está de fato acontecendo na atualidade? Quais são os maiores desafios e escolhas de hoje? A que devemos prestar atenção? Em menos de 18 meses, 3 milhões de cópias da obra foram vendidas em todo o mundo, sendo traduzidas para mais de 40 idiomas em seu primeiro ano de publicação.

Em entrevista ao Financial Times, Harari explicou seu interesse por abordar assuntos de grande abrangência: "Eu sempre me interessei pelas grandes questões da história (...) por exemplo (em questões como): 'somos mais felizes do que nossos ancestrais?' ou 'por que os homens dominaram as mulheres na maioria das sociedades?' - você não poderia obter respostas para essas perguntas olhando para apenas um pouco do quadro."

Em 2024 após o sucesso de seus livros, Harari publicou Nexus: Uma breve história das redes de informação da idade da pedra até a inteligência artificial, para demonstrar o perigo da inteligência artificial na humanidade.

Teoria

Harari se propõe a estudar como o Homo sapiens teria atingido sua condição atual e o que o futuro lhe reservaria, considerando a insatisfação como a "raiz profunda" da realidade humana e relacionada à evolução.https://www.metlife.com.br/blog/desenvolvimento-pessoal/yuval-noah-harari/

Em um artigo de 2017, Harari argumentou que, por meio do progresso tecnológico contínuo e dos avanços no campo da inteligência artificial, "em 2050, uma nova classe de pessoas pode surgir - a classe inútil. Pessoas que não estão apenas desempregadas, mas que serão não-empregáveis". Ele argumentou que lidar com essa nova classe social econômica, social e politicamente será um desafio central para a humanidade nas próximas décadas.

Harari vê uma ameaça existencial em uma corrida armamentista em inteligência artificial e bioengenharia e expressou a necessidade de íntima cooperação entre as nações para resolver ameaças como colapso ecológico, guerra nuclear e ruptura tecnológica.

Vegano, Harari comentou sobre a situação dos animais, particularmente animais domesticados desde a revolução agrícola. Em um artigo do The Guardian de 2015 sob o título "A agricultura industrial é um dos piores crimes da história", ele chamou o "destino dos animais de criação industrial" de "uma das questões éticas mais prementes do nosso tempo".

Harari busca enquadrar sua teoria da humanidade em suas convicções sobre o consumo de carne. Sapiens dedica grandes seções a relatos implacáveis da domesticação e agricultura industrial de vacas, porcos e galinhas. Isso, ele afirma, tornou-os algumas das criaturas geneticamente mais "bem-sucedidas" da história, mas também as mais miseráveis. Harari assim resumiu suas visões sobre o mundo em uma entrevista de 2018 com Steve Paulson da Nautilus: "As coisas estão melhores do que antes. As coisas ainda estão muito ruins. As coisas podem ficar muito piores. Isso contribui para uma visão um tanto otimista, porque se você perceber que as coisas estão melhores do que antes, isso significa que podemos torná-las ainda melhores".https://www.euronews.com/2019/05/14/a-i-is-as-threatening-as-climate-change-and-nuclear-war-says-philosopher-yuval-noah-harari

Harari escreveu que, embora a ideia de livre-arbítrio e os valores liberais baseados nele "encorajassem as pessoas que tinham que lutar contra a Inquisição, o direito divino dos reis, a KGB e a KKK", ela se tornou perigosa em um mundo em que governos e corporações estão conhecendo o indivíduo melhor do que eles mesmos e "se governos e corporações conseguirem hackear o animal humano, as pessoas mais fáceis de manipular serão aquelas que acreditam no livre-arbítrio". Harari entende que: "Os humanos certamente têm vontade - mas não são livres. Você não pode decidir quais desejos você tem (...) cada escolha depende de muitas condições biológicas, sociais e pessoais que você não pode determinar por si mesmo. Eu posso escolher o que comer, com quem casar e em quem votar, mas essas escolhas são determinadas em parte por meus genes, minha bioquímica, meu gênero, minha origem familiar, minha cultura nacional etc."

Revolução Cognitiva

A estrutura de Sapiens é dividida em três partes, que o autor batiza de Revoluções: A Revolução Cognitiva, a Revolução Agrícola e a Revolução Científica.

Conforme apresenta o filósofo, a Revolução Cognitiva teria sido responsável por estimular a capacidade humana de criar e transmitir informações, além de consumir e absorver grande quantidade de conteúdo – sobretudo no que diz respeito a questões que não necessariamente são verdadeiras ou reais.