O , ou Era Showa, é o período da história do Japão correspondente ao reinado do Imperador Showa, Hirohito, de 25 de dezembro de 1926 até 7 de janeiro de 1989.Nussbaum, Louis-Frédéric. (2005). "Shōwa" em
O período Showa foi o mais longo período de todos os reinados dos Imperadores japoneses anteriores. Durante o período pré-1945, o Japão foi tomado pelo totalitarismo político, ultranacionalismo e imperialismo militar, culminando na invasão japonesa da China em 1937. Isso era parte de um período de grandes convulsões e conflitos sociais no mundo todo, como a Grande Depressão e a Segunda Guerra Mundial.
A derrota na Segunda Guerra Mundial trouxe mudanças radicais para o Japão. Pela primeira e única vez em sua história, o país foi ocupado por forças estrangeiras; uma ocupação que durou sete anos. A ocupação dos aliados trouxe grandes reformas democráticas, levando ao fim do status do imperador como um deus vivo e a transformação do Japão em uma democracia com uma monarquia constitucional. Em 1952, com o Tratado de São Francisco, ele tornou-se de novo uma nação soberana.San Francisco Peace Treaty . Acesso em 20 de agosto de 2011. O período Showa pós-guerra também levou ao Milagre econômico japonês.
Dessa maneira, os períodos pré-1945 e pós-guerra possuíam estados completamente diferentes. O período Showa pré-1945 (1926-1945) refere-se ao Império do Japão , enquanto o período Showa pós-1945 (1945-1989) foi parte do Estado do Japão.
Etimologia Em seu discurso de coroação, que foi lido ao povo, o recém-entronado imperador definiu essa nova era, ou nengo, "Eu visitei os campos de batalha da Grande Guerra na França. Vendo tamanha devastação, eu compreendo a bênção da paz e a necessidade de amizade entre as nações.".Durschmied, Erik. (2002). Blood of Revolution: From the Reign of Terror to the Rise of Khomeini, p. 254. Entretanto, o começo do período Showa foi tudo menos pacífico.
Fim da “Democracia Taisho” A eleição de Kato Takaaki como Primeiro Ministro do Japão continuou com as reformas democráticas que haviam sido defendidas por indivíduos influentes do liberalismo. Isso culminou com o sufrágio universal masculino em março de 1925. Essa lei concedeu a todos os homens, com idade acima de 25 anos, o direito ao voto, desde que eles tivessem vivido no distrito eleitoral por pelo menos um ano e que não fossem desabrigados. O eleitorado aumentou de 3,3 milhões para 12,5 milhões de eleitores.Hane, Mikiso, Modern Japan: A Historical Survey (Oxford: Westview Press, 1992), p. 234 .
A pressão dos conservadores, entretanto, forçou a aprovação da Lei de Preservação da Paz de 1925 junto com outras legislações antirradicais, apenas dez dias antes da aprovação do sufrágio universal masculino. O Ato de Preservação da Paz restringiu severamente a liberdade individual no Japão. Ele acabou com os grupos que queriam alterar o sistema de governo ou abolir a propriedade privada. Os partidários esquerdistas influenciados pela Revolução Russa de 1917 foram consequentemente esmagados. Isto, em parte, deve-se ao Ato de Preservação da Paz, mas também é devido a fragmentação geral da esquerda.
Os conservadores forçaram a aprovação da Lei de Preservação da Paz porque os líderes dos partidos e os políticos da era Taisho sentiram que, depois da Primeira Guerra Mundial, o estado estava correndo risco de movimentos revolucionários. O estado japonês nunca definiu claramente uma fronteira entre as matérias pública e privada e, assim, exigia lealdade em todas as esferas da sociedade. Consequentemente, qualquer ataque ideológico, como uma proposta de reforma socialista, era vista como um ataque para a própria existência do estado.
Após a aprovação da Lei de Preservação da Paz e da legislação respectiva, o kokutai emergiu como o símbolo do estado. Ele era visto como uma barreira contra os movimentos comunistas e os anarquistas no Japão. Com o desafio da Grande Depressão no horizonte, esta seria a sentença de morte para a democracia parlamentar do país.
A Conferência de Washington e o Incidente de Mukden
Após a Grande Guerra, as potências ocidentais, influenciadas pela ideologia wilsoniana, tentaram um esforço pelo desarmamento universal. Na Conferência Naval de Washington de 1921-1922, as grandes potências se reuniram para impor limites no armamento naval. O Tratado Naval de Washington de 1922 limitou a competição de navios e porta-aviões para uma razão de 5:5:3 para o Reino Unido, Estados Unidos e Japão, respectivamente.Office of the Historian - Milestones - 1921-1936 - The Washington Naval Conference . Acesso em 20 de agosto de 2011. Ultranacionalistas japoneses viram isto como uma tentativa das potências do ocidente de limitar o expansionismo japonês para uma região do globo sobre o qual eles não tinham interesse. Mas, aqueles que estavam no poder no Japão prontamente concordaram com o desarmamento, pois perceberam que o gosto pela guerra no mundo havia minguado depois da Primeira Guerra Mundial e sabiam que a proporção era suficiente para manter a hegemonia no Pacífico.
Em 1924, entretanto, as relações amistosas entre Estados Unidos e Japão foi abaladas pelo Ato de Exclusão japonês. Este ato interrompia a imigração japonesa para os Estados Unidos e rebaixava os imigrantes japoneses para o nível dos outros asiáticos (que já estavam excluídos). A reação esmagadora no Japão, tanto nas classes mais altas como nos comícios de massa que refletiam a opinião pública, era hostil e firme. Comentaristas sugeriram o uso de armas de uma guerra de raças e clamou por mais investimentos nas forças armadas japonesas. Hirobe, Izumi. Japanese Pride, American Prejudice: Modifying the Exclusion Clause of the 1924 Immigration Act (2001) ch 4
De 1928 a 1932, a crise doméstica não podia mais ser evitada. Apesar de a esquerda ter sido vigorosamente combatida pelo estado, a Grande Depressão trouxe novas dificuldades para o povo japonês. Os preços da seda e do arroz caíram e as exportações diminuíram 50%. O desemprego nas cidades e no campo disparou e pequenas agitações sociais começaram a surgir.
Enquanto isso, a Conferência Naval de Londres ocorreu em 1930. Seu objetivo era expandir o Sistema do Tratado de Washington. O governo japonês desejava que a razão aumentasse para 10:10:7, mas essa proposta foi rapidamente rejeitada pelos Estados Unidos. Graças às reuniões de bastidores e outras intrigas, o Japão conseguiu uma vantagem de 5:4 em cruzadores pesados,Tohmatsu, Haruo and H.P. Willmott, A Gathering Darkness: The Coming of War to the Far East and the Pacific, 1921–1942, (Lanham, MD: SR Books, 2004) 26–27. mas esse pequeno gesto não satisfez a população japonesa, que estava gradativamente sendo influenciada pelos vários grupos ultranacionalistas que se espalhavam pelo país. Como resultado de seus fracassos no Tratado Naval de Londres, o Primeiro Ministro Hamaguchi Osachi foi alvejado em 14 de novembro de 1930, por um ultranacionalista, e morreu em 1931.3-18 Shooting of Prime Minister HAMAGUCHI Osachi | Modern Japan in archives . Acesso em 20 de agosto de 2011.
Nessa época, o governo civil perdeu o controle da população. Um correspondente do The New York Times chamou o Japão de um país controlado por um "governo de assassinato".Pyle, Kenneth. The Rise of Modern Japan 189. O exército, agindo independentemente do próprio governo do Japão, aproveitou-se da oportunidade e invadiu a Manchúria no verão de 1931.
Desde a Guerra Russo-Japonesa de 1905, o Japão possuía uma presença militar na Manchúria. Após uma pequena explosão nos trilhos de uma ferrovia japonesa, ao norte de Mukden, o exército japonês mobilizou o Exército de Guangdong e atacou as tropas chinesas. O governo Minseito, liderado pelo sucessor de Hamaguchi, Wakatsuki Reijiro, não foi capaz de conter a ofensiva militar. O Exército de Guangdong conquistou toda a Manchúria e instalou o estado fantoche de Manchukuo. Boa parte do governo, agora dominada por oficiais do exército, votaram a favor da retirada da Liga das Nações. As primeiras sementes do conflito que viria foram plantadas.
Ascensão do Nacionalismo
Antes de 1868, a maioria dos japoneses identificavam-se mais com os seus domínio feudais do que com a ideia de um "Japão" como um todo. Quando o Xogunato Tokugawa foi derrubado, os líderes da revolução, o Domínio de Satsuma e o Domínio de Choshu (Aliança Satchō) eram ideologicamente opostos à casa de Tokugawa desde a Batalha de Sekigahara. O período Meiji mudou tudo isso. Com a introdução da educação em massa, conscrição, industrialização, centralização e a vitórias em guerras pela Ásia, o nacionalismo japonês começou a surgir com grande força na sociedade. A educação em massa e a conscrição serviram como meio de doutrinar as gerações mais novas com a "ideia do Japão" como uma nação ao invés de uma série de daimyos. Neste sentido, a lealdade aos senhores feudais foi substituída pela lealdade ao estado. A industrialização e a centralização deram aos japoneses um forte sendo de que o país deles poderia rivalizar com as potências ocidentais tanto em termos tecnológicos como em termos sociais. Além disso, as vitórias nas guerras externas deram à população a sensação de orgulho militar para a nação.
A ascensão do nacionalismo japonês coincidiu com o crescimento do nacionalismo no Ocidente. Alguns conservadores como Gondo Seikei e Asahi Heigo viam a rápida industrialização do Japão como algo a ser visto com cautela. Parecia, por um tempo, que o Japão estava se tornando muito ocidentalizado e que se isso não fosse controlado, o país poderia perder parte de sua identidade. Durante o período Meiji, esses nacionalistas protestaram contra os Tratados Desiguais, mas nos anos seguintes à Primeira Guerra Mundial a oposição do Ocidente às ambições imperiais japonesas e as restrições à imigração japonesa mudaram o foco do movimento nacionalista no Japão.
O nacionalismo japonês foi impulsionado pelo conceito romântico do Bushido e conduzido por uma preocupação moderna com o desenvolvimento industrial acelerado e a dominação estratégica no leste asiático. Eles viam a Intervenção Tripla, de 1895, como uma ameaça à sobrevivência japonesa no leste da Ásia e advertiam que as "Potências ABCD" (Estados Unidos, Reino Unido, China e a Países Baixos) eram uma ameaça para o Império japonês. Para eles, a única solução era a conquista e a guerra.
Durante a primeira metade da era Showa, a discriminação racial contra asiáticos de outros países era normal no Império do Japão, tendo começado com o início do colonialismo japonês.Herbert Bix, Hirohito and the Making of Modern Japan, 2001, p.280 Desse modo, o regime Showa pregava a superioridade racial e teorias racistas, baseado na natureza sagrada do Yamato-damashii. Um dos professores do Imperador Showa, o historiador Kurakichi Shiratori, observou: "Portanto, nada no mundo se compara à natureza divina (shinsei) da casa imperial e à majestade de nossa política nacional (kokutai). Aqui está uma grande razão para a superioridade do Japão.".Peter Wetzler, Hirohito and War, 1998, p.104
O Pacto Anticomintern trouxe ideologias nazistas ao Japão, que tentou, mas não conseguiu, incluir argumentos anti-semitas na discussão pública. Quando o governo apresentou a imagem popular dos judeus, não era para perseguir mas para fortalecer a uniformidade da ideologia doméstica.David G. Goodman, Masanori Miyazawa, Jews in the Japanese Mind :The History and Uses of a Cultural Stereotype , 1995, p.104-105, 106-134.Herbert Bix, Hirohito and the Making of Modern Japan, 2001, p.281
As políticas antissemitas da Alemanha nazista de Adolf Hitler foram recusadas quando o Ministro das Relações Exteriores do Japão, Yosuke Matsuoka, disse que