thumb|200px|O Sermão do Monte por Carl Heinrich Bloch O Pai Nosso ou Pai-nosso,Academia Brasileira de Letras. Disponível em http://www.academia.org.br/abl/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?sid=23. Acesso em 5 de junho de 2013. também conhecido como Padre-nosso, é a oração mais conhecida do cristianismo. Duas versões dela ocorrem no Novo Testamento: uma no Evangelho segundo Mateus (),A Bíblia de Jerusalém, por meio de nota de rodapé a , observa que a oração é apresentada com sete petições na redação apresentada no Evangelho segundo Mateus, e que o número sete é utilizado por Mateus em outras passagens, tais como: a genealogia de Jesus que é apresentada em três vezes catorze (duas vezes sete) gerações (cf. ); as sete bem-aventuranças apresentadas em ; as sete Parábolas de Jesus apresentadas em ; o dever de perdoar setenta vezes sete (cf. ); as sete maldições contra os fariseus apresentadas em . Tal circunstância sugere que Mateus talvez tenha feito acréscimos à versão básica da oração, apresentada em .

A Bíblia do Peregrino, por meio de Nota de Rodapé à , também sustenta que a versão apresentada no Evangelho segundo Lucas, que é mais breve, pois contém cinco petições em vez de sete, talvez seja mais próxima da oração realmente proposta por Jesus. como parte do discurso sobre a ostentação, constituindo uma seção do Sermão do Monte; e a outra no Evangelho segundo Lucas (). O seu nome deriva das palavras de abertura, em invocação a Deus.

O contexto da oração em Mateus é uma parte de um discurso, sobre um povo sofrido que ora grandiosamente, simplesmente com a finalidade de ser visto orando; Mateus descreve Jesus ensinando as pessoas a orar "segundo a fórmula" dessa oração. Tendo em conta a estrutura da oração, fluxo de sujeito e ênfases, uma interpretação da Oração do Senhor é como uma orientação sobre como orar em vez de aprender algo ou repetir por hábito. Há outras interpretações sugestivas que a oração foi concebida como uma oração específica a ser usada. O Novo Testamento relata Jesus e seus discípulos orando em várias ocasiões; mas nunca os descreve usando essa oração, é incerto o quão importante ela foi originalmente vista e tida. miniaturadaimagem|O "Pai Nosso" em latim eclesiástico A versão mais usada em português é a seguinte:

Pai Nosso, que estais no Céu: Santificado seja o Vosso nome. Venha a nós o Vosso reino. Seja feita a Vossa vontade, assim na terra como no Céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje. Perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tem ofendido. E não nos deixeis cair em tentação. Mas livrai-nos do mal. Amém

Na Páscoa de 2007, foi estimado que dois bilhões de cristãos católicos, protestantes e ortodoxos leram, recitaram ou cantaram a oração em milhares de línguas.Kang, K. Connie. "Across the globe, Christians are united by Lord's Prayer." Los Angeles Times, in Houston Chronicle, p. A13, April 8, 2007 Embora muitas diferenças teológicas e vários modos e maneiras de adoração dividam cristãos, de acordo com o professor Clayton Schmit do Seminário Fuller "há um senso de solidariedade em saber que os cristãos ao redor do globo estão orando juntos…, e estas palavras sempre nos unirão."

A Bíblia do Peregrino, por meio de nota de rodapé a , observa que essa oração ressoa a experiência de Israel no processo de sua libertação, o que inclui: provações no deserto, o maná cotidiano, a vontade de Deus promulgada como Lei, a santidade cultual do nome de Deus revelada por Moisés e o reinado de Deus pela aliança na Terra Prometida.

A Tradução Ecumênica da Bíblia, por meio de nota de rodapé a , observa que essa oração: assemelha-se tanto pelo conteúdo como pela forma à "Oração das Dezoito Preces", que os judeus rezam ainda hoje, mas que se distingue, em primeiro plano, pela simplicidade e pela liberdade como Deus é invocado, além disso a ordem das petições é diferente e característica do ensinamento de Jesus; tem em seu início uma prece tríplice que tem como ápice um apelo à intervenção de Deus para o advento do Seu Reino; depois tem lugar uma série de petições que exprimem as necessidades essenciais dos discípulos; o emprego da primeira pessoa do plural dá um caráter comunitário à oração; na versão apresentada no Evangelho segundo Mateus há sete petições, enquanto que na versão apresentada no Evangelho segundo Lucas contém apenas cinco petições, e que seria impossível dizer qual a versão mais antiga, devendo ambas as formas terem sido empregadas em comunidades cristãs primitivas; existem dificuldades para oferecer a tradução dessa prece para uma língua moderna, a compreensão de certas expressões exigiria um bom conhecimento do Antigo Testamento e do judaísmo antigo, razão pela qual as traduções literais nem sempre seriam as melhores.

Textos em grego Texto litúrgico Codex Vaticanus Didache

O Pai-Nosso na Igreja Primitiva thumb|esquerda|150px|Representação paleocristã de Cristo como o Bom Pastor nas catacumbas de São Calisto, em Roma Deve-se observar que Jesus viveu no contexto da espiritualidade judaica, que nos evangelhos se cita frequentemente os textos sagrados do judaísmo e que Jesus, como judeu, estava sob a Torá. Seguramente orou as Dezoito Bençãos, o Shema, o Avinu Malkenu (Pai nosso, Rei nosso), os Salmos, o Tehilim ("louvores", em português), entre outras muitas orações que existiam dentro do corpo religioso judaico.

Pode-se assegurar que, se o judaísmo introduziu uma grande novidade no contexto religioso de sua época, o cristianismo trouxe ao mundo de seu tempo uma nova visão da Divindade. Para o cristianismo existia uma deidade, a dos judeus. Só havia um Deus verdadeiro, mas não para um só povo. O Senhor passou de ser um Deus local do povo judeu para ser um Deus universal. O Deus dos cristãos se mostrava a todos os homens que quiseram segui-lo sem distinção de sua origem. Segundo o cristianismo, O Senhor queria um novo povo ao que qualquer homem de boa vontade podia pertencer e esse novo povo era a Igreja. Essa é a razão pela qual diferentes denominações cristãs nomeiam a si mesmas como o Novo Israel.

No princípio, os primeiros cristãos se consideravam parte do povo judeus, oravam nas sinagogas e respeitavam toda a Torá. No primeiro Concílio de Jerusalém, narrado no capítulo 15 do livro de Atos dos Apóstolos, se diz que os gentios que abraçavam a Cristo não estavam obrigados a cumprir a Torá dada ao povo de Israel. Por exemplo, os cristãos de origem gentílica não estavam obrigados a circuncidar-se (apenas a guardar certos mandamentos, como o Shabat) até que se o processo de conversão fosse finalizado e os mesmos passassem a ser parte integrante da comunidade de Israel. A partir deste momento, o cristianismo começou a separar-se gradualmente do judaísmo.

O pai-nosso foi fundamental neste ponto. Ao separar-se do judaísmo, o cristianismo teve que ir adquirindo uma identidade própria e a principal separação da espiritualidade judaica era a oração. O cristianismo teria que buscar sua própria oração, para não ser considerado uma seita do judaísmo. O pai-nosso passaria a ser a principal separação que diferenciaria o povo "novo" do "velho" neste ponto da história. A diferença não estava muito clara, entre os judeus e os primeiros seguidores do cristianismo.

Os primeiros cristãos tinham um grande respeito pela Oração dominical. A Oração dominical não se ensinava a qualquer um. Sua recitação constituía um privilégio que só se outorgava aos que já haviam recebido o batismo. Era a última coisa que se ensinava aos catecúmenos e só na véspera de seu batismo. Era a maior e mais apreciada jóia da fé.

Os antigos cristãos das Igrejas da África tomaram sua profissão de fé (quid credendum) desta oração. Uma profissão de fé é uma declaração de suas crenças, um exemplo disto é a oração do Credo, o símbolo niceno do catolicismo latino e oriental. Os que pretendiam obter o batismo deviam ter um profundo conhecimento da oração (quid orandum). Os catecúmenos deviam de seguir detalhadamente a explicação do credo e posteriormente deviam recitá-lo publicamente de memória. A transição entre estes passos era o pai-nosso. A profissão de fé no cristianismo é uma parte fundamental, pois mediante ela se declaram quais são suas crenças fundamentais e básicas. O fim que as igrejas primitivas da África tomaram como base para sua profissão de fé demostra que, desde o princípio do cristianismo, estas palavras de Jesus foram consideradas as mais santas palavras.

Na igreja primitiva, a oração do pai-nosso estava reservada para o momento mais alto da celebração que posteriormente o catolicismo chamaria missa. Haviam de preceder fórmulas que se assemelhavam seu respeito. Estas fórmulas têm sido herdadas por igrejas em suas liturgias atuais: na liturgia da igreja oriental, se diz como introdução: "Tu és digno, ó Senhor, concede-nos que alegremente e sem temor, nos atrevamos a te invocar, Deus celestial, como um Pai, e que digamos: Pai nosso...". Na primitiva liturgia romana o sacerdote precedia a oração com a frase: "nos atrevemos a dizer", reconhecendo a enorme audácia que há em repetir palavras consideradas tão santas pelo cristianismo.

Análise thumb|A Oração do Senhor em grego Será usada a tradução da Bíblia de Jerusalém (BJ) (veja acima)

Instruções preliminares Antes de propor os termos da oração, Jesus faz algumas orientações preliminares ().

A Edição Pastoral da Bíblia comenta essa passagem por meio de uma nota de rodapé relativa a ,EVANGELHO SEGUNDO SÃO MATEUS 6, acesso em 16 de fevereiro de 2014. que diz que:

A Bíblia de Jerusalém comenta essas instruções preliminares por meio de nota de rodapé ao termo "orardes" em , na qual observa queAlém disso a Bíblia de Jerusalém destaca a correlação entre: e: , , e ; e: , Sirácida: 7,14 e ; .: Jesus também instruiu sobre o modo de orar por meio de seu exemplo, como em , e a orar: com humildade diante de Deus (cf. ) e dos homens (cf. e ); mais com o coração do que com os lábios (cf. ); com confiança na bondade do Pai (cf. e ); com persistência (cf. e ); com fé, para que seja atendida (cf. ); em seu nome (cf. , , , e ); para pedir coisas boas (cf. ), tais como: 7.1: o Espírito Santo (cf. ); 7.2: o perdão (cf. ); 7.3: o bem para aqueles que perseguem os cristãos(cf. e ); 7.4: a vinda do Reino de Deus e a preservação durante a provação escatológica (cf. , , e ).

A Bíblia do PeregrinoA Bíblia do Peregrino, além de comentar as instruções preliminares, observa, por meio de Nota de Rodapé à , que: os católicos costumam se referir a essa oração como "oração dominical" pois foi ensinada pelo próprio Senhor (Dominus), e por isso tem lugar privilegiado na liturgia católica; é uma oração que contém uma invocação e sete pedidos, três em honra a Deus e quatro a favor do homem, que sintetizam a dimensão empírica com a transcendente (Pai/céu, reino/venha, terra/céu, perdoamos/perdoa). comenta essas instruções preliminares por meio de notas de rodapé que observam que: não se referem à oração comunitária que é necessariamente pública e é respaldada por diversos salmos que se referem ao louvor a Deus perante a assembleia; alguns Salmos se referem à oração feita antes de dormir (ex: e ) ou de súplica dos doentes (ex. e ); não se deve converter a oração em espetáculo, pois seria um contrassenso louvar a Deus para glória própria, que não estaria confinado no templo, mas presente em toda a parte, ainda que oculto (cf. ); tem um precedente no Antigo Testamento em: ; não condenam a frequência (cf. ), mas a prolixidade (cf. e ); tem precedentes no Antigo Testamento em: e .

A Tradução Ecumênica da Bíblia comenta essas instruções preliminares por meio de notas de rodapé que observamAlém disso a Tradução Ecumênica da Bíblia destaca a correlação/paralelismo entre: e: e ; e: e ; e: e . que: se referem às preces que deveriam ser feitas em horas fixas, e nessas ocasiões os hipócritas procuravam se fazer notar;