A demografia da Turquia é o resultado, por um lado, das migrações dos diversos povos que ao longo da sua longa história habitaram o seu território, localizado estrategicamente numa das principais rotas de migração e invasão do mundo, por outro do efeito homogeneizador, pelo menos a nível cultural do domínio político e religioso dos turcos que, apesar de terem constituído a mais recente grande vaga migratória na região, estão nela implantados há praticamente mil anos.
O Império Otomano, antecessor da atual República da Turquia, como os seus antecessores, nomeadamente o Sultanato Seljúcida de Rum () eram estados multiculturais e multi-étnicos, cujos governos eram na generalidade tolerantes em relação às religiões das populações, o que permitiu uma coexistência relativamente pacífica entre os diversos povos que habitavam a Anatólia e da Trácia durante muitos séculos. Isso mudaria acentuadamente durante a Guerra da Independência e a Troca de populações entre a Grécia e a Turquia, que provocaram que nos anos 1920 a esmagadora maioria das minorias mais numerosas, a grega e a arménia abandonasse o país. A emigração dos gregos continuou ao longo do , a pontos de atualmente viverem na Turquia apenas alguns milhares, senão centenas, de gregos. Outra das comunidades anteriormente muito influente que diminuiu drasticamente em número foi a judaica, esta principalmente após a criação do estado de Israel.
O regime republicano ainda hoje nega o reconhecimento oficial de minorias étnicas, exceto as três mencionadas antes o que, se por um lado teve como consequência uma certa homogeneização cultural e identitária, por outro fez recrudescer o nacionalismo entre os curdos, de longe a maior minoria étnica do país, a ponto de atualmente o terrorismo e a guerrilha curdas serem o maior problema de segurança, conflitualidade interna e uma das principais causas das acusações de violações de direitos humanos na Turquia.
Outro das grandes fraturas, esta no plano religioso, presente no país é entre as correntes muçulmanas. A maior parte do islamismo turco é muito moderado, pelo menos se comparado com o vizinho Irão xiita e com o sunismo dominante nos países árabes que também lhe estão próximos. Reveladoramente, o partido islamista no poder desde 2003, o AKP é a força política turca mais empenhada na adesão da Turquia à União Europeia. No entanto, há alguma conflitualidade, apesar de raramente violenta entre a maioria sunita, constituída esmagadoramente por hanafistas, os alevitas (que alguns consideram um ramo do xiismo e alguns contestam que sejam muçulmanos) e, em menor escala, outras correntes xiitas e sufistas (místicos muçulmanos, que também se confundem com alevitas, pois estes também são místicos). Os alevitas e sufistas e outras seitas muçulmanas pouco ortodoxas tiveram grande influência no período otomano, algo que alguns afirmam ter-se vindo a notar novamente nos últimos anos, quiçá como reação às crescentes influências muito ortodoxas que tendem a aumentar na generalidade do mundo muçulmano..
É frequente considerar-se que a maior parte da população da Turquia é de "etnia turca", apesar de não haver certezas quanto à verdadeira origem étnica da maioria da população dita "turca", sendo que é provável que uma parte considerável não seja diretamente aparentada com os povos turcomanos asiáticos aos quais se associa historicamente o termo "turco".
Em termos de distribuição populacional, ela é bastante assimétrica, assistindo-se a uma elevada densidade nas grandes cidades como Istambul, Ancara e Esmirna e havendo grandes extensões no interior e leste da Anatólia e nas zonas montanhosas relativamente pouco povoadas. A emigração, tanto interna (para as grandes cidades), como para o estrangeiro (na Europa Ocidental e na América do Norte há comunidades imigrantes turcas muito numerosas, com centenas de milhares e mesmo milhões, como é o caso da Alemanha), acentuou essa assimetria populacional. De um modo geral, a densidade é maior a oeste e nas zonas costeiras.
Estatísticas populacionais Segundo dados de 2018, a Turquia tinha mais de 82,3 milhões de habitantes, 50,3% do sexo masculino e 49,7% do sexo feminino. 75,5% da população residia em capitais de distrito ou província — 17,8% das pessoas residiam em Istambul e 6,4% em Ancara, as duas maiores cidades. A taxa de crescimento populacional era , embora 14 das 67 províncias tenham registado uma diminuição de população em 2009. A densidade populacional era variando entre na e 11 na . A faixa etária entre os 15 os 64 anos correspondia a 67% da população; 26% da população tinha menos de 15 anos e 7% mais de 64 anos; metade da população tinha menos de 28,8 anos.
Segundo dados de 2006, a esperança de vida à nascença era de 73,2 anos, 71,1 para os homens e 75,3 para as mulheres. A taxa de mortalidade infantil era , a taxa de fertilidade 2,2 e a taxa de mortalidade A taxa de alfabetização era de 88,1% (96% para os homens e 80,4% para as mulheres). A diferença destes números deve-se sobretudo aos hábitos dos grupos mais tradicionalistas árabes e curdos que vivem nas províncias do sudeste de não enviarem as suas meninas para escola.
Grupos étnicos thumb|left|A atriz Demet Evgar. É frequente considerar-se que a maior parte da população da Turquia é de "etnia turca" (entre 70 e 88%, conforme as fontes). No entanto, atendendo à grande diversidade de povos que habitaram o que é hoje a Turquia desde há milhares de anos, à inevitável miscigenação, ao carácter multiétnico e multicultural do Império Otomano e ao facto de oficialmente todos os cidadãos nacionais serem turcos, não há certezas quanto à verdadeira origem étnica da maioria da população dita "turca", sendo que é provável que uma parte considerável não seja diretamente aparentada com os povos turcomanos asiáticos aos quais se associa historicamente o termo "turco". O facto da tradição política kemalista, seguida por quase todos os governos republicanos, não reconhecer formalmente a existência da maior parte das minorias étnicas origina que existam muito poucos dados estatísticos fiáveis e precisos sobre o panorama étnico do país. As únicas minorias reconhecidas oficialmente são as que constaram no Tratado de Lausana: arménios, gregos e judeus.
No período otomano, todos os muçulmanos sunitas eram considerados turcos, mesmo que não falassem turco, enquanto que os não-muçulmanos ou muçulmanos não sunitas eram considerados não turcos mesmo que falassem turco. Segundo um estudo levado a cabo pela consultora Konda em 2006, 81,33% da população identificava-se como turca, mas é interessante notar que no mesmo estudo 4,45% identificavam-se como "cidadãos da República da Turquia", apenas 8,61% como curdos (apesar de muitas estimativas apontarem para mais o dobro da população ser curda), e 0,18% yörük (quando as estimativas apontam para cerca de 1%). Muitos membros, senão mesmo a maior parte, das minorias étnicas da Turquia assimilaram a cultura dominante, num processo que em alguns casos foi iniciado no período medieval seljúcida.
thumb|upright=1.1|Família curda com roupas tradicionais celebrando o Noruz (Ano Novo persa) em Diarbaquir
Os curdos constituem a minoria étnica mais numerosa (as estimativas variam entre 9% e 18%). Tradicionalmente viviam no sudeste e leste da Anatólia, mas nas últimas décadas encontram-se em praticamente todas as grandes cidades, nas quais é comum existirem bairros maioritariamente curdos, geralmente periféricos e clandestinos ou semiclandestinos. Istambul é um destino de emigração curda desde há séculos. Outra etnia com raízes nas regiões maioritariamente curdas são os zazas, que embora geralmente sejam considerados um grupo distinto, é frequente considerarem-se como uma minoria curda. Como os curdos, muitos zaza emigraram nas últimas décadas tanto para as cidades turcas como para o estrangeiro. Admitindo que a extrapolação de dados dados do estudo da Konda referido acima é plausível, os zaza são vinte vezes menos numerosos que os curdos, ou seja, existem entre 350 e 700 mil zaza na Turquia; outras fontes falam na existência de dois milhões de zaza em todo o mundo.
Outras minorias numerosas são os árabes, que em 1995 se estimavam entre e um milhão, que vivem principalmente no sudeste, e os yörük (est. ), um povo turco de origem asiática que até há poucas décadas era quase exclusivamente nómada e se concentrava sobretudo nos Montes Tauro.
A nordeste encontram-se diversas minorias de origem caucasiana: circassianos (c. ) e diversas etnias de georgianos, nomeadamente abecásios, ajários, hemichis e lazes. Os circassianos encontram-se sobretudo na região de Adana, os georgianos nas regiões junto à fronteira com a Geórgia, na , e os lazes em aldeias piscatórias perto de Rize. O primeiro-ministro turco Recep Erdoğan é descendente de georgianos que emigraram de Batumi para Rize e posteriormente para Istambul. upright|esquerda|thumb|Gravura francesa de 1825 de um casal de otomanos arménios.
Os gregos eram uma das minorias mais importantes no período otomano, e apesar da maior parte deles terem abandonado o território turco no início do , durante a Guerra Greco-Turca e a troca de populações que se lhe seguiu, nos anos 1920 ainda residiam em Istambul mais de gregos. Em 1965 a comunidade tinha apenas pessoas. Em 1995 estimava-se que o número de gregos no país não ultrapassava . Em 2006 residiam em Istambul menos de gregos. Apesar da sua reduzida dimensão, a comunidade grega é das mais prósperas da Turquia.
Os arménios eram a segunda maior minoria cristã nos tempos otomanos, calculando-se que cerca de 1,5 milhão de arménios vivessem na Anatólia Oriental. Atualmente estima-se em o número de arménios turcos, grande parte deles residentes em Istambul, onde ainda formam uma comunidade próspera.
Em 1995 estimava-se que residiam na Turquia cerca de judeus. Durante a primeira metade do , a população judia do país manteve-se relativamente estável com cerca de pessoas. A partir da década de 1950 os judeus turcos começaram emigrar para Israel. Atualmente encontram-se sobretudo em Istambul, onde se dedicam principalmente ao pequeno comércio. Ao contrário dos gregos e arménios, a comunidade hebraica não é homogénea nem etnicamente nem linguisticamente. A maioria é sefardita, descendente dos judeus ibéricos expulsos de Portugal e Espanha no , e fala ladino. Há também asquenazes, provenientes da Europa Central e Oriental, que falam iídiche, e caraítas, que falam e são considerados heréticos pelos restantes judeus. A generalidade dos judeus também fala turco.
upright|thumb|Traje tradicional otomano
Há ainda outros grupos étnicos com alguma importância, como é o caso dos assírios, que tradicionalmente viviam sobretudo nas regiões mais orientais e do sudeste, e outros povos originários da Europa Oriental: albaneses, bosníacos e pomaks (búlgaros). Há também minorias originárias da Europa Ocidental, usualmente designados como levantinos, a maior parte descendentes das prósperas e relativamente numerosas antigas comunidades francesa e italianas (sobretudo genovesa e veneziana), cujas famílias em alguns casos estão na Turquia desde a Idade Média. Estas comunidades foram numerosas sobretudo em Istambul e Esmirna, mas atualmente são diminutas.
Línguas O é a única língua oficial da Turquia. Contrariamente às línguas mais faladas na região do mundo onde se insere, é uma língua não indo-europeia, de raiz altaica, que é falada não só pelos naturais da Turquia ou seus descendentes, nomeadamente na Europa Ocidental, onde há muitos imigrantes turcos, mas também por diversas populações de outras regiões relativamente próximas da Turquia na Europa e da Ásia. Segundo algumas fontes, em 1996 era a 15ª língua mais falada do mundo.