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Tecnocapitalismo (neologismo que combina "tecnologia" e "capitalismo") refere-se às mudanças no sistema capitalista associadas ao surgimento de novos setores de tecnologia, ao poder das corporações e a novas formas de organização. O termo designa um sistema econômico e social contemporâneo no qual a inovação tecnológica se torna componente central do crescimento econômico e da acumulação de riqueza, influenciando estruturas econômicas, mercados de trabalho e relações sociais. Um aspecto central do tecnocapitalismo é a ascensão da chamada economia intangível, marcada pela crescente importância de ativos não físicos — como propriedade intelectual, valor de marca e serviços digitais —, o que conduz a novas formas de centralização econômica dominadas por poucas grandes corporações tecnológicas.
Conceito
O economista Luis Suarez-Villa, professor emérito da Universidade da Califórnia em Irvine, é o principal teórico do conceito. Em artigo de 2001 intitulado "The Rise of Technocapitalism", publicado na revista Science & Technology Studies, apresentou a primeira sistematização acadêmica do termo.
Em seu livro de 2009 Technocapitalism: A Critical Perspective on Technological Innovation and Corporatism, Suarez-Villa argumenta que o tecnocapitalismo é uma nova versão do capitalismo que gera novas formas de organização empresarial projetadas para explorar intangíveis como a criatividade e novos conhecimentos. As novas organizações, que Suarez-Villa denomina organizações experimentalistas, estão profundamente enraizadas na pesquisa tecnológica, em oposição à produção manufatureira e de serviços, e dependem intensamente da apropriação corporativa dos resultados de pesquisa como propriedade intelectual.
Esta abordagem é desenvolvida por Suarez-Villa em seu livro de 2012 Globalization and Technocapitalism: The Political Economy of Corporate Power and Technological Domination, no qual relaciona o surgimento do tecnocapitalismo à globalização e ao crescente poder das corporações tecnocapitalistas. Levando em conta as novas relações de poder introduzidas pelas corporações que controlam o tecnocapitalismo, o autor considera novas formas de acumulação envolvendo intangíveis — como criatividade e novos conhecimentos — junto com a propriedade intelectual e a infraestrutura tecnológica. Essa perspectiva sobre a globalização também leva em conta as desigualdades criadas entre nações na vanguarda do tecnocapitalismo e as que não o são, a crescente importância dos fluxos de fuga de cérebros entre nações, e a ascensão de um complexo tecno-militar-corporativo que vem substituindo rapidamente o antigo complexo industrial-militar da segunda metade do século XX.
Ciência, tecnologia e capitalismo
O significado por trás do conceito é parte de uma linha de pensamento que relaciona ciência e tecnologia à evolução do capitalismo. No cerne dessa ideia está a premissa de que a ciência e a tecnologia não são separadas da sociedade, nem estão fora do alcance da ação social e da decisão humana. O setor de ciência e tecnologia é parte da sociedade humana e está sujeito às prioridades do capitalismo, tanto quanto qualquer outra atividade humana. Cientistas proeminentes no início do século XX, como John Bernal, postularam que a ciência tem uma função social e não pode ser vista como algo à parte da sociedade. Outros cientistas da época, como J. B. S. Haldane, relacionaram a ciência à filosofia social, evidenciando como as abordagens críticas de análise social são relevantes para a ciência e para a compreensão da necessidade dela. Na contemporaneidade, essa linha de pensamento incentivou filósofos como Andrew Feenberg a adotar uma abordagem de teoria crítica à tecnologia e à ciência, fornecendo perspectivas importantes sobre como as decisões científicas e tecnológicas — e seus resultados — são moldadas pela sociedade e pelas instituições capitalistas.
Outros usos
O termo foi utilizado de maneira divergente pelo autor Dinesh D'Souza, que em um artigo sobre o Vale do Silício empregou-o para descrever o ambiente corporativo e as relações de capital de risco numa economia local orientada para a alta tecnologia. Sua abordagem foi consonante com a da literatura de jornais de negócios e de gestão empresarial. Alguns artigos de imprensa também utilizaram o termo de modo ocasional e em sentido bastante geral, para indicar a importância das tecnologias avançadas na economia.
Ver também
Alta tecnologia Capitalismo Criatividade Fuga de cérebros Oligopólio Propriedade intelectual Pós-capitalismo Tecnologia
Ligações externas
Categoria:Mudança tecnológica Categoria:Capitalismo