William Milnor Roberts (12 de fevereiro de 1810, Filadélfia, Pensilvânia – 14 de julho de 1881, Soledade, atual Congonhas do Campo, Brasil) foi um engenheiro civil norte-americano de destaque no século XIX. Reconhecido por sua atuação em projetos ferroviários e hidráulicos nos Estados Unidos e no Império do Brasil, Roberts foi presidente da American Society of Civil Engineers e engenheiro-chefe da Northern Pacific Railroad, além de ter liderado a construção de trechos estratégicos da Estrada de Ferro D. Pedro II.
Biografia
Primeiros anos e formação Nascido em Filadélfia, na Pensilvânia, em 1810, William Milnor Roberts era filho de Thomas Paschall e Mary Louise (Baker) Roberts, de ascendência Quaker. Casou-se duas vezes: com Annie Gibson, em junho de 1837, e, após sua morte, com Adeline Beelen, em novembro de 1868. Teve ao menos nove filhos.
Formou-se como engenheiro civil em uma época em que a profissão ainda se consolidava nos Estados Unidos. Foi aluno do arquiteto John Haviland no Franklin Institute, onde estudou desenho técnico e matemática aplicada. Durante os verões, trabalhava em campo; no inverno, frequentava cursos teóricos.
Carreira nos Estados Unidos Roberts iniciou sua trajetória profissional em 1825 na Union Canal Company, no estado da Pensilvânia, e, no ano seguinte, participou da construção do canal Lehigh entre Mauch Chunk e Filadélfia.
Entre 1831 e 1835, atuou como engenheiro assistente e depois gerente-geral da Allegheny Portage Railroad, uma das primeiras estradas de ferro do país. Foi responsável pela construção de uma ponte de dois níveis sobre o rio Susquehanna, em Harrisburg, e supervisionou extensões de canais e ferrovias em diversos estados, incluindo a Allegheny Valley Railroad, Atlantic and Mississippi Railroad e Iron Mountain Railroad.
Entre 1855 e 1857, presidiu a Commission to Consider Reconstruction of Allegheny Portage, encarregada de avaliar a modernização das ligações ferroviárias no Centro-Oeste.
Nos anos seguintes, destacou-se em importantes empreendimentos: Engenheiro responsável pela melhoria da navegação no rio Ohio (1866), tendo fundado o Office of Ohio River Improvement em Pittsburgh. Engenheiro-chefe adjunto na construção da Eads Bridge (1868), em St. Louis, sobre o rio Mississippi. Engenheiro-chefe da Northern Pacific Railroad (1869–1879), segunda ferrovia transcontinental norte-americana.
Em 1878, foi eleito presidente da American Society of Civil Engineers, após exercer o cargo de vice-presidente entre 1873 e 1878.
Atuação no Brasil
Primeiro contrato (Estrada de Ferro D. Pedro II) Roberts chegou ao Brasil em 1857, contratado para participar da construção da Estrada de Ferro D. Pedro II, um dos mais ambiciosos projetos de engenharia do Império do Brasil.
Em 1858, formou a sociedade Roberts, Harvey & Co. em parceria com os engenheiros norte-americanos Charles J. Harrah, Robert Harvey e Jacob Humbird, responsável pela execução da desafiadora segunda seção da linha tronco, destinada a transpor a Serra do Mar.
A empresa ficou encarregada da aquisição de materiais e equipamentos, incluindo trilhos, pregos e locomotivas fornecidas pela Baldwin Locomotive Works, da Filadélfia — empresa boicotada pelos estados confederados durante a Guerra de Secessão. Roberts também atuou como procurador de William M. Watts no contrato firmado com Cristiano Otoni, então diretor da ferrovia. O contrato com a companhia foi encerrado em 1864.
Retorno e segundo contrato (Comissão Hidráulica do Brasil) Após retornar aos Estados Unidos e concluir seu trabalho na Northern Pacific Railroad, Roberts foi novamente convidado pelo governo imperial brasileiro em 1879 para chefiar a Comissão Hidráulica do Brasil.
Sua missão incluía: Avaliar e propor melhorias para o porto de Santos; Conduzir levantamentos e estudos sobre o rio São Francisco, acompanhado pelo geólogo Orville A. Derby e por jovens engenheiros brasileiros; Elaborar o relatório *Commissão Hydraulica sobre o Exame do Rio São Francisco desde o Mar até a Cachoeira de Pirapóra* (1880), uma das primeiras obras técnicas sistemáticas sobre hidrografia e navegação interior no Brasil.
Em reconhecimento à sua competência, Roberts foi nomeado, em 1879, chefe da comissão imperial de engenheiros hidráulicos, incumbida de examinar e relatar a navegabilidade dos principais rios e portos do Império.
Últimos dias e missão em Minas Gerais Em 1881, Roberts foi convidado pelo engenheiro brasileiro Joaquim Miguel Ribeiro Lisboa, responsável pela Estrada de Ferro Oeste de Minas (EFOM), para inspecionar o trecho inicial da nova ferrovia de bitola estreita (762 mm).
Em carta datada de 3 de julho de 1881, elogiou a estabilidade da locomotiva Baldwin e do material rodante e o traçado econômico da via, destacando a ausência de solavancos laterais. Durante essa visita, estava acompanhado por um representante da Burnham, Parry, Williams and Co., companhia que administrava a Baldwin Locomotive Works, Mr. Paist, que também aprovou os resultados dos testes.
Poucos dias depois, durante uma viagem de inspeção pelo Rio das Velhas, Roberts adoeceu e faleceu em Soledade, atual Congonhas do Campo, em 14 de julho de 1881, vítima de febre tifoide. Foi sepultado em Carandaí.
Legado A carreira de William Milnor Roberts representa a integração técnica e científica entre Estados Unidos e Brasil no século XIX. Sua atuação consolidou a presença da engenharia norte-americana no contexto da modernização imperial e marcou uma virada na cultura técnica brasileira, substituindo a influência britânica por métodos e tecnologias de matriz estadunidense.
Bibliografia Sem autor. The National Cyclopedia of American Biography. New York: James T. White, 1940, p. 447.
Ver também Cristiano Benedito Otoni Estrada de Ferro Central do Brasil Estrada de Ferro Oeste de Minas Baldwin Locomotive Works
Ligações externas William Milnor Roberts Papers (1828–1959), Merrill G. Burlingame Special Collections Library, Montana State University.
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