Wystan Hugh Auden (York, 21 de fevereiro de 1907 — Viena, 29 de setembro de 1973), mais conhecido como W. H. Auden, foi um poeta anglo-americano, tido como um dos grandes autores do . A poesia de Auden notabilizou-se por suas conquistas técnicas e estilísticas, seu engajamento com a política, a moral, o amor e a religião, e sua variedade quanto ao tom, forma e conteúdo. Alguns de seus mais conhecidos poemas são: sobre o amor, como "Blues do funeral"; sobre temas sociais e políticos, como "Primeiro de setembro de 1939" e "O escudo de Aquiles"; sobre temas psicológicos e culturais, como "A era da ansiedade"; e sobre temas religiosos, como "Por enquanto" e "Horas canônicas".
Auden nasceu em York e cresceu na região de Birmingham, em uma família de classe média. Ele estudou inglês na Christ Church, em Oxford. Depois de alguns meses em Berlim em 1928-29, ele passou cinco anos (1930-35) ensinando numa escola preparatória. Em seguida, viajou para a Islândia e a China, para escrever livros sobre suas jornadas. Em 1939, ele se mudou para os Estados Unidos. Ele se tornou um cidadão estadunidense em 1946, mantendo, no entanto, também sua cidadania britânica. Ele ensinou de 1941 a 1945 em universidades dos Estados Unidos. Durante a década de 1950, foi, ocasionalmente, professor visitante. De 1947 a 1957, passou o inverno em Nova Iorque e o verão em Ísquia. De 1958 até o final da vida, passou o inverno em Nova Iorque (em 1972-73, ele passou o inverno em Oxford) e o verão em Kirchstetten (Baixa Áustria).
Ele conquistou inicialmente a atenção do público com seu primeiro livro "Poemas" (1930), com a idade de 23 anos. Este foi seguido por "Os oradores" (1932). Auden escreveu três peças de teatro em colaboração com Christopher Isherwood entre 1935 e 1938, as quais firmaram sua reputação como escritor de esquerda. Auden se mudou para os Estados Unidos em parte para escapar dessa reputação. Seu trabalho na década de 1940, incluindo os longos poemas "Por enquanto" e "O mar e o espelho", focaram temas religiosos. Ele ganhou o Prémio Pulitzer de Poesia por seu longo poema de 1947 "A era da ansiedade", um título que se tornou uma popular descrição da era contemporânea. De 1956 a 1961, ele foi professor de poesia na Universidade de Oxford. Suas palestras eram populares entre os estudantes, e se tornaram a base de sua coletânea de prosa de 1962 "A mão do tintureiro".
Auden e Isherwood mantiveram uma longa porém não contínua amizade sexual de 1927 a 1939, e ambos tiveram intensas porém breves relações com outros homens. Em 1939, Auden se apaixonou por Chester Kallman, e passou a ver o relacionamento de ambos como um casamento. Porém isso acabou em 1941, quando Kallman recusou a fidelidade exigida por Auden. Entretanto, os dois mantiveram sua amizade, e de 1947 até à morte de Auden viveram na mesma residência, numa relação não sexual, frequentemente colaborando em libretos de ópera, como o de "The Rake's Progress", com música de Igor Stravinsky.
Seus primeiros poemas, escritos no final da década de 1920 e início da década de 1930, alternavam estilos modernos telegráficos e fluentes tradicionais, e foram escritas em um tom intenso e dramático, estabelecendo sua reputação como um poeta político de esquerda e profeta. Ele tornou-se desconfortável nesse papel posteriormente em 1930, e abandonou-a depois que ele se mudou para os Estados Unidos em 1939, onde se tornou um cidadão americano em 1946. Seus poemas em 1940 exploraram temas religiosos e éticos de uma forma menos dramática do que seus trabalhos anteriores, mas ainda combinando formas tradicionais e estilos com novas formas concebidas por Auden para si mesmo. Nas décadas de 1950 e 1960, muitos de seus poemas foram voltados para as formas em que palavras reveladas escondiam as emoções, e ele tomou um interesse particular por escritos libretos de ópera, uma forma ideal para a expressão direta de sentimentos fortes.
Para os jovens intelectuais de esquerda, ele foi a grande voz da década de 1930, "denunciando os males da sociedade capitalista, mas também alertando para a ascensão do totalitarismo":Merriam Webster's Encyclopeia of Literature, verbete Auden algumas vezes demasiadamente político, sempre implicitamente radical e incômodo, pela frequência com que lançava mão, em seus poemas, de espiões, bordéis e impulsos reprimidos - sua homossexualidade estava por trás de várias referências pessoais, aparecendo insistentemente em sua poesia. Assim que T. S. Eliot publicou a primeira coletânea de Auden, Poemas (1930), ele foi imediatamente reconhecido como porta-voz de sua geração. Filho de médico, Auden foi educado na Escola Gresham e na Christ Church, em Oxford, onde se tornou o líder de uma "gangue" formada por Stephen Spender, Louis MacNeice e Cecil Day-Lewis (pai do ator Daniel Day-Lewis). Logo, começou a colaborar com um amigo da escola preparatória, Christopher Isherwood, em peças esquerdistas que misturavam farsa e poesia. Em 1939, mudou-se com Isherwood para a América, onde conheceu aquele que se tornaria seu companheiro, Chester Kallman, com quem anos mais tarde escreveu libretos de ópera, incluindo The Rake's Progress, para Stravinsky.
Auden era um prolífico escritor de ensaios sobre temas políticos, religiosos, literários e psicológicos. Também trabalhou várias vezes em filmes documentários e peças de teatro poéticas. Ao longo de sua carreira, foi tanto controverso quanto influente. Críticas sobre seu trabalho variavam do simples desprezo - tratando-o como uma figura menor que W. B. Yeats e T. S. Eliot - ao forte apoio, como expressou Joseph Brodsky: "é a maior mente do século XX". Depois de sua morte, seus poemas se tornaram conhecidos por um público muito maior, através de filmes e gravações. Seu poema Stop all the clocks, cut off the telephone (ou Funeral Blues) foi utilizado no filme Quatro casamentos e um funeral (Título original: Four Weddings and a Funeral), de Mike Newell (1994). Biografia Infância Auden nasceu em Bootham, em York, na Inglaterra, filho de George Augustus Auden (1872–1957), um médico, e Constance Rosalie Auden (nascida Bicknell; 1869–1941), que foi treinada mas nunca serviu como enfermeira missionária. Ele era o terceiro de três filhos: o mais velho, George Bernard Auden (1900–1978), se tornou um fazendeiro; o segundo, John Bicknell Auden (1903-1991), se tornou um geólogo. Os Audens faziam parte da pequena nobreza rural, e possuíam forte tradição clerical. Eram originalmente de Rowley Regis, e posteriormente de Horninglow, em Staffordshire.
Auden, cujos avós eram clérigos da Igreja Anglicana, cresceu numa casa anglocatólica que seguia uma forma alta de anglicanismo, com doutrina e ritual semelhantes aos do catolicismo romano. Ele acreditava que seu amor por música e linguagem se devia em parte aos rituais religiosos de sua infância. Também acreditava que possuía antepassados islandeses. Sua fascinação por lendas islandesas e sagas em língua nórdica antiga é uma constante em suas obras.
Sua família se mudou para Homer Road, em Solihull, perto de Birmingham, em 1908, onde seu pai foi nomeado oficial médico escolar e conferencista (e, posteriormente, professor) de saúde pública. O duradouro interesse de Auden por psicanálise começou na biblioteca de seu pai. Com a idade de oito anos, ele já frequentava o colégio interno, retornando para casa nos feriados. Suas visitas à região dos Peninos e sua decadente indústria mineira figuram em muitos de seus poemas; a remota vila mineira de Rookhope era, para ele, um "cenário sagrado", evocado em seu tardio poema "Amor loci". Até os quinze anos de idade, ele esperava se tornar engenheiro de minas, mas sua paixão pelas palavras já havia começado. Ele escreveu, posteriormente:
Educação Auden frequentou a Escola de Santo Edmundo, na vila de Hindhead, em Surrey, onde ele encontrou Christopher Isherwood, que se tornaria um famoso novelista. Com treze anos de idade, ele foi para a Escola de Gresham, em Norfolk. Lá, em 1922, quando seu amigo Robert Medley lhe perguntou se ele escrevia poesia, Auden compreendeu, pela primeira vez, que sua vocação era ser poeta. Logo em seguida, ele "descobriu que perdera a fé"(através de uma compreensão gradual, não através de uma súbita mudança). Em peças escolares de Shakespeare, ele interpretou a Catarina de A megera domada em 1922, e o Caliban de A Tempestade em 1925, seu último ano na escola de Gresham. Seus primeiros poemas publicados apareceram na revista da escola em 1923. Posteriormente, Auden escreveu um capítulo sobre a escola de Gresham no livro "A velha escola: ensaios por diversas mãos" (1934), de Graham Greene.
Em 1925, ele foi para Christ Church (Oxford), com uma bolsa de estudos em biologia; ele mudou a bolsa para inglês no segundo ano, e foi introduzido à poesia em inglês antigo através de palestras de J. R. R. Tolkien. Entre os amigos que fez em Oxford, podem ser citados Cecil Day-Lewis, Louis MacNeice e Stephen Spender. Os quatro passaram a ser conhecidos na década de 1930 como "grupo de Auden" por suas posições politicamente de esquerda. Auden deixou Oxford em 1928 com um grau de terceira classe.
Auden foi novamente apresentado a Christopher Isherwood em 1925 por seu colega A. S. T. Fisher. Nos anos seguintes, Auden enviou poemas a Isherwood para que ele os comentasse. Os dois mantiveram uma amizade sexual nos intervalos de suas relações com outros. Em 1935-39, eles colaboraram em três peças e um livro de viagem.
De seus anos em Oxford em diante, os amigos de Auden sempre o descreveram como divertido, extravagante, simpático, generoso e, parcialmente por sua própria escolha, solitário. Em grupo, ele era, frequentemente, dogmático e arrogante, em um jeito cômico. Em ambientes mais íntimos, ele era tímido, a não ser quando tinha certeza de que seria bem acolhido. Era pontual em seus hábitos, e obsessivo quanto a prazos, embora optasse por viver em um ambiente físico desorganizado. Grã-Bretanha e Europa, 1928-1938 No final de 1928, Auden deixou a Grã-Bretanha por nove meses e foi para Berlim, talvez parcialmente para fugir da repressão na Inglaterra. Em Berlim, ele experimentou, pela primeira vez, a inquietude econômica e política, que se tornaria um de seus temas principais. Mais ou menos na mesma época, Stephen Spender publicou, por conta própria, um pequeno panfleto dos "Poemas" de Auden, com 45 cópias, distribuídas entre os amigos e familiares de Auden e Spender. Esta edição é, frequentemente, chamada de "Poemas" (1928), para distingui-la da edição comercial de 1930.
Quando retornou para a Grã-Bretanha em 1929, ele trabalhou brevemente como tutor. Em 1930, seu primeiro livro publicado, "Poemas", foi aceito por T. S. Eliot para a Faber and Faber. Essa empresa se tornou a responsável pela publicação na Grã-Bretanha de todos os livros de Auden daí em diante. Em 1930, ele se tornou mestre-escola por cinco anos em escolas masculinas: dois anos na academia Larchfield, em Helensburgh, na Escócia, e três anos na escola Downs, nos montes Malvern, onde foi um professor muito estimado. Na escola Downs, em junho de 1933, ele experimentou o que descreveu posteriormente como uma "visão de ágape", enquanto sentava com três colegas professores e descobriu subitamente que os amava pelo que eles eram, que a existência deles tinha infinito valor para ele. Essa experiência, segundo Auden, influenciou na sua decisão de voltar para a igreja anglicana em 1940.
Durante esses anos, o interesse erótico de Auden ficou focado, conforme ele descreveu posteriormente, num idealizado alter ego, mais do que em pessoas individuais. Seus relacionamentos (e seus malsucedidos namoros) tenderam a ser desiguais em idade ou inteligência; seus relacionamentos sexuais eram transitórios, embora alguns tenham se transformado em duradouras amizades. Ele contrastou essas relações com o que ele encarou posteriormente como o "casamento" (em suas próprias palavras) que teve com Chester Kallman em 1939, baseado na individualidade única de ambos os parceiros.