Branco é a cor mais clara e é acromático (não possui croma). É a cor de objetos como neve, giz e leite, sendo o oposto do preto. Os objetos brancos refletem e espalham integralmente (ou quase integralmente) todos os comprimentos de onda visíveis da luz. O branco em televisores e telas de computador é criado pela combinação de luz vermelha, azul e verde. A cor branca pode ser produzida com pigmentos brancos, especialmente dióxido de titânio.

No Antigo Egito e na Roma Antiga, as sacerdotisas vestiam branco como símbolo de pureza, e os romanos usavam togas brancas como símbolos de cidadania. Na Idade Média e no Renascimento, um unicórnio branco simbolizava a castidade, e um cordeiro branco, o sacrifício e a pureza. Era a cor real dos reis da França, bem como da bandeira da França monarquista de 1815 até a revolução de 1830, e do movimento monarquista que se opôs aos bolcheviques durante a Guerra Civil Russa (1917–1922). Os templos gregos e os templos romanos eram revestidos de mármore branco e, a partir do século XVIII, com o advento da arquitetura neoclássica, o branco tornou-se a cor mais comum de novas igrejas, capitólios e outros edifícios governamentais, especialmente nos Estados Unidos. Também foi amplamente empregado na arquitetura moderna do século XX como símbolo de modernidade e simplicidade.

Segundo pesquisas realizadas na Europa e nos Estados Unidos, o branco é a cor mais frequentemente associada à perfeição, ao bem, à honestidade, à limpeza, ao começo, ao novo, à neutralidade e à exatidão.Heller (2000), pp. 130–46. O branco é uma cor importante para quase todas as religiões do mundo. O papa, chefe da Igreja Católica, usa branco desde 1566, como símbolo de pureza e sacrifício. No islã e no xintoísmo, religião do Japão, ele é usado pelos peregrinos. Nas culturas ocidentais e no Japão, o branco é a cor mais comum dos vestidos de noiva, simbolizando pureza e virgindade. Em muitas culturas asiáticas, o branco também é a cor do luto.Heller (2000), p. 137.

História e arte Pré-história e história antiga O branco foi uma das primeiras cores utilizadas na arte. A caverna de Lascaux, na França, contém desenhos de touros e outros animais feitos por artistas do Paleolítico entre 18 000 e 17 000 anos atrás. Artistas paleolíticos usavam calcita ou giz, às vezes como fundo, às vezes para realces, juntamente com carvão e ocres vermelho e amarelo em suas vívidas pinturas rupestres.Pastoureau, Michel (2005). Le petit livre des couleurs, p. 47.

No Antigo Egito, o branco estava associado à deusa Ísis. Os sacerdotes e sacerdotisas de Ísis vestiam-se exclusivamente com linho branco, que também era usado para envolver múmias.Varichon, Anne (2000). Couleurs – pigments et teintures dans les mains des peuples, p. 16.

Na Grécia e em outras civilizações antigas, o branco era frequentemente associado ao leite materno. Na mitologia grega, o principal deus, Zeus, foi alimentado no seio da ninfa Amalteia.Varichon, Anne (2000). Couleurs – pigments et teintures dans les mains des peuples, p. 21.

Os gregos antigos viam o mundo em termos de escuridão e luz, de modo que o branco era considerado uma cor fundamental. Segundo Plínio, o Velho, em sua História Natural, Apeles (século IV a.C.) e os outros pintores famosos da Grécia Antiga usavam apenas quatro cores em suas pinturas: branco, vermelho, amarelo e preto.Gage, John (1993). Color and Culture, p. 29. Para pintar, os gregos utilizavam o pigmento altamente tóxico conhecido como branco de chumbo, produzido por um processo longo e trabalhoso.St. Clair, Kassia (2016). The Secret Lives of Color, pp. 43-44.

Uma toga branca simples, conhecida como toga virilis, era usada em ocasiões cerimoniais por todos os cidadãos romanos com mais de 14 a 18 anos. Magistrados e determinados sacerdotes usavam uma toga praetexta, com uma larga faixa púrpura. Na época do imperador Augusto, nenhum homem romano podia comparecer ao Fórum Romano sem uma toga.

Os romanos antigos tinham duas palavras para branco: albus, um branco simples (origem da palavra "albino"), e candidus, um branco mais brilhante. Um homem que desejasse ocupar um cargo público em Roma usava uma toga branca clareada com giz, chamada toga candida, origem da palavra "candidato". A palavra latina candere significava brilhar ou ser luminoso. Ela deu origem às palavras inglesas candle e candid.Webster's New World Dictionary of the American Language, 1964.

Na Roma Antiga, as sacerdotisas da deusa Vesta vestiam túnicas de linho branco, uma palla ou xale branco e um véu branco. Elas protegiam o fogo sagrado e os Penates de Roma. O branco simbolizava sua pureza, lealdade e castidade.

História pós-clássica A Igreja cristã primitiva adotou o simbolismo romano do branco como a cor da pureza, do sacrifício e da virtude. Tornou-se a cor usada pelos sacerdotes durante a missa, pelos monges da Ordem de Cister e, sob o papa Pio V, antigo monge da Ordem dos Pregadores, tornou-se a cor oficial usada pelo próprio papa. Os monges da Ordem de São Bento vestiam-se com a cor branca ou cinza da lã natural não tingida, mas posteriormente passaram a usar preto, a cor da humildade e da penitência.

Na arte pós-clássica, o cordeiro branco tornou-se o símbolo do sacrifício de Cristo em favor da humanidade. João Batista descreveu Cristo como o Cordeiro de Deus, que tomou sobre si os pecados do mundo. O cordeiro branco ocupava o centro de uma das pinturas mais famosas do período medieval, o Retábulo de Gante, de Jan van Eyck.Zuffi, Stefano (2012). Color in Art, pp. 224–25.

O branco também era a cor simbólica da transfiguração. O Evangelho segundo Marcos descreve as roupas de Jesus nesse acontecimento como "resplandecentes e extremamente brancas como a neve". Artistas como Fra Angelico usaram sua habilidade para representar a brancura de suas vestes. Em sua pintura da transfiguração no Convento de São Marcos, em Florença, Fra Angelico ressaltou a veste branca usando um fundo dourado claro, colocado em uma auréola em forma de amêndoa.Zuffi, Stefano (2012). Color in Art, pp. 226–27.

O unicórnio branco era um tema comum em manuscritos, pinturas e tapeçarias do período pós-clássico. Era um símbolo de pureza, castidade e graça, que só podia ser capturado por uma virgem. Era frequentemente retratado no colo da Virgem Maria.Zuffi, Stefano. Color in Art, pp. 232–33.

Durante o período pós-clássico, os pintores raramente misturavam cores; no Renascimento, porém, o influente humanista e erudito Leon Battista Alberti incentivou os artistas a acrescentar branco às cores para torná-las mais claras e brilhantes e para adicionar hilaritas, ou alegria. Muitos pintores seguiram seu conselho, e a paleta renascentista tornou-se consideravelmente mais clara.John Gage, (1993), Color and Culture, pp. 117–19.

História moderna Até o século XVI, o branco era comumente usado pelas viúvas como cor de luto. As viúvas dos reis da França usaram branco até Ana da Bretanha, no século XVI. Uma túnica branca também era usada por muitos cavaleiros, juntamente com um manto vermelho, demonstrando que estavam dispostos a dar seu sangue pelo rei ou pela Igreja.

Séculos XVIII e XIX O branco era a cor predominante dos interiores arquitetônicos durante o período barroco e, especialmente, no estilo rococó que o sucedeu no século XVIII. Os interiores das igrejas eram projetados para demonstrar o poder, a glória e a riqueza da Igreja. Pareciam vivos, repletos de curvas, assimetria, espelhos, douramento, estátuas e relevos, unificados pelo branco.

O branco também era uma cor da moda tanto para homens quanto para mulheres no século XVIII. Homens da aristocracia e das classes altas usavam perucas brancas empoeiradas e meias brancas, enquanto as mulheres usavam vestidos elaborados, bordados, brancos ou em tons pastéis.

Após a Revolução Francesa, um branco mais austero (blanc cassé) tornou-se a cor mais elegante dos trajes femininos, inspirados nas vestimentas da Grécia Antiga e da Roma republicana. Em razão do desenho bastante revelador desses vestidos, as mulheres que os usavam eram chamadas de les merveilleuses ("as maravilhosas") pelos homens franceses da época.Chronique des métropoles:Paris, p. 83, publ. Dargaud 2003 O estilo Império, sob o imperador Napoleão I, inspirava-se nas vestimentas mais conservadoras da Roma imperial antiga. Os vestidos estavam em alta na moda, mas ofereciam pouca proteção contra o frio, considerando as condições climáticas mais severas do norte da França; em 1814, a ex-esposa de Napoleão, Josefina de Beauharnais, contraiu pneumonia e morreu depois de caminhar no ar frio da noite com o czar Alexandre I da Rússia.Roberts, Andrew (2014). Napoleon – A Life. Viking Press, , pp. 723–24

O branco era a cor universal das roupas íntimas masculinas e femininas e dos lençóis nos séculos XVIII e XIX. Era inconcebível ter lençóis ou roupas íntimas de qualquer outra cor. A razão era simples: a forma de lavar o linho em água fervente fazia as cores desbotarem. Quando o linho se desgastava, era recolhido e transformado em papel de alta qualidade.Michel Pastoureau (2005), Le petit livre des couleurs, pp. 50–51.

O pintor americano do século XIX James McNeill Whistler (1834–1903), que trabalhou na mesma época que os impressionistas franceses, criou uma série de pinturas com títulos musicais nas quais usou a cor para criar estados de espírito, da mesma forma que compositores usavam a música. Sua pintura Sinfonia em Branco, n.º 1 — A Moça Branca, que teve sua amante Joanna Hiffernan como modelo, usou cores delicadas para retratar inocência, fragilidade e um momento de incerteza.Stefano Zuffi (2012), Color in Art, p. 260.

Séculos XX e XXI O Movimento Branco foi a oposição formada contra os bolcheviques durante a Guerra Civil Russa, que se seguiu à Revolução Russa de 1917. Foi finalmente derrotado pelos bolcheviques em 1921–1922, e muitos de seus integrantes emigraram para a Europa.

No final do século XIX, o branco de chumbo ainda era o pigmento mais popular; porém, entre 1916 e 1918, empresas químicas da Noruega e dos Estados Unidos começaram a produzir branco de titânio, feito de dióxido de titânio. Esse composto havia sido identificado pela primeira vez no século XVIII pelo químico alemão Martin Heinrich Klaproth, que também descobriu o urânio. Tinha o dobro do poder de cobertura do branco de chumbo e era o pigmento branco mais brilhante conhecido. Em 1945, 80% dos pigmentos brancos vendidos eram de branco de titânio.Ball, Philip (2001). Bright Earth, Art and the Invention of Colour, pp. 484–85.

O caráter absoluto do branco atraía os pintores modernistas. Foi usado em sua forma mais simples pelo pintor suprematista russo Kazimir Malevich em sua pintura de 1917, "Quadrado branco", correspondente ao anterior "Quadrado negro". Também foi usado pelo pintor modernista neerlandês Piet Mondrian. Suas pinturas mais famosas consistiam em uma tela branca pura com uma grade de linhas verticais e horizontais pretas e retângulos de cores primárias.

O preto e o branco também atraíam arquitetos modernistas como Le Corbusier (1887–1965). Ele dizia que uma casa era "uma máquina de morar" e defendia uma "arquitetura calma e poderosa", construída de concreto armado e aço, sem ornamentos nem adornos.Le Corbusier. Toward an Architecture. Translated by John Goodman. Los Angeles: Getty Research Institute, 2007 Quase todos os edifícios do arquiteto contemporâneo Richard Meier, como seu museu em Roma destinado a abrigar a antiga Ara Pacis romana, ou Altar da Paz, são de um branco intenso, seguindo a tradição de Le Corbusier.

Compreensão científica (ciência da cor)

A luz é percebida pelo sistema visual humano como branca quando a luz que chega ao olho estimula, em quantidades aproximadamente iguais, os três tipos de células cone sensíveis às cores. Materiais que não emitem luz por conta própria parecem brancos quando suas superfícies refletem de volta, de maneira difusa, a maior parte da luz que as atinge.

Luz branca