Tugueje ibne Jufe ibne Iltaquim ibne Furane ibne Furi ibne Cacane () foi um oficial militar turco que serviu o Califado Abássida e o Reino Tulúnida do Egito e Síria. Foi o pai de Maomé ibne Tugueje, o fundador da dinastia iquíxida.

Vida

thumb|upright=1.05|Dinar de ouro de Amade ibne Tulune

Tugueje foi o filho de Jufe, o primeiro membro atestado da família a entrar no serviço do Califado Abássida sob o califa Almotácime . A família era oriunda do Vale de Fergana e foi recrutada por Almotácime junto de outros outros habitantes de Fergana em seu exército (o regimento Faraguina). Sua família reclamou ascendência real; o nome de seu ancestral, "Cacane", é um título turco real. Jufe e seus descendentes portanto não eram membros da casta escrava militar (mamelucos e gulans), mas uma casta de homens nascidos livres, provavelmente nobres. Tugueje também teve irmãos, Badre e Uazar, que também ingressaram no serviço militar, mas são apenas ocasionalmente mencionados e pouco se sabe sobre eles.

Como seu pai, Tugueje serviu aos abássidas, mas depois entrou ao serviço dos tulúnidas, que desde 868 tornaram-se governantes autônomos do Egito e Síria. Segundo Ibne Calicane, Tugueje primeiro entrou ao serviço de Lulu, um gulam do fundador da dinastia tulúnida Amade ibne Tulune, mas então dirigiu-se à Moçul, onde serviu o governador Isaque ibne Cundaje, até depois da morte de ibne Tulune em 884. A morte de ibne Tulune pareceu apresentar uma oportunidade para seus inimigos capturarem alguns dos domínios tulúnidas na Síria de seu herdeiro e filho inexperiente, Cumarauai. Ibne Cundaje e seu aliado Maomé ibne Abi Açaje, bem como o regente abássida, Almuafaque, atacaram os tulúnidas, mas no evento Cumarauai saiu vitorioso, e ibne Cundaje foi forçado a reconhecer sua suserania em 886/887. Durante as negociações entre ibne Cundaje e Cumarauai, segundo Ibne Calicane, o último notou Tugueje e ficou impressionado por sua aparência, levando-o para servi-lo.

thumb|upright=1.05|esquerda|Dinar de ouro de Almutâmide com os nomes de Almuafaque e o vizir Saíde thumb|upright=1.05|esquerda|Dinar de ouro de Cumarauai

Segundo Atabari, em agosto de 892 Tugueje liderou um raide de verão (saifa) contra o Império Bizantino em nome dos tulúnidas. Ele invadiu os arredores de Tireu (ar. Taraium) e um local conhecido em árabe como Malúria (Malūriyah; possivelmente Malacopeia ou Balbura). Mais adiante ele tornou-se governador de Tiberíades, Alepo (a capital do distrito de Quinacerim) e Damasco, e particularmente distinguiu-se por repelir os ataques dos cármatas sob Saíbe Anaca em Damasco em 903. Atabari também afirma no mesmo ano, quando estava em Alepo, informou Raguibe que Cumarauai queria vê-lo. Depois disso, escreveu uma carta para Maomé ibne Muça ibne Tulune, o emir de Tarso, informando-lhe que os bens de Raguibe estavam em posse do pajem Macnune e que Raguibe estava a caminho da cidade, bem como que quando o pajem chegasse na cidade deveria ser capturado e os bens consigo deveriam ser confiscados.

Após a morte de Cumarauai em 896, contudo, o Reino Tulúnida rapidamente começou a ruir de dentro, e falhou em estabelecer qualquer resistência séria quando os abássidas dirigiram-se contra ele para restabelecer controle direto sobre a Síria e Egito em 904. Tugueje desertou para os abássidas invasores sob Maomé ibne Solimão Alcátibe e foi nomeado governador de Alepo em troca; mas ibne Solimão cairia vítima de intrigas cortesãs logo depois, e Tugueje e seus filhos Maomé e Ubaide Alá seriam presos em Baguedade. Tugueje morreu na prisão em 906, mas seus filhos foram libertados logo depois. Após uma carreira tumultuada, Maomé dirigiu-se para o Egito em 935 para estabelecer-se como mestre do país, conseguir governá-lo, bem como partes da Síria, até sua morte em julho de 946. A dinastia por ele estabelecido, os iquíxidas, durou até o Egito ser capturado pelo Califado Fatímida em 969.

Bibliografia

Categoria:Turcos do século IX Categoria:Turcos do século X Categoria:Generais tulúnidas Categoria:Pessoas das guerras bizantino-árabes Categoria:Prisioneiros do Califado Abássida