A primeira lei da geografia foi formulada por Waldo Tobler em 1970:
Esta primeira lei é a base dos conceitos fundamentais de dependência espacial e autocorrelação espacial e é utilizado especificamente para o método de ponderação de distância inversa para interpolação espacial e para apoiar o teoria de variáveis regionalizadas para krigagem.Kemp, Karen. Enciclopédia de Ciência da Informação Geográfica, SAGE, 2008, pp 146–147 A primeira lei da geografia é a suposição fundamental usada em todas as análises espaciais. Miller, Harvey (2004). "Tobler's First Law and Spatial Analysis". Annals of the Association of American Geographers. 94 (2): 284–289. doi:10.1111/j.1467-8306.2004.09402005.x. S2CID 19172678.
Analisando as duas partes da lei de Tobler vê-se que "Todas as coisas estão relacionadas com todas as outras" implica que, em um sentido amplo, todos os lugares e características geográficas estão interconectados de alguma forma. Nada existe isoladamente em termos de geografia; há sempre alguma forma de conexão ou interdependência. Em seguida, "Mas coisas próximas estão mais relacionadas do que coisas distantes" é onde está o cerne da lei. Essa segunda parte da frase enfatiza que a proximidade geográfica intensifica as relações. Em outras palavras, locais que estão próximos uns dos outros têm uma influência mais significativa uns sobre os outros em comparação com locais mais distantes. Isso reflete a observação comum de que interações sociais, econômicas e culturais tendem a ser mais intensas entre comunidades próximas.
A primeira lei da geografia é crucial para entender padrões espaciais, fluxos e interações em várias escalas geográficas. Ela também tem implicações em disciplinas como urbanismo, planejamento regional, economia espacial e ciência social, onde a proximidade física desempenha um papel fundamental na dinâmica das relações humanas e ambientais. Tobler, W. R. (1970). "A Computer Movie Simulating Urban Growth in the Detroit Region". Economic Geography. 46: 234–240. doi:10.2307/143141. ISSN 0013-0095. JSTOR 143141. Retrieved 2023-10-02.
Correlações A primeira lei da geografia de Tobler, conhecida como a Lei da Primeira Lei da Geografia, destaca a ideia de que tudo está relacionado, mas a proximidade física intensifica essas relações. Isso significa que locais próximos têm uma influência mais forte uns sobre os outros do que locais distantes. Quando relacionamos essa lei com a lei da procura, podemos fazer algumas conexões interessantes. A lei da procura, na economia, sugere que a demanda por um bem ou serviço é inversamente proporcional ao seu custo, presumindo que outros fatores permaneçam constantes. Isso significa que, em geral, as pessoas tendem a buscar bens ou serviços mais próximos e acessíveis.
Ao aplicar essas ideias em conjunto, podemos interpretar que as interações entre locais, sejam sociais, econômicas ou culturais, são mais intensas entre áreas geograficamente próximas. Isso pode ser relacionado à facilidade de comunicação, troca de recursos e intercâmbio cultural que tendem a ocorrer mais naturalmente entre comunidades próximas. Portanto, as leis de Tobler e a lei da procura compartilham uma perspectiva de proximidade física como um fator crucial nas relações e interações, seja no contexto da geografia ou da economia.
Está também relacionado às ideias de Isaac Newton sobre a gravitação universal e é essencialmente sinónimo com o conceito de dependência espacial que é o alicerce da análise espacial. Além disso, é o princípio fundador em que é baseado o entendimento e medidas corretivas para autocorrelação espacial. A ideia de que "coisas próximas estão mais relacionadas do que coisas distantes" pode ser comparada ao conceito newtoniano de que a força de atração entre duas massas é diretamente proporcional ao produto de suas massas e inversamente proporcional ao quadrado da distância entre elas. Ambos os princípios destacam a importância da proximidade na determinação das interações entre entidades. Essa lei também é fundamental para a análise espacial e é sinônimo do conceito de dependência espacial.
A dependência espacial refere-se à influência mútua entre as entidades em locais próximos. Em outras palavras, a autocorrelação espacial sugere que valores semelhantes tendem a ocorrer em locais próximos uns aos outros. Na prática, a compreensão da primeira lei da geografia e a consideração da dependência espacial são cruciais para a análise de padrões espaciais, tomada de decisões geográficas e formulação de políticas. Esses princípios são frequentemente aplicados em campos como geografia, ciência regional, economia espacial e planejamento urbano. O reconhecimento da autocorrelação espacial permite a implementação de medidas corretivas mais eficazes em análises estatísticas e modelagem espacial.Luc Anselin, Spatial Econometrics, 1999 <https://csiss.ncgia.ucsb.edu/aboutus/presentations/files/baltchap.pdf >
Consequências A primeira lei da geografia de Tobler, que postula que "Todas as coisas estão relacionadas com todas as outras, mas coisas próximas estão mais relacionadas do que coisas distantes", transcende o âmbito geográfico e permeia diversas esferas da vida humana e das ciências. Vamos explorar mais detalhadamente as implicações dessa lei em diferentes contextos. A proximidade geográfica é muitas vezes associada a ecossistemas de inovação. A presença física de empresas, instituições de pesquisa e empreendedores em uma determinada região pode promover colaborações mais estreitas e o intercâmbio de ideias, fomentando o surgimento de soluções inovadoras. Em saúde pública, a primeira lei da geografia é vital para entender a propagação de doenças. A proximidade facilita a transmissão, e o controle de surtos muitas vezes requer medidas específicas em áreas geograficamente próximas. A concentração de instituições educacionais em uma área geográfica pode criar um ambiente propício para o aprendizado e a pesquisa avançada. Estudantes e acadêmicos se beneficiam da proximidade de recursos intelectuais. Em cidades inteligentes, a proximidade física influencia a eficiência da infraestrutura digital. Locais próximos são mais propensos a compartilhar uma conectividade robusta, facilitando a implementação de tecnologias avançadas.
A proximidade geográfica desempenha um papel na compreensão dos padrões climáticos e na distribuição de ecossistemas. Mudanças em uma área podem afetar ecossistemas vizinhos, destacando a necessidade de abordagens integradas. A primeira lei da geografia também tem implicações na análise de desigualdades sociais e econômicas. Regiões próximas podem experimentar desenvolvimentos distintos, contribuindo para disparidades que precisam ser consideradas em políticas de justiça social. Considerações geográficas são essenciais para otimizar sistemas de transporte. Proximidade física afeta a eficiência logística e a conectividade entre diferentes modos de transporte. Em síntese, a primeira lei da geografia não apenas esboça uma observação sobre a relação espacial, mas serve como uma bússola para compreendermos a complexidade e a interconexão entre fenômenos em diversos campos do conhecimento e da prática humana. Essa compreensão é vital para a tomada de decisões informadas e para o desenvolvimento sustentável em uma sociedade cada vez mais interligada.
Plano de fundo “O fenômeno externo a uma área de interesse afeta o que acontece internamente.” Waldo Tobler Tobler, Waldo (2004). "On the First Law of Geography: A Reply". Annals of the Association of American Geographers. 94 (2): 304–310. doi:10.1111/j.1467-8306.2004.09402009.x. S2CID 33201684. Retrieved 10 March 2022.Tobler apresentou sua ideia seminal pela primeira vez durante uma reunião da Comissão de Métodos Qualitativos da União Geográfica Internacional realizada em 1969 e posteriormente publicado por ele em 1970 em sua publicação "Uma filme computadorizado simulando o crescimento urbano da região de Detroit". Tobler, W. R. (1970). "A Computer Movie Simulating Urban Growth in the Detroit Region". Economic Geography. 46: 234–240. doi:10.2307/143141. ISSN 0013-0095. JSTOR 143141Tobler provavelmente não estava falando muito sério quando ele originalmente invocou a primeira lei e, em vez disso, estava explicando as limitações trazidas pelos computadores da década de 1970. Ele certamente não achava que seria tão proeminente na geografia como é hoje. Miller, Harvey (2004). "Tobler's First Law and Spatial Analysis". Annals of the Association of American Geographers. 94 (2): 284–289. doi:10.1111/j.1467-8306.2004.09402005.x. S2CID 19172678.
Embora simples na sua apresentação, esta ideia é profunda. Sem ele, “toda a gama de condições em qualquer lugar da superfície da Terra poderia ser compactada em qualquer pequena área”. Não haveria regiões de condições aproximadamente homogêneas a serem descritas atribuindo-se atributos a objetos de área. As superfícies topográficas variariam caoticamente, com declives infinitos por toda parte, e os contornos de tais superfícies seriam infinitamente densos e contorcidos. A análise espacial e, na verdade, a própria vida, seriam impossíveis. De Smith, Michael John; Goodchild, Michael F.; Longley, Paul. Geospatial Analysis: A Comprehensive Guide to Principles, Techniques and Software Tools, Troubador Publishing Ltd, 2007, p44 Embora Tobler seja o primeiro a apresentar o conceito como a primeira lei da geografia, ele existia de alguma forma como um conceito antes dele. Em 1935, R.A. Fisher disse “o fato amplamente verificado de que áreas próximas são geralmente mais parecidas, conforme avaliado pelo rendimento das colheitas, do que aquelas que estão mais distantes”. Tobler foi informado disso por um revisor e parece ter criado a primeira lei de forma independente. Tobler, Waldo (2004). "On the First Law of Geography: A Reply". Annals of the Association of American Geographers. 94 (2): 304–310. doi:10.1111/j.1467-8306.2004.09402009.x. S2CID 33201684.
Fisher, R. A. (1935). The design of experiments. Edinburgh: Oliver and Boyd.
A lei de Tobler foi proposta no final da revolução quantitativa na geografia, que viu uma mudança no sentido do uso sistemático e científico métodos em geografia. Este paradigma mudou a disciplina de uma geografia idiográfica para uma legislação empírica nomotética geografia. Esta abordagem legislativa conduziu à aceitação de Tobler' A lei de ;, e a lei de Tobler podem ser vistas como um produto direto da revolução quantitativa. DeLyser, Dydia; Herbert, Steve; Aitken, Stuart; Crang, Mike; McDowell, Linda (November 2009). The SAGE Handbook of Qualitative Geography (1 ed.). SAGE Publications. ISBN 9781412919913. Yano, Keiji (2001). "GIS and quantitative geography". GeoJournal. 52 (3): 173–180. doi:10.1023/A:1014252827646. S2CID 126943446. Walker, Robert Toovey (28 Apr 2021). "Geography, Von Thünen, and Tobler's first law: Tracing the evolution of a concept". Geographical Review. 112 (4): 591–607. doi:10.1080/00167428.2021.1906670. S2CID 233620037.