O Exército Português é o ramo terrestre das Forças Armadas Portuguesas, encarregado — em conjunto com os outros ramos — da defesa militar da Nação e do cumprimento dos compromissos externos no quadro da NATO, da União Europeia e das Nações Unidas.
Atualidade (2023–2025) Chefia e efetivos. Desde 1 de março de 2023 o Chefe do Estado-Maior do Exército é o General Eduardo Mendes Ferrão. Em 2025 o Exército anunciou um ciclo de crescimento de efetivos após várias anos de decréscimo, com prioridade à modernização e à prontidão operacional.
Lei de Programação Militar 2023–2034. Aprovada a Lei Orgânica n.º 1/2023 (LPM), que programa o investimento em armamento e equipamento para modernização do Sistema de Forças, com impacto direto na componente terrestre.
Missões internacionais em curso. RCA (MINUSCA). Continuação do empenhamento da Força de Reação Rápida (QRF) portuguesa, com rotações sucessivas (16.ª e 17.ª FND em 2025). NATO – Roménia. Desde 2022, destacamentos do Exército integram as atividades de vigilância reforçada (enhanced Vigilance Activities) no flanco leste, com companhias mecanizadas e elementos de reconhecimento.
Exercícios de grande envergadura. ORION 25. Maior exercício terrestre do Exército na última década, para integrar e certificar o European Union Battlegroup 25-2/26-1 (força multinacional com Portugal, Espanha, França, Itália e Roménia), decorrendo no Campo Militar de Santa Margarida e zonas adjacentes, com milhares de militares e centenas de viaturas. TAURUS 25. Exercício da Brigada Mecanizada que marcou o início da certificação nacional para o compromisso EUBG 25-2/26-1.
Ver também Forças Armadas Portuguesas Brigada de Reação Rápida (Portugal) Brigada Mecanizada Campo Militar de Santa Margarida
Referências
Missões no estrangeiro As Forças Nacionais Destacadas ou FND, são a designação dada aos militares em missões internacionais, grande parte delas no âmbito da NATO, Nações Unidas e União Europeia. Atualmente o Exército Português mantém militares nas seguintes missões:
Combined Joint Task Force – Operation Inherent Resolve no Iraque Operation Gallant Phoenix na Jordânia Takuba Task Force no Mali Insurreição islâmica em Cabo Delgado Moçambique KFOR no Kosovo MINUSCA na República Centro-Africana MINUSMA no Mali UN Verification Mission na Colômbia EUTM-Somalia na Somália EUTM Mali no Mali EUTM RCA na República Centro-Africana EUTM Mozambique em Moçambique
O Exército Português também tem missões no âmbito da Cooperação no Domínio da Defesa (CDD) nos Países de Língua Portuguesa, que são missões que Portugal mantém de maneira permanente de modo a treinar e aconselhar as Forças Armadas desses países, atualmente Portugal coopera com os seguintes países:
CDD Angola CDD Cabo Verde CDD Guiné-Bissau CDD Moçambique CDD São Tomé e Príncipe CDD Timor-Leste
História miniaturadaimagem|Vitória Portuguesa na Batalha de Aljubarrota.
Antes da criação de um exército permanente A vitória das forças portuguesas na Batalha de São Mamede, a 24 de Junho de 1128, é considerada o acontecimento seminal para a fundação de um Portugal independente, levando Afonso Henriques a autodenominar-se Príncipe.
As forças portuguesas estiveram envolvidas na Reconquista, avançando sucessivamente para sul reconquistando para a Cristandade territórios ocupados pelos mouros ao mesmo tempo que expandam o território de Portugal. A 25 de julho de 1139, as tropas portuguesas obtêm uma espectacular vitória na Batalha de Ourique, após a qual Afonso Henriques proclamou-se "rei".
Mediante o Tratado de Zamora, assinado em 5 de outubro de 1143, Portugal foi oficialmente reconhecido como um reino independente.
Em 1147, dá-se um importante passo na Reconquista, com a conquista da cidade de Lisboa aos mouros. A parte portuguesa da Reconquista terminaria finalmente em 1249, com a reconquista completa do Algarve.
No século XIV, as tropas portuguesas derrotaram os invasores castelhanos, obtendo uma vitória definitiva na Batalha de Aljubarrota, em 1385. Com a independência garantida, Portugal iniciou então a sua expansão ultramarina mundial, começando pela conquista de Ceuta no Norte de África em 1415. miniaturadaimagem|Tropas portuguesas na Conquista de Arzila em MarrocosCom o início da expansão marítima de Portugal no século XV, as forças terrestres do país concentraram-se em campanhas ultramarinas destinadas a conquistar novos territórios na África, Ásia e Américas, que formariam o Império Português. Entre essas muitas campanhas estavam as guerras pelo controlo de Marrocos, as guerras com o Império Otomano pelo controlo da Índia e do Oceano Índico, a guerra com o Império Safávida pelo controlo do Golfo Pérsico e a participação na Guerra Abissínio-Adal em apoio ao Império Etíope.
O papel das forças terrestres foi mais importante nas campanhas de Marrocos, travadas principalmente em terra. Grande parte das outras campanhas ultramarinas ocorreram no mar e por isso foram lideradas pela Marinha Portuguesa, mas as forças terrestres tiveram também um papel importante como forças de embarque nas batalhas navais e como forças de desembarque em operações anfíbias.
Na Europa, as forças terrestres portuguesas envolveram-se na Guerra de Sucessão Castelhana.RODRIGUES, Manuel António Ribeiro, "O Exército e a Guarda da Câmara de D. João II", III Simpósio de História Marítima, Lisboa: Academia de Marinha, 2000
A criação de um exército permanente D. Sebastião lançou as bases de um exército permanente, com a criação das Tropas de Ordenanças em 1570 e a adopção do terço como principal formação de infantaria, com base no tercio espanhol. As Ordenanças eram uma organização territorial do tipo milícia que visava dar um enquadramento militar à população portuguesa e criar um sistema nacional de mobilização e treino militar.
Os terços estavam organizados em companhias de 250 homens, cada um chefiado por um capitão, auxiliado por um alferes e um sargento. As várias companhias de Ordenanças de uma cidade, vila ou município eram agrupadas em capitanias, cada uma chefiada por um capitão-mor, coadjuvado por um sargento-mor. O sistema de Ordenanças cobriria praticamente toda a mão-de-obra disponível em Portugal e tornar-se-ia parte da base da organização militar portuguesa até ao século XIX. A sua eficiência logo seria evidenciada por sua importante contribuição para a formação do exército expedicionário que combateria a campanha marroquina de 1578.
Para a campanha marroquina de 1578, quatro terços foram arregimentados pelo sistema de Ordenanças (de Lisboa, Extremadura, Alentejo e Algarve), outro foi preenchido por jovens nobres voluntários escolhidos à sorte e outros três preenchidos por mercenários estrangeiros. Cada um desses terços era composto por 12 companhias e cerca de 3 mil homens (lanceiros, arcabuzeiros e mosqueteiros), sob o comando de um coronel. No que diz respeito à cavalaria portuguesa da época, incluía os acobertados (cavalaria blindada pesada) e os ginetes (cavalaria ligeira).
O Exército Português tem as suas origens remotas no Terço Velho da Armada, primeira unidade permanente em Portugal, criada por D. António de Ataíde em 1618. Destinavam-se a combater a pirataria magrebina e norte-europeia de forma semelhante a fuzileiros. Serviria mais tarde como guarda-real também.
Restauração da Independência miniaturadaimagem|Azulejo com referência à Batalha de Montes Claros.Com Portugal sujeito aos reis espanhóis, o início do século XVII foi um período de abandono dos militares portugueses. As forças portuguesas foram mobilizadas para lutar por Espanha nas suas campanhas em vários teatros. Em contrapartida, quase nenhum apoio militar foi recebido da Espanha para a defesa do Império Português, que sofreu sucessivos ataques dos inimigos de Espanha, em particular dos ingleses e holandeses. Como resultado, Portugal sofreu uma série de retrocessos militares, perdendo vários territórios na África, na Ásia e na América.
A 1 de dezembro de 1640, os portugueses revoltaram-se e restauraram a sua plena independência, sob a liderança do duque de Bragança, que foi coroado como rei João IV de Portugal. Começou então a Guerra da Restauração Portuguesa, com o Exército Português derrotando o exército espanhol numa série de campanhas militares, até alcançar a vitória final em 1668. Ao mesmo tempo, os portugueses derrotavam os holandeses numa série de campanhas ultramarinas (Guerra Luso- Holandesa), recuperando a maior parte seus territórios na África e na América do Sul.
No momento da restauração da independência portuguesa, as forças terrestres do país foram reduzidas a cerca de 2000 homens mal equipados. As Ordenanças foram esquecidas e praticamente desapareceram. Uma nova organização militar teve então de ser construída. A essa altura, as forças terrestres passaram a ser chamadas de Exército. A estrutura de alto comando da nova organização militar tinha um Conselho de Guerra como órgão militar supremo do país. O Monarca delegou a maior parte de seus papéis militares neste conselho, incluindo a responsabilidade pela organização militar, comissão de oficiais, planejamento de operações militares, construção de fortificações e justiça militar. A função de Capitão-General das Armas do Reino foi criada para servir como comandante-em-chefe do Exército, ao mesmo tempo em que presidia o Conselho de Guerra. Sob o capitão-mor, existia uma organização territorial militar que incluía um oficial general governador de armas para cada uma das seis províncias (Entre-Douro e Minho, Trás-os-Montes, Beira, Estremadura, Alentejo e Algarve) e sob eles , um governador militar para cada uma das 25 comarcas.
Este sistema de forças — aprovado pelas Cortes portuguesas em 1642 — tinha uma das organizações mais avançadas da época, incluindo três linhas ou classes de tropas (Exército, Tropas Auxiliares e Tropas de Ordenanças). A organização das forças estabelecidas nessa época permaneceria quase inalterada até a dissolução do Exército em 1837, após o fim da Guerra Civil.
Século XVIII Em 1707, seguindo o modelo dos demais países europeus, os antigos Terços do exército português são transformados em regimentos. Já as Tropas Auxiliares se mantiveram organizadas em Terços até 1796, quando foram transformados em regimentos de milicias.
No século XVIII, os desenvolvimentos das Relações Internacionais na Europa envolveram Portugal em mais outros conflitos com o país vizinhoː a Guerra da Sucessão Espanhola ( que Portugal participa entre 1703 e 1714), a Guerra Luso-Espanhola de 1736, a "Guerra Fantástica" (Guerra Hispano-Portuguesa de 1762 à 1763 no Brasil) e a Guerra Hispano-Portuguesa de 1776 à 1777. Guerra peninsular