miniaturadaimagem|direita|Tubo de entrada de Lestrimelitta limao (abelha limão) em caixa racional A Caixa racional é um compartimento para acondicionamento de colmeias de abelhas silvestres sem ferrão utilizadas na meliponicultura, em especial as dos gêneros melipona e trigona. Possui a finalidade de facilidade de manuseio dos enxames de acordo com o propósito da criação. Ela é dividida, em geral, em dois compartimentos (ninho e melgueira) confeccionados em madeira ou concreto, imitando as características fisiológicas que as colmeias encontram na natureza. O local de instalação das caixas racionais para a criação de abelhas sem ferrão é chamado de meliponário. Existe também a chamada caixa rústica, diferente da Caixa racional, ela não possui características desenvolvidas com finalidades distintas além do abrigo para o enxame, como o cortiço (tronco seccionado retirado da natureza). Os primeiros modelos de Caixa racional foram desenvolvidos no Brasil em 1953.

Compartimentos miniaturadaimagem|direita|Jataí (Tetragonisca angustula) em caixa racional modelo INPA, com ninho e sobreninho

Ninho Para cada espécie de abelha são necessárias características distintas de tamanho e formato para que a rainha e suas operárias tenham condições de produzir novas abelhas adequadamente. Algumas espécies põem ovos em discos horizontais e outras em cachos semelhantes a uvas. O ninho é a parte que ficará os discos/cachos de cria e a entrada para a colônia. O ideial são caixas racionais com espaço para o ninho no tamanho ideal de cada espécie. Em caixas modulares que possuam divisão em ninho e sobreninho, se o criador não tiver interesse em fazer a multiplicação artificial da colônia, a parte do ninho tem o tamanho do ninho e sobreninho somados, em peça única.

Sobreninho Este compartimento não existe em todos os modelos de caixas racionais, apenas nos modelos modulares devidamente concebidos para isto, como por exemplo caixas modelo INPA. Desta forma, quando o meliponicultor possuir a finalidade de multiplicação de enxames de forma não-natural, a maneira mais indicada é através do sobreninho neste modelos. Dessa forma é possível dividir os discos de cria de maneira bem facilitada reduzindo os riscos de romper as células de cria ou causar danos à rainha. A opção de sobreninho é apropriada para as espécies dos gêneros trigona quando existe a presença de realeiras e para o gênero melipona pode ser feita a divisão sem esta preocupação se tem ou não realeira, uma vez que não a produzem, pois 25% (em média) das larvas novas se tornam novas princesas por tendência genética.

Melgueira Espaço destinado à alocação dos potes sobressalentes de mel e pólen. Nos modelos de caixa racional modulares, costuma ser um compartimento de fácil remoção e recolocação para retirada do mel.

Materiais construtivos miniaturadaimagem|direita|Colônia de Mandaçaia em Caixa racional confeccionada em madeira O material utilizado para a confecção da caixa racional é prioritariamente a madeira, tendo também experimentos em concreto, isopor, mistura de concreto com isopor e outros materiais que possuem características de isolamento térmico, acústico, de umidade e de luminosidade e a proteção contra predadores e intempéries. As madeiras utilizadas devem ser, de preferência, aquelas que não possuem cheiro forte, uma vez que madeiras muito odoríferas podem incomodar as abelhas. A madeira de pinus é a mais utilizada para construção de caixas, por ter cheiro suave (depois de seca), ser macia e barata, mas há quem utilize madeiras mais duras, que tornam o peso das caixas maior e, a depender do tipo de madeira, mais cara. Há no mercado empresas que fabricam caixas de modelo INPA feitas em plástico com a parte interna das paredes de isopor, oferecendo excelente conforto término. Elas são mais caras que as caixas feitas em madeira, mas, de acordo com a empresa, por ser feita de plástico e isopor são extremamente duráveis compensando sua compra, diferente das caixas de madeira que tem uma vida limitada pela deterioração natural da madeira pela umidade, por exemplo, ou pelo ataque de cupins.

Acessórios Alimentador Em épocas como o inverno em que a disponibilidade de alimentos para as abelhas é pouca, os criadores podem optar (ou serem obrigados) a alimentar suas abelhas com xarope por meio de um alimentador visando substituir o néctar que as abelhas procuram. Existem vários tipos de alimentadores, existem alimentadores comunitários onde as abelhas vão em um determinado ponto onde o meliponicultor disponibiliza o xarope a elas, há alimentador interno que atende demandas específicas de abelhas que estão em certas caixas. Há também quem coloque um copinho dentro da caixa colocando o xarope para as abelhas, abrindo a caixa para isto. O xarope feito para alimentação artificial é, normalmente, feito numa proporção igual de água e açúcar (há receitas usando mel de apis melifera). São colocados no liquidificador 500 gramas de açúcar e se completa com água até que atinja 1 litro, em seguida a mistura é batida por 3 minutos e está pronto para ser fornecido, podendo ser guardado em geladeira por alguns dias. Deve ser fornecido xarope suficiente para que elas suguem tudo, de preferência, em um dia, pois se o mesmo xarope ficar muito tempo a temperatura ambiente ele começará a fermentar e poderá trazer problemas de intoxicação para as abelhas. Uma outra fórmula de xarope é adicionar o suco de 1 limão à mesma fórmula e deixar ferver ao fogo por 30 minutos, isto auxiliará as abelhas a digerir melhor a glicose e ajudará a manter o xarope mais tempo sem problemas com intoxicação, tanto a temperatura ambiente como na geladeira. Algumas espécies são mais difíceis de aceitar o xarope, como é o caso da jataí, devendo ser feitas alterações na proporção do xarope até encontrar a mistura ideal que elas aceitem.

Armadilha para forídeo Forídeos são insetos da família das moscas e mosquitos, são muito rápidos, tanto no ar como andando em superfícies e são um dos maiores predadores e problemas que as abelhas têm. Toda uma colônia pode ser destruída por um ataque de forídeos, eles entram na colmeia, as fêmeas depositam milhares de ovos nos potes de mel ou pólen e as larvas desenvolvem-se muito rapidamente, comendo tudo. Quando terminam de comer o mel ou o pólen, começam a comer a cera da colônia e até mesmo as larvas de abelhas que estão em desenvolvimento dentro dos favos, matando a colmeia. Em colônias sadias os forídeos não costumam ser um problema, as abelhas vigiam e caçam essas ameaças, mas em colônias fracas ou recém transferidas de iscas para caixas podem ser um problema (nas transferências das abelhas da isca para a caixa elas ficam desorientadas no novo local demorando de 1 a 2 dias para se estabilizarem na nova morada - enquanto elas estão assim pode acontecer o ataque de forídeos). Por conta disto, há a possibilidade de se criar armadilhas para forídeos usando uma mistura de vinagre e um pouco de detergente. O vinagre tem um cheiro bem parecido com o do pólen e o detergente serve para que o inseto não consiga sair depois de cair no vinagre, morrendo afogado. As armadilhas podem ser externas colocadas próximas das colônias que se tem a pretensão de proteger ou dentro da colônia, mas há meliponicultores que não apoiam a ideia de colocar dentro da colônia uma vez que você está colocando uma armadilha dentro do local que se quer proteger atraindo ainda mais forídeos para dentro da colônia, optando pela técnica de assoprar os forídeos de dentro da caixa caso já estejam lá dentro.

Funil miniaturadaimagem|direita|Funil de entrada feito com a parte superior de uma garrafa de água mineral. Este funil fornece proteção às abelhas de formigas, lagartixas e outros predadores. Pode ser colada na entrada da caixa com cola atóxica Utensílio que serve para prevenir o ataque de predadores como a lagartixa, pererecas, formigas, dentre outros. É instalado na entrada da caixa e pode ser confeccionado com a parte superior de uma garrafa tipo pet.

Aquecedor Em algumas regiões com invernos mais frios, os meliponicultores podem optar por utilizar aquecedores ou deixar suas colônias em um local mais quente, aquecido ou protegido do frio de alguma maneira. A desvantagem é que no caso do uso de aquecedor há um gasto de energia e um custo financeiro para comprar um aquecedor ou em criar outras formas de aquecer as colônias. A melhor maneira de evitar o uso de aquecedor ou derivados é utilizar caixas com espessura de material suficiente para garantir conforto térmico ideal às abelhas, pelo menos o dobro de espessura para as regiões subtropicais comparadas às caixas para regiões tropicais. Deve-se ainda se atentar que há regiões muito frias nas zonas tropicais necessitando de caixas igualmente mais espessas, como as regiões serranas. É necessário lembrar que as abelhas no gênero meliponini habitam a faixa tropical e subtropical do planeta, elas não existem em faixas temperadas do planeta onde as temperaturas no decorrer do ano costumam ser muito mais baixas comparadas às temperaturas nas zonas tropicais. Já houve tentativas de se introduzir, artificialmente, tais abelhas em zonas temperadas. No experimento na França as abelhas não sobreviveram aos rigores do inverno europeu. Nos Estados Unidos da América, em alguns estados como Utah, Califórnia e Arizona, a maioria definhou rapidamente tendo algumas poucas que sobreviveram por até 8 anos.

Túnel ou labirinto Na natureza, a grande maioria das abelhas sem ferrão costumam fazer um túnel na parte interna de sua colônia antes de ter acesso, de fato, ao local, ainda que haja espécies que não façam pito de entrada. Este túnel tem como principal propósito auxiliar na defesa da colônia para ataques de predadores, o que significa que a invasão de forídeos, formigas ou abelhas saqueadoras se torna muito mais difícil com a presença de um túnel. Porém, uma vez que uma abelha sem ferrão é transferida para uma caixa racional nem sempre fazem este túnel, ficando bastante vulneráveis, pois quando não fazem o túnel a entrada da colônia fica ao lado dos discos de cria (na grande maioria das vezes) fazendo com o que os predadores causem prejuízos de maneira muito facilitada. Como solução a este problema, diversos meliponicultores optam por diferentes soluções, criando artificialmente tais túneis. Entre as soluções há aqueles que colocam uma mangueira, pelo lado de dentro a partir da entrada, de comprimento mínimo de 20 centímetros com espessura variável (a depender da espécie), mas, em média, as abelhas cujo porte varia de 6 a 10 milímetros de comprimento se utiliza de mangueira de 10 milímetros de diâmetro. Há aqueles que constroem um caminho interno pela própria madeira da caixa saindo em uma determinada posição. Há aqueles que fazem tal túnel por meio da colocação de uma madeira pregada ou colada pelo lado de dentro ou de fora da caixa (simulando um caminho na madeira antes de entrar, efetivamente, no buraco) e ainda há labirintos artificiais construídos em plástico vendidos por algumas empresas.

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