Jeffrey Hunter (nascido Henry Herman "Hank" McKinnies Jr.; Nova Orleans, 25 de novembro de 1926 — Los Angeles, 27 de maio de 1969) foi um ator e produtor de cinema e de televisão estadunidense, conhecido por interpretar Jesus Cristo no épico Rei dos Reis e Martin Pawley em Rastros de Ódio e, na televisão, interpretou o capitão Christopher Pike no episódio piloto original de Star Trek.

Primeiros anos Jeffrey Hunter, nascido Henry Herman "Hank" McKinnies Jr, nasceu em 25 de novembro de 1926, em Nova Orleans, Louisiana, filho de Edith Lois (Burgess) e Henry Herman McKinnies. Foi criado em Milwaukee, Wisconsin.

Na escola, Hank dividiu suas atividades entre os esportes, rádio e teatro escolar, trabalhando como locutor e ator. Entre 1942 e 1945 viajou fazendo teatro amador e em 1945 se alistou na Marinha dos Estados Unidos. Como havia sido ferido em um jogo de futebol no colégio, não lutou em batalhas, trabalhando como técnico de rádio na divisão de comunicações durante a Segunda Guerra Mundial.

Em 1946, foi para a Universidade Northwestern fazer especialização em rádio, psicologia e inglês. Retornando ao teatro, atuou em produções universitárias, ao lado da atriz Ruth Gordon. Seu primeiro papel no cinema foi numa produção independente de David Bradley, um ex-aluno da universidade, no filme Julius Caesar (1950), no papel de plebeu (não creditado). O filme também tinha o iniciante Charlton Heston no papel de Marco Antônio.

Após terminar a faculdade, Hank mudou-se para Los Angeles para fazer mestrado em rádio. Em 1950, quando atuava em uma peça universitária, foi visto por um olheiro da 20th Century Fox, que o convidou para um teste. Darryl F. Zanuck ficou impressionado com a beleza do rapaz, e lhe ofereceu um contrato de longo prazo, e mudou seu nome, batizando-o Jeffrey Hunter.

A Fox o testou no filme Minha Cara Metade (Call Me Mister, 1951). Logo começaram a chegar cartas sobre o ator. Hunter ganhou um papel maior em Horas Intermináveis (Fourteen Hours, 1951), fazendo par romântico com Debra Paget.

Seu primeiro grande papel foi em Homens Rãs (The Frogmen, 1951), onde contracenou com outro jovem que a Fox testava, o ator Robert Wagner. Para promover ambos, o estúdio inventou uma rivalidade entre os dois, que eram amigos na vida real. Além disto, faziam de tudo para esconder seu casamento com a atriz Barbara Rush, que conhecera nos testes da Fox. Em 1954, Jeffrey e sua então esposa Bárbara estiveram no Brasil, para o Festival Internacional de Cinema a convite de Jorge Guinle; trouxeram também o filho e, apesar de ser uma estrela ainda pouco conhecida, fez bastante sucesso junto à imprensa local, que elogiava seu "talento e versalidade" e a "aparência suave e doce".

A fama de galã aumentou quando a atriz Marilyn Monroe afirmou que, após vê-lo em A Família do Gênio (Belles on Their Toes, 1952), o considerava um dos atores mais bonitos do cinema. Alguns pesquisadores afirmam que tal declaração foi montada para promover Hunter, o que pode ser verdade, já que pouco tempo depois desta declaração estrelou seu primeiro filme, Um Grito no Pântano (Lure of The Wildernes, 1952), com Jean Peters. Mas a falta de retorno nas bilheterias fez a Fox deixá-lo, bem como outros atores iniciantes, para segundo plano. Mesmo A Princesa do Nilo (Princess of the Nile, 1954), onde repetiu par romântico com Debra Paget também não foi bem sucedido.

Após protagonizar uma série de filmes de baixa audiência, Hunter chegou a desabafar, dizendo que fazia inúmeras fotos publicitárias, mas não era chamado para mais nenhum filme. Havia sido cotado para ser o protagonista da super produção O Príncipe Valente (Prince Valiant, 1954), acabou perdendo o papel para o "rival" Robert Wagner. A Fox o emprestou, junto com Debra Paget, para a Allied Artists Pictures, para atuarem em Sete Homens Enfurecidos (Seven Angry Men, 1955).

De volta, a Fox o escalou para fazer o papel de índio em A Lei do Bravo (White Feather, 1955), onde Robert Wagner, que interpretava o cowboy. Após ver sua carreira começar a declinar o ator montou uma produtora, e começou a aceitar convites para aparecer na televisão. A Fox o emprestou novamente à Allied Artists Pictures para atuar em Amor, Prelúdio de Morte (A Kiss Before Dying, 1956), onde disputava o amor de Joanne Woodward com Robert Wagner.

Rastros de Ódio esquerda|miniaturadaimagem|300x300px|Jeffrey Hunter como Martin Pawley em The Searchers A carreira do ator estava em baixa, mas foi revitalizada quando o diretor John Ford o escalou para viver Martin Pawley, o rapaz mestiço de índio que ajuda Ethan, personagem de John Wayne, a resgatar a sobrinha, vivida por Natalie Wood em Rastros de Ódio (The Searchers, 1956). Na época, Natalie ainda estudava e Hunter e Wayne se revezavam para buscá-la no colégio. O filme foi rodado nas locações no Monument Valley, no Utah, região preferida de Ford para seus westerns, e se tornou um clássico dos filmes de faroeste. A atuação de Hunter recebeu grandes elogios da crítica. Um jornal disse "Sabemos que Jeffrey Hunter chegou lá quando vimos que ele ganhou a mesma quantidade de munição falsa dada a John Wayne no filme".

Após Rastros de Ódio, foi emprestado para a Disney, onde fez Têmpera de Bravos (The Great Locomotive Chase, 1956), filme de ação da Guerra Civil onde fez o papel de antagonista de Fess Parker. Ironicamente, de acordo com a entrevista de Parker ao Archive of American Television, John Ford queria lançá-lo inicialmente no papel de Martin Pawler em The Searchers, mas a Disney se recusou a emprestá-lo; Parker se referiu à perda desse papel como seu maior revés na carreira. O sucesso de The Searchers e Great Locomotive Chase reviveu o interesse da Fox nele e ofereceu para renovar seu contrato, permitindo que ele fizesse um filme por ano em outro estúdio. Hunter foi coprotagonista com Robert Wagner como os irmãos James (Hunter interpretou Frank James e Wagner, Jesse James) em Quem Foi Jesse James (The True Story of Jesse James, 1957), dirigido por Nicholas Ray.

Hunter voltou a protagonizar filmes de baixo orçamento que foram bem sucedidos. Enviado para a Inglaterra, protagonizou Conte Cinco e Morra (Count Five and Die, 1957). Hunter passou mal ao retornar da Europa, sendo diagnosticado com hepatite e permaneceu sem atuar por 14 meses. Foi dirigido por John Ford em O Último Hurra (The Last Hurrah, 1958), um drama político onde Jeffrey desempenha um jornalista que ajuda na reeleição do tio, interpretado por spencer Tracy, à prefeitura de sua cidade. Seu último filme sob contrato na Fox seria Três Encontros com o Destino (In Love and War, 1958), novamente com Robert Wagner.

John Ford o escalou para o papel principal em Audazes e Malditos (Sergeant Rutledge, 1960), um western antirracista estrelado por Woody Strode. Hunter fez um oficial da cavalaria americana que defende seu subordinado negro de um crime que não cometeu. Ainda em 1960, atuou em Do Inferno para a Eternidade (Hell to Eternity), de Phil Karlson, no papel principal do herói americano da Segunda Guerra Mundial Guy Gabaldon, órfão que fora criado por uma família de japoneses e que é convocado e obrigado a lutar contra o povo de seus pais adotivos quando os Estados Unidos entram na guerra após o ataque a Pearl Harbor, manifestando nele uma crise de consciência. Seu desempenho foi elogiado pela crítica e pelo próprio Gabaldon, que batizou um de seus filhos de Jeffrey Hunter Gabaldon.

O Rei dos Reis direita|miniaturadaimagem|320x320px|Jeffrey Hunter como Jesus em O Rei dos Reis (1961) John Ford recomendou Jeffrey Hunter para o diretor Nicholas Ray (com quem já havia trabalhado) para que estrelasse o épico O Rei dos Reis (King of Kings, 1961), sobre a vida de Jesus Cristo. Sua atuação como Cristo até hoje é considerada a mais destacada entre os demais atores que interpretaram o personagem no cinema.

Parte da crítica ridicularizou o trabalho de Hunter com os dizeres "eu fui um Cristo adolescente", comparando-o ao ator James Dean em Juventude Transviada. Ironicamente Hunter tinha 33 anos, a idade de Cristo, ao filmar O Rei dos Reis. O filme foi um grande sucesso na bilheteria e continua sendo um dos seus papéis mais lembrados.

Leonard Maltin, em sua Movie Encyclopedia, falou dele como Jesus: "Ele pertence à pequena fraternidade de atores que interpretaram Jesus Cristo na tela e, embora possa ou não ser o mais convincente Filho de Deus dos filmes, ele certamente era o mais bonito".

Hunter declarou a uma revista em março de 1962, um ano depois do lançamento do filme, a respeito de seu papel na saga bíblica de Cristo: "Não compreendi totalmente minha responsabilidade até achar-me nas vestes de Jesus, subindo a montanha para a cena do sermão das bem-aventuranças. Para minha surpresa, muitos habitantes do vilarejo caíram de joelhos enquanto eu passava. Eles sabiam muito bem que eu era um mero ator, porém sentiram que, de alguma forma, eu era uma apresentacão viva de uma figura que lhes era sagrada desde a infância. Eu não sabia o que fazer... foi aí que me conscientizei do que aceitara representar. Senti minha responsabilidade crescer à medida que o filme prosseguia, e sinto-a ainda mesmo que o filme tenha terminado. Não creio, entretanto, que sou maior conhecedor de Cristo do que qualquer outra pessoa. Minha educacão religiosa foi como a de qualquer criança americana. Conhecia a Bíblia, é claro, a história de Jesus era sagrada, mas nunca havia pensado muito sobre ele como Pessoa, de carne e sangue, como um Homem que viveu neste mundo como nós vivemos, entre pessoas e em um tempo não diferente dos atuais. Ao estudar o script, e enquanto prosseguia minha pesquisa, comecei a compreender pela primeira vez o significado de Sua vida e o que os Seus ensinamentos trouxeram ao mundo". O papel de Jesus Cristo impulsionou Hunter definitivamente para a fama mundial.

Após um tempo afastado dos filmes, escolheu papéis completamente diferentes para se desvencilhar do seu papel mais famoso em O Rei dos Reis. Na Universal, ele estrelou como outra figura da vida real da Segunda Guerra Mundial, No Man Is an Island (1962), a história de George Ray Tweed. Para o seu antigo chefe de Fox, Darryl F. Zanuck, ele se juntou a um elenco de estrelas no épico da Segunda Guerra O Mais Longo dos Dias (The Longest Day, 1962), último filme que fez com Robert Wagner.

Temple Houston esquerda|miniaturadaimagem|Jeffrey Hunter como Temple Houston (1963) Tendo participado de séries de televisão desde meados da década de 1950, Hunter assinou um contrato de dois anos com o chefe de estúdio da Warner Bros, Jack Warner, para atuar como o advogado do Texas Temple Lea Houston, o filho mais novo de Sam Houston , na série da NBC Temple Houston (1963-1964), série que a produtora de Hunter co-produziu. Para Hunter seu personagem possuía muitos lados em Temple Houston, sendo um orador extravagante, duro, gentil e excelente atirador: "Houston também foi descrito da seguinte forma: ele iria montar, atirar, lutar, beber e amar com o melhor deles e talvez melhor do que a maioria. A modéstia que mostra na vida cotidiana desaparecerá logo que entre no tribunal, tornando-se o advogado famoso em todo o sudoeste americano". Temple Houston, entretanto, teve baixo retorno de audiência do público. Ao assumir o papel de Temple Houston, Hunter foi obrigado por um conflito de agendamento a se retirar do filme de John Ford, Crepúsculo de Uma Raça (Cheyenne Autumn, 1964).

Star Trek Embora Temple Houston tenha durado cerca de vinte e seis semanas, aceitou fazer um piloto para uma série que a NBC produzia, Jornada nas estrelas (Star Trek). Hunter intrepretou o papel principal de Christopher Pike, capitão da nave USS Enterprise em "The Cage", o primeiro episódio piloto, mas se recusou a trabalhar na série quando ela foi aprovada.