O Colégio Militar CvTE • GCC • MHA • MOSD • MHSE • GCIP, situado em Lisboa, Portugal, é uma escola pública de ensino militar não superior. Fundado em 1803 pelo Marechal de Campo António Teixeira Rebelo, funcionou até 2012/2013 em regime de internato masculino, sendo atualmente uma escola mista com internato facultativo. 20px|link=http://www.openstreetmap.org/#map=16/38.75799/-9.18274|alt=Localização precisa no OSM

thumb|right|309x309px|Alunos do Colégio Militar, em uniforme de gala O Colégio Militar é, a par do Instituto dos Pupilos do Exército, uma das duas escolas dependentes do Exército, e admite filhos de militares e de civis, a quem oferece o currículo escolar do Ministério da Educação, complementado pelas disciplinas obrigatórias de Instrução Militar, Equitação e Esgrima.

História 1803-2013 Ver também: A criação e direção do Colégio da Feitoria (1803-1825) thumb|300px|Marechal António Teixeira Rebelo, fundador do Colégio Militar. O processo de criação do Colégio Regimental da Artilharia da Corte, também conhecido por Colégio da Feitoria, e que deu origem ao atual Colégio Militar, prolongou-se entre 1802 e 1803, tendo sido fixada, mais tarde, a data oficial de 3 de março de 1803 de modo a assinalar a efeméride.

Foi fundado pelo então Coronel António Teixeira Rebelo, comandante do Regimento de Artilharia da Corte sito no Forte da Feitoria, em Oeiras, com o objectivo de educar os filhos dos oficiais daquele regimento. Preocupado com a ocupação e educação das crianças e jovens familiares da sua guarnição e de civis da região, cria, desse modo, uma escola cujos agentes de ensino seriam os próprios militares do seu Regimento. Os alunos eram inicialmente cerca de vinte.

Em 1805, o Príncipe Regente, futuro Rei D. João VI de Portugal, manda conceder uma pensão aos educandos daquela escola; e, no ano seguinte, ele próprio visita as instalações da Feitoria, atraído pela fama do pequeno colégio, e ordena que seja aumentada aquela pensão e concedida uma gratificação mensal aos professores. Sempre interessado pelo colégio, o mesmo soberano confere, em 1807, um louvor a Teixeira Rebelo e aos seus colaboradores.

1807 é igualmente o ano em que Teixeira Rebelo deixa o comando do Regimento de Artilharia da Corte, sendo nomeado inspetor dos Corpos de Artilharia. O Governo, certamente interessado no prosseguimento da ação educativa de Teixeira Rebelo, autorizou-o a manter-se nas suas funções diretivas do Colégio, dando-se os primeiros passos para a autonomização da escola.

Em 1813, o colégio passa a ter existência oficialmente autónoma, adoptando a designação de Real Colégio Militar, com Teixeira Rebelo como diretor, entretanto promovido a Marechal de Campo.

O Real Colégio Militar foi transferido em 1814 do Forte da Feitoria para o edifício onde desde 1618 funcionara o Hospital de Nossa Senhora dos Prazeres, no sítio da Luz, em Lisboa, aí permanecendo até 1835.

Entre 1835 e 1859, o colégio mudou várias vezes de local (para o sítio de Rilhafoles, no centro de Lisboa, e para o Convento de Mafra). Em 1859 voltou para a Luz, onde ainda hoje se mantém. Desde essa época que os alunos do Colégio Militar recebem o epíteto de "Meninos da Luz".

Com a implantação da República em 1910, o colégio perdeu o título de "Real", passando a denominar-se Colégio Militar. thumb|311x311px|Real Colégio Militar

Reforma de 2013 Em 2012, o Ministro da Defesa Nacional, José Pedro Aguiar-Branco, nomeou uma comissão para estudar a reestruturação das escolas militares não superiores - Colégio Militar, Instituto de Odivelas e Instituto dos Pupilos do Exército, com o objetivo de reduzir custos e aumentar eficiências na sua oferta educativa, aumentar a captação de novos alunos e promover a igualdade de género.

Em 2013, por despacho ministerial, foi ordenada uma profunda reforma do Colégio Militar, a aplicar duma só vez pouco depois no início do ano letivo de 2013/2014, acompanhada da ordem de encerramento do Instituto de Odivelas no final do ano letivo de 2014/2015.Despacho nº 4785/2013 do MDN

Em setembro de 2013, cumprindo o despacho, o Colégio Militar pela primeira vez na sua história admitiu alunos do sexo feminino, bem como alunos para o 1.º Ciclo e alunos para todos os anos de escolaridade. Simultaneamente, foi reaberto o regime de externato, que já tinha sido experimentado e abandonado por diversas vezes na história da instituição. Foi também aberto concurso para um edifício de internato feminino que funcione a partir do ano letivo de 2015/2016 e receba as alunas internas do Instituto de Odivelas, que então encerrará definitivamente.

O prazo de execução da reforma bem como algumas das suas bases foram contestados publicamente pelas associações de antigos alunos e de pais e encarregados de educação do Colégio Militar e do Instituto de Odivelas, por temerem a descaracterização das instituições e o fim de tradições centenárias. O Ministro da Defesa Nacional respondeu aos pais por carta, reafirmando o investimento e a confiança na instituição.

O ano letivo de 2014/2015 iniciou-se com 614 alunos, mais 174 que no ano anterior, incluindo 82 alunas que se transferiram do Instituto de Odivelas.

Em resultado da reforma de 2013, em apenas dois anos o Colégio Militar passou de internato masculino integral a uma escola em que um terço de alunos é do sexo feminino, e também um terço dos alunos dispensou o internato.

Condecorações O Estandarte Nacional do Batalhão de Alunos do Colégio Militar é o mais condecorado das Forças Armadas Portuguesas, pelo valor demonstrado por muitos dos seus antigos alunos, pelo reconhecimento da qualidade do ensino ministrado, e pelo público reconhecimento do cumprimento da sua missão.

Ostenta as seguintes insígnias nacionais ou militares:http://www.presidencia.pt/comandantesupremo/?idc=344&idi=13765

31 de Dezembro de 1920 Cavaleiro da Antiga e Muito Nobre Ordem Militar da Torre e Espada, do Valor, Lealdade e Mérito 26 de Agosto de 1931 Grã-Cruz da Ordem da Instrução Pública 14 de Março de 1953 Grã-Cruz da Ordem Militar de Nosso Senhor Jesus Cristo 9 de Outubro de 1959 Insígnia da Ordem do Mérito Militar do Brasil à Bandeira do Colégio Militar 20 de Abril de 1978 Membro-Honorário da Antiga, Nobilíssima e Esclarecida Ordem Militar de Sant'Iago da Espada, do Mérito Científico, Literário e Artístico 1981 Medalha de Honra de Mérito Desportivo 1982 Ordem do Rio Branco do Brasil 1990 Medalha de Ouro de Serviços Distintos 1998 Medalha do Pacificador do Brasil 1999 Medalha Marechal Trompowsky do Brasil 16 de Outubro de 2002 Membro-Honorário da Ordem Militar de São Bento de Avis 27 de Fevereiro de 2003 Membro-Honorário da Ordem do Mérito à Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar 2003 Medalha Naval Vasco da Gama 2003 Medalha de Mérito Aeronáutico de 1.ª Classe

O Colégio Militar também recebeu as seguintes distinções locais ou particulares: 1967 Medalha de Ouro e Bons Serviços do Concelho de Oeiras 1985 Medalha de Honra da Cidade de Lisboa 2003 Medalha da Cruz Vermelha de Benemerência 2005 Medalha de Honra da Freguesia de Carnide 2008 Colar de Honra de Mérito Desportivo 2008 Troféu Olímpico do Comité Olímpico Português 2015 Medalha de Ouro da Ordem do Mérito Conselheiro Thomaz Coelho (Brasil)

Caraterísticas Código de Honra O Código de Honra é um guia permanente do comportamento dos alunos do Colégio Militar. Está colocado em locais estratégicos das instalações, estando também cosido no interior de algumas peças do fardamento.

Amar e honrar a Pátria Dignificar a farda que enverga Cultivar a disciplina Dedicar à sua formação todo o seu esforço e inteligência Ser verdadeiro e leal, assumindo sempre a responsabilidade dos seus atos Praticar a camaradagem sem denúncia nem cumplicidade Ser modesto no êxito, digno na adversidade e confiante face às dificuldades Ser generoso na prática do Bem Repudiar a violência, a delapidação e o despotismo Ser sempre respeitador, afável e correto

Fardamento Os alunos do Colégio Militar envergam um uniforme de gala de cor de saragoça ou pinhão (acastanhada), adotado em 1837 com base na cor tradicional dos uniformes dos Batalhões de Caçadores portugueses, e posteriormente modificado em 1870 e 1912. Do uniforme de gala destaca-se a barretina, adotada em 1866 com base no modelo então corrente no Exército Português, a qual se tornou no principal símbolo do Colégio Militar.

No ano letivo de 2009-2010, o fardamento para uso interno e desportivo foi redesenhado pela estilista nacional Maria Gambina, mantendo-se intocado o uniforme de gala.

Cerimónias e Tradições O Colégio Militar celebra cerimónias e tradições, tanto oficiais como internas, que se repetem em cada ano letivo.

Dentre as cerimónias abertas a todo o público em geral, inclui-se a Abertura Solene do ano letivo, a incorporação dos novos alunos no Batalhão Colegial em 1 de dezembro e o Aniversário do Colégio Militar no dia 3 de março.

As tradições internas, destinadas a reforçar os laços de camaradagem entre alunos, incluem o grito de saudação "Zacatraz", e o uso do símbolo da barretina na lapela.

Abertura Solene do ano letivo Geralmente realizada no final do mês de outubro, integra a saudação de boas-vindas aos novos alunos e a imposição de distinções por bons resultados escolares aos melhores alunos do ano anterior.

Aniversário do Colégio Militar Esta comemoração é realizada durante os dois dias do fim de semana mais próximo do dia 3 de março, a data oficial da fundação do Colégio Militar em 1803. No sábado, decorre uma cerimónia de homenagem ao fundador, na presença de todo o Batalhão Colegial, nos Claustros do Colégio Militar. No domingo, o Batalhão Colegial realiza um desfile em público, geralmente descendo toda a Avenida da Liberdade, em Lisboa, terminando no Rossio, onde é de seguida celebrada missa em homenagem pelos ex-alunos já falecidos, na Igreja de São Domingos.

"Zacatraz" O "Zacatraz" é o grito de saudação/homenagem dos alunos ou antigos alunos do Colégio Militar e é sinal da sua presença em eventos públicos ou reuniões privadas.

Usado como forma de homenagem, é declarado logo no início do mesmo a quem se destina, que tanto pode ser uma instituição como uma pessoa, (exemplo: "Pelo Prof. Dario"). O Zacatraz é entendido como algo não institucional, mas sim pertença dos alunos, e como tal possui a característica de só os alunos (ou ex-alunos) terem a capacidade de decisão de quando (e por quem) é que o Zacatraz é gritado.

Símbolo da Barretina na lapela O símbolo da Barretina é usado na lapela de roupa civil por alunos, antigos alunos e sócios honorários da Associação dos Antigos Alunos do Colégio Militar.

Antigos alunos distintos Estes são alguns antigos alunos do Colégio Militar que se distinguiram publicamente.

Ver também a categoria: Alunos do Colégio Militar

Na presidência da República

Marechal Carmona (1869-1951), marechal do Exército, político, primeiro-ministro (1926-1928), Presidente da República (1926-1951) Marechal Costa Gomes (1914-2001), marechal do Exército, Presidente da República (1974-1976) Marechal Craveiro Lopes (1894-1964), marechal da Força Aérea, Presidente da República (1951-1958) Marechal Gomes da Costa (1863-1929), marechal do Exército, político, Presidente da República (1926) Marechal António de Spínola (1910-1996), marechal do Exército, administrador colonial, político, Presidente da República (1974)

Na política e administração pública

Abel Botelho (1854-1917), coronel do Exército, escritor, político, diplomata Abel Fontoura da Costa (1869-1940), capitão de mar e guerra, político Afonso de Castro (1824-1885), tenente-coronel do Exército, escritor, político, administrador colonial Alfredo de Sá Cardoso (1864-1950), general do Exército, político, primeiro-ministro (1919-1920) Álvaro de Castro (1878-1928), major de Infantaria, político, administrador colonial, primeiro-ministro (1920 e 1923-1924) Andrade Corvo (1824-1890), político, escritor Antão José Maria de Almada (1801-1834), funcionário da Casa Real