William Tecumseh Sherman (Lancaster, 8 de fevereiro de 1820 - Nova Iorque, 14 de fevereiro de 1891) foi um soldado, empresário, educador e escritor norte-americano. Como general no Exército da União durante a Guerra de Secessão obteve a reputação de estrategista militar brilhante. Na condução das campanhas na frente ocidental buscou a destruição de recursos civis que suportavam o esforço de guerra dos Estados Confederados da América numa escala atípica para época. Por tal motivo é frequentemente identificado como um dos proponentes precoces da Guerra Total, rótulo que é contestado por alguns historiadores. Nas palavras do historiador militar britânico B. H. Liddell Hart, Sherman foi "o primeiro general moderno".
Sherman serviu sob o general Ulysses S. Grant em 1862 e 1863 durante as campanhas que levaram a queda do reduto confederado de Vicksburg no Rio Mississippi, culminando com o roteamento dos exércitos confederados no Tennessee. Sucedeu Grant em 1864 como comandante da União no fronte ocidental e liderou as tropas que lograram realizar a captura de Atlanta, um sucesso militar que contribuiu para a reeleição do presidente Abraham Lincoln. A sua campanha subsequente contra Geórgia, conhecida como a Marcha ao Mar, minou ainda mais a capacidade confederada de continuar o confronto. No desfecho da sua última campanha da guerra, contra as Carolinas, aceitou em abril de 1865 a rendição dos exércitos confederados na Geórgia, nas Carolinas e na Flórida.
Quando Grant assumiu a presidência dos EUA em 1869, Sherman tornou-se General Comandante do Exército. Como tal, foi responsável pela participação americana nas guerras indígenas nos quinze anos seguintes. Ele recusou-se firmemente a ser puxado para a política. Em 1875 publicou suas memórias, um dos mais conhecidos relatos em primeira mão da Guerra de Secessão.
Início de vida left|thumb|205px|Casa de Sherman em Lancaster William Tecumseh Sherman nasceu no dia em Lancaster, Ohio, perto das margens do rio Hocking. Seu pai, Charles Robert Sherman, um advogado de sucesso e membro do Supremo Tribunal do Ohio, morreu inesperadamente em 1829, deixando a viúva Mary Hoyt Sherman com onze filhos e nenhuma herança. Sherman, então com nove anos, foi criado após a morte do pai por seu vizinho e amigo familiar Thomas Ewing, promotor e proeminente membro do Partido Whig, que serviu como senador e Secretário do Interior.
Um de seus ancestrais distantes, admirado por Sherman, era Roger Sherman, um dos Pais Fundadores.
Tecumseh Sherman, filho de protestantes, teve que aderir à fé católica da sua nova família e aceitar um nome que parecesse "mais cristão". Assim, foi rebatizado William Tecumseh Sherman. Vencido esse obstáculo, foi aceito como membro da casa, recebendo toda a atenção que os demais filhos do casal, além de uma educação de excelente qualidade. Ávido leitor, ele aprendeu francês, latim e até um pouco de grego clássico.
Algumas das características mais marcantes do Gal. Sherman são atribuídas a influência de Thomas Ewing. Dele Sherman teria absorvido o apreço à constituição, à ordem e à União, mas também o preconceito racial e a visão benevolente à escravatura. Ewing, notando o talento do Sherman, queria acomodá-lo na liderança de um dos seus negócios, ou em alguma carreira civil onde a sua influência política poderia ajudá-lo. Na contramão dos desejos da família, Sherman optou pela carreira militar.
West Point Em 1836, Ewing conseguiu, mediante intervenção do Secretário da Guerra Lewis Cass, o ingresso do William Sherman na academia militar de West Point. O jovem não teve dificuldade em destacar-se nos estudos. Sobressaiu em diversas matérias, sobretudo em desenho, pois tinha bastante talento artístico.
Formou-se com sexto colocado na classe, entre os 119 que iniciaram o curso e os 42 que o concluíram. Suas notas lhe dariam a quarta colocação, e o acesso a elitizada Arma de Engenharia, mas essa lhe escapou por conta das inúmeras punições por pequenas transgressões disciplinares. Ingressou na Artilharia.
Na academia conheceu diversos dos seus futuros notáveis companheiros de armas (Henry Halleck, Don Carlos Buell, Edward Ord, Irvin McDowell, George H. Thomas, Joseph Hooker, Nathaniel Lyon, John F. Reynolds, William Rosecrans, John Pope, John Sedgwick), além de famosos oponentes (James Longstreet, P.G.T. Beauregard, Braxton Bragg, Jubal Early, John C. Pemberton, William Hardee, D.H. Hill, Earl Van Dorn). No seu ano final do curso, ingressou em West Point um novato que todos chamavam de "Sam" (Ulysses S. Grant). Contrário do Sherman, muito popular entre os colegas, Grant era uma figura apagada.
Carreira Militar antes da Guerra Em Outubro de 1840, Sherman aceitou o comando de uma companhia de infantaria estacionada na Florida, então palco de Guerra com índios Seminoles. Embora não tenha tido oportunidade de participar dos combates, Sherman observou a esterilidade das tentativas de quebrar a guerrilha indígena por meio de perseguição direta. O único meio eficaz parecia ser mirar os meios de subsistência da tribo, subtraindo as condições econômicas para manutenção dos guerreiros. Essa parece ter sido uma influência importante para levar o seu modo de condução de guerra para além dos limites da doutrina Jominiana, preponderante na época.
Em 1842, com o fim da guerra, foi transferido para Fort Morgan, Alabama e, no final do ano seguinte, para Fort Moultrie, Carolina do Sul. Em 1844, apontado como inspetor para investigar perdas materiais sofridas pelos veteranos da Guerra Seminole, viajou extensivamente pela Geórgia. Seu conhecimento da geografia dos estados do sul lhe seria de grande valia no futuro. Sherman não encontrou dificuldades para entrosar-se na vida social da elite sulista, com a qual dividia os valores conservadores.
Em 1846, com a eclosão da Guerra Mexicano-Americana, Sherman buscou desesperadamente um posto na frente de combate, mas acabou apontado oficial de recrutamento em Pittsburgh, Pensilvânia. Em Junho do mesmo ano, recebeu transferência para Califórnia. Um dos seus companheiros de viagem, contornando o Cabo Horn foi Henry Halleck, consolidando uma duradoura amizade. Uma das escalas na viagem foi o Rio de Janeiro. Sherman, encantado com a cidade, escreveu: "Palavras não descreveriam a beleza desse porto perfeito…". Entretanto, chocou-se com a situação dos negros, que tanto poderiam ser advogados e padres, quanto escravos na pior forma de escravidão.
A viagem durou 198 dias. Ao chegar San Francisco, Sherman encontrou as hostilidades na Califórnia praticamente encerradas. Mais uma vez, tal como ocorreu na Flórida, escapou-lhe a oportunidade de adquirir experiência de combate, fundamental para uma carreira militar bem sucedida. Ao contrário de Grant, que via a intervenção no México como moralmente condenável, Sherman achava que a falha dos mexicanos em desenvolver economicamente a região era razão suficiente para que essa fosse tomada por um povo mais empreendedor.
Em 1848, irrompeu a grande Corrida do ouro na Califórnia, e Sherman viu-se no centro dos acontecimentos, encarregado de manter a ordem enquanto considerável parte da sua tropa desertava partindo para as minas. Lançando mão dos conhecimentos de geologia adquiridos em West Point, ele logo adquiriu fama de especialista local em ouro e mineração.
Casamento Em 1850, é chamado a Washington, onde se casa com a sua irmã por adoção Eleanor Boyle ("Ellen") Ewing. O casamento da filha do Thomas Ewing, então Secretário do Interior, com o Tenente Sherman foi um grande evento social, a qual atendeu a elite política do país, incluindo o presidente Zachary Taylor.
O casamento foi duradouro e geralmente visto como razoavelmente bem sucedido, embora nunca isento de tensões. Ellen, católica extremamente devota, jamais desistiu de induzir o marido a prática religiosa. Sem sucesso: ele permaneceu alheio a religião até a morte.
Mas uma especial fonte de desgosto para Sherman era a incomum forte ligação da Ellen com o seu pai. Ellen recusava-se a abandonar Lancaster e a proximidade do pai para acompanhar o marido para os locais distantes para onde era levado pelo ofício. Do seu lado, Thomas Ewing fez o possível para manter a filha próxima. Isso incluía a pressão para que o afilhado abandonasse a carreira militar e assumisse a direção das minas de sal pertencentes à família. A ingerência do sogro na vida do casal só cessou quando William chegou ao ápice da sua carreira militar, nos anos da Guerra Civil.
Homem de Negócios Sherman, promovido a capitão, foi designado a uma unidade de artilharia em St. Louis (Missouri). Em 1852, recebeu a missão de limpar a corrupção no comissariado de New Orleans, Louisiana. Recebeu reconhecimento como excelente administrador. Diziam que "se fosse incapaz de achar a causa de uma diferença de 3 centavos nas contas, pediria baixa e cometeria suicídio".
Ainda em 1852, um amigo, o banqueiro Henry Turner lhe oferece a oportunidade de abrir e gerir uma filial do seu banco em San Francisco, Califórnia. Ele aceita, licenciando-se do exército por seis meses. Sherman administrou a agência de forma competente e conservadora. Em breve, torna-se um dos cidadãos mais proeminentes da cidade, assumindo inclusive o comando da milícia do estado.
Em 1855, ocorre uma severa crise de confiança nas instituições bancárias locais. Houve uma grande corrida dos correntistas para sacar os depósitos, levando as principais bancos da região à quebrarem. Sherman manobrou habilmente e conseguiu evitar a falência, embora não sem prejuízos a alguns correntistas com aplicações especiais. Muitos eram colegas do exército que apoiaram Sherman no momento de crise mantendo suas aplicações. Entre eles estavam Don Carlos Buell, George Thomas, Henry Halleck e Joe Hooker, que se tornariam generais da União, bem como futuros generais Confederados - Braxton Bragg e John Bell Hood. A exemplo do seu pai, Sherman vendeu maior parte do seu grande patrimônio para ressarcir os amigos.
Do episódio Sherman herdou o ódio perene à imprensa, que na visão dele teria contribuído para disseminar um pânico injustificado.
Em 1856, uma nova crise: tumultos causados por grupos de "Vigilantes", que, apoiados pela maioria da população, queriam o linchamento de um jornalista acusado de homicídio de um colega. Sherman, a despeito da opinião pública, convoca a milícia para defender a lei. Mas o exército retrocede na oferta de armas que havia feito aos milicianos, e Sherman se vê impotente para impor a ordem. Mais uma vez, percebeu a imprensa como vilã, dessa vez por estimular o populacho à violência.
Em 1857, Turner decide fechar a agência de São Francisco, deslocando Sherman para abrir e administrar a agência em Wall Street, Nova Iorque. Ele desempenhou-se bem, mas os problemas financeiros da matriz em St. Louis forçaram a ainda solvente agência novaiorquina a fechar as portas. Então, Sherman tentou uma série de negócios próprios, mas todas as tentativas fracassaram e ele viu-se em profundas dificuldades financeiras. Tentou retornar ao exército, mas não havia vagas disponíveis.
Então por indicação do amigo Don Carlos Buell candidatou-se a reitoria do Seminário Militar de Louisiana, em Alexandria, que estava por inaugurar. A indicação de um nortista de Ohio, estado considerado como um dos mais favoráveis a abolição, foi recebida com desconfiança, mas as recomendações enfáticas de militares ilustres quebraram a resistência. As opiniões conservadoras de Sherman acabaram por agradar muito seus anfitriões da elite sulistas. O seu trabalho a frente da instituição também foi muito bem avaliado.
Sherman simpatizava com as posições sulistas a respeito da escravatura, mas não via a secessão como uma arma legítima para defende-la. Ao amigo Prof. David F. Boyd, escreveu em Dezembro de 1860 as seguintes palavras proféticasː