As eleições gerais na Espanha decorreram no dia 20 de dezembro de 2015 e serviram para eleger 350 deputados para o Congresso dos Deputados e 208 senadores para o Senado. A data destas eleições foi anunciadas por Mariano Rajoy, em 1 de outubro, marcando as eleições para a última data legalmente possível. O Partido Popular foi o mais votado (28,72%) e com mais deputados (123), mas não atingiu a maioria absoluta
Situação do país
Economia Após a sua eleição em 2011, Mariano Rajoy deu uma volta completa na sua política económica, quebrando muitas das suas promessas eleitorais e, levando uma queda acentuada do Partido Popular nas sondagens. Espanha foi duramente atingida pela Grande Recessão de 2008, tendo já o anterior governo anterior de Zapatero, efectuado imensos cortes nos gastos do Estado e aumentado impostos, que foram continuados pelo governo de Mariano Rajoy, tendo mesmo em Julho de 2012, anunciado um corte de 65 mil milhões em diversas funções do Estado, como a saúde pública e o ensino público, e, um novo aumento de impostos, em especial, o IVA que passou dos 18% para os 21%.
Além de mais, a crise económica atingiu, em especial, o sistema bancário do país, com especial destaque para o Bankia, liderado por Rodrigo Rato, que entrou em queda livre, desvalorizando imenso e pondo em perigo todo o sistema bancário nacional, algo que, obrigou Espanha a pedir um resgate ao FMI direccionado para o sistema bancário.
Os impactos da política de austeridade seguida por Rajoy são enormes. Apesar de uma queda da taxa de desemprego para os 21,18% em 2015, quando em 2011, esta atingia os 27,16%, muitos atribuem esta queda na taxa à vaga de emigração que fez com muitos espanhóis, em idade activa, abandonassem o país, e, também, a um aumento dos contratos temporários, ou seja, trabalhos considerados precários. Por outro lado, apesar da redução do déficit público, que atingiu, em 2014, os 5,8%, a dívida governamental nunca foi tão alta como agora, atingindo os 98% do PIB.
Assuntos Internos A legislatura 2011-2015 foi dominada por uma regressão em direitos políticos e direitos sociais. Os imensos cortes na Saúde pública e no Ensino público fizeram que crescesse a desigualdade de acesso a estes serviços entre aqueles com recursos financeiros e os mais desfavorecidos. Também foram introduzidas taxas de tribunais, que foram consideradas um ataque ao Direito de Acesso à Justiça e ao princípio de gratuitidade deste direito, embora, em 2015, estas taxas tenham sido eliminadas.
Também as novas políticas de educação desta legislatura foram duramente criticadas, em especial, pelo governo do País Basco e da Catalunha, que, acusaram o governo de re-centralizar a política de educação conforme a vontade de Madrid, e, também, que estas políticas promoviam a segregação escolar. Outra lei polémica, foi a "Lei da Mordaça", que impôs regras bastantes duras sobre manifestações, limites aos protestos de ruas e multas para os que não respeitavam os limites legais. Esta lei foi considerada um ataque ao direito de liberdade de reunião e de liberdade de expressão.
Outra situação polémica, foi a alteração da Lei do Aborto, que foi aprovada em 2013, e, era considerada um "regresso ao passado" por diversos partidos, movimentos e organizações, embora, em 2014, e, depois de imensas críticas a nova lei, Mariano Rajoy decidiu não avançar com a Lei, mantendo a Lei que vigorava desde 2005.
Corrupção política Um dos grandes problemas actuais em Espanha foi a eclosão de diversos escândalos de corrupção, envolvendo políticos dos diversos partidos, sindicatos e, até, membros da família real.
O primeiro grande escândalo de corrupção foi o "Caso Bárcenas", que envolvia o antigo tesoureiro do Partido Popular, Luís Bárcenas, e ponha a descoberta, um esquema de pagamentos ilegais efectuados no partido desde 1987.
Ao mesmo tempo, eram julgados em tribunal, Iñaki Urdangarin e a sua esposa, Cristina de Bourbon filha de Juan Carlos I, por fraude fiscal e lavagem de dinheiro, tendo, este caso, tido um impacto negativo na popularidade da família real espanhola, atingido o ponto mais baixo, em 2013.
Os casos de corrupção sucederam-se em 2014, o que, levou muitos a compararem a situação actual, com a Itália no início da década de 1990 e o caso Operação Mãos Limpas, que levou à prisão de imensos políticos e à queda dos partidos tradicionais, algo semelhante à situação vivida em Espanha, o que, levou a muitos a chamarem ao momento actual o "Tagentopoli Espanhol" ou "Outubro Negro".
Os casos de corrupção atingiam vários políticos de todos os quadrantes políticos, em especial: Jordi Pujol, líder da Catalunha entre 1980 e 2003 e membro da Convergência Democrática da Catalunha, acusado de fuga ao fisco e lavagem de dinheiro; Escândalo da Caja Madrid, que envolvia o uso de cartões de créditos ilegais entre 2003 a 2012, e, na qual estava envolvidos, pelo menos, 86 pessoas, em especial, membros do Partido Popular, do PSOE e da Esquerda Unida, bem como, membros dos principais sindicatos, Unión General de Trabajadores e Comissões Operárias.
Antevisão eleitoral Estas eleições gerais irão marcar o fim do "bipartidarismo", reinante em Espanha desde da Transição Espanhola. O PSOE e o Partido Popular, que, desde da década de1980, eram os grandes rivais políticos, e, em norma, superavam os 70% dos votos, irão sofrer os efeitos da ascensão de dois novos partidos: o Podemos, liderado por Pablo Iglesias, nascido em 2014, fruto de diversos movimentos cívicos e sociais, que tiveram grande impacto nos Protestos de 2011 na Espanha contra a austeridade e,o Cidadãos - Partido da Cidadania, nascido em 2006 como reacção ao movimento independentista catalão, e, em 2014, se tornou um partido nacional, liderado por Albert Rivera.
Este anunciado fim do "bipartidarismo" em eleições gerais, reflectiu-se nas eleições locais e regionais de 2015, nas quais o Partido Popular obteve uma enorme derrota, perdendo a liderança de diversas Câmaras e Regiões, embora o PSOE também não tenha ganho votos, mas, conseguiu recuperar diversas regiões e Câmaras, graças a acordo pós-eleitorais. O Cidadãos - Partido da Cidadania consegui resultados importantes nessas eleições, sendo decisivo, em muitos locais, o partido que tinha o poder de determinar o novo governo, embora o Podemos tenha tido resultados mais notáveis, ao conquistar, a Câmara de Madrid e Barcelona.
Sondagens As sondagens indicam que estas eleições irão ser as mais renhidas na Espanha democrática, verificando-se poucas diferenças percentuais entre Partido Popular, PSOE, Podemos e Cidadãos - Partido da Cidadania, embora, seja claro que o Partido Popular irá ser o partido mais votado, embora, bastante distante da maioria absoluta, correndo o risco de ganhar as eleições, obtendo o pior resultado da sua história. O PSOE, segundo as sondagens, também corre o sério o risco de obter o seu pior resultado eleitoral, havendo sondagens que, indicam a possibilidade dos socialistas ficarem em quarto lugar. Quantos aos novos partidos, Podemos e Cidadãos - Partido da Cidadania, revela-se uma grande incerteza quanto ao resultado que estes irão obter, sendo, apenas, certo, que irão obter um resultado superior aos 15%.
As sondagens seguintes serão aquelas efectuadas desde do ínicio oficial da Campanha Eleitoral, ou seja, 4 de Dezembro de 2015: DataFontePPPSOEIU/UPUPyDDiLEHBPNVERCPC's+/-20/12/2015Legislativas28,722,03,70,62,30,91,22,420,713,96,720/12/201526,820,54,11,71,01,12,521,715,25,119/12/201526,620,14,021,515,35,118/12/201526,620,84,420,115,55,817/12/201525,821,43,820,416,04,416/12/201526,221,03,720,415,95,216/12/201528,021,419,817,46,615/12/201525,420,64,519,616,34,814/12/201525,420,94,819,017,24,514/12/201526,922,84,01,91,11,42,218,417,04,114/12/201524,521,33,80,92,71,21,23,219,916,53,212/12/201525,220,818,418,04,411/12/201528,819,72,70,21,217,919,98,911/12/201527,018,25,20,62,00,717,220,96,111/12/201526,522,73,20,51,71,01,12,018,120,33,810/12/201525,321,05,019,118,24,310/12/201527,720,54,30,32,11,11,12,116,219,87,209/12/201526,521,74,01,017,018,64,809/12/201527,220,33,72,41,11,22,518,419,66,909/12/201528,320,83,30,32,11,11,42,016,619,87,509/12/201526,717,06,319,123,23,507/12/201529,018,93,617,218,910,107/12/201526,724,94,91,91,01,52,216,416,21,804/12/201528,121,03,81,61,41,41,815,121,07,104/12/201527,819,43,63,00,71,22,118,219,97,904/12/201527,922,93,80,32,01,01,21,916,118,65,020/11/2021Legislativas44,628,86,94,74,2 (CiU)1,41,31,1 - -15,9
Resultados oficiais
Câmara dos Deputados PartidoVotos%+/-Deputados+/-Partido Popular7 236 96515,9263Partido Socialista Operário Espanhol5 545 3156,7620Podemos5 212 711NovoNovoCidadãos - Partido da Cidadania3 514 528NovoNovoUnidade Popular926 7833,249Esquerda Republicana da Catalunha601 7821,336Democracia e Liberdade567 2531,928Partido Nacionalista Basco302 3160,131Euskal Herria Bildu219 1250,505Coligação Canária81 9170,271Outros814 486Votos Inválidos415 3511,02Total25 438 532Eleitorado/Participação36 511 8480,73Fonte
Resultados por Regiões Autónomas A seguinte tabela apenas contêm os resultados obtidos por partidos que tenham elegido deputados: Região Autónoma%D%D%D%D%D%D%D%D%D%DDVotantesPPPSOEPC'sUPERCDiLPNVEHBCCAndaluzia29,12131,52216,91013,885,8- - - - - - - - - - -614 482 758Aragão31,3623,1418,6217,216,2 - - - - - - - - - - -13737 467Astúrias30,1323,4221,4213,618,4 - - - - - - - - - - -8623 993Baleares29,1318,3223,1214,812,4 ----- - - - - - -8488 082Canárias28,5522,0423,3311,423,1- - - - - - - - -8,21151 005 508Cantábria36,9222,4117,8115,314,4- - - - - - - - - - -5352 691Castela e Leão39,11722,5915,1315,434,6- - - - - - - - - - -321 519 174Castela-Mancha38,11028,4713,7113,833,6- - - - - - - - - - -211 181 383Catalunha11,1515,7824,71213,18- -16,0915,18 - - - - - -473 774 296Ceuta44,9123,1 -14,1-13,3-1,3- - - - - - - - - - -133 421Comunidade Valenciana31,31119,8725,1915,854,2----- - - - - - -322 697 654Estremadura34,8436,0512,7111,4-3,0- - - - - - - - - - -10655 542Galiza37,11021,3625,069,11 - - - - - - - - - - - -231 653 867Madrid33,41317,8620,9818,875,32 - - - - - - - - - -363 622 408Melilha43,9124,6-11,5-15,6 -1,3- - - - - - - - - - -128 383Múrcia40,4520,3215,2117,723,1- - - - - - - - - - -10732 329Navarra28,9215,5123,027,1-4,1- - - - ---9,9- - -5355 299País Basco11,6213,3326,054,1 -2,9- - - - -24,7615,12 - -181 226 704La Rioja38,3223,7115,8115,1-4,2- - - - -- - - - - -4178 674Espanha28,712322,09020,76913,9403,722,492,381,260,910,3135025 349 824
Andaluzia PartidoVotos%+/-Deputados+/-Partido Socialista Operário Espanhol1 402 3935,103Partido Popular1 294 29316,4912Podemos752 367NovoNovoCidadãos - Partido da Cidadania613 447 Novo NovoUnidade Popular257 0192,502Outros94 255Votos Inválidos80 0480,46Total4 493 8221Eleitorado/Participação6 505 2660,18
Aragão PartidoVotos%+/-Deputados+/-Partido Popular-Partido Aragonês229 69116,392Partido Socialista Operário Espanhol169 0578,47Podemos136 434NovoNovoCidadãos - Partido da Cidadania126 346 Novo NovoUnidade Popular-Chunta Aragonesista45 1994,371Outros20 061Votos Inválidos12 9191,85Total739 707Eleitorado/Participação1 019 1351,59
Astúrias PartidoVotos%+/-Deputados+/-Partido Popular-Fórum Astúrias187 56819,971Partido Socialista Operário Espanhol145 1135,951Podemos132 984NovoNovoCidadãos - Partido da Cidadania84 464 Novo NovoUnidade Popular-Esquerda Asturiana52 5834,801Outros14 664Votos Inválidos10 8240,57Total628 200Eleitorado/Participação985 0870,80
Baleares PartidoVotos%+/-Deputados+/-Partido Popular140 64020,532Podemos111 628NovoNovoPartido Socialista Operário Espanhol88 63510,561Cidadãos - Partido da Cidadania71 551 Novo NovoMés per Mallorca33 8770,17Proposta per les Illes12 910NovoNovoUnidade Popular11 4512,57Partido Animalista contra o Mau Trato Animal5 1140,23Outros4 167Votos Inválidos8 6931,64Total488 666Eleitorado/Participação771 3812,39
Canárias