Zenóbia (; em palmireno: 40px, Btzby; ; ; ca. - após 274) foi Imperatriz do Império de Palmira. Muitas lendas cercam sua ancestralidade; provavelmente não era uma comum e se casou com o governante da cidade, Odenato . Seu marido tornou-se rei em 260, elevando Palmira ao poder supremo no Oriente Próximo ao derrotar o Império Sassânida e restabelecer a fronteira oriental do Império Romano. Após o assassinato de Odenato em 267, Zenóbia tornou-se regente de seu filho Vabalato e manteve, de facto, o poder por todo seu reinado.
Em 270, lançou uma invasão que trouxe boa parte o oriente romano sob seu controle e culminou na anexação do Egito. Em meados de 271, seu reino se estendia de Ancira, na Anatólia Central, ao sul do Egito, mas permaneceu nominalmente subordinada a Roma. Porém, em reação a campanha do imperador Aureliano em 272, Zenóbia declarou seu filho imperador e assumiu o título de imperatriz (declarando a secessão de Palmira em relação a Roma). Os romanos vencem após pesada luta; a rainha foi sitiada em sua capital e capturada por Aureliano, que exilou-a para Roma onde ficou o resto de sua vida. Após sua derrota, os palmirenos tentam restabelecer a autonomia de Palmira nomeando seu filho Sétimo Antíoco num golpe fracassado.
Zenóbia era culta e promoveu um ambiente intelectual em sua corte, aberto a acadêmicos e filósofos. Era tolerante com seus súditos e protegia as minorias religiosas. A rainha manteve uma administração estável, governando um império multiétnico e multicultural. Ela morreu depois de 274 e muitos contos foram registrados sobre seu destino. Sua ascensão e queda inspiraram historiadores, artistas e romancistas, e ela é uma heroína nacional na Síria.
Nome e aparência
Zenóbia nasceu ca. 240/241. Portava o gentilício (sobrenome) Sétima e seu nome palmireno era Bate-Zabai (Bat-Zabbai, escrito Btzby no alfabeto palmireno; era aramaico para "Filha de Zabai"). Em grego — a segunda língua e língua diplomática de Palmira, usada em muitas inscrições palmirenas — usou Zenóbia ("aquela cuja vida deriva de Zeus"). O historiador do Atabari, num relato sobretudo ficcional, escreveu que o nome da rainha era Naila Alzaba (Na'ila al-Zabba). Em fontes maniqueístas, sobretudo textos em sogdiano do oásis de Turpã reunidos na série Berliner Turfantexte (1971), chamava-se "Tadi".
Em Palmira, nomes como Zabeida, Zabdila, Zabai ou Zabda eram comumente transformados em "Zenóbio" (masculino) e "Zenóbia" (feminino) quando escritos em grego. O historiador Victor Duruy acreditou que a rainha usou o nome grego como uma tradução de seu nome nativo em deferência a seus súditos gregos. Nenhuma estátua contemporânea de Zenóbia foi encontrada em Palmira ou outras regiões, apenas inscrições em bases de estátuas; muitas das representações conhecidas são retratos idealizados encontrados em moedas. Esculturas palmirenas eram normalmente impessoais, como as gregas e romanas: uma estátua sua daria uma noção de seu estilo em vestimentas e jóias, mas não revelaria sua verdadeira aparência. O estudioso britânico William Wright visitou Palmira próximo ao fim do na busca vã de uma escultura da rainha.
Além da evidência arqueológica, sua vida foi registrada em diferentes fontes, mas muitas são imprecisas ou fabricadas; a História Augusta, coletânea romana tardia de biografias, é a fonte mais notável (embora não fiável) do período. O autor (ou autores) da História Augusta inventaram muitos eventos e cartas atribuídas a ela na ausência de fontes coetâneas. Não obstante, alguns relatos da História Augusta são corroborados por outras fontes e são mais credíveis. O cronista bizantino João Zonaras () é visto como importante fonte à vida dela.
Origens, família a primeiros anos
A sociedade palmirena era uma amálgama de tribos semíticas (sobretudos arameus e árabes) e Zenóbia não pode ser identificada com nenhum grupo; como palmirena, teria sangue aramaico-árabe. A informação sobre sua ancestralidade e conexões familiares imediatas é escassa e contraditória. Nada se sabe sobre sua mãe, e a identidade de seu pai é debatida. Fontes maniqueístas citam uma "Nafixa", irmã da "rainha de Palmira", mas essas fontes são confusas e Nafixa pode referir-se a Zenóbia: é questionável se sequer teve uma irmã. A História Augusta contém detalhes de seus primeiros anos, mas sua credibilidade é discutida. Segundo a fonte, o passatempo da rainha quando criança era caçar. Aparentemente não sendo plebeia, recebeu educação apropriada para uma nobre. Segundo a História Augusta, além da língua aramaico-palmirena materna, era fluente em egípcio e grego e falava latim. Com 14 anos (ca. 255), tornou-se a segunda esposa do senhor de Palmira Odenato .
thumb|Inscrição honrando Júlio Aurélio Zenóbio, que se pensa ser pai de Zenóbia Evidência epigráfica contemporânea
Com base na evidência arqueológica, vários homens foram sugeridos pelos historiadores como seu pai: Júlio Aurélio Zenóbio aparece numa inscrição palmirena como estratego de Palmira em 231–232; com base na similaridade dos nomes, foi sugerido como seu pai pelo numismata Alfred von Sallet e outros. Outro argumento em favor da identificação de Zenóbio como seu pai é que sua estátua estava oposta aquela da rainha na Grande Colunata. Todavia, o único gentilício (nome de sua gente) que aparece nas inscrições de Zenóbia é "Sétima" (não "Júlia Aurélia", que ela teria utilizado se o gentilício de seu pai fosse Aurélio), e não se pode provar que ela mudou seu gentilício para Sétima após seu casamento.
Com base em seu nome palmireno, Bate-Zabai, seu pai podia se chamar Zabai; alternativamente, Zabai pode ter sido o nome de um ancestral mais distante. O historiador Trevor Bryce sugere que estava relacionada com Sétimo Zabai, o líder da guarnição de Palmira, que podia ser seu pai. Uma das inscrições dela registra-a como "Sétima Bate-Zabai, filha de Antíoco". A identidade de Antíoco não é conhecida com certeza: sua ancestralidade não é registrada em inscrições locais e o nome não era comum na cidade. Isso, combinado com o significado de seu nome palmireno, levou estudiosos como Harald Ingholt a especular que Antíoco podia ter sido um ancestral distante: o rei selêucida ou , cuja esposa era a ptolemaica Cleópatra Teia.
Na visão de Richard Stoneman, não teria criado uma ancestralidade obscura para conectá-la com os antigos reis macedônios: se uma ancestralidade fabricada era necessária, uma conexão mais direta teria sido inventada. Para Stoneman, "tinha razões para crer que [sua ancestralidade selêucida] era verdadeira. A historiadora Patricia Southern acredita, notando que Antíoco foi mencionado sem título real ou sugestão de grande linhagem, que era ancestral direto ou parente de um rei selêucida que viveu três séculos antes.
Fontes antigas
Na História Augusta, Zenóbia aparece como descendente de Cleópatra e reclama descendência dos Ptolomeus. Segundo a Suda, uma enciclopédia bizantina do , após a conquista palmirena do Egito, o sofista Calínico de Petra escreveu uma história de Alexandria em 10 volumes dedicada a Cleópatra; segundo estudiosos modernos, ao usar o nome Cleópatra, Calínico se referia a Zenóbia. Além da lenda, não há evidência na cunhagem ou papiros egípcios de uma confluência contemporânea de Zenóbia com Cleópatra; pode ter sido inventada por inimigos de Zenóbia para desacreditá-la. A alegada reivindicação por Zenóbia de uma conexão com Cleópatra parece ter sido motivada politicamente, pois teria lhe dado uma conexão com o Egito e fez dela uma legítima sucessora do trono dos Ptolomeus. Uma relação entre Zenóbia e os Ptolomeus é improvável, e tentativas de fontes clássicas de rastrear a ascendência da rainha aos Ptolomeus através dos selêucidas são apócrifos.
Tradições árabes e Alzaba
Embora alguns historiadores árabes associaram Zenóbia à rainha de Sabá, são relatos apócrifos. Tradições árabes medievais apontaram uma rainha palmirena de nome Alzaba, e seu relato mais romântico vem de Atabari. Segundo Atabari, era amalequita, filha de Anre ibne Zaribe, um xeique amalequita morto pelos tanuquitas. Atabari identifica uma irmã de Alzaba como "Zabiba". Jadima ibne Maleque, o rei tanuquita que matou seu pai, foi morto por Alzaba. Segundo Atabari, Alzaba tinha uma fortaleza junto do Eufrates e governou Palmira. O relato de Atabari não cita romanos, Odenato, Vabalato ou os sassânidas; focando nas tribos e suas relações, está imerso em lendas. Embora o relato está certamente baseado na história de Zenóbia, provavelmente conflui com a história de uma rainha (ou rainhas) árabe semi-lendário. A fortaleza de Alzaba era provavelmente , que foi restaurada pela histórica rainha palmirena e nomeada Zenóbia.
Rainha
Consorte
thumb|Busto de Odenato dos anos 250. Gliptoteca Ny Carlsberg
Nos primeiros séculos depois de Cristo, Palmira foi uma cidade subordinada ao Império Romano e parte da província da Síria Fenícia. Em 260, o imperador Valeriano marchou contra o xá , que invadiu as regiões orientais do império; Valeriano foi derrotada e capturada perto de Edessa. Odenato, formalmente leal a Roma e o filho de Valeriano e imperador Galieno , foi declarado rei de Palmira. Lançando campanhas frutíferas contra a Pérsia, foi coroado rei de reis do Oriente em 263. Odenato corou seu filho mais velho, Herodiano, como cogovernante. Além dos títulos reais, Odenato recebeu muitos títulos romanos, sobretudo corretor do Oriente todo (corrector totius orientis) e governador dos territórios romanos do mar Negro à Palestina. Em 267, quando Zenóbia estava no fim dos seus 20 ou começo dos 30, Odenato e Herodiano foram mortos enquanto retornavam de uma campanha.
A primeira inscrição citando-a como rainha é datada de dois ou três anos após a morte do marido, mas quando exatamente assumiu o título de "rainha de Palmira" é incerto.Contudo, foi provavelmente designada como rainha quando seu marido se tornou rei. Como rainha-consorte, permaneceu em segundo plano e não foi citada no registro histórico. Segundo relatos posteriores, incluindo um de Giovanni Boccaccio, acompanhou seu marido em suas campanhas. Se os relatos dela acompanhando seu marido são verdadeiros, segundo Southern, deve ter aumentado a moral dos soldados e ganhou influência política, que precisou em sua carreira posterior.
Possível papel no assassinato de Odenato
Segundo a História Augusta, Odenato foi assassinado por um primo chamado Meônio. Na obra, o filho de Odenato de seu primeiro casamento foi chamado Herodes e foi coroado cogovernante por seu pai. Ela alega que Zenóbia conspirou com Meônio por certo tempo, pois não aceitou que seu afilhado fosse herdeiro de seu pai na frente de seus próprios filhos. A História Augusta não sugere que Zenóbia esteve envolvida nos eventos que levaram ao assassinato de seu marido, e o crime é atribuído à degeneração moral e ciúmes de Meônio. O relato, segundo o historiador Alaric Watson, pode ser entendido como ficcional. Embora alguns estudiosos modernos sugerem que Zenóbia estava envolvida no assassinato devido a ambição política e oposição à política pró-romana de seu marido, ela continuou as políticas de Odenato durante seus primeiros anos no trono.
Regente
thumb|esquerda|Antoniniano de 272 com efígie de Vabalato thumb|esquerda|Regiões romana sob Odenato (amarelo) e Reino de Palmira (verde)