Júlio Cibo, também escrito Cybo,A grafia inicialmente mais comum, "Cibo", embora não a única, tem alternado historicamente com a de "Cybo", ligada às míticas origens gregas da família. Esta última tornou-se então a norma especialmente para o ramo que se estabeleceu em Massa. A este propósito, ver a nota do Abade Angelo Grillo (1557–1629) a Alberico I, que evidentemente percebeu a versão com y como mais apropriada à nobreza da família: em italiano moderno Giulio Cibo (Roma, 1 de março de 1525 — Milão, 18 de maio de 1548) foi marquês soberano de Massa e Senhor soberano de Carrara de 7 de outubro de 1546 a 27 de junho de 1547. Sucedeu, no meio de graves conflitos, à sua mãe, Ricarda Malaspina, que, após pouco mais de oito meses, retoma o poder.Pelù-Raffo, p. 135. O jovem pereceu decapitado no ano seguinte, exemplarmente condenado à morte por traição pelo imperador Carlos V.

Júlio também se autointitulou por vezes com o duplo apelido “Cibo Malaspina”,Veja-se a sua correspondência, várias vezes assinada "Julio Cibo Malaspina", em L. Staffetti (1892), II, "Lettere inedite di Giulio Cybo Malaspina al Cardinale Innocenzo Cybo, suo zio, a Cosimo I Duca di Firenze e ad Ercole II Duca di Ferrara", pp. 102 e seguintes. adotando assim também o da sua família materna, e com o duplo apelido foi frequentemente relatado na historiografia posterior.Veja-se por exemplo: F.Petrucci (1981), titolo; L.Staffetti (1892), titolo.

Biografia Primeiros anos 200px|thumb|left|Palazzo Cybo, piazza Navona, onde Júlio nasceu (Piranesi) Sua mãe era Ricarda Malaspina, pretendente à herdeira (embora mulher) do ramo Massa da família Malaspina do Spino Fioritoem português "espinho florido" como a filha mais velha sobrevivente de António Alberico II Malaspina (meados do séc. XV-1519), marquês de Massa e Senhor de Carrara. Ademias, seu pai, era Lourenço Cybo, Conde de Ferentillo, filho de Franceschetto Cybo (e, portanto, neto do Papa Inocêncio VIII) e de Madalena de Médici (portanto, neto de Lourenço o Magnífico).

Júlio nasce em Roma no dia 1 de março de 1525 no palácio Cybo, na piazza Navona, que pertencia ao pai, onde Ricarda gostava de permanecer.e que, posteriormente, veio a ser incorporado no Palácio PamphiljS.Bertocchi, p. 70.

Em antecipação do iminente saque de Roma (1527), a família retorna à sua residência oficial, o castelo da cidade de Massa, capital dos seus estados. Durante as ausências da marquesa, e conforme as disposições do seu defunto pai, era a sua mãe Lucrécia d'Este, que administrava Massa e Carrara, coadjuvada pelo cunhado, o cardeal Inocêncio Cybo.

Ricarda e os filhos, Leonor e Júlio, regressaram a Roma e depois, a partir de 1533, a Florença, instalando-se no palazzo Pazzi (que pertencia à família Cybo), juntamente com a sua mãe e a sua irmã Tadeia, bem como o seu cunhado cardeal, de quem Ricciarda se tornara uma espécie de maîtresse-en-titre. Tadeia, por sua vez, era amante do novo jovem duque de Florença, Alexandre de Médici. O marido, Lourenço Cybo, com quem a relação conjugal era irremediavelmente quebrada, estabeleceu-se na sua propriedade em Agnano, perto de Pisa, daí administrando o seu Condado de Ferentillo. Em 1535, a cunhada Catarina Cybo, Duquesa Regente de Camerino, também se juntou ao grupo florentino quando foi destituída do ducado.

Em 1543 Júlio, com 18 anos, vai para Barcelona onde, com o apoio do almirante Andrea Doria, passou a pertencer à Corte do imperador Carlos V, deslocando-se imediatamente para Itália e Flandres seguindo o exército imperial e acompanhando o braço direito do imperador, Ferrante Gonzaga, em missão diplomática a Inglaterra.

Rivalidade com a sua mãe As graves desavenças entre Júlio e a despótica mãe dependerão sobretudo das disposições testamentárias do defunto avô, António Alberico II Malaspina, que havia estabelecido como seu sucessor o futuro varão primogênito da filha, entretanto, havia nomeado a própria Ricarda “dona e senhora e usufrutuária e herdeira da sua herança [de António Alberico] e dos seus bens, enquanto ela tiver idade para conceber e ter filhos.”Staffetti, II, p. 144.

Em 1544, queixando-se de que o subsídio que lhe foi concedido pela mãe se revelava absolutamente insuficiente para prosseguir a desejada carreira militar, Júlio regressou a Itália, estabelecendo-se temporariamente em Carrara, com o tio, o Cardeal Inocêncio Cybo, passando depois a Agnano com o pai e, por fim, em Roma. Reclama à sua mãe, na qualidade de primogênito, o direito a marquês de Massa e senhor de Carrara. Contudo, sua mãe recusou e proclamou o seu direito pessoal ao título em virtude da investidura direta recebida do imperador em 1529, e também o direito de escolher pessoalmente o seu sucessor entre os filhos que lhe foi concedido com outro diploma imperial de 1533.

Após uma prima tentativa falhada de depor a mãe em 1545, no ano seguinte Júlio desafiou-a novamente pelo controlo do marquesado. Com o apoio de Cosme I de Médici e Andrea Doria, tomou o poder pela força, ocupando as terras de Massa e Carrara com tropas fornecidas por Cosme I e lideradas pelo seu pai Lorenzo, proclamando-se marquês. Ricarda recorreu imediatamente ao imperador, e Carlos V decidiu confiscar temporariamente o marquesado, colocando-o nas mãos do seu plenipotenciário em Itália, Ferrante Gonzaga, e depois, a pedido de Júlio, nas do cardeal Cybo.Petrucci (1981), DBI.

A recalcitrância de Júlio em cumprir os decretos imperiais e as suspeitas suscitadas em Cosme I pelos seus laços cada vez mais estreitos com a família Doria, induziram o duque de Florença a mandá-lo prender em Pisa em 17 de março de 1747 e a mantê-lo na prisão até ao dia 20. Esse período foi quando finalmente aceitou colocar o marquesado nas mãos do seu tio.

Entretanto, em dezembro de 1546, Júlio havia casado com Peretta Doria (1526–1591), filha de Tomás (Tommaso) e irmã de Giannettino Doria (1510–1547), herdeiro designado de Andrea e pai de Giovanni Andrea. Tinha sido prometido a Júlio um grande dote, com o qual imaginava financiar a sua conquista do poder. Na verdade, continuou a exercer fortes pressões sobre a mãe, com promessas, ameaças e novos atos de força. A 30 de maio de 1547, principalmente graças à intercessão do seu tio, o Cardeal, conseguiu finalmente a estipulação de um contrato oneroso com ela para a compra dos direitos do governo sobre o marquesado, permanecendo a soberania na posse da marquesa. Os encargos do contrato, no entanto, estavam absolutamente acima das suas possibilidades e planejava cobrir a grande dívida dele decorrente — no valor de 40.000 ducados — metade dos fundos que esperava poder angariar sozinho, e metade de todo o dote da sua mulher. Andrea Doria, o chefe de família, recusou-se a proceder ao pagamento do dote, culpando inicialmente as dificuldades financeiras da família durante esse período, e argumentando depois que já tinha praticamente pago o que devia pelo dote, ao financiar as tentativas de Giulio para tomar o marquesado à força.

A 27 de junho de 1547, pendente de pagamento por Júlio da totalidade do valor acordado, Ricarda retomou a posse do marquesado.

Conspirações dos Fieschi e morte Até então, Júlio apoiava fielmente Andrea Doria. Em janeiro de 1747, por ocasião de uma revolta liderada pelo seu cunhado Gian Luigi Fieschi (1523–1547),Fieschi era marido da irmã mais velha de Júlio, Leonor (1523–1594), e sobrinho de Ricarda desde o seu primeiro casamento. não hesitou em enviar para o norte uma pequena expedição militar para ajudar Doria; que, no entanto, foi interrompida ao longo do caminho pela notícia do fracasso da rebelião.

Depois de Doria se ter recusado a pagar-lhe o dote, a atitude de Júlio mudou radicalmente e, na segunda metade do ano, aderiu a uma conspiração contra Doria montada pelo irmão de Gian Luigi, Ottobono Fieschi (?-1555) e outros refugiados genoveses em Veneza, e também apoiada pela família Strozzi de Florença, agora ao serviço de França, e pelo novo duque de Parma, Pedro Luís Farnésio. Mais ou menos nos bastidores estavam provavelmente o pai deste último, o Papa Paulo III, e os franceses. O objetivo era entrar na cidade e assassinar Doria, o embaixador espanhol e outros membros do partido Doria. Estes acontecimentos deveriam desencadear uma revolta popular e o plano seria concluído com a chegada das tropas francesas do Piemonte.

A conspiração foi descoberta antes de qualquer ação ser tomada e Cybo foi preso em Pontremoli a 22 de janeiro de 1748. Apesar das tentativas de o salvar por parte da sua mãe e do seus primos afastados Cosme I da Toscânia e Hércules II d'Este, duque de Ferrara, foi considerado culpado de traição (felonia) pelo imperador e decapitado em Milão, em maio de 1548.Calonaci, DBI.

Após a morte da mãe em 1553, os estados de Massa e Carrara foram finalmente herdados pelo seu irmão mais novo, Alberico I, na verdade provavelmente seu meio-irmão, como filho do cardeal Cybo. Alberico, em conformidade com as disposições testamentárias de Ricarda, adotou o novo apelido Cybo Malaspina acrescentando o da mãe ao do seu pai (como o seu irmão mais velho fizera por sua iniciativa cerca de dez anos antes).

Júlio Cibo foi inicialmente sepultado na igreja milanesa de Santa Maria degli AngeliDeve ter sido evidentemente o edifício antigo, demolido alguns anos depois da morte de Júlio e reconstruído não muito longe dali. (pertencente à Ordem dos Frades Menores, a quem Júlio escreveu ao tio na véspera da sua morte para fazer uma doação). Por ordem de Alberico I, o seu corpo foi finalmente transladado para Massa em 1573, e sepultado na cripta da catedral junto dos restos mortais dos seus pais.

Títulos Os títulos completos de Júlio incluíam: Marquês de Massa e senhor soberano de Carrara, Moneta e Avenza; Patrício romano, genovês, napolitano, de Pisa e de Florença; Nobre de Viterbo.

Notas

Bibliografia

Stefano Calonaci, Istituto dell'Enciclopedia Italiana

Franca Petrucci Istituto dell'Enciclopedia Italiana

Ver também Cybo-Malaspina Ducado de Massa e Carrara Lista dos soberanos de Massa e Carrara Lourenço Cybo Malaspina Ricarda Malaspina Senhorio de Carrara

Ligações externas Genealogia dos Cybo-Malaspina (euweb.cz) Worldstatesmen.org

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