A Orla Prefeito Luiz Paulo Conde, popularmente conhecida como Orla Conde ou Boulevard Olímpico, é um calçadão situado na Zona Central da cidade do Rio de Janeiro, às margens da Baía de Guanabara. Com cerca de 3,5 km de extensão e 287 mil m² de área, estende-se pelos seguintes bairros: Centro, Gamboa e Saúde. A orla foi gradualmente inaugurada entre 2015 e 2017, ocupando a área que antes ficava sob o Elevado da Perimetral, além de substituir parte da Avenida Rodrigues Alves. Sua abertura pôs fim a 252 anos de acesso restrito, em um trecho da orla, a militares do 1º Distrito Naval.
O passeio público, situado entre o Armazém 8 do Cais da Gamboa e o Largo da Misericórdia, percorre diversos pontos culturais, dos quais quatro deles foram construídos justamente para fomentar a região como um pólo de entretenimento e turismo: o Museu de Arte do Rio (MAR), o AquaRio, o Mural Etnias e o Museu do Amanhã. Diversas praças integram a orla, entre elas a Praça Mauá e a Praça XV. Além de novos espaços culturais, a orla também ganhou infraestrutura para adaptar-se à missão de área turística, recebendo a instalação de 206 postes de iluminação de LED, a colocação de 153 bancos e o plantio de 463 árvores, além da instalação de trilhos elétricos para a alocação de quatro paradas do VLT Carioca: Utopia AquaRio, Parada dos Navios/Valongo, Parada dos Museus e Praça XV.
O nome da orla é uma homenagem a Luiz Paulo Conde, ex-prefeito da cidade do Rio de Janeiro e ex-vice-governador do estado do Rio de Janeiro. O prefeito do Rio de Janeiro na época do batismo, Eduardo Paes escolheu o nome para o boulevard devido ao fato de Conde ser, para Paes, o grande inspirador das transformações urbanas que ocorreram durante os seus dois primeiros mandatos como prefeito carioca.
História thumb|left|240px|Trecho do Elevado da Perimetral sendo demolido na Praça Mauá, em 2014. Pouco tempo após assumir o cargo de prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Paes planejara, em 2010, demolir parte do Elevado da Perimetral, substituindo-o por um mergulhão, como parte das obras do Porto Maravilha. Todavia, no dia 24 de novembro de 2011, o prefeito anunciou que o elevado seria demolido em sua totalidade e não apenas um trecho dele.
Para substituir o Elevado da Perimetral, foram construídas duas vias de trânsito: a Via Binário do Porto e o Túnel Prefeito Marcello Alencar. Originalmente, em grande parte da área antes sob o Elevado da Perimetral, previa-se a construção de um passeio público com 2,6 km de extensão e 61 mil m² de área. O novo parque seria arborizado, contaria com uma ciclovia e permitiria a passagem de composições do VLT Carioca. Em 19 de agosto de 2015, o então prefeito Eduardo Paes anunciou que o novo logradouro receberia o nome de Luiz Paulo Conde, ex-prefeito da cidade do Rio de Janeiro.
thumb|240px|Praça Marechal Âncora, integrante da Orla Conde. O parque linear foi aberto por trechos: em 6 de setembro de 2015, foi entregue uma parte da Praça Mauá reurbanizada; no dia 3 de abril de 2016, o trecho que margeia o 1º Distrito Naval foi aberto; em 7 de maio de 2016, um antigo trecho da Avenida Rodrigues Alves foi incorporado à orla; 22 dias depois, passaram a fazer parte do boulevard a Praça XV, o Largo da Misericórdia e a Praça Marechal Âncora; entre julho e agosto do mesmo ano, a Praça Muhammad Ali e o Largo da Candelária foram entregues à população; e em 2017, a Praça Barão de Ladário foi reaberta e incorporada ao passeio.
Em novembro de 2017, um trecho de 319 metros da orla, nas proximidades do 1º Distrito Naval, recebeu um guarda-corpo feito de aço galvanizado. O guarda-corpo, que custou à Companhia de Desenvolvimento Urbano da Região do Porto do Rio de Janeiro (CDURP), possui 1,1 metro de altura e foi pintado com tinta epóxi cinza. Anteriormente, a Marinha do Brasil havia instalado grades de ferro no trecho a fim de garantir a segurança de quem frequenta o boulevard, medida que gerou repercussão negativa.
Em janeiro de 2022, foram iniciadas obras de recuperação da Orla Conde ao longo de toda a sua extensão, com previsão original de duração de quatro meses. A CDURP, para tal finalidade, contratou empresa especializada para reparação dos danos. As obras visaram a recuperação de calçadas, praças e vias de serviço do boulevard, a recomposição de seu paisagismo e a instalação de 300 novos balizadores para coibir a circulação de veículos na Orla, causadores de danos no piso. A manutenção da Orla havia sido retomada em 2021 pela Prefeitura da Cidade do Rio de Janeiro após anos de desleixo.
Trechos Praça Mauá
thumb|left|240px|A Praça Mauá após a demolição do Elevado da Perimetral e a posterior reurbanização, em 2016. O primeiro trecho da Orla Conde foi aberto no dia 6 de setembro de 2015, com a reabertura da Praça Mauá que, além de ser revitalizada, teve sua área ampliada, de 4 mil m² anteriormente para 25 mil m². Revitalizada após a demolição do Elevado da Perimetral, a praça passou a contar com 5 canteiros de flores, 80 bancos, 58 árvores e 50 postes de iluminação.
A Praça Mauá é cruzada por um trecho de 560 metros de trilhos por onde circulam as composições do VLT Carioca. No centro da praça, está localizada a estátua de Irineu Evangelista de Sousa, o Barão de Mauá. A estátua, obra do escultor brasileiro Rodolfo Bernardelli, tem 2,6 metros de altura, possui uma massa de 800 kg e é sustentada por uma coluna de 4,5 metros de altura.
Em seus arredores, situam-se: o Museu do Amanhã, um museu projetado pelo arquiteto espanhol Santiago Calatrava e situado no Píer Mauá; o Museu de Arte do Rio (MAR), composto por dois prédios ligados por uma passarela suspensa; o Edifício Joseph Gire, antiga sede do jornal vespertino A Noite; a Parada dos Museus, que permite o embarque e o desembarque de passageiros das composições do VLT Carioca; dentre outras edificações.
Contorno do 1º Distrito Naval thumb|240px|Orla Conde, na altura do Edifício Almirante Tamandaré, em 2016. No dia 3 de abril de 2016, um trecho de 600 metros e de área que contorna o 1º Distrito Naval foi aberto, permitindo a circulação livre, antes restrita a militares, entre a Praça Mauá e a Praça Barão de Ladário. A criação do passeio foi possível após um acordo celebrado entre a prefeitura do Rio de Janeiro e o comando do 1º Distrito Naval.
O trecho ganhou um mobiliário urbano e um paisagismo diferenciado do resto da orla, de modo que é possível encontrar exemplares de pata-de-vaca, ipê amarelo, pau-brasil e pitanga em seus jardins. O trajeto também conta com uma passagem de madeira em forma de bumerangue de 70 metros sob a ponte que dá acesso à Ilha das Cobras.
O Arsenal de Marinha do Rio de Janeiro, situado na Ilha das Cobras e principal centro de manutenção da Marinha do Brasil, e o Mosteiro de São Bento, um dos principais monumentos de arte colonial da cidade, podem ser contemplados por quem contorna o 1º Distrito Naval. O Museu do Amanhã também ganha destaque neste trecho da orla.
Avenida Rodrigues Alves thumb|left|240px|Composição do VLT em operação na orla, em 2016. Um antigo trecho da Avenida Rodrigues Alves, entre os armazéns 1 e 6 do Porto do Rio de Janeiro, foi incorporado à orla no dia 7 de maio de 2016. Com 1 km de extensão e 57 mil m² de área, tornou-se um parque arborizado, passando a contar com 460 árvores, 51 canteiros e alguns deques. Em parte do calçadão, ficam os trilhos por onde circulam composições do VLT Carioca.
Em seus arredores, situam-se: o Mural Etnias, um painel de pintado pelo artista Eduardo Kobra; a Estação Marítima de Passageiros do Porto do Rio de Janeiro, que recebe turistas durante a temporada de navios de cruzeiro; a Parada dos Navios/Valongo, que permite o embarque e o desembarque de passageiros das composições do VLT Carioca; dentre outros pontos de interesse.
Praça XV
thumb|240px|A Praça XV após a demolição do Elevado da Perimetral e a posterior reurbanização, em 2016. A Praça XV, junto com a Praça Marechal Âncora e o Largo da Misericórdia, foram incorporadas ao passeio público em 29 de maio de 2016 após serem revitalizadas por um projeto urbanístico que homenageia o antigo Mercado de Peixes da Praça XV. Somando e 777 metros de extensão, as praças contam com um total de 360 m² em deques de madeira e 50 mil m² de granito, incluindo ainda 161 bancos e 27 lixeiras.
Em seus arredores, situam-se: o Ancoramar, um restaurante cuja culinária é especializada em peixes e frutos do mar; o Paço Imperial, um edifício colonial que foi a residência dos governadores da Capitania do Rio de Janeiro entre 1743 e 1763; o Museu Histórico Nacional, um museu cujo acervo é constituído por cerca de 300 mil peças utilizadas no estudo, preservação e divulgação da História do Brasil; a Parada Praça XV, que permite o embarque e o desembarque de passageiros das composições do VLT Carioca; dentre outras edificações.
Praça Muhammad Ali
thumb|left|240px|VLT cruzando a praça, em 2016. Situando-se entre os armazéns 6 e 8 do Cais da Gamboa, a Praça Muhammad Ali foi inaugurada no dia 17 de julho de 2016, somando e 416 metros de extensão à orla. A praça conta, desde janeiro de 2017, com um parquinho moderno, que oferece uma opção a mais de entretenimento a jovens e crianças que passam pela área.
Em seus arredores, situam-se: o AquaRio, um aquário público que conta com 4 milhões de litros de água salgada e 8 mil animais marinhos de 350 espécies diferentes; o Armazém da Utopia, um centro cultural localizado no Armazém 6 do Cais da Gamboa; e a Parada Utopia AquaRio, que permite o embarque e o desembarque de passageiros das composições do VLT Carioca.
Largo da Candelária
thumb|240px|Pira Olímpica acesa no Largo da Candelária, durante os Jogos Olímpicos de Verão de 2016. O Largo da Candelária, onde se situa uma das piras que recebeu a Chama Olímpica durante os Jogos Olímpicos de Verão de 2016, foi reaberto ao público em 5 de agosto de 2016. Com , foi o último trecho da Orla Conde a ser aberto em 2016, tornando possível a circulação, a pé ou de bicicleta, entre o Aterro do Flamengo e o Armazém 8 do Cais da Gamboa.
Em seus arredores, situam-se: a Igreja da Candelária, um templo católico palco do Comício da Candelária e da Chacina da Candelária; a Casa França-Brasil, um pólo de difusão de cultura e referência em arte contemporânea; o Centro Cultural Banco do Brasil, um centro cultural gerido pelo Banco do Brasil; o Espaço Cultural da Marinha, que abriga parte do acerco da Marinha do Brasil; e o Centro Cultural dos Correios, um centro cultural gerido pela Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos.
Praça Barão de Ladário
thumb|left|240px|Piso de mosaico da Praça Barão de Ladário, em 2017. No dia 20 de março de 2017, a Praça Barão de Ladário, antes fechada em virtude das obras do Túnel Prefeito Marcello Alencar e do Túnel Rio450, foi reaberta e incorporada à orla. Ocupando de área, a praça conta com uma vegetação composta de Bromélia Imperial, Orquídea-Bambu e Ipê Amarelo, além de capim. O piso de mosaico é composto por granito, pedras, paralelepípedos e grama.
A praça, originalmente inaugurada em 1936, recebeu seu nome em homenagem a José da Costa Azevedo, o Barão de Ladário, que foi o último ministro da Marinha do Segundo reinado. Ao longo de sua vida, também desempenhou as funções de deputado geral e de senador da República.
Equipamentos culturais thumb|240px|Museu do Amanhã, inaugurado em 2015. Na Orla Conde estão situados diversos centros culturais e espaços de interesse público, tanto históricos quanto modernos, da Zona Central da cidade do Rio de Janeiro. Outros equipamentos situam-se nas proximidades do passeio público, dos quais todos são históricos. A lista destes equipamentos está a seguir:
Museu Histórico Nacional Ladeira da Misericórdia Museu da Imagem e do Som Instituto Histórico-Cultural da Aeronáutica Centro Cultural do Ministério da Saúde Museu Naval Paço Imperial Espaço Cultural da Marinha Casa França-Brasil Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB) Centro Cultural dos Correios