thumb|286px|Um dos arcos do triunfo de Mustos

Mustos () ou Mustis, conhecido localmente como Mest Henshir é um sítio arqueológico na província de Siliana, no noroeste da Tunísia. Foi uma antiga cidade, importante no período romano, que se encontrava na estrada que ligava Cartago (130 km a nordeste) a Tébessa (200 km a sudoeste). É uma sé titular da Igreja Católica.

As ruínas situam-se cerca de 18 km a oeste de Téboursouk, junto à cuba (mausoléu) do marabuto Sidi Abder Reu, a nordeste da aldeia de El Krib.

História A cidade situava-se numa região densamente urbanizada durante o Império Romano — por exemplo, Duga encontrava-se 15 km a leste de Mustos, Bula Régia menos de 50 km a noroeste e Sica Venéria 50 km a sudoeste. Os limites urbanos foram fixados en por dois arcos do triunfo, erigidos na estrada que atravessava Musti de leste a oeste.

A presença romana no local remonta ao final do , quando o general Caio Mário ali instalou os seus veteranos. Mais tarde a cidade foi elevada a município por Júlio César ou Augusto, mas ao contrário de Hipo Régio ou Útica, não recebeu colonos. A presença de cidadãos romanos — principalmente negociantes — é atestada desde a época republicana. O caráter aberto da cidade perdeu-se quando os bizantinos a transformaram numa praça-forte, durante os combates contra os vândalos.

Mustos é mencionada por Ptolemeu, no Itinerário de Antonino, na Tabula Peutingeriana e pelo geógrafo de Ravena , que narra a matança nesse local de uma enorme serpente por Régulo. As inscrições chamam aos habitantes Musticenses ou Mustitanos (Mustitani); este último nome foi também usado por Santo Agostinho.

O local é atualmente conhecido pelos seus vestígios arqueológicos e epigráficos, ainda que esteja apenas parcialmente escavado. Ali se encontram as ruínas de um fórum, de um mercado, de vários templos, de cisternas, de uma cidadela bizantina e de alguns casas romanas.

Sítio arqueológico

A origem do arco situado à entrada das ruínas é desconhecida. O arco oriental, que se encontrava em avançado estado de ruína, foi restaurado em 1967 pelo Serviço de Monumentos Históricos do Instituto Nacional de de Arte e de Arqueologia. O mausoléu dos Júlios, situado junto ao arco, foi também reconstruído nessa época.

A entrada do sítio abre-se para um grande pátio pavimentado que conduz a uma porta interessante devido à sua estrutura, com corredores cobertos em ambos os lados. Nas partes laterais do pátio há lojas de cambistas e alguns baixos-relevos de génios. Perto da dessa porta encontram-se os restos de três templos dedicados a Ceres, Plutão e Apolo. Ali se encontram igualmente as ruínas de uma pequena igreja cristã, uma basílica com três naves e um batistério, junto a uma fortificação bizantina.

História eclesiástica thumb|esquerda|286px|Ruínas

Mustos foi uma diocese sufragânea da arquidiocese metropolitana de , ambas na África Proconsular. Há outra sé titular chamada Mustos, na província romana da Numídia, atualmente na Argélia, que Sophrone Pétridès confundiu com a Mustos da província da África Proconsular, indo ao ponto de referir que uma única diocese (de Mustos) tinha enviado quatro bispos ao Concílio de Cartago de 411, dois donatistas (Feliciano e Crescónio) e dos católicos (Vitoriano e Leôncio). J. Mesnage refere que Feliciano e Vitoriano eram da "África Proconsular", sufragânea de Cartago, e que os outros dois eram do que ele chama "Mustos na Numídia" (Musti Numidiae). A lista de sés titulares da Igreja Católica também distingue as duas Mustos, chamando a uma simplesmente "Mustos" e a outra "Mustos na Numídia". Mesnage menciona ainda outros dois bispos que Pétridès atribui à mesma Mustos: Antoniano e Januário. O primeiro era da Numídia e foi um dos bispos mandado para o exílio pelo rei vândalo Hunerico em 482. Januário foi um dos que assinaram a carta dos bispos da África Proconsular para , patriarca de Constantinopla, contra os monotelistas.

A sé titular foi nominalmente restaurada com sé titular latina do nível mais baixo. Os seus incumbentes foram: Jean-Ephrem Bertreux, — Julien-Louis-Edouard-Marie Gorju, da Sociedade dos Missionários da África, — Eugenio Raffaele Faggiano, da Congregação dos Passionistas, — Vicente Alfredo Aducci, — Oscar Félix Villena, — Juan José Aníbal Mena Porta, — Aldo Del Monte, — Gaetano Bonicelli, — Antonio Ambrosanio, — (depois arcebispo) Francisco João Silota, dos Missionários da África, — Giuseppe Pasotto, Stigmatines, da Congregação dos Sagrados Estigmas de Cristo, — ... , administrador apostólico do Cáucaso

Bibliografia

Beschaouch, Azedine, "Un témoignage sur la prospérité de l'Afrique proconsulaire au milieu du IV siècle : le forum transitorium aménagé à Mustis sous Magnence et Décence", CRAI, vol. 149, n.° 3, 2005, pp. 1071-1084 Lepelley, Claude [ed.], Rome et l'intégration de l'Empire. 44 av. J.-C. – 260 ap. J.-C., tome 2, Approches régionales du Haut-Empire romain, Presses universitaires de France (Nouvelles Clio), Paris, 1998 Poinssot, Louis, "Une inscription de Musti, contemporaine de Magnence", CRAI, vol. 77, n.° 1, 1933, pp. 21-24

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