O Parque Natural da Arrábida é uma reserva biogenética situada na península de Setúbal, abrangendo os municípios de Palmela, Setúbal e Sesimbra, com a altitude mais elevada no Pico do Formosinho, com 501 metros de altitude, no distrito de Setúbal, em Portugal. Estende-se por 35 quilómetros, incluindo diversas montanhas e lugares de assinalável interesse e beleza natural, tais como a Serra do Louro, Serra do Risco, Serra de São Luís, Serra dos Gaiteiros, Serra Longa, Serra de São Francisco e a própria Serra da Arrábida.

O Parque Natural da Arrábida foi criado pelo Decreto-Lei n.º 622/76, de 28 de julho, com uma área aproximada de 10 800 hectares, protegendo a vegetação maquis de tipo mediterrânico nascida deste microclima com semelhanças com regiões adriáticas, como a Dalmácia. Ver também o Plano de Ordenamento do Parque Natural da Arrábida, cujo regulamento foi aprovado pela Resolução do Conselho de Ministros n.º 141/2005, de 23 de agosto.

A fauna e flora são bastante diversificadas, apesar de terem sofrido grandes alterações desde o . Até ao início do era ainda possível observar lobos e veados. Recentemente, verificou-se um aumento significativo do número de javalis na Serra da Arrábida devido à ausência de predadores naturais, que está a ameaçar espécies de flora protegida pelo parque natural, como orquídeas raras e tulipas selvagens..

Concentram-se neste território cerca de 1400 espécies vegetais, que correspondem a 40% da flora portuguesa e menos de 1% da área vegetal do país. É também a casa de uma planta muito especial, o trovisco-do-espichel (Euphorbia pedroi).Trovisco do Espichel.

O Parque Natural está integrado em redes internacionais de conservação.Todo o seu território está classificado como Sítio de Especial Interesse para a Conservação da Natureza - Biótopo CORINE.

Geomorfologia O Parque Natural da Arrábida deve o seu nome à principal unidade geomorfológica do parque e a que apresenta a altimetria mais elevada da cordilheira da Serra da Arrábida. O parque natural é constituído por três eixos principais e dividido em duas zonas distintas:

Primeira linha: composto por pequenas elevações nos arredores de Sesimbra, pelas Serra do Risco e Serra da Arrábida

Segunda Linha: composto pelas Serra de São Luís e Serra dos Gaiteiros. Terceira Linha: composto pelas Serra de São Francisco, Serra do Louro e Serra Longa.

miniaturadaimagem|Cabo Espichel

A zona geográfica do cabo Espichel faz também parte do parque e possui vistas panorâmicas sobre a costa da Caparica a norte, e a sul sobre a longa praia que se estende desde da península de Troia até a cidade de Sines.

O parque natural da Arrábida é excepcional pela diversidade de processos geológicos, exemplos disso são a discordância do Portinho da Arrábida como testemunho da primeira fase de inversão tectónica da Margem Ocidental Ibérica (MOI), a falha de El Carmen, o afloramento da falha sin-sedimentar da Figueirinha, os Conglomerados do Alto da Califórnia e a Brecha da Arrábida (tipo litológico único no mundo) são outros exemplos de fenómenos geológicos de extrema relevância do ponto de vista científico e patrimonial.

Hidrografia Os principais cursos de água no Parque Natural da Arrábida localizam-se na sua maioria na parte este, entre Setúbal, Palmela e no vale dos Picheleiros.

A ribeira da Ajuda é o curso de água de maior caudal da cadeia Arrábida, resulta da junção das Ribeiras de Alcube e do Picheleiro e ainda tem a contribuição das Ribeiras do Almelão e Pomarinho. A sua bacia hidrográfica abrange os Vales de Picheleiro, Alcube e Ajuda, as encostas a W(oeste) e a S(sul) da serra de São Luís e as encostas a W do Nico e Viso.

Temos ainda a ribeira de Melra, do Vale de Cavalo e de Mareta. Outros cursos de água, como sejam a ribeira da Corva, afluente da ribeira de Livramento, ou a ribeira do Calhariz, afluente do rio Coina, alcançam os seus maiores caudais exteriormente ao Parque.

De todas as linhas de água referidas, interior da área do Parque, apenas a ribeira da Ajuda conserva corrente durante alguns meses, ou mesmo durante quase todo o ano. Em grande parte da Península de Setúbal, em que o Parque se insere, a infiltração profunda excede largamente o escoamento superficial.

É na Serra do Risco que nasce o Rio Coina no vale do Povoado dos Ouriços, junto a Marmitas do Gigante.

Clima O parque natural da Arrábida apresenta acentuadas características mediterrânicas, traduzindo-se em duas estações extremas:

verão quente e seco chegando a atingir temperaturas com valores aproximados às temperaturas das regiões tropicais, com períodos de seca prolongados que se podem estender por vários meses; inverno frio geralmente húmido. Essas são intercaladas com duas estações intermédias, o outono e a primavera.

Na Arrábida é importante referir os microclimas, próprios das vertentes norte e sul da área montanhosa. A encosta a norte, mais exposta aos ventos húmidos do noroeste, é mais húmida e fresca que a vertente meridional, abrigada dos fortes ventos frios e exposta a uma forte insolação, o que lhe dá mais secura no período estival, temperatura elevada, assim como invernos temperados.

A proximidade do mar, no caso o oceano Atlântico, é um fator climático de relevante importância dando à região maiores humidades e consequentemente maior amenidade nas temperaturas ao longo do ano.

Flora Nessa área protegida subsiste vegetação natural de grande importância conservacionista, não só do ponto de vista nacional como internacional.

Destacam-se os carvalhais de Quercus faginea frequentes um pouco por toda a Arrábida, nas encostas setentrionais e vales; as formações nas linhas de água torrenciais com Crataegus monogyna e a notável Acer monspessulanum; as perenifólias de cariz mediterrânico como a oliveira (Olea europaea) e alfarrobeira (Ceratonia siliqua) nos vales orientados a Sul; as escarpas calcárias interiores que incluem Piptatherum coerulescens, Catapodium salzmanii, Narcissus calcicola (narciso calcícola), Cheilanthes catanensis, Convolvulus siculus, Linaria melanantha, Chaenorrhinum origanifolium, etc.; as perenifólias de possível transição durisilvae-laurisilvae com portes que atingem 15 m e nos estádios mais equilibrados por Quercus coccifera, Phillyrea latifolia e incluindo a Smilax aspera; as formações de hemi-fruticeta muito localizadas nas arribas marítimas entre os Cabos Espichel e D'Ares caracterizadas pela presença de Euphorbia pedroi e Withania frutescens; as estruturas vestigiais de laurisilvae nas arribas marítimas junto do Cabo Espichel (caracterizado pela presença de Convolvulus fernandesii).

Orquídeas Em Portugal, existem sensivelmente 45 a 55 espécies diferentes de orquídeas e, na Arrábida, há 30 com presença devidamente registada. É expressivo e de extraordinária importância o valor ecológico da região e do parque natural da Arrábida.

Fauna thumb|A Serra da Arrábida é o único ponto da costa portuguesa onde nidifica a rara Águia de Bonelli (Hieraaetus fasciatus) Estão registadas no Parque Natural da Arrábida um número considerável de espécies, num total de 213 de vertebrados: 8 anfíbios, 16 répteis, 154 aves e 35 mamíferos.

Entre os mamíferos destacam-se a raposa (Vulpes vulpes), javali (Sus scrofa), a doninha (Mustela nivalis), toirão (Mustela putorius), a geneta (Genetta genetta), coelho-bravo (Oryctolagus cuniculus), o texugo (Meles meles) e a provável ocorrência de gato-bravo (Felis silvestris), a doninha e a fuínha (Martes foina). As grutas, principalmente nas arribas, têm associada uma fauna muito particular de morcegos: morcego-de-peluche (Miniopterus schreibersii), morcego-de-ferradura-mediterrânico (Rhinolophus euryale), morcego-de-ferradura-grande (Rhinolophus ferrumequinum) e morcego-de-ferradura-mourisco (Rhinolophus meherlyi).

Entre as aves destacam-se a águia de Bonelli (Hieraaetus fasciatus) – com o único casal a nidificar na costa portuguesa, o falcão-peregrino (Falco peregrinus), o bufo-real (Bubo bubo), a coruja-das-torres (Tyto alba), o andorinhão-real (Apus melba), o melro-azul (Monticola solitarius) e o rabirruivo-preto (Phoenicurus ochrurus), o rouxinol (Luscinia mergarhynchos), o pisco-de-peito-ruivo e a carriça (Troglodytes troglodytes), o bico-grossudo (Coccothraustes coccothraustes), a poupa (Upupa epops), a perdiz-comum, a cotovia-de-poupa (Galerida cristata), o noitibó-de-nuca-vermelha (Caprimulgus ruficollis) e o guarda-rios (Alcedo atthis), o pica-pau-malhado-grande (Dendrocopus major), os chapins (Parus spp.), a trepadeira-comum (Certhia brachydactila), e o cuco-canoro (Cuculus canorus).

Nos anfíbios e répteis, a lagartixa, a cobra-de-pernas-pentadáctila (Chalcides bedriagai), a cobra-de-escada (Elaphe scalaris), a cobra-rateira (Malpolon monspessulanus), a víbora-cornuda e a cobra-de-ferradura (Coluber hippocrepis). Os recursos aquáticos proporcionam abrigo ao cágado (Mauremys leprosa) e a cobras-de-água (Natrix spp.).

De entre as milhares de espécies de invertebrados inclui-se uma das poucas espécies animais portuguesas classificadas como em Perigo Crítico de Extinção pela União Internacional para a Conservação da Natureza – a aranha cavernícula do Frade (Anapistula ataecina).

Parque Marinho Professor Luiz Saldanha

thumb|Costa da Arrábida vista da Foz do rio Sado

A costa da Arrábida é conhecida pela suas costas calmas e transparentes e reúne condições invulgares para a biodiversidade aquática, a orla costeira do parque natural da Arrábida foi classificada em 1998 como Área Protegida.

O Parque Marinho Professor Luiz Saldanha é a área de reserva marinha do Parque Natural da Arrábida. Estabelecido em 1998, contempla cerca de 53 km² correspondentes aos 38 km de costa entre a praia da Figueirinha e o Cabo Espichel. É uma área com uma riqueza natural única a nível nacional e europeu, onde se encontram mais de 1 000 espécies de animais e plantas marinhas, que já nos finais do suscitou o interesse do Rei D. Carlos, entre outros naturalistas e universidades.

O nome do parque foi atribuído em homenagem a Luiz Saldanha, biólogo e oceanógrafo, professor da Faculdade de Ciências da Universidade de Lisboa, que dedicou parte da sua carreira científica ao estudo da costa da Serra da Arrábida.

O Parque apresenta fundos diversificados, rochosos e arenosos, com profundidades até aos 100 metros. Com zonas abrigadas, como várias enseadas na base das escarpas costeiras, até zonas de forte ondulação, como no Cabo Espichel. A elevada diversidade animal pode ser facilmente observada junto às rochas, onde são frequentes as anémonas, as estrelas-do-mar, ouriços-do-mar e crustáceos. A variabilidade de peixes é também surpreendente, com espécies menos conhecidas, por não serem alvo de pesca, que tornam esse ecossistema marinho dos mais ricos a nível nacional e europeu. De especial relevo a fauna marinha na Pedra da Anicha, com a baía costeira a ser uma zona importante para criação e manutenção da fauna marítima do Atlântico Norte. A flora subaquática tem também características de assinalável importância ecológica.

O Parque Marinho inclui uma área de protecção total com 4 km² (10% da área do Parque) onde não é permitida qualquer pesca, quatro áreas de protecção parcial com um total de 21 km² (40% da área do Parque), com restrições à pesca com armadilhas e linhas, parte entre o Portinho da Arrábida e a Figueirinha (cerca de 1,8 km²), e três áreas de protecção complementar com um total de 28 km² (50% da área do Parque) onde só embarcações licenciadas poderão operar.

Geologia thumb|Brecha da Arrábida em bruto