São Longuinho (), segundo a tradição cristã, foi o soldado que teria perfurado um dos lados do corpo de Jesus crucificado com uma lança, para certificar-se de sua morte."Hierosolymae, commemoratio sancti Longini, qui miles colitur latus Domini cruci affixi lancea aperiens" – Martyrologium Romanum (Libreria Editrice Vaticana 2001 ), Die 16 octobris Logo após a morte de Jesus, ele teria se arrependido, convertido e posteriormente morrido como mártir por isso. Venerado como santo, ele é comemorado no calendário católico no dia 15 de março.

Biografia Segundo compêndio católico da vida dos santos, São Longuinho foi o legionário romano que, com sua lança, perfurou o lado do corpo de Jesus crucificado, para certificar-se da sua morte.

A lança que transpassou Jesus mais tarde viria a ser conhecida como a Lança do Destino. Longuinho é referido como tendo sido o soldado romano que perfurou Jesus com uma lança (João 19,34), bem como o mesmo centurião que, na crucificação, reconheceu Cristo como "o Filho de Deus" (; ; ).

De acordo com os relatos dos Evangelhos, em razão de ao pôr do sol iniciar-se o shabat, para que os corpos dos condenados não profanassem o dia santo, as suas pernas deveriam ser quebradas para assim apressar a morte. Chegando a Jesus, viram que já estava morto, e para comprovar o óbito, um dos soldados perfurou-lhe o corpo com uma lança. A tradição popular identifica-o como o Centurião romano Cássio (Cassius).

De acordo com o Evangelho segundo , "um soldado lhe atravessou o lado com uma lança, e imediatamente saiu sangue e água". Já os relatos não bíblicos dizem que esse líquido saído do corpo de Jesus teria respingado nos olhos do soldado, curando-o instantaneamente de uma grave doença ocular. O soldado, convertido, teria abandonado o exército romano, transformando-se num monge a percorrer a região de Caiseri e a Capadócia, na atual Turquia.

A tradição relata que Longuinho foi preso e torturado por causa de sua fé cristã, tendo a língua e os olhos arrancados. Foi canonizado no ano 999 pelo Papa Silvestre II.

Veneração Na tradição popular, é invocado para encontrar objetos perdidos. A sua festa é comemorada pela Igreja Católica, no Brasil, em 15 de março. Na Igreja Ortodoxa, no dia 16 de outubro.

Na arte litúrgica, São Longuinho tem a sua figura representada por um soldado com uma lança apontada para os olhos ou ainda com os braços abertos, segurando uma lança.

Uma relíquia religiosa que se encontra em Viena, na Áustria, é reverenciada como sendo a lança de São Longuinho. Na Basílica de Santo André de Mântua, na Itália, encontra-se uma relíquia atribuída ao santo: o Sagrado Sangue de Jesus, trazido por São Longuinho ainda em vida.

Além de ser amplamente reconhecido como o "santo dos objetos perdidos", São Longuinho é também lembrado por fiéis como intercessor em diversas outras situações. Relatos de devoção atribuem-lhe graças que vão desde a cura de enfermidades até a conquista de empregos e a solução de problemas cotidianos.

thumb|Imagem popular de São Longuinho Oração a São Longuinho

Glorioso São Longuinho, a vós suplicamos, cheios de confiança em vossa intercessão. Sentimo-nos atraídos a vós por uma especial devoção, e sabemos que nossas súplicas serão ouvidas por Deus Nosso Senhor, se vós, tão amado por Ele, nos fizer representar.

Vossa caridade, reflexo admirável, inclina-se a socorrer toda miséria, a consolar todo sofrimento, a suprir toda necessidade em proveito de nossas almas, e assegurar cada vez mais nossa eterna salvação, com a prática de boas obras e a imitação de vossas virtudes! Amém.

No Brasil No Brasil, há uma crença popular de que São Longuinho auxilia a encontrar objetos perdidos. É só repetir:

São Longuinho, São Longuinho, se eu achar (nome do objeto perdido) dou três pulinhos.

Quando a pessoa encontra o objeto precisa cumprir a promessa em devoção ao santo.

Na Igreja Nossa Senhora da Escada, localizada em Guararema, fica exposta, em altar, a única imagem de São Longuinho que se tem registro no Brasil. Ela foi descoberta, dentro de um gaveteiro, durante uma das reformas do templo, passando a atrair diversos devotos e excursionistas. Além do altar principal, encontra-se, em uma mesa, imagens de São Longuinho como soldado romano, as quais foram confeccionadas com autorização do padre. Todos os anos, próximo ao dia 15 de março, a comunidade de Guararema organiza uma novena e festa em honra ao Santo.

Fora de Guararema, não se conhecem outras igrejas dedicadas exclusivamente a São Longuinho no Brasil. Entretanto, alguns templos preservam alusões a ele: por exemplo, em cidades com forte imigração italiana existem capelas do Calvário que incluem a cena do Longuinho perfurando Cristo, e em santuários como o de Congonhas-MG (Bom Jesus de Matosinhos) há representações dos algozes de Cristo onde Longuinho pode ser identificado.

No espiritismo, há a revelação no livro Brasil, Coração do Mundo, Pátria do Evangelho, obra mediúnica psicografada pelo médium mineiro Chico Xavier e assinada pelo espírito Humberto de Campos, publicada no ano de 1938 pela Federação Espírita Brasileira, que Longuinho reencarnou como D. Pedro II, segundo e último imperador do Brasil.(pp. 114 a 118)

Na Umbanda, é sincretizado com Ogum 7 Lanças, um dos falangeiros de Ogum.

Em Portugal

thumb|Estátua de São Longuinho, Braga Em Portugal existe uma estátua de São Longuinho no Santuário do Bom Jesus do Monte, na cidade de Braga.

Lança Sagrada A Lança Sagrada — também chamada de Lança de Longino, Lança do Destino ou Lança de Cristo — é tradicionalmente identificada como o instrumento que perfurou o lado de Jesus durante a crucificação. Nos Evangelhos canônicos, a menção à lança é breve, mas, a exemplo de outros objetos da Paixão, ela ganhou importância nas tradições apócrifas e na devoção medieval.

A partir do século VI, em Jerusalém, começaram a ser apresentados objetos tidos como a verdadeira lança. No final da Idade Média, várias relíquias descritas como a ponta da lança ou fragmentos dela já circulavam por diferentes regiões da Europa, algumas das quais se conservaram até hoje.

Além do uso em contextos litúrgicos e devocionais, a lança assumiu papel simbólico-político. Em certas ocasiões foi considerada emblema de poder e vitória em batalhas, como no caso da lança de Henrique, o Passarinheiro, associada à vitória na Batalha de Riade. De modo semelhante, os cruzados entenderam a descoberta de uma lança em Antioquia como sinal de providência divina durante o cerco daquela cidade.

Na atualidade, quatro relíquias principais são apresentadas como sendo a Lança Sagrada ou fragmentos dela. Elas se encontram em Roma, Viena, Valarsapate (Armênia) e Antioquia. Entre todas, a de Viena se tornou a mais célebre: ornada com punho dourado, está exposta ao público no Hofburg, junto às Insígnias Imperiais do Sacro Império Romano-Germânico.

Ver também Lança do destino — também conhecida como Lança de São Longuinho'' São Longuinho (Bernini)

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