thumb|200px|Praça da Constituição, Huancayo

Huancayo é uma cidade do Peru, capital do departamento de Junín e da província de Huancayo. Situada perto do Vale de Mantaro, tem uma população de aproximadamente 456.250 pessoas (2017). Huancayo é a sexta cidade mais populosa do país e a área metropolitana mais importante da serra central do Peru. Além disso, é considerada o centro econômico e social do centro andino do Peru.

A cidade é atravessada pelos rios Shullcas, Chilca e Mantaro. Foi fundada com o nome de Santíssima Trindade de Huancayo em 1º de junho de 1572 como uma "vila de indígenas" por Jerónimo de Silva. A região foi habitada pelos huancas por volta do ano 500 A.C. A cidade foi integrada ao reino Huanca, sendo posteriormente incorporada ao Império Inca.

Etimologia O vocábulo Wankayuq é composto pela raiz wanka (pedra) e o sufixo -yuq (aquele que tem). Então, uma tradução do nome seria "o lugar da pedra". Esta tradução é acompanhada por uma lenda que diz que no lugar da atual Plaza Huamanmarca existiu uma pedra ovalada de grandes dimensões, atualmente, não existem traços da antiga estrutura.

Delimitação da área urbana A cidade é formada por 9 distritos da província: Huancayo, El Tambo, Chilca, Sapallanga, Huancán e San Agustín de Cajas, San Jerónimo de Tunán, Hualhuas, e finalmente Pilcomayo que é o único distrito localizado na margem direita do rio Mantaro.

Estes 9 distritos formam parte da área urbana da cidade e representam uma densa aglomeração metropolitana segundo o Plano do Desenvolvimento Urbano de Huancayo 2015–2025name=PDU Huancayo 2015–2025> levado a cabo com o apoio do Banco Interamericano de Desenvolvimento.

História Época pré-colonial Antigamente, a região estava habitada pela nação wanka até aproximadamente o século XIII a.C. Eles tinham fama de ser guerreiros aguerridos e indômitos. A sua principal atividade era a agricultura. Os Wankas foram uma nação cuja antiguidade é desconhecida. Desenvolveram-se no Vale do Mantaro na zona centro e sul, especialmente ao lado direito do rio Mantaro, para a zona do noroeste ficando em Ahuac, Huáchac e outros povos, onde fica o centro povoado e a fortaleza wanka em cima do cerro Watury. Depois de guerras, opressão e invasão por parte de outros povos, foi iniciado o isolamento e o crescimento destes no vale e cujas ruínas ainda ali permanecem como aquelas que ficam na localidade de CotoCoto (atual distrito de Chilca) e Ocopilla (atual zona leste de Huancayo).

Foi a Cultura de Huari que iniciou a invasão até o século VI. Os povos da zona central do vale do Mantaro formaram parte do que foi conhecido como Império Huari. Dessa época datam as ruínas de Huarivilca. A queda desse império foi seguida do surgimento de outra cultura, a incaica. Até 1460, sob mandato do Pachacútec, os incas tomaram o controle da região .

A natureza dos wankas e sua resistência, assim como a política de assimilação dos incas (fundamentada na introdução da sua religião e de seu idioma) não causou uma convivência pacífica, mas sim tornou a região uma zona de constante convulsão e repressão pelos incas. Certa crônica disse que após uma derrota dos wankas, o Inca ordenou a mutilação da mão direita dos mais de 600 guerreiros wankas. Apesar da resistência, o vale foi aproveitado pela sua fertilidade e usada como uma das vias principais do caminho inca.

A tradição oral disse que um Tambo inca (pousada no caminho inca) havia ficado um dia no caminho de Jauja. Frente a esse tambo havia uma pedra de forma ovalada de grandes dimensões. Nesse lugar passava o rio Florido, que deságua no rio Mantaro.

Época colonial e fundação da cidade Durante a colonização, as forças espanholas, comandadas por Francisco Pizarro, iniciaram seu viagem rumo a Cusco, capital do Império Inca, pelos Andes. Nesse viagem se realizou a fundação da cidade de Jauja e seu estabelecimento como primeira capital do novo território. Nesse momento existiu um acordo entre os conquistadores e os indígenas Xauxas para derrotar os incas. Em recompensa por essa colaboração, o rei espanhol Felipe II deu-lhes o atual brasão da cidade.

Depois da conquista, os espanhóis foram se assentando nos vales que consideravam mais apropriados. Dia 1 de junho de 1572, Huancayo foi fundada como "povo de índios" por Jerónimo de Silva e dedicada à Santíssima trindade, chamando-se Santíssima Trindade de Huancayo. Logo disso, o vice-rei Francisco de Toledo fez dali o centro da encomienda com ayllus a seu redor: Ayllu Huamanmarca, Ayllu Cajas, Ayllu Tambo, Ayllu Auquimarca, Ayllu Hualahoyo, Ayllu Plateros, etc.

Desde então, a cidade formou-se ao redor do caminho inca, situação que se mantém na atualidade. O caminho inca se converteu na "Calle Real", a principal rua da cidade que a cruza de norte a sul e é o centro do sua organização e sua vida.

No 8 de novembro de 1580, iniciou-se a construção de uma pequena igreja chamada "Santíssima Trindade de Huamanmarca" que substituiu a antiga pedra ovalada. Esta igreja foi terminada no ano 1619 mas não existem ruínas dela. O terremoto de 1876 a destruiu. A igreja mudou-se a "La Merced", quinhentos metros mais ao norte. Em 1616 o cronista Felipe Guamán Poma de Ayala passou por Huancayo.

A igreja matriz foi construída num terreno doado por vizinhos notáveis. Sua construção começou no 18 de março de 1799 e foi terminada no 18 de março de 1831. A praça onde fica essa igreja se chama Praça da Constituição pela promulgação da Constituição peruana de 1839.

Guerra da independência Durante a época da independência, Huancayo proclamou e jurou a independência nacional em 20 de novembro de 1820Vicepresidencia de la República del Perú - Huancayo (8 meses antes da proclamação da independência do Peru feita pelo general José de San Martín). Em sua rota para pegar a capital do vice-reino desde os andes, o general Juan Antonio Álvarez de Arenales e seu exército passaram pelo vale do Mantaro rumo a Cerro de Pasco. Em Huancayo se estocou e continuou seu viagem a norte. Depois de sua partida, a cidade ficou desprotegida. O brigadeiro espanhol Mariano Ricafort avançou até a cidade. O general San Martín enviou ao sargento-mor José Félix Aldao para dirigir as forças armadas agrupadas em Huanuco assim como outros homens de Tarma liderados pelo governador Francisco de Paula Otero.

A quantidade de homens aproximava-se de 5000, entre indígenas, criollos e mestiços. Nestas condições se peleou no 29 de dezembro de 1820 o combate do Azapampa (ficado ao sul da atual cidade). O resultado foi catastrófico para os peruanos.

Depois de obtida a independência, o Presidente José de Torre Tagle conferiu a Huancayo o apelido de "Cidade Incontrastável" («Ciudad Incontrastable») no 19 de março de 1822, ratificando-se este pelo governo provisório de José de La Mar no 5 de fevereiro de 1828.

Simón Bolívar chegou a esta cidade no agosto de 1824. Na sua estadia premiou a muitos heróis e brindou reconhecimento aos soldados patriotas que ajudaram conseguir a independência dos países sul-americanos. Também expulsou da região os monges franciscanos do convento de Ocopa por considerá-los «realistas recalcitrantes».

Época republicana Depois da batalla de Yungay, onde a expedição peruano-chilena derrotou a Confederação Peruano-Boliviana, O presidente do Peru Agustín Gamarra convocou uma assembleia constituinte que emitiu a Constituição Política do Peru de 1839 na capela da Mercê na cidade de Huancayo.

No 31 de outubro de 1854, o marechal Ramón Castilla, enfrentou-se a José Rufino Echenique derrotando-o na batalha do cerro de Cullcos chamado atualmente "Colininha da Liberdade" ("Cerrito de la Libertad") ficado ao leste da cidade. Castilla elegeu a cidade como sua sé de governo desde a qual decretou, no dia 3 de dezembro de 1854 - numa casa ficada no Praça da Constituição - a abolição da escravidão no Peru. Também decretou o fim do tributo indígena.

No 16 de novembro de 1864, durante o governo do presidente Juan Antonio Pezet decretou-se a criação da província de Huancayo, separando-a da cidade de Jauja. Huancayo foi estabelecida como capital da dita província. No 15 de janeiro de 1931, de acordo com o decreto de Luis Miguel Sánchez Cerro, Huancayo foi nomeada capital do departamento de Junín substituindo à cidade de Cerro de Pasco. Este feito estabeleceu a Huancayo como a principal cidade do região central do país, condição que foi consolidando-se durante o século XX.

Em 1963, durante o primeiro governo de Fernando Belaúnde, expediu-se a Lei N° 14700 proposta pelo deputado aprista Alfredo Sarmiento Espejo que declarou de interesse nacional a realização de várias obras na cidade é o departamento de Juním criando-se para isso impostos especiais. Como consequência dessa lei, construíram-se importantes instalações em Huancayo como o Centro Cívico na Praza Huamanmarca, as feiras modelo e grossista, a Igreja da Imaculada e o Estádio Huancayo. Subsequentemente, gerou-se uma confusão ao outorgar a autoria da projeto ao senador Ramiro Prialé.

Nos anos 1980, Huancayo e toda a região central do pais foi um dos principais lugares de luta contra as organizações terroristas Sendero Luminoso e MRTA no centro do país. Na cidade havia constantes enfrentamentos entre as forças armadas e essas dois facções, as mesmas que inclusive se confrontavam uma à outra. O leste da cidade encontrava-se baixo o control do Sendero Luminoso e o oeste do MRTA. No ano 1988, prendeu-se ao líder do MRTA Víctor Polay Campos na Praza Huamanmarca no centro da cidade. Desde o ano 1992, as forças armadas lograram desarticular o movimento subversivo. No 14 de julho de 1999, logrou-se capturar ao ultimo líder do Sendero Luminoso Oscar Ramírez Durand, apelido "Feliciano", no localidade de Cochas, anexo do distrito de El Tambo.

Geografia A cidade de Huancayo fica na parte central do Peru na cordilheira dos Andes. A cordilheira mostra, nessa parte, três sistemas bem diferenciados: uma ocidental, outra central e uma oriental. A cidade fica no médio do vale entre as cordilheiras ocidental e central. O rio Mantaro nasce no Lago Junin e percorre várias centenas de quilômetros até o departamento de Huancavelica. Forma o vale do Mantaro que estende-se desde o norte da cidade de Jauja até o distrito do Pucará com um comprimento de mais de setenta quilômetros. Este vale é considerado como o maior da serra do Peru e é um dos que tem maior produção agrícola do pais.

Geopoliticamente, se há sinal que a ubiquação da cidade é uma das mais apropriadas considerando a extensão do pais. Entretanto, os acidentes geográficos fazem que as comunicações para a região sul do pais não sejam as melhores.

Localização O centro da cidade fica no pleno vale do Mantaro, no lado esquerdo do rio de mesmo nome. A parte norte da cidade se estende pelo distrito de San Agustín de Cajas e San Jerónimo, estes se caracterizam por ser distritos com um grão potencial turístico e residencial. A parte central da cidade estende-se pelos distritos de Huancayo e El Tambo. Estes distritos acolhem os principais prédios públicos da cidade assim como as principais zonas comerciais. Para o leste e oeste ficam o distrito de Pilcomayo e os bairros de São Carlos e Palián que são residenciais de recente desenvolvimento comercial e turístico. Finalmente, para o sul, ficam os distritos de Chilca, Huancán e Sapallanga que estão em desenvolvimento e se caracterizam por ser distritos que acolhem mais imigrantes dos departamentos do sul.

A cidade fica totalmente atravessada de norte a sul pela Calle Real, o antigo Qhapaq Ñan, que é a principal rua da cidade e nela está grão parte do movimento comercial da cidade.

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