Pigmaleão e a Imagem () é o segundo conjunto de quatro pinturas a óleo sobre tela do pintor inglês pré-rafaelita Edward Burne-Jones, pintadas entre 1875 e 1878, relativas à história de Pigmaleão e Galateia, pinturas que se encontram no Museu e Galeria de Arte de Birmingham.A Série Pigmaleão no BM&AG,
O conjunto de pinturas conta a história de Pigmaleão, um escultor de Chipre que recorreu ao apoio de Afrodite para alcançar a esposa ideal, história que consta de Metamorfoses de Ovídio, e que William Morris incluira no seu poema épico O Paraíso Terrestre (The Earthly Paradise) publicado entre 1868 e 1870 antes portanto de Burne-Jones ter criado a série.William Morris, Pygmalion and the Image, incluido em O Paraíso Terrestre (The Earthly Paradise), 1868-70, acessível no sítio Victorianweb, , e no Gutenberg Project,
Neste conjunto sobre Pigmaleão (1875-1878), Edward Burne-Jones corporiza a história clássica do amor e das aspirações humanas numa sequência narrativa de quatro imagens. Na história antiga, Pigmaleão, que não encontra nenhuma mulher suficientemente bela para amar, esculpe uma estátua de uma mulher ideal e acaba apaixonado por ela, pedindo a Afrodite que lhe dê uma mulher tal qual a estátua. A Deusa responde ao pedido dele dando vida à estátua a que dá o nome de Galateia e com quem ele se casa.Nota sobre a Série na victorianweb,
Pintado em tons delicados e suaves que contrastam com a rica paleta de trabalhos anteriores, como A Canção do Amor (Le Chant d´Amour, em Galeria) e Laus Veneris (1869), Burne-Jones trata esta alegoria grega com elementos do amor cortesão medieval. Pode-se considerar a série como um clara homenagem à escultura grega no tratamento pelo artista das figuras nuas e da roupagem. O pintor também expressa a busca romântica do amor puro e ideal com tons melancólicos de desejo ardente e não satisfeito, evidente na expressão do escultor, bem como nos títulos das obras. http://www.victorianweb.org/painting/bj/paintings/hikim7.html
Edward Burne-Jones havia pintado anteriormente entre 1868 e 1870 um idêntico conjunto de quatro pinturas a óleo sobre o mesmo tema que é propriedade de Andrew Lloyd Webber, podendo os dois conjuntos ser vistos e comparados em Galeria.A primeira série foi pintada quando Burne-Jones teve um caso com a sua aluna e também pintora Maria Zambaco. Burne-Jones que estava casado com Georgiana Burne-Joneʂ deixou-se apaixonar pelo seu modelo e musa, o que lhe provocou um conflito interno violento. Ver também a biografia do artista no sítio do BM&AG,
Nesta segunda série, Burne-Jones usa tons mais suaves, cores mais claras e linhas mais fluidas do que na primeira e apesar de ter sido pintada a óleo tem o brilho e os tons suaves do giz.
A Série
Pigmaleão e a Imagem I: Os Desejos do Coração A primeira imagem reproduz a primeira de quatro pinturas da série, Os Desejos do Coração. Pigmaleão está pensativo avaliando a sua vida solitária, tendo decidido permanecer celibatário face ao estilo de vida que lhe desagrada das mulheres locais. As estátuas atrás dele (uma emulação das Três Graças) são como que o eco das mulheres curiosas que o espreitam pela abertura da porta. Todas as cinco parecem fluidas, lânguidas e nada tímidas. Pigmaleão, olhando por cima da proliferação de tornozelos, coxas e nádegas refletidos no chão e no pedestal em frente dele, está a ponderar a sua próxima criação. Na sua meditação ignora as mulheres à sua volta enquanto imagina a estátua da mulher perfeita.
A maioria dos estudiosos concorda, com base num trecho das Memórias de Georgiana Burne-Jones, que a figura de Pigmaleão nesta segunda série foi baseada no designer William Benson, enquanto Antonio Corsi fora o modelo da primeira série. No primeiro quadro da primeira série há quatro figuras esculturais no fundo representando as Quatro Estações e na segunda série há apenas três esculturas, sendo agora as Três Graças.Birmingham Museu & Art Gallery,
O quadro Os Desejos do Coração pode ser interpretado como um prólogo da história. Burne-Jones retrata o jovem escultor perdido em pensamentos, e o trio das Graças esculpidas em fundo dá uma indicação dos seus pensamentos, pois estas figuras iluminadas por uma fonte de luz que jorra da direita, e que se vê pelo espelho no chão do lado esquerdo, estão refletidas no chão de mármore brilhante e servem para ajudar o escultor a alcançar o ideal artístico por que anseia. http://www.victorianweb.org/painting/bj/paintings/hikim7.html
Pigmaleão e a Imagem II: A Mão Detém-se (The Hand Refrains)
Nesta segunda imagem, Pigmaleão tem a revelação da mulher perfeita. Procedendo como um Deus, ele criou a mulher e agora recua para admirá-la, com a mão que segura o cinzel frio encostada ao rosto como que admirado com a revelação e receoso de tocar a sua criação novamente. A expressão do escultor é mais suave do que no primeiro quadro, Os Desejos do Coração, sendo o olhar revelador que se apaixonou por uma mulher feita de mármore.
Pigmaleão criou Galateia numa posição clássica de Vénus, mas ao contrário das três estátuas e das duas mulheres do primeiro quadro, Galateia parece consciente e embaraçada pela sua nudez, como que a tentar cobrir-se. Pigmaleão, apesar do seu desprezo pelo mundanismo das mulheres locais, criou-a deliberadamente nua e agora assume o papel de voyeur. Embora Pigmaleão esteja agora a olhar, e não a tocar, as várias ferramentas na base da estátua mostram quanto trabalho ele dispendeu para finalizar a estátua, tendo usado na criação de Galateia um maço pesado, um cinzel e lima, bem como uma escova com cerdas macias e quase transparente.
O segundo quadro mostra Pigmaleão em frente da sua obra concluída. A luz que entra pela janela destaca novamente a beleza da estátua, que representa também a limitação do poder humano - o trabalho árduo do artista produziu uma figura ideal, mas o seu esforço enquanto mortal não pode dar vida ao seu ideal.Nota na Victorianweb sobre o quaro, http://www.victorianweb.org/painting/bj/paintings/hikim7.html
Pigmaleão e a Imagem III: A Divindade Dá Vida (The Godhead Fires)
Na versão da história por Ovídio, a cena é situado quando Pigmaleão está no templo de Afrodite a orar pedindo perdão pelos anos que a esqueceu e implorando por uma esposa tão perfeita como a sua criação de mármore. Na sua ausência, Afrodite aparece no estúdio para dar vida a Galateia. Em termos físicos, as duas mulheres apresentam pouca diferença: a mesma expressão facial inatingível, a tonalidade de mármore, uma estatura de amazonas. Ironicamente, os braços entrelaçados delas e o olhar penetrante de Afrodite copiam as mulheres enlaçadas, tão desprezadas por Pigmaleão em Os Desejos do Coração.
Afrodite é identificada pela presença de pombas e rosas - símbolos usualmente associados à Deusa - e pela água a seus pés, o que é uma reminiscência do nascimento dela a partir do mar. Isto também representa o nascimento de Galateia, logo como mulher adulta. Nesta cena, que é fortemente evocativa da A Criação de Adão por Michelangelo no teto da Capela Sistina, a deusa traz cor e sensualidade ao estúdio austero de Pigmaleão e como que ampara a hesitante Galateia.S. Wildman, Edward Burne-Jones: Victorian Artist-Dreamer, Yale University Press (1998), passim. As cortinas coloridas que envolvem sugestivamente uma coluna trabalhada na esquerda não constam das outras imagens da série.O BM&AG tem também uma fotogravura deste quadro, de uma carteira em couro com 91 fotogravuras de pinturas originais. A gravura está assinada pelo filho de Burne-Jones, Philip. Cf.
Esta terceira pintura da série, A Divindade Dá Vida, demonstra o poder divino quando a deusa dá o sopro da vida. Sustentada numa nuvem de pombas e rosas, Afrodite ampara Galateia enquanto esta desperta ainda confusa. Metade mulher e metade estátua, os seus braços procuram apoio estando em transformação, enquanto os pés ainda estão colados ao pedestal sobre o qual foi criada.http://www.victorianweb.org/painting/bj/paintings/hikim7.html
Pigmaleão e a Imagem IV: A Alma Conseguiu (The Soul Attains) thumb|right|A Alma Conseguiu (The Soul Attains, 1878), 2ª Série, 99.4 cm x 76.6 cm, BM&AG Quando regressa a casa, Pigmaleão descobre que a sua estátua ganhou vida e ajoelha-se a seus pés.
Em A Alma Conseguiu, Burne-Jones representa a etapa final da lenda estando Pigmaleão ajoelhado em adoração diante da sua mulher acabada de se tornar realidade. Ela estende as mãos para ele, mas não o olha diretamente, mantendo uma expressão pensativa. Característico de muitas das mulheres de Burne-Jones, e das mulheres da pintura dos Pré-Rafaelistas, o seu olhar expressa um sentimento de mistério e de espiritualidade. É como se ela ainda não compreendesse a sua razão de ser e o que o seu criador conseguiu alcançar.
Outras séries de Burne-Jones Burne-Jones criou outras séries de pinturas, nelas se incluindoː
The Briar Rose (1885–1890), que foi baseada no conto de fadas Bela Adormecida (Sleeping Beauty) de Charles Perrault que foi recontada pelos Irmãos Grimm;
O Mito de Perseu () (1875-90s) constituido por quatro pinturas a óleo sobre tela e dez estudos a guache (incluindo os que deram origem às pinturas a óleo), pintados entre 1875 e a década de 1890, através dos quais representa a história mitológica de Perseu, estando as pinturas a óleo na Galeria Municipal de Estugarda, e os estudos a guache na Galeria Municipal de Arte de Southampton.
Ver também Metamorfoses de Ovídio Galateia e Pigmaleão
Galeria Pigmaleão e Galateia (primeira série)
Pigmaleão e a Imagem (segunda série)
Referências
Bibliografia Essaka, J., Pygmalion and Galatea: The History of a Narrative in English Literature, Ashgate, 2001. Gross, K., The Dream of the Moving Statue, Cornell University Press. 1992, (Uma ampla pesquisa de "estátuas vivas" na literatura e nas artes). MacCarthy, F., The Last Pre-Raphaelite: Edward Burne-Jones and the Victorian Imagination, Faber and Faber (2011). Parry, Linda (ed.), William Morris, Abrams (1996). Wildman, Stephen: Edward Burne-Jones: Victorian Artist-Dreamer, Metropolitan Museum of Art, 1998, ISBN 0-87099-859-5, Wood, Christopher (1981), Pre-Raphaelites, Londres: Weidenfeld and Nicolson, p. 119. Wood, Christopher, Burne-Jones, Phoenix Illustrated (1997).
Ligações externas
A série Pigmaleão no BM&AG Fotogravura de A Divindade dá Vida na série Pigmaleão e a Imagem no BM&AG, Sítio na web do BM&AG Pré-Raphaelitas Online Página com mais de 2,000 imagens de Pré-Rafaelitas Coleção do BM&AG online
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