A vegetação ripária (ou ripícola, ribeirinha) é um tipo de vegetação presente em espaços próximos a corpos da água, isto é, na zona ripária.Rodrigues, R.R. Uma discussão nomenclatural das florestas ciliares. In: Rodrigues, R.R. & Leitão Filho, H. de F. (ed.) Matas Ciliares: conservação e recuperação. 3a. ed. São Paulo: EDUSP/FAPESP, 2004. p.91-99. link.Kobiyama, M. (2003). Conceitos de zona ripária e seus aspectos geobiohidrológicos. Anais do I Seminário de Hidrologia Florestal: Zonas Ripárias, Alfredo Wagner-SC, 2003, p. 1-13. Pode assumir fisionomia campestre ou florestal e, neste último caso, é chamada mata ripária (ou mata ciliar, em sentido amplo). Inclui vários subtipos, entre eles, a mata ciliar (em sentido restrito), a mata ripária (em sentido restrito), a mata de galeria, a mata paludosa, etc.
Terminologia Formações florestais No Brasil, existe uma grande variedade de termos e conotações para as formações ribeirinhas, especialmente as florestais (matas), dentre eles:Rodrigues, R. R. 1999. A vegetação de Piracicaba e municípios do entorno. Circular Técnica IPEF, n. 189, p. 1-17, .WALTER, B. M. T. (2006). Fitofisionomias do bioma Cerrado: síntese terminológica e relações florísticas. Tese de Doutorado, Universidade de Brasília, .[p.134] mata aluvial (Veloso e Góes Filho, 1982);Veloso, H. P.; Góes-Filho, L. (1982). Fitogeografia brasileira: classificação fisionômico-ecológica da vegetação neotropical. Salvador: Projeto Radambrasil. 86 p. (Boletim técnico. Vegetação, n. 1). Disponível em: <>. matas das aluviões fluviais (ou das várzeas) (Gonzaga de Campos, 1912); floresta aluvial (IBGE, 1993);IBGE. Mapa de vegetação do Brasil. Rio de Janeiro, 1993, . matas de anteparo (Lindman, 1906); floresta de beira d'água (ACIESP, 1987); floresta beira-rio (Mantovani, 1989); mata ciliar, em sentidos diversos (Gonzaga de Campos, 1912; Sampaio, 1938; Hueck, 1972; Bezerra-dos-Santos, 1975; Leitão Filho, 1982);Sampaio, A.J. Fitogeografia do Brasil. 2.ed. São Paulo: Nacional, 1938. 384 p.Hueck, K. (1972). As Florestas da América do Sul: Ecologia, composição e importância econômica. Trad. Hans Reichardt. São Paul: Ed. Universidade de Brasília/Ed. Polígono. 466 p.Bezerra-dos-Santos, L. Floresta galeria. In: IBGE. Tipos e aspectos do Brasil. 10.ed. Rio de Janeiro: Fundação Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, 1975. p. 482-484.Leitão Filho, H.F. Aspectos taxonômicos das florestas do Estado de São Paulo. Silvicultura em São Paulo, v.16A, parte 1, p.197-206, 1982. [Definida por Leitão Filho (1982) como: "floresta latifoliada higrófila com inundação temporária".] mata ciliar (ou floresta ciliar), em sentido amplo, sinonimizada com floresta de galeria (Joly, 1970; Veloso, 1972; Bezerra-dos-Santos, 1975; Goodland, 1975);Joly, A. B. (1970). Conheça a Vegetação Brasileira. São Paulo: EDUSP/Ed. Polígono. 165 p., .Veloso, H.P. Aspectos fito-ecológicos da bacia do alto rio Paraguai. Biogeografia, v.7, p.1-31, 1972.Goodland, R. Glossário de ecologia brasileira. Manaus: Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia, 1975. p.42. mata ciliar (ou floresta ciliar), em sentido restrito, diferenciada de floresta de galeria, com base na ausência de corredor fechado (ACIESP, 1997; Ribeiro e Walter, 1998);ACIESP - Academia de Ciências do Estado de São Paulo. Glossário de ecologia. 2.ed. São Paulo: ACIESP, CNPq, FAPESP, Secretaria de Ciência e Tecnologia, 1997. 352 p. mata ciliar (ou floresta ciliar), em sentido restrito, diferenciada de floresta de galeria, com base na presença de interflúvios florestais (ACIESP, 1987);ACIESP. Glossário de Ecologia. 1a ed. São Paulo: ACIESP. 1987. 271 p. (Publicação ACIESP, 57.) mata de condensação, quando ocupam fundos de vales (Troppmair e Machado, 1974);Troppmair, H.; Machado, M.L.A. Variação da estrutura da mata galeria na bacia do rio Corumbataí (SP) em relação à água do solo, do tipo de margem e do traçado do rio. Série biogeografia botânica, 1974. mata galeria, como sinônimo de mata ciliar (Campos, 1912; Kuhlmann, 1951);KUHLMANN, E. Aspectos gerais da vegetacao do alto Sao Francisco. Revista Brasileira de Geografia, v.13, n.3, p.465-472, jul./set. 1951. mata galeria, diferenciada de mata ciliar com base na presença de corredores (Ribeiro e Walter, 1998); mata justafluvial (Hoehne, 1923);Hoehne, F.C. (1923). Phytophysionomia do Estado de Matto Grosso e ligeiras notas a respeito da composição e distribuição da sua flora. São Paulo: Cia. Melhoramentos, 1923. 94 p. floresta paludosa, que engloba as matas de brejo (Lindman, 1906, Fernandes e Bezerra, 1990);Lindman, C.A.M. (1906). A Vegetação no Rio Grande do Sul (Brasil Austral). Trad. de A. Loefgren. Porto Alegre: Universal.Fernandes, A.G. & Bezerra, P. (1990). Estudo fitogeográfico do Brasil. Stylus Comunicações, Fortaleza, . floresta ribeirinha (Oliveira e Prado, 1989);Oliveira, J.B.C.; Prado, H. Carta pedológica semidetalhada do Estado de São Paulo: folha de Piracicaba. São Paulo: Secretaria da Agricultura, 1989. floresta ripária, em sentido amplo, como sinônimo de galerias ou cílios fluviais (Rizzini, 1997);Rizzini, C.T. (1997). Tratado de fitogeografia do Brasil: aspectos ecológicos, sociológicos e florísticos. 2a edição. Rio de Janeiro, Âmbito Cultural, 1997. Volume único, 747 p. mata ripária (ou floresta ripária), em sentido restrito, diferenciada de floresta de galeria, com base na presença de interflúvios florestais (Bertoni e Martins, 1987; Catharino, 1989; Mantovani, 1989; Rodrigues, 1989);Catharino, E.L.M. Florística de matas ciliares. In: Barbosa, L.M., coord. Simpósio sobre mata ciliar: anais. Campinas: Fundação Cargil, 1989. p.61-70.Mantovani, V. Conceituação e fatores condicionantes. In: Barbosa, L.M., coord. Simpósio sobre mata ciliar: anais. Campinas: Fundação Cargil, 1989. p.11-19.Rodrigues, R.R. Análise estrutural de formações florestais ripárias. In: Barbosa, L.M. Simpósio sobre mata ciliar: anais. Campinas: Fundação Cargil, 1989. p.99-119. floresta ripícola (Martins, 1995);Martins, F. R. (1995). Métodos de estudos em Matas Ciliares. In: Congresso Nacional de Botânica, 46, 1995. floresta de várzea (Bertoni e Martins, 1987).Bertoni, J.E.; Martins, F.R. Composição florística e estrutura fitossociológica de uma floresta ripária na Reserva Estadual de Porto Ferreira, SP. Acta Botanica Brasilica, v.1, n.1, p.17-26, 1987. link.
Além dos termos acima, de caráter mais técnico em geral, há ainda também alguns populares, de uso regional, como as "matas de várzea" e "matas de igapó", da região amazônica. Outros, como floresta ciliar e de galeria, possuem usos tanto técnicos quanto populares, às vezes discrepantes.
Rodrigues (2004) propõe o uso do termo generalista "floresta ribeirinha". Ele também sugere o uso limitado de certos termos populares, evitando sua sinonimização: floresta/mata ciliar: Na legislação, é usada de modo genérico (sentido amplo), no sentido de "florestas ribeirinhas". Na literatura técnica, em sentido restrito, costuma designar as formações florestais observadas nos diques marginais de grandes planícies (logo, em rios de grande porte), numa faixa estreita de vegetação, não formando corredores fechados (galerias). Há certa deciduidade, e são geralmente isoladas da condição de interflúvio por extensas faixas de vegetação herbácea higrófila (várzeas). Logo, o interflúvio pode ser não-florestal (ACIESP, 1997; Ribeiro e Walter, 1998). Ainda na literatura técnica, de modo menos usual, pode designar as formações florestais ribeirinhas onde a fisionomia da vegetação do interflúvio também é florestal (ACIESP, 1987). Neste sentido, tem sido mais adotado o termo "floresta ripária". floresta/mata de galeria: designação genérica ou popular das formações florestais ribeirinhas em regiões onde geralmente a vegetação de interflúvio não é de floresta contínua (cerrado, caatinga, campos, etc.), geralmente ao longo de rios de pequeno porte. floresta ripária: em sentido restrito, designação genérica ou popular das florestas ocorrentes ao longo de cursos d’água em regiões onde a vegetação de interflúvio também é florestal (floresta atlântica, floresta amazônica, floresta estacional, etc.). floresta paludosa (ou de brejo): designação popular das florestas sobre solo permanentemente encharcado, com fluxo constante de água superficial dentro de pequenos canais com certa orientação de drenagem, mesmo que pouco definida.
Formações campestres As formações campestres em áreas ribeirinhas também recebem diversas denominações no Brasil: campos brejosos (Lindman, 1906); brejos ou turfeiras (Usteri, 1906);Usteri, A. (1906). Contribuição para o conhecimento da flora dos arredores da cidade de São Paulo. Anuário da Escola Politécnica. link.Usteri, A. (1911). Flora der Umgebung von Stadt São Paulo in Brasilien. Gustav Ficher, Jena. link. campinas e pantanais (Gonzaga de Campos, 1912);Gonzaga de Campos, L.F. (1912). Mappa florestal. Rio de Janeiro: Ministério da Agricultura, Indústria e Comércio; Serviço Geológico e Mineralógico; Typ. da Directoria do Serviço de Estatistica, 1912. link. [Acompanha um mapa: Mattas e Campos no Brasil, 1911, link.] [2a ed., 1926, link.] turfos da Caatinga (Luetzelburg, 1922);Luetzelburg, P. von. 1922-23. Estudo Botânico do Nordeste. Inspectoria Federal de Obras Contra as Seccas, Ministério da Viação e Obras Públicas, Publicação 57, Série I, A, Rio de Janeiro. 3 vol. campos úmidos e brejos (Hoehne, 1930);HOEHNE, F. C. Das Gramineas forrageiras em geral, do Paraná. In: Araucarilandia. São Paulo: Melhoramentos, 1930. pp. 101-105. [reedição, 2014, link.] baixadas (áreas temporariamente inundadas) e brejos (permanentemente inundados; Joly, 1950);Joly, A. B. (1950). Estudo fitogeográfico dos campos de Butantã (São Paulo). Boletim da Faculdade de Ciências e Letras da Universidade de São Paulo, Botânica 8: 5-67. link. campos de várzea amazônicos (embora ocorram na região norte, são mais ligados ao Cerrado do que à Amazônia; Dücke e Black, 1954);Dücke, A.; Black, O. A. (1954). Notas sobre a fitogeografia da Amazônia Brasileira. Bol. Técn. IAN, Belém, 29: 1-62. .Braga, P. I. S. (1979). Subdivisão fitogeográfica, tipos de vegetação, conservação e inventário florístico da floresta amazônica. Acta Amazonica, suplemento, v. 9, n. 4, p. 53-80. campos limpos úmidos (com lençol freático alto) e campos de várzea (ou várzeas, brejos, isto é, áreas inundadas periodicamente) do Cerrado (Ribeiro e Walter, 1998).RIBEIRO, J. F.; WALTER, B. M. T. Fitofisionomias do bioma Cerrado. In: SANO, S. M.; ALMEIDA, S. P. (ed.). Cerrado: ambiente e flora. Planaltina: EMBRAPA - CPAC, 1998. p. 89-166. link. (2a ed., 2008).
Tipologias Gonzaga de Campos (1912) Gonzaga de Campos (1912) cita as seguintes formações ribeirinhas:Gonzaga de Campos, L.F. (1912). Mappa florestal. Rio de Janeiro: Ministério da Agricultura, Indústria e Comércio; Serviço Geológico e Mineralógico; Typ. da Directoria do Serviço de Estatistica, 1912. link. [Acompanha um mapa: Mattas e Campos no Brasil, 1911, link.]Gonzaga de Campos, L.F. (1926). Mappa florestal do Brasil. 2a ed. Rio de Janeiro: Ministério da Agricultura, Indústria e Comércio; Serviço de Informações; Typ. do Serviço de Informações, 1926. link
Matas das aluviões fluviais (ou das várzeas), na região amazônica Matas ciliares (ou pestanas, matas de condensação, matas de anteparo, matas em galeria), no Brasil Central Campinas, em várias regiões Campos de várzea ou inundação (maior parte) Pantanais
Rodrigues (2004) Rodrigues (2004) propõe a seguinte tipologia: Formação ribeirinha (= vegetação ribeirinha): qualquer formação (florestal ou campestre) ocorrendo ao longo de cursos d’água, com drenagem bem definida ou mesmo difusa Formação ribeirinha com influência fluvial permanente: solo permanentemente encharcado Formação ribeirinha com influência fluvial sazonal: elevação sazonal do rio ou do lençol freático