A 12.ª edição do Campeonato Europeu de Futebol, mais conhecido por "Euro 2004", foi sediado em Portugal, de 12 de junho a 4 de julho de 2004. Para organizar o terceiro maior evento desportivo do mundo, Portugal construiu 6 novos estádios e renovou outros 4. Cerca de um milhão de turistas visitaram Portugal neste período, aos quais se juntam mais de 2.000 voluntários e 10.000 jornalistas de todo o mundo.

O Euro 2004 viu também serem introduzidas novas medidas de segurança a nível dos ingressos para os jogos, assim como uma nova forma de organização. Esta passaria a ser conjunta, entre a FPF de cada país e a UEFA.

Processo de licitação Portugal foi escolhido pela UEFA em 12 de outubro de 1999 para organizar o evento, vencendo assim as outras duas candidaturas apresentadas, a da Espanha e a candidatura conjunta da Áustria e Hungria.

Curiosidades da Euro 2004

Pela primeira vez desde a assinatura do Acordo de Schengen, Portugal fechou temporariamente as suas fronteiras terrestres ao longo do período em que ocorreu o campeonato. Para suspender temporariamente o acordo, o Governo de Portugal acionou o artigo 2.º do tratado, que lhe permite assim fazê-lo e justificou a decisão alegando ser por razões de segurança e de ordem pública, conseguindo desta forma controlar quem entrava no país e manter a segurança interna. A UEFA considerou e classificou o Campeonato Europeu de Futebol de 2004, como o melhor. O Comité Executivo da UEFA justificou estas afirmações, referindo o excelente trabalho de organização e colaboração feito em conjunto entre a UEFA, a Federação Portuguesa de Futebol, o Governo de Portugal e os responsáveis pelos estádios. Os membros do Comité referiram até que "nunca até à data, um campeonato europeu foi tão bem preparado e tão bem organizado". Só os 24 jogos da fase de grupos, foram vistos por mais de 850 milhões de telespectadores em todo o mundo, registando um recorde e superando todos os campeonatos anteriores. Nos estádios verificou-se um número total de 1.165.192 milhão de espectadores nos 31 jogos realizados, número que corresponde a 93,8% da oferta de bilhetes emitidos. Estes números foram superiores ao Euro 2000.Relatorios AuditoriaFinal Report Para receber o campeonato e apoiar a sua seleção, os portugueses coloriram Portugal de Norte a Sul com as bandeiras nacionais, penduradas em janelas e fachadas de edifícios de todas as formas. Algumas estimativas não oficiais, apontam que tenham sido utilizadas entre 4 a 5 milhões de bandeiras. Foi após esta iniciativa dos portugueses, que surgiu a moda por todo o mundo de colocar as bandeiras de cada país nas janelas e fachadas das casas e edifícios, durante os campeonatos de futebol em forma de apoio dos habitantes à sua seleção.

Símbolos

Logotipo miniaturadaimagem|Mascote do Euro 2004, Kinas O logótipo oficial do torneio foi criado pela agência Euro RSCG Wnek Gosper e apresentado a 13 de Maio de 2002 numa cerimónia realizada no Centro Cultural de Belém, em Lisboa. Representa uma bola de futebol no centro de um coração, rodeada por sete pontos verdes. A bola de futebol, exibindo nos seus painéis motivos artísticos folclóricos típicos portugueses, e o coração moldado no estilo tradicional da arte da filigrana de Viana do Castelo, transmitiam a paixão futebolística do país anfitrião. Os sete pontos representam elementos e conquistas portuguesas significativas, como o número de castelos do brasão nacional ou a conquista dos sete mares durante a Era dos Descobrimentos. A paleta de cores do logótipo foi baseada na bandeira portuguesa e os seus tons quentes evocam a luz e o sol associados à paisagem e ao clima portugueses. O slogan da competição usado foi "Vive O 2004!".

Mascote A mascote oficial era um rapaz chamado "Kinas", um dos símbolos do brasão português, que usava um equipamento de futebol com as cores portuguesas (camisa vermelha e calções verdes) e estava constantemente brincando com uma bola de futebol. Ele possuía o conhecimento e o talento de gerações de jogadores de futebol altamente talentosos e personificava a energia e a paixão do futebol. Criado pela Warner Bros. Entertainment,"Kinas" foi apresentado oficialmente a 29 de março de 2003 na Casa de Serralves, no Porto.

Bola de Jogo miniaturadaimagem|Bola do Euro 2004 A Bola Adidas Roteiro faz referência à Era dos Descobrimentos dos navegadores portugueses, principalmente Vasco da Gama, nos séculos XV e XVI. Pela primeira vez num grande torneio todas as bolas de jogo tiveram a inscrição dos nomes das equipas, da data, do estádio e das coordenadas no círculo central. A nível de design rompeu com os modelos tradicionais, já que era cinza com faixas preto, que representava os graus de latitude e longitude.

Música Oficial A música oficial, chamada "Força", foi escrita e interpretada pela cantora luso-canadense Nelly Furtado. A música foi retirada de seu segundo álbum de estúdio, Folklore, e lançada como terceiro single, logo após o início do torneio. Furtado foi escolhida para cantar a canção oficial do torneio, devido à sua ligação familiar ao país anfitrião (os seus pais são ambos portugueses dos Açores ). Ela escreveu "Força" tendo em mente "a paixão que o povo português tem pelo futebol". A música foi tocada em todas as partidas e tocada ao vivo por Furtado na cerimônia de encerramento antes da final.

Fase de qualificação A qualificação disputou-se entre setembro de 2002 e novembro de 2003. Cinquenta equipas foram divididas em dez grupos e cada equipa jogou com o resto das equipas do grupo em duas ocasiões. As primeiras dez equipas qualificaram-se diretamente para o Euro 2004, enquanto que os dez segundos efetuaram jogos de desempate, para determinar as outras cinco equipas. As dezasseis equipas (incluindo Portugal, que não necessitou de passar pelo processo de qualificação por ser a equipa anfitriã) que participaram no campeonato foram as seguintes:

(como anfitrião)

Estádios Os jogos tiveram lugar em dez estádios cuja construção foi avaliada num total de 665 milhões de euros, tendo a capacidade para 376 mil espectadores. A maioria dos estádios foi construída de raiz. O Estádio da Luz ou Estádio do Sport Lisboa e Benfica (Lisboa) original foi demolido em 2003 e o novo foi construído na área adjacente. O Estádio das Antas (Porto) foi demolido em março de 2004 e substituído pelo Estádio do Dragão, que já estava previamente a ser construído. Além disso o Estádio José Alvalade (Lisboa) também foi demolido a 6 de agosto de 2003 para dar lugar ao novo Estádio José Alvalade XXI. De todos os recintos apenas quatro foram renovados e ampliados como o Estádio Cidade de Coimbra, o Estádio D. Afonso Henriques, o Estádio do Bessa e o Estádio Dr. Magalhães Pessoa.

Portugal Lisboa Lisboa Porto Estádio da Luz Estádio José Alvalade Estádio do Dragão Capacidade: 65.647 Capacidade: 50.095 Capacidade: 50.033 220px|Estádio da Luz 200px|Jose-Alvalade-Stadion 200px|Estádio do Dragão Aveiro Faro / Loulé Braga Estádio Municipal de Aveiro Estádio Algarve Estádio Municipal de Braga Capacidade: 32.830 Capacidade: 30.305 Capacidade: 30.286 230px|Estádio Municipal de Aveiro 200px|Estádio Algarve 198px|Estádio Municipal de BragaGuimarães Coimbra Leiria PortoEstádio D. Afonso Henriques Estádio Cidade de Coimbra Estádio Dr. Magalhães Pessoa Estádio do Bessa Século XXICapacidade: 30.029 Capacidade: 29.744 Capacidade: 29.366 Capacidade: 28.263220px|Estádio D. Afonso Henriques 220px|Estádio Cidade de Coimbra 200px|Estádio Dr. Magalhães Pessoa 200px|Estádio do Bessa

Custos para o erário público Ao todo e sem contar com as derrapagens nos preços das obras, na construção dos dez estádios mais parques de estacionamento e acessibilidades foi calculado no fim do Euro um valor total de 964.429.397 milhões de euros. Entre custos de manutenção e pagamento da dívida à banca, os estádios construídos (Algarve, Aveiro, Braga, Coimbra e Leiria) são uma fonte de prejuízos para as autarquias envolvidas.Relatório Final - Avaliação do impacte económico do Euro 2004, Universidade do Minho em 30 de Novembro de 2024.

Em Faro/Loulé, o Estádio Algarve tem um custo diário de cerca de 10 mil euros, cerca de 3,6 milhões de euros por ano.

Em Braga, o pagamento do empréstimo de 20 anos à banca representa cerca de 10% no orçamento anual da câmara. Segundo um vereador da cidade os encargos mensais são "o equivalente à compra de um Ferrari". A Câmara Municipal de Braga colocou a Pedreira, estádio do Braga, à venda, revela este domingo o jornal “Público”. Apesar do custo de referência ter rondado os 30 milhões de euros, o palco onde atua a formação arsenalista terá custado, na verdade, 200 milhões de euros, como confirmou recentemente Ricardo Rio, o autarca. O clube presidido por António Salvador paga, somente, 500 euros de renda.

Em Leiria, durante três anos, o contrato em apreço fez com que a empresa municipal pagasse à União de Leiria, em vez de receber. O estádio teve quatro milhões de euros de prejuízos no ano de 2005 e cerca de três milhões em 2006. A União de Leiria deixou mesmo de realizar jogos no estádio, tendo-se deslocado para o estádio da Marinha Grande. O diretor-geral da SAD da União de Leiria referiu que o contrato de utilização do estádio de Leiria previa o pagamento de 17.500 euros por jogo, mais 500 euros por cada treino extra.

Em Coimbra, a câmara cedeu o estádio à Académica, que o concessionou a uma empresa privada. Todavia, uma das peças da engenharia financeira que viabilizaria o complexo foi parar aos tribunais, por suspeita de violação do PDM.

Em Aveiro, o estádio custa ao município cerca de 3,5 milhões de euros por ano, tendo-se até ponderado a sua demolição.

Situação dos estádios 20 anos depois Ao fim de 20 anos a dívida dos estádios cifra-se em cerca de 22 milhões de euros, sendo que o Município de Leiria tem a maior dívida, com 10,9 milhões de euros a pagar até 2028, seguido por Coimbra com 6 milhões a pagar até 2027 e Braga com 5 milhões a pagar até 2027, esta última relativa a sentenças judiciais, uma vez que os empréstimos já foram liquidados.

No sentido oposto, ficam pagos em 2024 o Estádio Algarve, que até tem trazido lucro às câmaras de Faro e Loulé nos últimos anos, e o Estádio de Aveiro, que irá necessitar de obras de reabilitação e segurança no valor de 10 milhões.

Os restantes estádios que são propriedade dos clubes já se encontravam pagos ainda antes de completar os 20 anos, com a exceção do Estádio do Bessa Século XXI com o clube a encontrar-se numa situação de endividamento.

Os encargos totais das obras por estádio foram de 70 milhões de euros para o município de Aveiro (quando se previa somente 30 milhões), cerca de 100 milhões de euros para o município de Leiria e prevendo-se ainda 3,5 milhões para terminar o topo, cerca de 50 milhões de euros para o município de Coimbra (quando se previa somente 30 milhões), cerca de 38 milhões de euros para o município de Faro/Loulé e cerca de 200 milhões de euros para o município de Braga (estádio que mais derrapou nos custos quando se previa somente 30 milhões). Já o município de Guimarães arcou com 34 milhões de euros, sendo a fatia mais baixa de todos os estádios e único sem derrapagens, o estádio do Bessa custou 45 milhões de euros ao Boavista, o estádio de Alvalade custou 184 milhões de euros ao Sporting, o estádio do Dragão custou cerca de 125 milhões de euros ao Porto e o estádio da Luz custou cerca de 160 milhões de euros ao Benfica.

Transmissão

Em Portugal Num feito inédito na televisão portuguesa, as transmissões em direto dos jogos foi transmitida pelos 3 canais generalistas (RTP, SIC e TVI) através do Euro 2004. Originalmente, no Euro 2000, foi exclusivamente pela RTP, mas esta aceitou sublicenciar jogos aos operadores privados devido à importância do evento. A Sport TV transmitiu os jogos do Euro 2004 em direto e em exclusivo com acesso a multijogos na TV Cabo. Escalações das seleções

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