O programa de televisão humorístico brasileiro Custe o Que Custar da Rede Bandeirantes originou algumas controvérsias. Com exibição de 2008 a 2015, o programa ficou marcado por sua abordagem política dos acontecimentos semanais e de seu humor considerado "ácido", que por várias vezes renderam conflitos com políticos e celebridades, alguns deles influenciando sob o programa.

Conflitos em Brasília CQC no Congresso Em abril de 2008, quando visitou o Congresso Nacional pela primeira vez, Danilo Gentili foi expulso da instituição ao entrevistar o então presidente da Câmara dos Deputados do Brasil, Arlindo Chinaglia, sobre a reforma tributária e o uso de caixa dois pelos deputados. A reportagem foi exibida no dia 14 de abril de 2008.

No começo do mês de junho de 2008, o programa foi impedido de gravar dentro do Congresso Nacional. O fato motivou a criação da campanha CQC no Congresso, desenvolvida para TV, rádio e internet, através do site cqcnocongresso.com.br, onde o público assinava uma petição pedindo a liberação do programa. O objetivo também era reunir apoio de formadores de opinião. A campanha foi lançada oficialmente em 9 de junho. Apesar do apelo, o veto foi mantido. A assessoria de imprensa da câmara afirmou que o programa é humorístico, por isso os seus integrantes não podem circular como jornalistas dentro do Congresso para abordar deputados e senadores e que eles não cumpriram o compromisso firmado com a Casa quando realizaram gravações com os parlamentares. O site da campanha do CQC afirma que o programa é jornalístico e seus repórteres também são jornalistas e realizam perguntas e questionamentos inerentes a essa profissão.

Até o dia 17 de junho, a campanha já tinha arrecadado mais de 120 mil assinaturas. Em 19 de março, gravando para o quadro Proteste Já, Rafinha Bastos realizou protesto contra o veto na frente do Congresso Nacional. O protesto ganhou adesão de estudantes de uma escola de Brasília que estavam visitando a Casa. Em 30 de junho, o então primeiro-secretário do Senado Federal, Efraim Morais, liberou o acesso do programa ao Congresso Nacional.

Credenciamento no Senado

Em abril de 2009, foi noticiado que a Câmara dos Deputados estava discutindo numa reunião entre os assessores da Casa com o departamento de comunicação uma maior rigidez no credenciamento de imprensa para evitar que os deputados sejam entrevistados por programas como o CQC e o Pânico na TV. A decisão foi relacionada ao deputado Sérgio Moraes e o presidente do Senado José Sarney, que se sentiram incomodados com abordagens do programa. Moraes foi abordado por Danilo Gentili, que fez perguntas a respeito de Edmar Moreira, acusado de usar dinheiro público para ligar para telessexo, enquanto que Sarney teria se incomodado ao ser chamado de "dinossauro". A solicitação de limitação do acesso dos integrantes do programa com credenciais temporárias, tanto na Câmara dos Deputados e no Congresso Nacional, foi realizada em maio de 2009. O pedido de Moraes foi feito durante Sessão Plenária.

No entanto, Sarney repensou sua decisão e concedeu credenciais fixas.

Agressão no Senado Em 1º de julho de 2009, Danilo Gentili tentou entrevistar o então presidente do Senado brasileiro, José Sarney, e acabou derrubado por seguranças da presidência da Casa em duas abordagens. Na primeira, Gentili perguntou a Sarney como ele se sentia em "não ser tão poderoso quanto se pensava", ficou sem resposta e foi empurrado por um dos seguranças. Na segunda abordagem, enquanto saia da Casa, Sarney se recusou a falar e disse que a imprensa o estava impedindo de andar, mas Gentili continuou e perguntou "se a saída dele da presidência acabaria com a crise" e levou outro empurrão. A agressão repercutiu por toda mídia e foi manchete de alguns telejornais naquela noite, tendo sido flagrada por um fotógrafo a serviço do jornal O Estado de S. Paulo.. A Band exibiu as imagens da agressão no mesmo dia, no jornalístico Brasil Urgente e no Jornal da Band. Ao exibir as imagens no primeiro programa, o apresentador José Luiz Datena chamou os seguranças de "cães de guarda".

Em resposta, o diretor da Polícia Legislativa do Senado Federal, Pedro Ricardo de Araújo Carvalho disse que o conflito foi por conta da natureza do trabalho de ambos os envolvidos. O diretor afirmou que Gentili bloqueou a passagem do senador e o segurança estava tentando liberar o caminho, segurando o comediante pelas costas. Gentili também teria se jogado no chão, após ser soltado pelo segurança. Ao G1, o humorista respondeu que "primeiro foi empurrado e depois jogado no chão".

As imagens foram exibidas, na íntegra, na edição do dia 6. Após a exibição, Marcelo Tas, em nome do CQC, anunciou que o programa iria entrar na justiça contra Sarney.

Entrevista com Nelson Trad thumb|Momento em que Monica Iozzi tenta falar com Nelson Trad. Em reportagem exibida no dia 14 de junho de 2010, Monica Iozzi e uma equipe do programa foram agredidos pelo deputado federal Nelson Trad (PMDB-MS) enquanto faziam uma reportagem sobre abaixo-assinados no Congresso Nacional. Uma moça que fazia parte da produção do programa era orientada a recolher assinaturas de congressistas, que, em sua maioria, não conferiam o que estavam assinando.

O documento assinado por Trad pedia a inclusão de um litro de cachaça no programa Bolsa Família. Ao ser informado do que se tratava, o deputado se exaltou e xingou a equipe. Monica Iozzi chegou a ser empurrada e um cinegrafista teve a roupa rasgada e parte do equipamento danificado. Após o incidente, Nelson Trad abriu investigação e chegou a declarar que a equipe do programa o agrediu.

No dia 17 de junho, em seu blog oficial, o programa divulga a seguinte nota:

Na semana seguinte, no dia 21 de junho de 2010, o programa desmentiu o parlamentar, veiculando a reportagem na íntegra, sem cortes, revelando que a agressão partiu do deputado, e não de quaisquer integrantes do CQC.

Segunda proibição no Senado A partir da reportagem exibido 9 de junho de 2011 o CQC entrevistou senador Renan Calheiros (PMDB-AL) perguntou sua presença no conselho de ética:

Depois da entrevista senador Renan Calheiros entrou na sala do senador José Sarney (PMDB-AP) minutos depois, a Polícia do Senado pediu que a equipe do CQC saísse já do senado e proibindo a entrada dos reportes do CQC.

Comparações O formato do CQC, que consiste em fazer uma abordagem crítica e ousada dos fatos da semana e de fazer "perguntas que ninguém tem coragem", foi originado na Argentina e lançado na TV em 1995, tendo como inspiração o programa La noticia rebelde (1986-89). Apesar disso, na década de 80, o jornalista e apresentador da versão brasileira Marcelo Tas também possuía um personagem com trejeitos semelhantes. Ernesto Varela, como era chamado, era um repórter independente que, acompanhado do câmera-men Valdeci, fazia "perguntas que não podiam ser feitas" para personalidades políticas. Com o formato argentino desembarcando no Brasil em 2008, surgiram comparações, em seu começo, com o Pânico na TV da RedeTV!, e posteriormente com o Legendários, da Rede Record - este último originando atritos de seus integrantes com o elenco do humorístico da Band.

Com o Pânico na TV O Pânico na TV estreou na RedeTV! em 2003 com o elenco oriundo do programa homônimo da rádio Jovem Pan FM, onde em alguns quadros, seus integrantes corriam atrás de celebridades e autoridades famosas e faziam perguntas geralmente indecorosas, intercaladas com imagens gráficas que satirizavam a situação. Com o formato do CQC estrando no Brasil em 2008, a mídia especializada começava a comparar os dois programas. Em uma de suas matérias, a versão online da Folha de S.Paulo apelidou o CQC de "Pânico argentino". Com o programa no ar, o mesmo site definiu-o como "uma espécie de Pânico da Band, com cérebro e sem mulheres seminuas", apontando que internautas já escolhiam o novo humorístico como o "melhor do Brasil". A coluna Zapping, na época assinada por Alberto Pereira Jr., informou que celebridades estavam confundindo a equipe do CQC com a do Pânico, ignorando a equipe do segundo dando preferência ao primeiro. Isso teria causado uma pressão na equipe do Pânico, já que o mesmo passava por uma crise, em reflexo de sua queda na audiência, troca de diretores e a saída de integrantes.

Apesar das comparações e dos supostos problemas internos, as equipes de ambos os programas demonstravam não ter rivalidade. Ao fazer um diferencial das duas atrações, a integrante Sabrina Sato elogiou o "humor maduro" do CQC, enquanto afirma que o Pânico faz "humor inconsequente".

Com o Legendários Legendários, programa que estreou na Rede Record em abril de 2010, tinha como proposta ser uma mistura dos humorísticos Pânico, CQC e do programa de auditório Altas Horas, da Rede Globo. O formato começou a ser projetado no segundo semestre de 2009, quando a Record contratou o comediante Marcos Mion, da MTV Brasil, para apresentar um programa para o público jovem. Em dezembro, foi divulgado que o programa seria exibido uma vez por semana e que iria misturar jornalismo, aventura e humor. João Gordo, um dos nomes confirmados no elenco, foi convocado para fazer matérias em Brasília, no mesmo estilo de Danilo Gentili para o CQC. Ainda na pré-produção, Gentili também havia sido sondado pela Record para fazer parte do programa, mas optou por renovar contrato com a Band.

Em janeiro de 2010, a Record desfalcou três produtores do CQC - Marcelo Salinas, pauteiro e produtor das matérias de Gentili; Rafael Cerqueira, produtor do Proteste Já, e André Lousas, responsável pelos efeitos gráficos. Em março, Legendários e a terceira temporada do CQC foram apresentados à imprensa. Na coletiva do primeiro, Mion afirmou que gostaria de fazer um programa do bem, com o objetivo de rir "com os outros, e não dos outros. Não queremos humilhar ninguém". Ele também respondeu perguntas sobre comparações com os humorísticos concorrentes. Na apresentação, os integrantes exibiram os uniformes padronizados nas cores preta e laranja. Em crítica publicada no blog "TV e Lazer", do jornal O Estado de S. Paulo, as "tiradas" exibidas em um vídeo de apresentação foram elogiadas. Entretanto, ao comparar com o CQC, o crítico escreve que "para um programa que se gabou nos últimos três meses de apresentar um novo tipo de humor para a TV brasileira, a impressão inicial foi de mais do mesmo".

Semanas antes, na apresentação do CQC, o jornal Extra relatou que os integrantes sentiram-se incomodados com a comparação com o novo humorístico da Record, já que iriam estrear quadros semelhantes naquele ano. A suspeita dada era de espionagem nos bastidores.

Legendários estreou no dia 11 de abril e recebeu avaliações negativas da crítica especializada. Patrícia Kogut, em seu blog do jornal O Globo, chamou o programa de tosco e questionou o porquê de "Marcos Mion ter anunciado que o programa seria 'revolucionário'". Ao argumentar, Kogut apresentou comparações na abordagem política de Felipe Solari e efeitos visuais usados no quadro "Whatever", de Teena (interpretada por Miá Mello), com os do CQC. A jornalista finaliza escrevendo que Legendários é pretensioso, "(...) sem graça, interminável e constrangedor". Em crítica publicada no portal Terra, o jornalista Mauro Trindade fez outras comparações com humorísticos de outras emissoras e o próprio CQC, apontando também inspirações em formatos de programas populares, como os de Netinho de Paula e Gugu Liberato. A análise inicia-se adjetivando o programa como "vexativo, tosco, apelativo, ingênuo e sem-graça" e apontou que a tentativa de agradar um grande público (como o de TV aberta) "pode ser o mesmo que não agradar a ninguém". Apesar da péssima recepção pela mídia, Legendários estreou com dez pontos de audiência, garantindo a vice-liderança isolada no horário de exibição.