Niobe Nogueira Xandó Bloch (Campos Novos do Paranapanema, atual Campos Novos Paulista, 1915 — São Paulo, 19 de fevereiro de 2010) foi pintora, desenhista e escritora brasileira autodidata. Articulou, em sua obra, elementos das mais distintas tradições artísticas como o Dadaísmo, o Concretismo, a Pop art, a nova figuração, a Art Brut e o Letrismo, desenvolvendo, entre as décadas de 1950 e 1990, uma das mais singulares produções do Brasil.Araujo, 2007, p. 7.

Biografia e trajetória artística

Cresceu no interior de São Paulo e mudou-se para a capital em 1932, onde casou-se aos 16 anos com João Baptista Ribeiro Costa, destacado militante comunista."Niobe Xandó: biografia e obras da artista autodidata" (8 de julho de 2020). Laart. Consultado em 28/03/2021. Ousada, começa também a frequentar reuniões do Partido Comunista Brasileiro (PCB).

Niobe iniciou sua carreira artística apenas em 1947, em Nova Iorque. Neste mesmo ano, estreitou relações com Yoshiya Takaoka e Geraldo de Barros no ateliê do professor e artista Raphael Galvez. Sua primeira exposição individual acontece em São Paulo, na Livraria das Bandeiras, Praça da República, em 1953."NIOBE Xandó". In: Enciclopédia Itaú Cultural. São Paulo: Itaú Cultural, 2021. Disponível em: <http://enciclopedia.itaucultural.org.br/pessoa9278/niobe-xando>. Acesso em: 28 de Mar. 2021. Verbete da Enciclopédia. ISBN: 978-85-7979-060-7 Separada, casa-se com Alexandre Bloch, intelectual tcheco, a partir do qual cria amizade com o crítico Vilém Flusser, que, assim como muitos outros críticos no Brasil, acompanha seu processo artístico e escreve artigos divulgando e analisando sua obra.

O trabalho de Niobe Xandó começa a ganhar maior atenção a partir de 1965, com uma exposição na 8ª Bienal Internacional de São Paulo. Depois, foi apresentada na sala especial de Artes Mágica, Fantástica e Surrealista na 10ª Bienal Internacional de São Paulo de 1969. Em 1978, em exposição na 1ª Bienal Latino-Americana de São Paulo, fica claro sua influência das culturas africana e indígena. Flusser, na década de 1970, escrevendo sobre o limitado impacto de sua produção no cenário nacional, conclui que, se a crítica brasileira assumisse "duplo papel de análise e de preparado do público, há muito tempo que Niobe Xandó seria um catalisador da produção artística brasileira."Flüsser, p.11.

De obra multifacetada, com várias linhas de pesquisa diferentes, começando nos anos 50 pelo figurativismo de Paul Gauguin, Edvard Munch e Marc Chagall, passando pelo imaginário abstracionista e pela representação de totens e máscaras arcaicas nos anos 60, chegando ao letrismo da década de 70, e no mecanicismo, termo criado por ela mesma, onde embate arcaísmo e modernidade, entre as décadas de 1950 e 1990 ela "desenvolveu uma das mais singulares produções de nosso país, utilizando um sofisticado repertório que articula questões das mais distintas tradições artísticas [...]", conforme escreveu Marcelo Mattos Araújo, diretor da Pinacoteca do Estado de São Paulo.

Exposições Exposições individuais Conforme a Enciclopédia Itaú Cultural:

1953 - São Paulo SP - Primeira individual da artista, na Livraria das Bandeiras 1956 - São Paulo SP - Individual, no Clubinho dos Artistas do MAM/SP 1957 - Salvador BA - Individual, na Galeria Belvedere da Sé 1957 - La Coruña (Espanha) - Individual, na Aliança Francesa 1957 - Madri (Espanha) - Individual, no Café Cezánne 1961 - São Paulo SP - Individual na Associação Cristã de Moços 1962 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Astréia 1964 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Astréia 1966 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Astréia 1969 - Londres (Inglaterra) - Individual, na Walton Gallery 1969 - Paris (França) - Individual, na Galerie de L'Université 1971 - Estocolmo (Suécia) - Individual, no Castelo Spokslott 1975 - Washington (Estados Unidos) - Individual, na Art Gallery of The Brazilian Culture 1977 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Azulão 1980 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Ars Artis 1981 - São Paulo SP - Individual Arte em Xerox, na Pinacoteca do Estado 1983 - São Paulo SP - Individual, na Galeria Ars Artis 1989 - São Paulo SP - Retrospectiva, na Galeria de Arte Paulo Vasconcelos 1999 - Santos SP - Retrospectiva, na Pinacoteca Benedito Calixto 2003 - São Paulo SP - Flores Fantásticas e Máscaras, no Espaço Cultural BM&F 2004 - São Paulo SP - O Letrismo e o Mecanicismo na Obra de Niobe Xandó, no MAM/SP 2007 - Ribeirão Preto SP - Individual, na Galeria de Arte Marcelo Guarnieri 2008 - Curitiba PR - Mostra Antológica, no Museu Oscar Niemeyer

Exposições coletivas Conforme a Enciclopédia Itaú Cultural:

1951, 56 65 - Salão Paulista de Arte Moderna, na Galeria Prestes Maia, São Paulo (pequena medalha de prata na edição de 1956 e prêmio Governador do Estado na de 1965). 1959 - 4º Mostra Internacional, Museu de Arte Moderna, Paris, França. 1969 - Três Desenhistas (juntamente com Grimberg e Macreau), Galeria Ivan Spencer, Ibiza, Espanha. 1970 - 12 Artistas Brasileiros Contemporâneos, Universidade de Liverpool, Liverpool, Inglaterra. 1982 - Arte Latino-Americana Contemporânea, Nova York. Estados Unidos. 1982 - Mulheres das Américas, Kouros Gallery, Nova York. 1985 - 7º Exposição de Belas Artes Brasil-Japão, Atami, Kioto e Tóquio, Japão; Rio de Janeiro e São Paulo. 2001 - Tendências Abstratas: mostra de acervo, Museu de Arte Contemporânea de Campinas, Campinas, SP.

Bibliografia ABDALLA, Antonio Carlos (cur.). O Letrismo e o Mecanicismo na obra de Niobe Xandó. São Paulo: MAM, 2004. ALVARADO, Daisy Valle Machado Peccinini de, SOARES, Dulce (coord.). Pintura no Brasil: um olhar no século XX. São Paulo: Nobel, 2000. ARAÚJO, Marcelo Mattos. "Apresentação Pinacoteca" in: Niobe Xandó: A arte de subverter a ordem das coisas. Pinacoteca do Estado de São Paulo, 2007. ARTE transcendente: exposição de pintura. São Paulo: MAM, 1981. BIENAL INTERNACIONAL DE SÃO PAULO, 10., 1969, São Paulo, SP. Catálogo. São Paulo: Fundação Bienal de São Paulo, 1969. CONSTRUTIVISTAS e figurativos da coleção Theon Spanudis. Apresentação Luiz Ernesto Machado Kawall. São Paulo: Centro de Artes Porto Seguro, 1978. FLÜSSER, Vilém. Niobe Xandó. Tradução de Jacques Douchez. Apud: Niobe Xandó: A arte de subverter a ordem das coisas, Pinacoteca do Estado de São Paulo, 2007. LEITE, José Roberto Teixeira. Dicionário crítico da pintura no Brasil. Rio de Janeiro: Artlivre, 1988. Morre em São Paulo a artista Niobe Xandó. Folha de S. Paulo, São Paulo, 23 de fev. 2010. Ilustrada, p. 12. MOSTRA DO REDESCOBRIMENTO, 2000, SÃO PAULO, SP. Arte afro-brasileira. Curadoria de François Neyt, Catherine Vanderhaeghe, Kabengele Munanga, Marta Heloísa Leuba Salum; tradução de Arnaldo Marques, Rachel McCorriston, Paulo Henriques Britto, John Norman. São Paulo: Associação Brasil 500 anos Artes Visuais; Fundação Bienal de São Paulo, 2000. NEISTEIN, José. Feitura das artes. São Paulo, Perspectiva, 1981. (Debates, 174). NIOBE Xandó. Texto de Maria Luiza Sabóia Saddi. São Paulo: Galeria de Arte Paulo Vasconcellos, 1989. NIOBE Xandó: exposição retrospectiva. São Paulo: Galeria de Arte Paulo Vasconcellos, 1989. NIOBE Xandó: pintura, desenhos, colagens, múltiplos. Apresentação de Jacob Klintowitz. São Paulo: Azulão Galeria, 1977. SCHENBERG, Mario. Pensando a arte. São Paulo: Nova Stella, 1988.

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