thumb|253px| Imagem obtida com microscópio electrónico de varrimento de um grão de pólen tricolpado de Arabis sp. Pentapetalae é a designação dada em nomenclatura filogenética a um grande agrupamento de eudicotiledóneas que foram inicialmente denominadas informalmente como o «núcleo das eudicotiledóneas» (em inglês: core eudicots) em estudos sobre a filogenia das angiospérmicas.Stevens, P.F. 2006. Angiosperm Phylogeny Website, versión 7. http://www.mobot.org/mobot/research/apweb/ Fecha de acceso: 10 de mayo de 2010. O agrupamento integra um grupo extremamente amplo e diverso que reúne cerca de 65% das espécies de angiospérmicas, com uma grande variabilidade de hábito, morfologia, fitoquímica, distribuição geográfica e outros atributos. A sistemática clássica, baseada unicamente na informação morfológica, não foi capaz de reconhecer este grupo, pelo que a sua circunscrição como um clado está baseada numa forte evidência obtida por análise molecular de ADN.Hoot, S. B., S. Magallón, and P. R. Crane. 1999. Phylogeny of basal eudicots based on three molecular data sets: atpB, rbcL, and 18S nuclear ribosomal DNA sequences. Annals of the Missouri Botanical Garden 86: 1-32Savolainen, V., M. W. Chase, C. M. Morton, D. E. Soltis, C. Bayer, M. F. Fay, A. De Bruijn, S. Sullivan, and Y.-L. Qiu. 2000a. Phylogenetics of flowering plants based upon a combined analysis of plastid atpB and rbcL gene sequences. Systematic Biology 49: 306-362Soltis, D. E., P. S. Soltis, M. W. Chase, M. E. Mort, D. C. Albach, M. Zanis, V. Savolainen, W. J. Hahn, S. B. Hoot, M. F. Fay, M. Axtell, S. M. Swensen, L. M. Prince, W. J. Kress, K. C. Nixon, and J. S. Farris. 2000. Angiosperm phylogeny inferred from 18S rDNA, rbcL, and atpB sequences. Botanical Journal of the Linnean Society 133: 381-461.

Composição O clado das pentapétalas é composto pelas ordens Berberidopsidales (incluindo a família Aextoxicaceae)Hilu, K.W., Borsch, T., Müller, K., Soltis, D.E., Soltis, P.S., Savolainen, V., Chase, M.W., Powell, M.P., Alice, L.A., Evans, R., Sauquet, H., Neinhuis, C., Slotta, T.A.B., Rohwer, J.G., Campbell, C.S. & Chatrou, L.W. 2003. Angiosperm phylogeny based on matK sequence information. Amer. J. Bot. 90: 1758–1776.Soltis, D.E., Soltis, P.S., Chase, M.W., Mort, M.E., Albach, D.C., Zanis, M., Savolainen, V., Hahn, W.H., Hoot, S.B., Fay, M.F., Axtell, M., Swensen, S.M., Prince, L.M., Kress, W.J., Nixon, K.C. & Farris, J.S. 2000. Angiosperm phylogeny inferred from 18S rDNA, rbcL, and atpB sequences. Bot. J. Linn. Soc. 133: 381–461. Caryophyllales, Santalales e Saxifragales, as famílias Dilleniaceae e Vitaceae e todos os taxa integrantes dos clados Asteridae e Rosidae.P.D. Cantino, J.A. Doyle, S.W. Graham, W. S. Judd, R.G. Olmstead, D. E. Soltis, P.S. Soltis & M.J. Donoghue. 2007. Towards a phylogenetic nomenclature of Tracheophyta. Taxon 56 (3) 822–846

As análises filogenéticas de sequências completas do genoma do cloroplasto proporcionaram um esquema confiável para estabelecer as relações entre as principais linhagens das pentapétalas, fornecendo um padrão de referência para a investigação dos processos evolutivos que geraram uma grande parte da diversidade das angiospermas existentes.Soltis PS, Soltis DE, Chase MW(1999) Angiosperm phylogeny inferred from multiple genes as a tool for comparative biology. Nature 402:402–404. Face a estes resultados filogenéticos, está em curso a identificação dos caracteres que são exclusivos dos clados das «superasterídeas» e das «superrosídeas», e dos que surgiram de forma paralela em ambos, para explorar as suas implicações evolutivas.Magallón S., Castillo A. (2009) Angiosperm diversification through time. Am J Bot 96:349–365. Descrição As espécies pentapétalas apresentam, como o nome do clado deixa antever, um tipo de flor característica constituída por verticilos de cinco peças cada um. O perianto é formado por um cálice e uma corola perfeitamente diferenciados. As sépalas são inervados por três ou mais feixes vasculares, denominados rastos foliares, originados no sistema vascular do pecíolo, enquanto que as pétalas apresentam apenas um traço. O androceu usualmente apresenta o dobro das peças presentes no cálice e na corola, dispostas em dois verticilos. Quando o número de estames é maior que o dobro do número de peças do perianto, os estames ocorrem dispostos em fascículos ou formam uma espiral centrífuga.

Os grãos de pólen das espécies pentapétalas são caracteristicamente tricolpados. Este tipo de grão de pólen tem três ou mais poros dentro de sulcos que se denominam «colpos» ou «colpi». Em contraste, a maioria das restantes espermatófitas, isto é o conjunto formado pelas gimnospérmicas, monocotiledóneas e paleodicotiledóneas, apresentam pólen monossulcado, com apenas um poro situado numa ranhura denominada «sulco».

O gineceu das pentapétalas é composto usualmente por cinco carpelos unidos entre si, ainda que sejam também bastante comuns os gineceus formados por três carpelos. Nos casos em que o gineceu é composto por apenas dois carpelos, os mesmos são sobrepostos. Em geral, apresentam «compitum», uma região do estilo onde se unem os canais estilares dos diferentes carpelos numa só cavidade e na qual os tubos polínicos podem mudar de direcção de crescimento de um carpelo para o outro. Os óvulos são usualmente de placentação axilar. O pistilo remata em geral num estilo e num estigma que não é decorrente. O fruto é seco e deiscente e, quando é uma cápsula, apresenta deiscência loculicida. No que respeita à interacção entre o pólen e o pistilo, as pentapétalas apresentam um sistema de incompatibilidade gametofítica baseada no mecanismo de ARNasa.

Outra característica anatómica distintiva das pentapétalas é a presença de um meristema apical da raiz do tipo fechado. Do ponto de vista fitoquímico, este grupo de plantas apresenta cianogénese através da via metabólica dos aminoácidos ramificados, tais como a leucina, a isoleucina e a valina, biossintetizando glucósidos cianogénicos que por hidrólise originam cianeto. Diversidade Dilleniales thumb|right|150px|Flor de Dillenia indica (Dilleniales). As Dilleniales distinguem-se pelas suas folhas com venação secundária, usualmente forte e paralela, com nervuras que vão direitas até ao ápice de cada lobo foliar, sendo comum a venação terciária escalariforme. A lâmina foliar é usualmente áspera, com as folhas a tenderem a alongar-se quando ainda enroladas. A madeira é usualmente de coloração castanho vivo. Os pedicelos são articulados próximo do ápice e persistem depois da flor ter caído; as flores são usualmente conspícuas, com pétalas enrugadas e numerosos estames, que se curvam no ápice e em geral apresentam anteras com poros. Os frutos são pequenos folículos que contêm sementes com arilo. O cálice e os filamentos são persistentes, sendo o caule por vezes aderente.Stevens, P. F. 2010. , versão 7 (maio de 2006) e actualizado regularmente desde então. Data de acesso: 22/08/2011. Berberidopsidales thumb|150px|Flores de Berberidopsis corallina (Berberidopsidales). Berberidopsidales é uma ordem formalmente aceite apenas nas mais recentes classificações filogenéticas das angiospérmicas.Savolainen V, Chase MW, Hoot SB, Morton CM, Soltis DE, Bayer C, Fay MF, De Bruijn AY, Sullivan S, Qiu Y-L. 2000a. Phylogenetics of flowering plants based on combined analysis of platid atpB and rbcL gene sequences. Systematic Biology 49: 306–362.Soltis DE, Soltis PS, Chase MW, Mort ME, Albach DC, Zanis M, Savolainen V, Hahn WH, Hoot SB, Fay MF, et al. 2000. Angiosperm phylogeny inferred from 18 S rDNA, rbcL, and atpB sequences. Botanical Journal of the Linnean Society 133: 381–461. Inclui duas pequenas famílias, Aextoxicaceae e Berberidopsidaceae, que em conjunto incluem apenas três géneros e quatro espécies que se distribuem pelo Chile e pelo leste da Austrália.

Os caracteres distintivos da ordem estão em grande parte reflectidos na sua anatomia: a presença de cristais, especialmente drusas, nas folhas e nos pecíolos; os feixes vasculares do pecíolo que formam um anel; e os estomas da epiderme foliar que são de um tipo particular, denominado «ciclocítico». O androceu apresenta estames com o filamento rígido e as sementes apresentam endotesta.

As flores de Berberidopsis corallina não se diferenciam em sépalas e pétalas, mas exibem uma transição gradual de pequenas tépalas externas para tépalas internas, maiores e de cores brilhantes. O androceu é constituído por um anel de estames e apresenta três carpelos com placentação parietal. Pelo contrário, o género Aextoxicon apresenta flores unissexuais e pentâmeras. As flores masculinas apresentam um cálice e uma corola bem diferenciados e um androceu haplostémono. As flores femininas têm o mesmo tipo de perianto, mas o número de peças é mais variável.Baillon H. 1870. Elaeagnacées. Histoire des Plantes II. Paris: Hachette, 487–495Takhtajan A. 1997. Diversity and classification of flowering plants. New York: Columbia University Press

Considerando as diferenças entre os dois géneros que pertencem à ordem Berberidopsidales, foi sugerido que o desenvolvimento floral destas plantas é um «enlace» na evolução da flor das gunerídeas (Gunneridae),Louis P. Ronse De Craene. 2004. Ann Bot 94(5): 741-751Louis P. Ronse De Craene. 2007. Ann Bot 100(3): 621-630 e que a morfologia floral de Aextoxicon, com características como o número muito variável de sépalas e as pétalas dispostas em espiral, também é compatível com esta hipótese.Louis P. Ronse De Craene. 2010. Floral Development and Anatomy of Aextoxicon punctatum (Aextoxicaceae‐Berberidopsidales): An Enigmatic Tree at the Base of Core Eudicots. International Journal of Plant Sciences, 2010 Apesar disso, a posição das berberidopsidales na árvore filogenética não é congruente com a mesma. Santalales thumb|150px|Flores de Santalum album (Santalales). A ordem Santalales, com cerca de 160 géneros e 2 200 espécies distribuídas por todo o mundo, é um grupo monofilético que ocupou durante longo tempo uma posição indeterminada entre as Gunneridae.Malécot V., Nickrent D. L. 2008. . Systematic Botany 33: 97–106 Recentemente, os estudos filogenéticos baseados em dados moleculares do genoma completo do cloroplasto indicam que a posição mais correcta das Santalales é entre as asterídeas.Moore M., Bell C., Soltis P. S., Soltis D. E.. 2008. . Botany 2008: Botánica sem fronteiras, encontro anual da Sociedade Botânica da América, Vancouver, Columbia Britânica, Canadá, 97.

A ordem Santalales é ecologicamente diversa e inclui plantas de vida livre, como Erythropalum, assim como (hemi)parasitas. Entre estas últimas, há espécies que parasitam caules ou ramos, como os viscos do género Misodendrum, e parasitas da raiz, incluindo a árvore do sândalo (Santalum album), bem conhecida e economicamente importante já que extractos da sua madeira aromática são um componente de muitos perfumes.Nickrent D. L., Duff R. J., Colwell A. E., Wolfe A. D., Young N. D., Steiner K. E., De Pamphilis C. W. 1998. Molecular phylogenetic and evolutionary studies of parasitic plants. In Soltis D. E., Soltis P. S., Doyle J. J. [eds.], Molecular phylogenetic and evolutionary studies of parasitic plants. 211–241. Kluwer, Boston, Massachusetts, EEUU.Vidal-Russell R., Nickrent D. L.. 2007. . Systematic Botany 32: 560–568.Vidal-Russell R., Nickrent D. L.. 2008. The first mistletoes: . Molecular Phylogenetics and Evolution 47: 523–537.