upright=0.8|thumb|Retrato do cardeal Scipione Rebiba (1504-1577), antecessor episcopal da maior parte dos bispos e arcebispos atuais. A genealogia episcopal é a disciplina historiográfica da Igreja que se ocupa da reconstrução e origens da descendência episcopal e legados ente consagradores e consagrados, no sacramento da ordenação episcopal. Esta disciplina é baseada na doutrina teológica cristã da sucessão apostólica, que afirma a transmissão de autoridade e poderes dos apóstolos para os seus sucessores, os bispos, através do rito da consagraçãoHenri de Lubac, L'homme devant Dieu: Exégèse et patristique, t. 2, pp. 347-356, Cerf, Paris 1999 (ISBN 2-204-06145-X).. Quando um bispo consagra um outro bispo, entre os dois estabelece-se uma ligação hierárquica, análoga à que existe entre gerações.

Linhas episcopais O termo genealogia episcopal indica o elenco completo de consagrantes com a respetiva data de ordenação (indicada entre parênteses depois do nome), na forma de árvore genealógicaAngelo Sodano, Omelia in occasione dell'ordinazione episcopale di mons. Dominique Mamberti, 3 de julho de 2002. www.vatican.va..

A genealogia episcopal radica na Alta Idade Média, quando se indicavam os predecessores genealógicos de um bispo para sublinhar a sucessão apostólica e o legado espiritual afetivo. Toda a genealogia episcopal deve assentar nos apóstolos e ao século I, todavia as fontes paleográficas não permitem chegar senão ao século XV. Desde o concílio de Trento (1545-1563), graças à criação de registos paroquiais, a documentação é muito mais completa.

Linhas genealógicas da Igreja Católica Romana

As linhas genealógicas atualmente conhecidas na Igreja Católica Romana, e das quais existem representantes, são cinco (listadas por antiguidade):

Linha d'Estouteville, 1440. Antigamente conhecida como "Linha della Rovere", assentando no Papa Sisto IV, de nome secular Francesco della Rovere. Recentemente descobriu-se que o papa Sisto IV foi consagrado pelo cardeal Guillaume d'Estouteville, cardeal clunicense francês. A esta linha pertencem o arcebispo de Tours Bernard-Nicolas Aubertin e e outros vinte bispos e arcebispos atualmente vivos.

Linha Rebiba, 1541. Inicia com Scipione Rebiba, criado cardeal pelo Papa Paulo IV. A primeira nomeação episcopal foi a do bispo auxiliar de Chieti e titular de Amicle, pelo que se pensa que tenha recebido a consagração episcopal pela imposição das mãos do mesmo Papa Paulo IV, quando era ainda cardeal Gian Pietro Carafa, arcebispo de Chieti. Porém, a ausência de documentação comprovada não permite afirmar com certeza a sua genealogia episcopal, portanto não é possível prosseguir o elenco genealógico.Charles Bransom, Apostolic Succession in the Roman Catholic Church, 9 de agosto de 2010. Tal significa que, no estado do atual conhecimento histórico, o cardeal Rebiba é o único progenitor comum de cerca de 4000 bispos atuais,Basilio Rinaudo et al., Il cardinale Scipione Rebiba (1504 - 1577), Vita e azione pastorale di un bispo riformatore, pp. 123-124, Patti, L'Ascesa 2007 (ISBN 978-88-903039-0-6). entre os quais muitos papas, como o Papa João Paulo I, o Papa João Paulo II, o Papa Bento XVI e o Papa Francisco. Na Linha Rebiba é reconhecido um ramo, definido Linha polcca ou Linha Uchański e ao qual pertenceu o Papa Pio XI, que se considera por vezes autónomo e que abrange os primeiros dois nomeados Jakub Uchański e Stanisław Karnkowski, pelos quais estes dois primeiros níveis genealógicos foram substituídos pela descoberta do verdadeiro consagrador do arcebispo Wawrzyniec Gembicki, nomeadamente do bispo consagrande de Claudio Rangoni, descendente da grande Linha Rebiba.Roberto Fornaciari, Notizie sulla elezione e consacrazione del bispo Claudio Rangoni - Sito dell'Istituto Superiore di Scienze Religiose Beato Gregorio X di Arezzo

Linha Ravizza, 1667. Mais conhecida como "Linha de Lencastre", pois considerava-se baseada no cardeal português Veríssimo de Lencastre. Em virtude da recente descoberta da consagração do dito cardeal, pelo bispo Francesco Ravizza, titular da Diocese de Sidone e núncio apostólico em Portugal, também a linha genealógica mudou de nome. Os atuais descendentes desta linha são quatro: o arcebispo Paul Zingtung Grawng e os bispos Jean-Baptiste Kpiéle Somé, Raphaël Kusiélé Dabiré e Paul Eusebius Mea Kaiuea.

Linha von Bodman, 1686. O bispo Johannes Wolfgang von Bodman, auxiliar de Constança e bispo titular de Dardano, é a base deste ramo que hoje conta com cerca de dez prelados.

Linha de Bovet, 1789. Monsenhor François de Bovet, arcebispo de Toulouse, é a base de uma linha com dez prelados na atualidade.

Linhas extintas Há várias linhas genealógicas extintas, que já não apresentam bispos e arcebispos consagrados:

Linha Corrario, do nome secular do papa Gregório XII, à qual pertencia o Papa Eugénio IV. Linha Condulmer, à qual pertencia provavelmente o Papa Nicolau V. Linha Tavera, à qual pertencia o Papa Leão XI. Linha Veltri, à qual pertencia o Papa Júlio III. Linha Appelkern, à qual pertencia o Papa Adriano VI. Linha Serbelloni, 1557. Linha iniciada com o cardeal Giovanni Antonio Serbelloni, à qual pertenciam São Carlos Borromeu e o Papa Gregório XIV. Linha Lauro, à qual pertencia o Papa Sisto V. Linha Archinto, iniciada com o cardeal Filippo Archinto, à qual pertencia o Papa Pio IV e o Papa Inocêncio XI https://books.google.com.br/books?id=316vQnqOi8gC&pg=PA447&lpg=PA447&dq=Papa+Inoc%C3%AAncio+XI+linha+achinto&source=bl&ots=rSpR7lpany&sig=ACfU3U0m6ldNKd-FF-AusAny_S1-iyaLDg&hl=pt-BR&sa=X&ved=2ahUKEwjOmMfRi674AhUzupUCHdyyCPIQ6AF6BAhREAM#v=onepage&q=Papa%20Inoc%C3%AAncio%20XI%20linha%20achinto&f=false Linha Verallo, iniciada com o cardeal Girolamo Verallo, à qual pertencia o Papa Urbano VII. Linha de Simone, à qual pertenciam o papa Marcelo II e o Papa Paulo IV. Linha Boncompagni, do nome secular do Papa Gregório XIII. Linha Facchinetti de Nuce, do nome secular do Papa Inocêncio IX.

Linhas genealógicas das Igrejas Orientais sui iuris

Linha Tranos (1568) Começa com Jeremias II Tranos, consagrado Metropolita de Larissa e que se tornou Patriarca de Constantinopla em diversas ocasiões entre 1572 e 1595. Em 1 de agosto de 1589, em Vilnius, este último consagrou Miguel Rogoza, Metropolita de Kiev, Galícia e Toda a Rússia, que em 9 de outubro de 1596 retornou à plena comunhão com a Santa Sé através da União de Brest, juntamente com outros cinco bispos. Dele origina-se uma linhagem que inclui sessenta e dois bispos do rito bizantino pertencentes à Igreja Católica Bizantina da Croácia e Sérvia, à Igreja Greco-Católica da Macedônia, à Igreja Greco-Católica da Rutênia, à Igreja Greco-Católica da Eslováquia, à Igreja Greco-Católica da Ucrânia e à Igreja Greco-Católica da Hungria.

Ver também

Episcopado histórico (anglicanismo)

Ver também Sucessão apostólica

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