Este dia de janeiroÉ de grandes merecimentos,Por ser o dia primeiroEm que Deus passou tormentos. recolha de Teófilo Braga, in Cantos Populares do Arquipélago Açoriano (1869)

"Hoje é dia de janeiro"Ou, noutras variantes, "Esta noite é de janeiras", "Este dia de janeiro", "O primeiro de janeiro". é o incipit de uma conhecida quadra tradicional portuguesa. A sua temática é a circuncisão de Jesus, celebrada tradicionalmente no 1.º de janeiro. Por essa razão faz parte de várias cantigas de janeiras.

Interpretação thumb|210px|Circuncisão de Jesus (1651) por José de Avelar Rebelo.

O tema dos versos é a circuncisão de Jesus. De acordo com a tradição cristã este evento é de especial relevo, uma vez que é considerado a primeira das ocasiões em que Jesus Cristo derramou o seu sangue no processo de Redenção da Humanidade. Este simbolismo, surge já no século XIV na célebre Lenda Dourada de Jacopo de Varazze:

O sermão Xavier Dormindo e Xavier Acordado: Dormindo do padre António Vieira publicado em 1694 usa a mesma terminologia que os versos:

Versões

A quadra foi recolhida inserida em diversas cantigas, principalmente janeiras, nas regiões da Beira Alta, Beira Baixa, Baixo Alentejo e Algarve e no arquipélago dos Açores. A mais conhecida, "Hoje é dia de janeiro" é proveniente da Beira Alta e foi harmonizada pelo compositor português Fernando Lopes-Graça para a sua Segunda Cantata do Natal terminada em 1961.

thumb|210px|Grupo de janeireiros em Proença-a-Velha, Beira Baixa. Algarve(1917) Mértola(1970) Beira Alta Esta noite é de janeiras É de grande mer'cimento, Por ser a noite primeira Em que Deus passou tormento. Esta noite é de janeiras E dum grande mer'cimento, Por ser a noite primeira Em que Deus passou tormento. Hoje é dia de janeiro E de grande merecimento, Por ser o dia primeiro Que Jesus passou tormento. Tormentos que Deus passou Foi porque os quis passar, Suas carnes cortou, Suas carnes deixou cortar. Os tormentos que passou Eu lhes digo a verdade, O seu sangue derramou P'ra salvar a Cristandade. Lá no céu está uma escada Feita mesmo à maravilha, Os senhores desta casa Digam todos viva, viva! O seu sangue derramou, Seu sangue deixou derramar; Essas três pingas de sangue Deus as queira aproveitar. Despedidas queremos dar Como Cristo em Belém, Com as lágrimas nos olhos Se despede quem quer bem! Da primeira se faz o pão, Da outra o vinho cristal, A outra que sobeja Espalhai p'la Cristandade.

Ver também Circuncisão de Jesus Festa da Circuncisão Janeiras Segunda Cantata do Natal Lista de cantigas de janeiras

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