O campo de Estudos Globais engloba disciplinas de política, economia, ecologia, relações culturais e demais processos que de alguma forma tenham escopo mundial. O campo se orienta em torno de estudos de Globalização e se relaciona com diferentes áreas tais como relações de mercado, movimentos de commodities, comunicações e consumo globais, refugiados, migrantes e outros movimentos de pessoas em todo o globo. O campo de Estudos Globais incorpora tendências transnacionais e locais no seu curriculum, já que elas representam questões maiores de mudanças globais..Manfred Steger (2013), ‘It’s About Globalization, After All: Four Framings of Global Studies’, Globalizations, vol. 10, no. 6, pp. 771–77., A prática de Estudos Globais pode envolver trabalho de campo ou pesquisa em uma área particular de interesse.

Os estudos globais também podem incluir estudos internacionais ou educação internacional; a área de estudos internacionais tem um foco mais estreito em relações entre fronteiras nacionais – o que é apenas um aspecto envolvido no campo de Estudos Globais. Da mesma forma, a área de educação internacional se refere de modo mais restrito ao desenvolvimento de instituições de educação internacionalmente, bem como comparativamente entre estados-nação. Em ambos os casos, o conceito de “nação” (ou “nacional”) restringe o significado destes campos de estudo. Em perspectiva, o campo de Estudos Globais tem um alcance mais amplo, que vem do global ao local.

História e contexto O desenvolvimento do campo de Estudos Globais no nível de estudos de segundo grau e superior é considerado um produto da Globalização e seus consequentes resultados sobre a comunidade internacional. A Globalização, tomada de forma ampla e genérica, pode ter seu início atribuído no século XV, quando países europeus iniciaram seu processo de colonização de outras áreas do globo, de forma a incrementar o comércio, seu poder e status. Entretanto, foi nas últimas décadas que o mundo experimentou um aumento sem precedentes nas tecnologias de comunicação, informação e computação, mais uma vez incrementando os processos de globalização. Em “Globalization and Its Discontents”, Joseph Stiglitz afirma que: “[a globalização] é uma mudança nas nossas circunstâncias de vida... a velocidade das mudanças está diretamente ligada ao incremento nas comunicações, ao desenvolvimento exponencial da tecnologia da informação... a globalização é um fato da vida, o qual não podemos mais evitar”.

Como resultado desta comunidade global em constante mutação, educadores começaram a ver a necessidade da introdução dos Estudos Globais no currículo das escolas de segundo grau (introduzindo os Estudos Globais dentro da lógica das disciplinas já existentes) e também criando os cursos de Estudos Globais no nível de graduação e pós-graduação (neste caso, criando titulações específicas para o campo de Estudos Globais).

Os benefícios de se integrar conhecimentos “globais” na educação são inúmeros, e incluem as relações e entendimento entre culturas diversas, a criação de um senso de comunidade global e a habilidade de se analisar criticamente questões de relações internacionais.

Estudos Globais vs. Estudos Internacionais Há muita confusão sobre como distinguir os termos “Estudos Globais” e “Estudos Internacionais”. Com frequência, para finalidades educacionais, os termos são intercambiados livremente e as diferenças de significado entre eles não é ressaltada; com isso, sugere-se que em ambos os casos, se abrangem problemas que dizem respeito a matérias políticas, econômicas, e culturais, com o foco nas interações na “comunidade internacional”.

Entretanto, distinções sutis podem ser feitas na definição dos dois campos. Os Estudos Internacionais geralmente têm foco nas relações entre Estados, acordos bi ou multilaterais, diplomacia e matérias tratadas entre dois ou mais Estados. Os Estudos Globais, em contrapartida, têm foco em assuntos que ocorrem globalmente, como a preservação de culturas e do meio ambiente, movimentos de pessoas e os efeitos da Globalização, ou seja, assuntos que são comunitariamente relevantes em todo o mundo e escapam da esfera estado-nação. Diferentemente dos Estudos Internacionais tradicionais, os Estudos Globais examinam com frequência fenômenos que são supranacionais (como as mudanças climáticas globais, doenças pandêmicas, formações econômicas transnacionais, estudos migratórios) e subnacionais (como os impactos regionais da desindustrialização que acontece como consequência de mudanças no panorama do capitalismo global.

Há também indícios que as duas definições possam ser associadas com posicionamentos políticos de “direita” e “esquerda”, sendo os Estudos Internacionais (ou seja, relações entre Estados) frequentemente associados com a “direita” e os Estudos Globais (relações que afetam todos os cidadãos do mundo) com a “esquerda”. Tais definições, no entanto, merecem cuidado, pois ambas abordagens podem conter viés ideológico. Convém enfatizar que a principal diferença entre os Estudos Internacionais e Estudos Globais está no escopo da análise: o primeiro sendo o estado-nação, e o último, as questões transnacionais.

Os dois termos também são descritos por Merryfield como: "Os Estudos Internacionais podem ser denominados como os ‘avós’ da educação global. Eles incluem com frequência os estudos de países, religiões globais, línguas e relações internacionais... [os estudos globais] têm o centro no conceito de conectividade, reconhecendo conexões locais e globais, os pontos em comum todos os seres humanos compartilham, e a compreensão de como as fronteiras nacionais tornaram-se praticamente irrelevante para muitos atores globais." Merryfield, M 2004 ‘The importance of a global education,’ Outreach World, viewed 5/10/10 at: http://www.outreachworld.org/article.asp?articleid=77 </blockquote>

Motivações Defensores dos Estudos Globais argumentam que a realidade da globalização e a interconectividade das nações e economias demandam que os estudantes do presente devam ser corretamente educados sobre tais aspectos globais."Global Education Policies and Practices," Peace Corps. http://peacecorpsconnect.org/global-education-policies-and-practices , accessed September 7th, 2009. Quatro motivações frequentemente citadas à favor dos Estudos Globais são: segurança nacional e diplomacia, cidadania efetiva nas democracias participativas, competitividade global em um e o desejo de definitivamente permear os setores de cooperação e desenvolvimento globais.

1) Segurança Nacional e Diplomacia: O primeiro grande esforço para prover fundos para uma educação internacional foi o Ato de Educação nos Estados Unidos da America (1966). Por meio dele, proveu-se fundos para instituições de educação superior para criarem e incrementarem programas de estudos internacionais."Digest for Education Statistics, 2004 - Chapter 4: Federal Programs for Education and Related Activities." National Center for Education Statistics (2004), http://nces.ed.gov/programs/digest/d04/ch_4.asp, accessed September 7th, 2009. Criado no tempo da guerra fria, tal Ato enfatizou a necessidade de todos os cidadãos (com foco nos cidadãos americanos) compreender matérias globais de forma a construir competências para a diplomacia.International Education Act: Hearings Before the Subcommittee on Education of the Committee on Labor and Public Welfare, United States Senate, Eighty-Ninth Congress, Second Session on S. 2874 and H.R. 14643. Publication date: 1966, Accessed through ERIC, http://www.eric.ed.gov/ERICWebPortal/custom/portlets/recordDetails/detailmini.jsp?_nfpb=true&_&ERICExtSearch_SearchValue_0=ED093756&ERICExtSearch_SearchType_0=no&accno=ED093756.“A importância da diplomacia como uma força motora para o desenvolvimento político ser melhor aprendida e compreendida... é de grande importância para a prevenção de conflitos futuros”. ”Skylakakis, T 2010, ‘The importance of economic diplomacy,’ The Bridge Magazine, viewed 24/9/10 at: http://www.bridgemag.com/magazine/index.php?option=com_content&task=view&id=81&Itemid=38 Eventos recentes que tiveram impacto global, como os ataques de 11 de setembro de 2001 e os bombardeios em Londres e Madri, as guerras no Iraque e Afeganistão convenceram os formuladores de políticas da importância dos Estudos Globais e da educação internacional para a segurança nacional e diplomacia.Korry, Elaine. "Bush Expected to Hike Funding for Language Training," National Public Radio Broadcast, January 5th, 2006, Accessed online http://www.npr.org/templates/story/story.php?storyId=5127944

2) Competitividade Global Uma segunda motivação para os Estudos Globais é munir os trabalhadores para se engajarem em um mercado de trabalho global. Muitas empresas internacionais têm identificado a necessidade de uma força de trabalho que tenha competências para trabalhar em ambientes de culturas diversas e se identificar e suprir as necessidades de um mercado cada vez mais global.Groennings, Sven. "Economic Competitiveness and International Knowledge. A Regional Project on the Global Economy and Higher Education in New England. Staff Paper II." New England Board of Higher Education. October 28th, 1987. Page, 26 Algumas empresas multinacionais, como a Microsoft, tomaram a iniciativa ao convencer os formuladores de políticas públicas nos Estados Unidos, bem como os seus stakeholders-chave para que fossem direcionados mais recursos para este tipo de educação."ECS, ISTE and Microsoft to Sponsor Global Education Competitiveness Summit." http://www.microsoft.com/presspass/press/2009/jun09/06-23gecs2009nrpr.mspx, Accessed September 8th 2009. Os governos estaduais e central nos Estados Unidos também colocaram os Estudos Globais como uma prioridade-chave para preparar uma força de trabalho competitiva. Putting the World into World Class Education. West Virginia Department of Education. http://wvconnections.k12.wv.us/documents/GlobalAwarenessPresentation062408_001.ppt, Accessed September 6th 2009 Adicionalmente, em 2002 o governo australiano (por meio do seu órgão AusAID) alocou fundos para a introdução de um “Programa de Educação Global”. Este programa tem como objetivo aumentar a compreensão de matérias relacionadas a desenvolvimento e assuntos internacionais. O programa proporciona aos professores oportunidades de desenvolvimento profissional através de organizações não governamentais e com suporte para a adequação de seus currículos. O programa “informa e encoraja os professores a introduzir seus alunos a assuntos de cunho global nas salas de aula”. Gallus, C 2002 ‘Global Studies Statement Launch,” AusAID, viewed 2/10/10 at: http://www.ausaid.gov.au/media/release.cfm?BC=Speech&ID=9768_9422_1276_9667_8426 Instituições de nível superior têm também atentamente inserido estudos internacionais entre suas disciplinas. É raro encontrar escolas de negócios de ponta em que não se coloque foco nos estudos internacionais. Harvard Business School. http://www.hbs.edu/global/, Accessed September 8th 2009Yale Business School. http://mba.yale.edu/MBA/curriculum/core/international.shtml , Accessed September 8th 2009.

3) Cidadania Efetiva