Júpiter e Io é uma pintura a óleo sobre tela de 1532-1533 do pintor italiano Antonio Allegri de Correggio (1489-1534), pintura que se encontra atualmente no Museu de História da Arte em Viena de Viena.

Fez parte de um conjunto de pinturas realizadas por Correggio para o duque Frederico II Gonzaga de Mântua tendo por tema os amores de Júpiter.

Descrição e estilo A pintura é dedicada à história de Io, uma sacerdotisa de Hera, conforme relatado nas Metamorfoses, o poema épico mitológico de Ovídio: enamorado dela, mas temeroso do ciúme da sua esposa Juno, Júpiter fez cair uma espessa neblina sobre a terra e seduziu a rapariga encantadora.

Júpiter era tentado frequentemente pela beleza doutras mulheres e assumia vários disfarces a fim de cobrir os seus encontros amorosos, uma vez tomando a forma de um cisne, outra vez de uma águia, e neste quadro não se transforma em nada mas envolve-se numa nuvem escura mesmo estando um dia claro. Ele abraça a ninfa, mal se vendo o rosto dele quase encostado ao dela. Ela prende a si o braço gasoso de Júpiter com mal contida sensualidade; esta é uma pintura sensual, representando um dos muitos amores do deus mitológico.

De dimensões similares a Rapto de Ganimedes (em Galeria) pode sugerir que os dois quadros foram criados para constituir um conjunto e serem vistos lado a lado, mas não há suporte documental para esta hipótese.

Para a postura arqueada da ninfa Io, representada de costas, Correggio inspirou-se em exemplos antigos, como o famoso baixo-relevo helenístico da Ara Grimani em que está representado Cupido beijando Psiquê. Em geral, a representação por trás de uma figura feminina em atitude erótica pertence à cultura artística antiga.Um exemplo,

Dito isto, os possíveis modelos antigos foram habilmente transformados por Correggio para criar esta imagem esplêndida, onde o abandono da ninfa resulta em acolher aquela que é uma das representações mais virtuosas da pintura do século XVI: a nuvem suave e etérea em que se tinha transformado Jupiter para seduzir a belíssima Io.

A representação de nuvens havia interessado Correggio desde os anos dos afrescos da cúpula da Igreja de S. João em Parma e daqui em diante tornou-se quase uma figura estilística da sua pesquisa. Representar as nuvens, como de resto a chuva, a água, os relâmpagos, era considerada uma das principais dificuldades artísticas.

No final da sua carreira, e para aquela que é de facto a sua última obra, Correggio empenhou-se em oferecer um exemplo da sua mestria. Não só a nuvem perolada e evanescente em que se entrevê um vulto humano, mas também uma poalha de água limpa em primeiro plano para cercar o gesto voluptuoso da ninfa de uma reverberação de luz crepuscular.

História A série dos Amores de Júpiter foi concebida após o sucesso da pintura de Vénus e Cupido espiados por um Sátiro. O artista teve tempo para executar quatro telas, ajustáveis aos pares pelas dimensões, e talvez outras estivessem planeadas. Mas a cronologia das quatro pinturas é um tema algo controverso. Mas o que importa é especialmente a contribuição fundamental que elas deram ao desenvolvimento da pintura mitológica e profana, graças ao novo e extraordinário equilíbrio entre a prestação naturalista e a transfiguração poética.Pierluigi De Vecchi e Elda Cerchiari, I tempi dell'arte, volume 2, Bompiani, Milão, 1999, p. 236. ISBN 88-451-7212-0

Pintado para Mântua, talvez para o Palácio Te, passou depois para a posse de Carlos V. Giorgio Vasari, que tinha ouvido falar do conjunto a Giulio Romano, citou apenas duas das pinturas,Giorgio Vasari, Le vite de' più eccellenti pittori, scultori e architettori, Florença, 1550, ed. org. Luciano Bellosi e Aldo Rossi, Einaudi, Turim, 1991, II, p. 563. omitindo Júpiter e Io e o Rapto de Ganimedes (duas obras de igual formato).

Gould tentou explicar a omissão sugerindo que Io e Ganimedes tinham sido mandados fazer por Frederico II para si, e que os deu ao imperador durante a visita deste em 1532, e que tinha depois encomendado Leda e Danae (ambos em Galeria) expressamente para Carlos V;Cecil Gould, The paintings of Correggio, Londrres, 1976, pp. 130-131. já para Verheyen, as quatro pinturas foram feitas para a sala Ovídio do Palácio Te e passaram a Carlos só após a morte do Duque Frederico (em 1540), talvez por ocasião do casamento do filho de Carlos, o infante Filipe.Egon Verheyen, Correggio's Amori di Giove, em Journal of the Warburg and Courtauld Institutes, XXIX (1966), pp. 160-192.

Conservada nas coleções reais espanholas, passou em seguida, junto com Danae, para a coleção do escultor milanês Leone Leoni, na qual é lembrada por Giovanni P. Lomazzo no seu Tratado sobre a pintura de 1584;Giovanni Paolo Lomazzo, Scritti sulle Arti, org. por Roberto Paolo Ciardi, II, Florença, 1975, p. 187 os dois quadros foram adquiridos entre 1601 e 1603 por um intermediário de Rodolfo II de Habsburgo com o Cupido que faz o arco de Parmigianino, e foram levados para Praga, mas já em 1610 estava junto com o Rapto de Ganimedes na coleção imperial de Viena.Cecil Gould, op. cit., pp. 275-276.

A obra fascinou muitos artistas, especialmente do século XVII. Tendo saido de Itália no século XVI, é interessante verificar como devia mesmo assim ter permanecido no imaginário artístico ao ponto de um pintor, Pier Francesco Mola, dela ter feito de memória um desenho.Imagem do desenho de Pier F. Mola, em correggioarthome, estando o desenho na Galeria Albertina de Viena.

Galeria

Notas e referências

Bibliografia Giuseppe Adani, Correggio pittore universale, Silvana Editoriale, Correggio 2007. ISBN 9788836609772

Ligação externa Nota em Correggio Art Home, donde provem uma parte do texto, Nota informativa no sítio oficial do Museu de História da Arte em Viena,

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