Manuel Antônio de TefféPela grafia arcaica: "Manoel Antônio de Teffé". (Paris, 30 de março de 1905 — Rio de Janeiro, 1 de janeiro de 1967) foi um diplomata e piloto automobilístico brasileiro.

Como piloto de corridas teve destaque no Brasil e na Europa. Foi ainda presidente da comissão esportiva do Automóvel Clube do Brasil entre 1946 e 1950. Diplomata de carreira, Teffé foi promovido a embaixador dois anos antes de falecer, tendo servido como embaixador do Brasil em Honduras. Foi ainda um dos fundadores e idealizadores do Circuito da Gávea, do Grande Prêmio Cidade do Rio de Janeiro e do I Grande Prêmio Juscelino Kubitschek, este último realizado em Brasília, em 23 de abril de 1960 - dois dias após a fundação da cidade. Foi um dos precursores do automobilismo brasileiro, ao lado do piloto Irineu Corrêa, formando uma dupla vencedora de provas internacionais nos Estados Unidos e Itália.

Antecedentes familiares thumb|270px|esquerda|O embaixador Oscar de Teffé, pai de Manuel. Teffé nasceu em Paris por acaso pois seu pai, Oscar de Teffé von Hoonholtz, diplomata, estava a serviço do governo brasileiro na França.

Era bisneto do nobre, mineralogista, militar, engenheiro e empresário prussiano, Frederico Guilherme von Hoonholtz. Seu avô paterno, almirante Antônio Luís von Hoonholtz, foi senador, cientista, diplomata, literato e herói na Guerra do Paraguai (1864-1870), tendo sido agraciado com o título de barão de Teffé, em 11 de junho de 1873, pelo imperador D. Pedro II. Seu pai, além de grande diplomata, foi um reconhecido esteta, fotógrafo e colecionador de arte, tendo inclusive a tela "A Descida da Cruz", de Rembrandt, no seu palacete em Botafogo.Oscar de Teffé foi embaixador do Brasil na Itália de 1923 a 1925, e de 1926 a 1931. Ele foi também enviado extraordinário e ministro plenipotenciário (chefe da legação) na Alemanha, enviado extraordinário e ministro plenipotenciário (chefe da legação) em Portugal, enviado extraordinário e ministro plenipotenciário (chefe da legação) no México, e enviado extraordinário e ministro plenipotenciário na Áustria (tudo indica que chefe da legação na Áustria também). Link das ocorrências de Oscar de Teffé no Almanak Laemmert, digitalizado na hemeroteca digital da Biblioteca Nacional. Seu pai foi também campeão de esgrima na Universidade de Paris, nas categorias florete e espada. A tia paterna de Manuel, a caricaturista e pianista Nair de Teffé – conhecida pelo pseudônimo de Rian; considerada a primeira caricaturista mulher do mundo; e fundadora do conhecido Cinema Rian, na Avenida Atlântica, em Copacabana –, conheceu em Petrópolis e casou-se com o então presidente da República, o viúvo marechal Hermes da Fonseca. Era também sobrinho-neto do 2.° barão de Javari e primo de segundo grau de Henrique Dodsworth. Seu tio-avô, o tenente-coronel da Guarda Nacional, José Paulino von Hoonholtz, foi deputado provincial do Amazonas, tendo sido também superintendente do Estabelecimento de Fundição e Estaleiros Ponta d'Areia - empresa que pertencia ao visconde de Mauá; e empresário no Ceará, onde morou durante quatorze anos; tendo tido a exclusividade sobre o abastecimento de água em Fortaleza por cinquenta anos - tendo continuado a usufruir dos rendimentos sobre a exclusividade quando passou a residir em Manaus.TEFFÉ, Tetrá de. Barão de Teffé, militar e cientista - Biografia do Almirante Antônio Luís von Hoonholtz. Centro de Documentação Geral da Marinha, Rio de Janeiro, 1977. Páginas 80 e 240.Tese "PROLETÁRIOS DAS SECAS: ARRANJOS E DESARRANJOS NAS FRONTEIRAS DO TRABALHO (1877-1919)", de Tyrone Apollo Cândido. Tese submetida à banca de avaliação do Programa de Pós-Graduação em História Social da Universidade Federal do Ceará, em 2014, como requisito parcial para a obtenção do título de Doutor em História Social. Páginas 44 e 48.   Seu tio-avô, José Paulino von Hoonholtz, foi ainda proprietário da Fundição Cearense - a mais antiga fundição do país ainda em atividade. Seu avô materno, o comendador Manuel Antônio da Costa Pereira, 1.º conde de Costa Pereira, foi empresário, banqueiro, fundador da empresa Costa Pereira & Cia, presidente da Beneficência Portuguesa do Rio de Janeiro e um dos fundadores e incorporadores da famosa Fábrica de Tecidos Bangu - que serviu de locação para o filme Olga.Nobreza de Portugal e do Brasil - 3 vols. Direção de Afonso Eduardo Martins Zuquete. Editorial Enciclopédia. Edição: 2. Lisboa, 1989. Vol. 2, página 546.Raízes e Memórias. Instituto Português de Genealogia. Lisboa. Nº 19 - Manuel Arnao Metello, direcç. - página 4. Seu pai, Oscar de Teffé, era primo-irmão da condessa de Frontin, D. Maria Leocádia Dodsworth de Frontin, esposa do engenheiro Paulo de Frontin, conde de Frontin. Sua irmã, a marquesa Maria Luiza de Teffé Berlingieri, era casada com o marquês Pier Luigi Berlingieri, da nobre família italiana dos Berlingieri, que têm os títulos de duque de Casalnuovo, marquês de Valle Perrotta e marquês Berlingieri. Sua tia materna, Raquel Pereira da Motta Maia, era casada com Manuel Augusto Velho da Motta Maia, filho do conde de Motta Maia. Sua mãe, Maria Mercedes da Costa Pereira de Teffé, era conhecida como a embaixatriz Mercedes de Teffé, e também como a embaixatriz de Teffé. Seu tio paterno, o tenente-coronel da Guarda Nacional, Álvaro de Teffé von Hoonholtz, foi o fundador da inovadora Revista da Semana (1900-1959), tendo sido também oficial de registro de títulos e documentos no Rio de Janeiro.Revista da semana - 18 de maio de 1912http://www.jusbrasil.com.br/diarios/1831603/pg-9-secao-1-diario-oficial-da-uniao-dou-de-15-06-1911 Seu tio Álvaro de Teffé foi também secretário (que corresponde ao atual cargo de ministro-chefe) da Casa Civil da Presidência da República, no governo do marechal Hermes da Fonseca - Álvaro de Teffé já era secretário da Casa Civil da Presidência da República desde bem antes de Nair de Teffé casar-se com o marechal Hermes, em 13 de dezembro de 1913. A primeira esposa do seu tio Álvaro de Teffé, a socialite Nicola de Teffé, era uma das colunáveis preferidas de João do Rio nas suas crônicas sociais dos jornais da época - na época as colunas sociais eram em forma de crônica -; tendo sido a primeira presidente e fundadora da Associação da Mulher Brasileira. Nicola de Teffé se chamava Maria Joaquina de Oliveira Murinelly, sendo chamada e conhecida como Nicola. A segunda esposa de seu tio, ministro Álvaro de Teffé, sua tia Tetrá de Teffé - consagrada escritora, que ganhou o prêmio Machado de Assis da Academia Brasileira de Letras em 1941 -, cujo nome completo era Tetrazzini de Almeida Nobre de Teffé; de tradicional família paulista quatrocentona, era irmã de Ibrahim de Almeida Nobre, o tribuno da Revolução Constitucionalista de 1932.

O pai de Manuel, o embaixador Oscar de Teffé, construiu um castelo em estilo escocês em Petrópolis: o Castelo São Manoel - o qual ele nomeou em homenagem ao filho. A propriedade foi vendida posteriormente pela família, tendo sido comprada pela Companhia Brasileira Cinematográfica, pertencente a Francisco Serrador. Entre as produções que foram realizadas lá, estão a minissérie O Quinto dos Infernos e a novela Eterna Magia, ambas da Rede Globo; além do filme Argila. A área do prédio e o seu entorno hoje correspondem ao bairro petropolitano de Castelo São Manoel. No interior do castelo se encontrava a imagem de Nossa Senhora de Copacabana, trazida de Copacabana, Bolívia, por mercadores do Peru, para o Rio de Janeiro, ainda no século XV. Foi em homenagem à virgem que o bairro carioca de Copacabana passou a ter esse nome. Para abrigar a santa, foi construída uma igrejinha onde hoje se encontra o Forte de Copacabana. Em 1916, quando a antiga Igrejinha de Copacabana foi destruída, a imagem foi confiada à família Teffé, que a conservou na capela do Castelo São Manoel. O terceiro proprietário do castelo, o banqueiro Silvério Ceglia, descobriu, por acaso, a imagem da santa no interior do prédio. Depois de quase meio século, e graças a Silvério Ceglia, a imagem pôde retornar ao Rio, mais precisamente para o bairro que a recebera originalmente - Copacabana. Em 1953, foi construída uma igrejinha junto ao forte, para que a santa pudesse vir de Petrópolis.VIEIRA FAZENDA, José. A igrejinha da Copacabana, in Revista do Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro, tomo 86.

Primeiros anos O interesse de Teffé pela velocidade começou quando o pai o presenteou com uma motocicleta Terrot com a qual divertia-se pelas ruas de Petrópolis, e que mais tarde trocou por um carro Bugatti.

Em 1920, quando seu pai foi designado enviado extraordinário e ministro plenipotenciário em Viena, na Áustria, Teffé aproveitou para fazer um estágio na fábrica de automóveis Gräft & Stift, onde aprendeu muito sobre mecânica. Depois de Viena, sua família mudou-se para o sul da França, onde ele teve uma motocicleta Harley Davidson.

Quando tinha 22 anos, seu pai foi designado embaixador na Itália, e mudaram-se para Roma. Lá aproveitou para conhecer a montadora Alfa Romeo. Foi na Itália que Teffé começou oficialmente a correr. Em Roma, formou-se em Direito pela Universidade La Sapienza.

Década de 1920 Há registros de sua participação em duas provas em 1925, ambas na Itália; com um carro Alfa Romeo ficou em terceiro lugar numa, e na outra em quarto lugar na categoria Turismo. Em 1927, ainda na Itália, participou de quatro provas com um Alfa Romeo, terminando todas em primeiro lugar na categoria.

Em abril de 1928, entrou para a Scuderia Materassi. Iniciou o ano de 1928 participando da segunda edição da Mille Miglia a bordo de um Chrysler 72, fazendo dupla com a baronesa Maria Antonietta Avanzo, primeira mulher a participar daquela prova, mas abandonaram a prova por pane elétrica. Participou ainda de três provas naquele ano, tirando um segundo lugar na categoria, um terceiro lugar na geral e um outro terceiro lugar na categoria.

Em setembro de 1928 participou do V Congresso Mundial Automobilístico, em Roma. Foi nesse ano que, aos 23 anos de idade, conheceu e teve um caso com a socialite italiana Wanda Barbini, de ascendência nobre. Os dois se conheceram numa recepção no clube Tevere Remo, em Roma.Livro "Anthony Steffen, Um Homem Chamado Teffé", por Daniel Camargo, Fábio Vellozo e Rodrigo Pereira. Página 26. Eles não se casaram, mas tiveram um filho que nasceu em 21 de julho de 1930, no Palazzo Pamphilj, sede da embaixada brasileira na Itália.CAMARGO, Daniel. Anthony Steffen : a saga do brasileiro que se tornou astro do bangue-bangue à italiana. / Daniel Camargo, Fábio Vellozo e Rodrigo Pereira. - São Paulo: Matrix, 2007. Página 26. O menino Antônio Luís de Teffé ficou com a família materna e, quando adulto, adotou o nome artístico de Anthony Steffen, passando a atuar nos filmes spaghetti western italianos. Wanda foi casada durante sete anos com o político e militar italiano Ettore Muti, secretário do Partido Nacional Fascista de 31 de outubro de 1939 a 30 de outubro de 1940.Livro "Anthony Steffen, Um Homem Chamado Teffé", por Daniel Camargo, Fábio Vellozo e Rodrigo Pereira. Páginas 11 e 15.

Seu pai, o embaixador Oscar de Teffé, pareceu não ter aprovado o caso amoroso e o mandou de volta ao Brasil, mas Manuel de Teffé ainda teve oportunidade de participar de duas provas, sendo que na Subida de Cimino chegou em terceiro lugar na categoria.

Década de 1930 miniaturadaimagem|esquerda|Teffé em seu carro na "Subida da Montanha" entre Rio-Petrópolis, 1933. Em 1930 e 1931, já no Brasil, não existem registros de sua participação no automobilismo mas, em 1932, o Automóvel Clube do Brasil realizou três provas na estrada Rio-Petrópolis. No dia 28 de fevereiro foi a prova de Subida de Montanha e, em 13 de março, foi a vez de mais duas provas: uma de quilômetro lançado e outra de quilômetro de arrancada. Todas foram vencidas pelo alemão Hans Stuck, que pilotou uma Mercedes-Benz SSKL, e que havia vindo ao Brasil a convite de Manuel de Teffé, que o conhecera em provas automobilísticas da Europa.