thumb|310px|Convento de Santa Catarina de Siena (), atualmente é um Parador de Turismo

Almagro é um município da Espanha na província de Cidade Real, comunidade autónoma de Castela-Mancha. Tem 249,7 km² de área e em tinha habitantes (). Situa-se no centro da província, na parte sudoeste de Castela-Mancha, 28 km a sudeste de Cidade Real, 135 km a sul de Toledo, 210 km a sul de Madrid e 220 km a nordeste de Córdova.

Atualmente uma cidade vive sobretudo do turismo e, em menor grau, da agricultura, no passado Almagro foi uma vila importante, principalmente entre os séculos XIII e XVIII, onde a Ordem de Calatrava tinha uma parte importante dos seus órgãos de direção e onde residia a maior parte dos seus dirigentes. A família de banqueiros alemães Fugger construiu um palácio e uma igreja no e nesse mesmo século e no seguinte foram construídos vários palácios, solares, igrejas e conventos que testemunham a prosperidade e importância da vila nessa época. A cidade é famosa pela sua , inspirada nas praças principais das cidades flamengas, pelo , um teatro do que é o único do seu género integralmente conservado, e pelo , que se realiza desde 1978. Desde 1972 que Almagro está classificada como Conjunto Histórico-Artístico. e faz parte da rede "As Povoações Mais Bonitas de Espanha".

Toponímia O topónimo deriva do (; "o barro vermelho"), uma alusão ao caraterístico barro avermelhado da área, de tonalidade almagre, que está presente no colorido da Plaza Mayor e em muitos edifícios do município.

Segundo a tradição, a origem do topónimo terria sido um castelo árabe chamado (; "o oeste"), situado num dos ramais do caminho entre Toledo e Córdova, possivelmente no local onde estão atualmente os Palácios Maestrales.

Geografia O município situa-se entre pequenas serras formadas durante o Paleozoico, onde correm alguns cursos de água com pouco caudal, nomeadamente os ribeiros Pellejero e de Cuetos. O local de maior interesse geológico é a zona vulcânica do cerro da Yezosa, situada sobre maciços de quartzito, um dos três únicos locais de origem vulcânica na Península Ibérica com alguma relevância, juntamente com Olot (na Catalunha) e o cabo de Gata (na costa da Andaluzia).

História Não se sabe de quando datam os primeiros assentamentos humanos em Almagro. Pelos indícios descobertos em redor das Casas Maestrales e em locais fora do centro urbano, pensa-se que é possível que tivesse existido um povoado da Idade do Bronze. Durante o período romano, aparentemente o local foi habitado. O historiador local de Federico Galiano y Ortega terá identificado as ruínas de um aqueduto durante as obras do que é hoje o Passeio da Estação e foram encontradas moedas e uma lápide, proveniente da ponte romana de Zuqueca, em Granátula de Calatrava.

Da época visigótica, os únicos vestígios são algumas pequenas colunas decoradas com losangos talhados, descoberto em vários locais da cidade. Da época muçulmana vem o nome da cidade. Durante o tinha pouca relevância regional face às vizinhas (perto de Granátula de Calatrava) e por Calatrava, a Velha, mas essa situação mudou completamente quando, nesse século, os mestres da Ordem de Calatrava mudaram a sua residência e centro administrativo das possessões da ordem para Almagro.

Segundo a tradição, o mestre de Calatrava Gonzalo Yáñez de Novoa concedeu um foral à vila em 1213, o qual foi confirmado pelo rei em 1222. Em 1273, Afonso X, o Sábio convocou Cortes de Castela em Almagro e em 1285 foi realizada a escritura de Conveniência entre o mestre de Calatrava e os almagrenhos sobre os fornos, zocodover (mercados de gado?) e portagens. No a vila já tinha uma muralha e uma igreja paroquial (São Bartolomeu, o Velho), edifícios públicos como açougues, (celeiro municipal), cadeia, casas do Concelho (sede da administração municipal) e um castelo, o qual depois foi absorvido pelas Casas Maestrales.

O avanço da Reconquista fez com que em Almagro se reunissem as tropas a caminho da fronteira e em 1355 o rei Pedro, o Cruel mandou prender o mestre Juan Núñez de Prado nos Palácios Maestrales. O comércio foi impulsionado pela concessão de duas feiras por em 1374. Os Capítulos Gerais da Ordem de Calatrava também passaram a reunir-se em Almagro, tanto da capela de São Bento dos Palácios Maestrales, como na Igreja de Santa Maria de los Llanos (antiga padroeira da cidade), ambas desaparecidas.

No a incorporação do maestrazgo (territórios da Ordem de Calatrava) na Coroa de Castela em 1487 não mudou a situação da cidade. A partir dessa data foi o governador real que passou a residir nos Palácios Maestrales. Em 1493 Francisco de Cisneros, então chanceler-mor de Castela e arcebispo de Toledo, mandou construir o mosteiro franciscano feminino de Santa Maria de los Llanos, o qual tinha uma igreja anexa; ambos os edifícios já não existem. Os problemas financeiros do imperador levaram a que os banqueiros alemães Fugger passassem a ser os beneficiários das rendas das minas de Almadén e dos Maestrazgos das ordens e alguns administradores dos Fugger instalaram-se em Almagro, onde construíram solares que ainda existem atualmente.

Nos séculos XVI e XVII a vila prosperou, tendo sido embelezada e expandiu-se para fora das muralhas. Nessa época foram criados os arrabaldes de São Pedro, Santiago, Santo Ildefonso, São João, São Sebastião e São Lázaro. O chaveiro da Ordem de Calatrava fundou o e o comendador-mor Gutierre de Padilla fundou o Hospital da Misericórdia e o Mosteiro da Assunção de Calatrava. Foram também construídas a igreja paroquial da Madre de Deus, o Convento da Encarnação, os escritórios dos Fugger e várias casas particulares. No mesmo período, foram reformadas a igreja de São Brás, a e a sede do ayuntamiento. A crise dos últimos anos do e do início do século seguinte não fez abrandar a construção em Almagro. Os franciscanos erigiram o Convento de Santa Catarina e os agostinhos, jesuítas e irmãos de São João de Deus também se instalaram na vila e os antepassados dos construíram lá seu palácio.

thumb|left|Praça de São Domingos

thumb|left|Pátio do palácio e armazém dos Fugger (, )

Durante o , Almagro viveu um esplendor passageiro, graças ao apoio que deu ao pretendente Bourbon e ao facto de , conde de Valdeparaíso, ter sido ministro das finanças do rei. A vila foi a capital da entre 1750 e 1761. Durante esse período a povoação sofreu grandes estragos devido ao sismo de Lisboa de 1755, conforme é descrito numa carta enviada em 9 de novembro de 1755 ao marquês de Santa Cruz pelo seu administrador:

Tendo fracassado na sua tentativa de reativação administrativa, o conde de Valdeparaíso promoveu a atividade económica, criando uma indústria têxtil dirigida pelo irlandês . Depois de um notório insucesso inicial, com o tempo a indústria de sarjas e rendas desenvolveu-se e tornou-se uma das principais marcas de identidade de Almagro.

As desamortizações empreendidas pelos governos de provocaram o desmantelamento dos edifícios religiosos mais importantes, o que prejudicou consideravelmente a conservação do património arquitetónica da vila; a decadente universidade renascentista local encerrou no primeiro quartel do e no mesmo século os cavaleiros calatravos, cansados da aspereza do sacro-convento do Castelo de Calatrava, a Nova, situado num cerro alto e frio, deixam a fortaleza e transladam o sacro-convento para Almagro. A comodidade foi efémera, pois em 1796 o rei concedeu à vila o título de cidade.

No início do a invasão francesa trouxe consigo a instalação em Almagro uma ativa loja maçónica bonapartista. A cidade sofreu com as Guerras Carlistas e os bens da igreja e do município foram afetadas pelas desamortizações de Mendizábal e de . A cidade experimentou uma decadência crescente, em parte motivada pela competição com Cidade Real, a capital provincial, mas desenvolveu-se uma indústria artesanal de (um tecido de renda de bilros em seda) que se tornou famosa. Na mesma época também ganhou fama uma especialidade gastronómica temperado de forma especial, a . Em 1845 foi construída uma nova praça de touros, com materiais da torre da antiga igreja de São Bartoloneu, demolida nesse ano, onde o toureiro deu a sua famosa espantada em 1927. A praça ardeu em 1932, após os toureiros se terem negado a tourear na tarde de 25 de agosto, o que causou a cólera do público que a incendiou. O telégrafo chegou a Almagro em 1858, o caminho de ferro em 1860 e a eletricidade em 1897. Em 1863 foi construído um quartel de cavalaria, em 1864 um casino e um teatro. Em 1886 as muralhas foram demolidas, mantendo-se as portas da cidade, as quais foram derrubadas na década de 1930.

Durante a década de 1950 foi descoberto e restaurado o e a sede do ayuntamiento de o conjunto da Plaza Mayor foram reformados. Em 1972 Almagro foi declarada Conjunto Histórico-Artístico. Nessa época foram restaurados e reabilitados vários edifícios, não apenas palácios e igrejas, mas também casas modestas e ermidas, e foi criado o Museu Nacional do Teatro, o qual inicialmente esteve alojado naquilo que foram hortas e adegas das Casas Maestrales e em 2004 foi instalado num edifício construído para o alojar. A cidade tornou-se uma referência para o teatro e cultura da região, onde se realiza um e outras atividades culturais e turísticas.

Economia thumb|upright=1.33|Teatro Adolfo Marsillach (antigo Hospital de São João de Deus)

A principal atividade económica do município é o turismo, que tem o seu pico durante o Festival de Teatro Clássico, que se realiza anualmente desde 1978. No setor primário destacam-se sobretudo as culturas agrícolas de cereais, vinha, oliveira e amendoeira, explorações pecuárias de ovinos e bovinos, pedreiras de basalto e minas de manganés e gesso. No setor secundário, a , um tecido de renda de bilros em seda de Almagro, tem gande fama e há também alguma indústria de madeira e de construção. Outro produto tradicional local famoso é a , que é protegido por uma denominação de origem.

Património arquitetónico Arquitetura civil — É uma praça famosa, que originalmente foi uma praça de armas e posteriormente um campo de feiras. Inspirada nas praças flamengas, tem planta regular irregular e é ladeada por edifícios de dois andares.

— Situado na Plaza Mayor, é um teatro do , o único do seu género integralmente conservado. Foi redescoberto e restaurado na década de 1950 e foi declarado Monumento Nacional em 1955. Mantém a sua estrutura original, dos teatros do Século de Ouro Espanhol, devido provavelmente a ter servido como mesón (restaurante). Trata-se de um pátio retangular com cerca de 300 m² rodeado por pilares de madeira pintados de almagre (vermelho), que se apoiam em bases de pedra para serem protegidos da humidade. Tem dois andares de balcões em três dos lados, que t~em ganchos para segurar uma tela de cobertura (o pátio não tem teto) e as velas ou candeeiros de azeite. No pátio há um poço onde deve ter-se situado a alojería, onde se vendiam refrescos aos espectadores. O espaço continua a ser utilizado para representações teatrais, nomeadamente durante o Festival de Teatro Clássico. Tem lotação para cerca de 300 pessoas.

Casas solarengas — A cidade tem numerosas casas solarengas da nobreza bem conservadas, muitas delas com majestosos portais. Alguns exemplos são, na Plaza Mayor, a Casa do Mayorazgo dos Molina e a Casa dos Rosales; na Rua de las Nieves a Casa dos Wessel (funcionários dos Fugger) e a Casa dos Xedler (a qual foi transladada da sua localização original na Rua Franciscas no pós-guerra) , ambas do , a Casa do Prior e a Casa do Capelão das Bernardas.

Palácios Existem vários palácios que atestam a importância que teve Almagro no passado.