O SMS Königsberg foi um cruzador rápido operado pela Marinha Imperial Alemã e a primeira embarcação da Classe Königsberg, seguido pelo , SMS Stuttgart e SMS Stettin. Sua construção começou em janeiro de 1905 no Estaleiro Imperial de Kiel e foi lançado ao mar em dezembro do mesmo ano, sendo comissionado na frota alemã em abril de 1907. Era armado com uma bateria principal composta por dez canhões de 105 milímetros em montagens únicas, tinha um deslocamento carregado de quase quatro mil toneladas e alcançava uma velocidade máxima de 23 nós.

O Königsberg serviu com as forças da Frota de Alto-Mar ao entrar em serviço, mas também frequentemente escoltou o iate imperial . Foi enviado em abril de 1914 para atuar na África Oriental Alemã, onde estava quando a Primeira Guerra Mundial começou em agosto. Ele inicialmente tentou atacar navios mercantes britânicos e franceses na região, mas conseguiu afundar apenas um, com a escassez de combustível prejudicando sua capacidade de atuação. Em setembro realizou um ataque surpresa contra Zanzibar e afundou o cruzador protegido britânico HMS Pegasus.

O navio recuou para o rio Rufiji a fim de consertar seus motores, mas foi localizado e bloqueado por navios britânicos antes que isso pudesse ser feito. Os britânicos lançaram várias tentativas de afundar Königsberg na consequente Batalha do Delta do Rufiji, por fim enviando dois monitores para destruí-lo. Estes conseguiram danifica-lo seriamente em 11 de julho de 1915, forçando sua tripulação a afundá-lo deliberadamente. Os tripulantes sobreviventes recuperaram os canhões e se juntaram à Campanha da África Oriental. Os destroços foram parcialmente desmontados entre 1963 e 1965.

Características

thumb|esquerda|240px|Desenho da Classe Königsberg A Classe Königsberg foi projetada para servir tanto como batedores da frota em águas domésticas quanto no império colonial alemão. Isto foi o resultado de restrições orçamentárias que impediram a construção cruzadores especializados para cada função. O projeto era baseado na predecessora Classe Bremen. Os quatro membros da classe originalmente seriam idênticos, mas a equipe de projeto incorporou lições aprendidas com a Guerra Russo-Japonesa depois da construção do primeiro navio já ter começado. Estas incluíram rearranjos internos e o aumento do comprimento do casco.

O Königsberg tinha 115,3 metros de comprimento de fora a fora, uma boca de 13,3 metros e um calado de 5,29 metros à vante. Seu deslocamento normal era de toneladas, enquanto o deslocamento carregado chegava toneladas. Seu sistema de propulsão consistia em onze caldeiras de tubos d'água que alimentavam dois motores de tripla expansão com três cilindros, cada um girando uma hélice. Este sistema tinha uma potência indicada de 13,2 mil cavalos-vapor ( quilowatts) para uma velocidade máxima de 23 nós (43 quilômetros por hora). O carregamento normal de carvão era de quatrocentas toneladas, com a autonomia sendo de milhas náuticas ( quilômetros) a doze nós (22 quilômetros por hora). Sua tripulação era formada por catorze oficiais e 308 marinheiros.

O armamento principal consistia em dez canhões calibre 40 de 105 milímetros instalados em montagens pedestais únicas, duas lado a lado na castelo de proa, três em cada lateral e outras duas lado a lado na popa. Também era armado com oito canhões calibre 55 de 52 milímetros e dois tubos de torpedo submersos de 450 milímetros, um em cada lateral. O navio era protegido por um convés blindado curvado que tinha oitenta milímetros de espessura à meia-nau, tendo laterais inclinadas para baixo de 45 milímetros para dar uma proteção extra contra disparos inimigos. Os canhões principais tinham escudos de cinquenta milímetros, já a torre de comando tinha laterais de cem milímetros.

Carreira Início de serviço thumb|240px|O Hohenzollern e o Königsberg na Noruega em julho de 1907 O Königsberg foi encomendado sob o nome provisório de Ersatz Meteor e seu batimento de quilha ocorreu em 12 de janeiro de 1905 no Estaleiro Imperial de Kiel. Foi lançado ao mar em 12 de dezembro do mesmo ano, quando foi batizado pelo Siegfried Körte, o burgomestre de Königsberg. Foi comissionado na Frota de Alto-Mar para testes marítimos em 6 de abril de 1907. Os testes foram interrompidos em junho quando foi encarregado de escoltar o imperador Guilherme II a bordo de seu iate durante três regatas, incluindo a Semana de Kiel. Os dois então viajaram pelo Mar do Norte, parando em Nordkapp na Noruega entre 3 e 6 de agosto, onde Guilherme se encontrou com o imperador Nicolau II da Rússia. O Königsberg em seguida voltou para a Alemanha e retomou seus testes marítimos, que duraram de 9 de agosto a 9 de setembro. Visitou sua cidade homônima de 21 a 23 de setembro e em 5 de novembro foi designado para as forças de reconhecimento da frota para substituir o cruzador rápido SMS Medusa. Na mesma época escoltou novamente o Hohenzollern, desta vez em uma viagem ao Reino Unido na companhia do cruzador blindado e do barco de despachos SMS Sleipner. Os navios pararam em Portsmouth, onde foram visitados pela rainha Guilhermina dos Países Baixos.

O cruzador foi encarregado em 17 de dezembro de fazer outra viagem internacional, nesta ocasião escoltando o almirante príncipe Henrique da Prússia, irmão do imperador, e uma delegação de oficiais navais para Malmö, na Suécia, a fim de se encontrarem com o rei Óscar II. A visita durou até o dia 20. O Königsberg passou 1908 realizando a rotina normal de treinamentos individuais e em esquadra comum dos tempos de paz sem incidentes. O ano terminou com um grande cruzeiro de treinamento, primeiro no Mar Báltico e Mar do Norte e depois no Oceano Atlântico que terminou no início de dezembro. O navio foi para uma doca seca na virada do ano para passar por sua manutenção periódica, voltando ao serviço no início de fevereiro de 1909. Os dois anos seguintes seguiram as mesmas rotinas de treinamento, interrompida apenas por uma colisão com o cruzador rápido em 16 de fevereiro de 1910 na Baía de Kiel e depois no mesmo ano por duas viagens escoltando Guilherme, a primeira para a Heligolândia de 9 a 13 de março e a segunda para o Reino Unido de 8 a 27 de maio. A colisão com o Dresden causou danos significativos aos dois navios, mas nenhum tripulante se feriu. Ambos passaram por reparos em Kiel. O Königsberg também venceu o Prêmio de Tiro do Imperador por excelência em artilharia dentre as forças de reconhecimento durante esse período.

O Königsberg fez um cruzeiro pelo Mar Mediterrâneo de 8 de março a 22 de maio de 1911 acompanhando o imperador a bordo do Hohenzollern. O cruzador foi substituído em 10 de junho nas forças de reconhecimento pelo novo cruzador rápido SMS Kolberg, com o Königsberg sendo transferido para Danzig, onde foi descomissionado em 14 de junho para passar por uma modernização. Foi recomissionado em 22 de janeiro de 1913 e substituiu o cruzador rápido SMS Mainz, que também estava programado para receber uma modernização. Durante este período serviu na esquadra de treinamento de 1º a 18 de abril. Foi descomissionado de novo em 19 de junho, mas no início do ano seguinte o alto comando decidiu enviar a embarcação para a África Oriental Alemã a fim de substituir o cruzador desprotegido SMS Geier como navio de guarda.

África thumb|esquerda|240px|O Königsberg em Bagamoyo O capitão de fragata Max Looff assumiu o comando do cruzador em 1º de abril de 1914. O Königsberg deixou Kiel em 25 de abril, parou em Wilhelmshaven por três dias e então partiu para a África Oriental Alemã. Navegou para o Mediterrâneo e parou na Espanha e Itália, em seguida atravessando o Canal de Suez. Parou brevemente em Adem e então chegou em 5 de junho em Dar es Salaam, a capitão da África Oriental Alemã. Dois dias depois a Força de Proteção celebrou seu aniversário de 25 anos na colônia, com o vice-comandante da força presenteando a Looff uma miniatura do cruzador desprotegido SMS Schwalbe, que tinha sido o navio de serviço mais longo na unidade. O Königsberg inspecionou o porto de Bagamoyo algum tempo depois. Os súditos coloniais africanos consideravam o navio bem impressionante, especialmente suas três chaminés, que eles presumiam que significava um navio de guerra mais poderoso do que um com duas. O Königsberg ganhou o apelido de "manowari na bomba tatu", ou "homem de guerra com três cachimbos".

As tensões na Europa aumentaram dramaticamente depois do assassinato do arquiduque Francisco Fernando da Áustria em 28 de junho. Looff decidiu abandonar os treinamentos normais e voltou para Dar es Salaam em 24 de julho a fim de reabastecer. Ele foi informado pelo Estado-Maior do Almirantado três dias depois que a situação política na Europa estava piorando. Ao mesmo tempo, a Esquadra do Canal britânica, composta pelos cruzadores protegidos HMS Astraea, HMS Hyacinth e HMS Pegasus, chegou com a intenção de prender o Königsberg em Dar es Salaam. Looff preparou seu navio e partiu na tarde de 31 de julho, com os três cruzadores britânicos mais lentos o seguindo. Os britânicos perderam contato no dia seguinte por causa da velocidade superior da embarcação alemã e devido a uma rajada de chuva. O Königsberg ficou navegando próximo de Adem até 5 de agosto, quando recebeu as notícias de que a Primeira Guerra Mundial tinha começado.

Primeira Guerra Mundial Primeiras ações O Königsberg recebeu ordens de atacar o comércio britânico próximo da entrada do Mar Vermelho, mas a escassez de carvão atrapalhou esses esforços. Os britânicos impediram que o carvoeiro alemão Koenig deixasse Dar es Salaam e compraram todo o carvão na África Oriental Portuguesa. Looff entrou em contato com o navio mercante alemão SS Zieten para avisá-lo sobre evitar o Canal de Suez, onde seria confiscado. O Königsberg perseguiu o cargueiro alemão SS Goldenfels, cujos oficiais tinham confundido o navio com uma embarcação britânica. O cruzador precisou disparar tiros de aviso por cima da proa do cargueiro para que ele parecesse e assim fosse informado sobre a guerra.

O Königsberg encontrou um navio britânico perto do litoral de Omã em 6 de agosto, o SS City of Winchester. Uma tripulação alemã assumiu seu controle e o levou junto, com as duas embarcações encontrando o Zieten quatro dias depois nas Ilhas de Curia Muria, onde o carvão do City of Winchester foi transferido para o Königsberg. O cargueiro em seguida foi afundado. Os tripulantes britânicos foram levados para o Zieten, que partiu no dia seguinte e parou na África Oriental Portuguesa. Enquanto isso, o Somali tinha deixado Dar es Salaam na noite de 3 para 4 de agosto com 1,2 mil toneladas de carvão para reabastecer o cruzador, com os dois se encontrando dez dias depois. Nesta altura o Königsberg estava com apenas catorze toneladas de carvão. O Somali transferiu 850 toneladas, o que permitiu uma varredura de Madagascar. Não foram encontradas embarcações britânicas ou francesas, assim o Königsberg se encontrou novamente com o Somali em 23 de agosto e passou os quatro dias seguintes carregando carvão.